Do centro de Estocolmo, na Suécia, bastam apenas vinte e cinco minutos de barco para você deixar para trás o burburinho da metrópole sueca e se ver numa realidade completamente diferente. O arquipélago de Estocolmo forma um labirinto gigantesco de quase trinta mil ilhas, recifes e rochas nuas, que se estendem por dezenas de quilômetros mar adentro no Báltico. Embora seja uma das maiores maravilhas naturais do norte da Europa, um número surpreendente de visitantes da cidade acaba deixando esse passeio totalmente de fora. Se você tem pelo menos alguns dias reservados para conhecer a região, recomendo muito colocar um passeio de barco no topo da sua lista, porque cada pedaço de terra por aqui respira uma atmosfera absolutamente única.

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro
- Passeio mais rápido: As ilhas Fjäderholmarna ficam a apenas 25 minutos de barco do centro, o que as torna o destino ideal para uma tarde tranquila de meio período.
- Melhor para famílias: Vaxholm funciona como a capital do arquipélago, com toda a infraestrutura, uma fortaleza histórica e muitos cafés.
- Transporte e barcos: O transporte principal é feito pelos barcos brancos da empresa Waxholmsbolaget, sendo que em algumas linhas próximas ao centro vale até o bilhete comum de transporte público.
- Grande desconto em 2026: O governo sueco subsidia o transporte público de forma geral, e o passe de trinta dias da SL ficou mais barato, custando incríveis 530 SEK (cerca de R$ 1.150).
- Pagamentos e dinheiro: A Suécia é praticamente cashless, mas no interior os vendedores costumam exigir o aplicativo local Swish, que você como turista não consegue ativar, então leve um pouco de dinheiro em espécie.
- Bebida para a viagem: Bebidas acima de 3,5% de álcool só são vendidas nas lojas estatais Systembolaget, que ficam rigorosamente fechadas no sábado à tarde e no domingo.

14 dicas de qual ilha escolher e o que você precisa saber
Se orientar nesse imenso labirinto de vias aquáticas pode parecer um pouco assustador à primeira vista, mas assim que você entende a divisão básica, tudo se encaixa lindamente. O arquipélago se divide informalmente em uma faixa interna verde e cheia de florestas, uma parte central com as clássicas casinhas vermelhas e as rústicas ilhas externas, onde você encontra apenas rochas de granito castigadas pelo vento. Vamos ver como escolher o destino certo exatamente de acordo com o seu tempo e como planejar toda a logística sem estresse.

1. Vaxholm: A porta de entrada ideal para o arquipélago
Se você viaja com crianças pequenas, está com o tempo apertado ou simplesmente teme longas travessias em mar aberto, Vaxholm é aposta certa. A viagem de barco a partir de Estocolmo leva uma horinha bem agradável e a cidadezinha oferece uma infraestrutura completa. Você vai encontrar ruelas pitorescas ladeadas por casas de madeira tradicionais, que praticamente convidam para longos passeios de tarde. Vaxholm funciona como a capital não oficial de todo o arquipélago, então não precisa se preocupar em não encontrar civilização e conforto por aqui.
A maior atração é, sem dúvida, a imponente fortaleza Vaxholms fästning. Você chega facilmente a essa construção histórica, que um dia protegeu Estocolmo de invasões inimigas vindas do Báltico, por meio de uma balsa local rapidinha. A própria visita à fortaleza encanta não só os amantes da história, mas também as famílias com crianças, porque oferece muitos cantinhos interativos. A entrada custa cerca de 150 SEK (aproximadamente R$ 330) e vale a pena pelas vistas incríveis das muralhas maciças sobre as águas cintilantes ao redor.
Depois de voltar da fortaleza ao centro da cidadezinha, reserve um tempo para um autêntico fika sueco. Os cafés locais assam pãezinhos de canela e cardamomo fantásticos, que combinam perfeitamente com um café coado bem forte. É simplesmente o destino ideal para um passeio de meio período, quando você quer sentar tranquilamente numa mesinha ao ar livre, comprar um sorvete artesanal delicioso e absorver a verdadeira atmosfera das ilhas sem planejamento complicado.
💡 Dica: Os barcos para Vaxholm partem direto do terminal Strömkajen, no centro de Estocolmo. O ideal é vir logo cedo, para evitar as maiores multidões que chegam à cidade por volta do meio-dia nos meses de verão.
2. Fjäderholmarna: A degustação mais rápida possível
Essas ilhotas, as mais próximas do centro, são chamadas com toda razão de porta de entrada do arquipélago, porque a viagem a partir da parada Slussen ou Nybrokajen leva apenas 25 minutos. Não espere aqui uma natureza totalmente selvagem como na faixa externa; Fjäderholmarna atrai os visitantes mais para um relaxamento tranquilo de tarde, pertinho da civilização. É uma solução genial para quem tem só um fim de semana prolongado para conhecer Estocolmo e não pode passar o dia inteiro em um barco.
Bem à beira da água funcionam com sucesso oficinas artesanais interessantes e uma cervejaria local renomada, onde você pode passar horas muito agradáveis degustando as especialidades da casa. Pare numa vidraria ou numa oficina de cerâmica local, onde você vê os artistas trabalhando ao vivo. Se bater a fome, vai encontrar ótimos restaurantes que, embora tradicionalmente apostem no peixe local, preparam sem problema saladas vegetarianas fartas ou excelentes tábuas de queijo para acompanhar a cerveja.
As ilhotas são pequenininhas, mas suas margens rochosas oferecem bastante espaço para sentar com vista para as balsas que passam. Está em Estocolmo num city-break rápido de fim de semana e só tem uma única tarde livre para o passeio de barco? Então não tem o que pensar, essa é a sua parada. Em meia hora você está lá, em três horas volta para o jantar e ainda viu o mar, as rochas e provou a cerveja local.
💡 Dica: O bilhete de barco para Fjäderholmarna custa cerca de 175 SEK (aproximadamente R$ 385) ida e volta, e no verão os barcos fazem o trajeto mais ou menos a cada meia hora. Você pode comprar os bilhetes direto no porto.

3. Grinda: O meio-termo perfeito em contato com a natureza
Para muitos viajantes, Grinda representa o equilíbrio perfeito entre acessibilidade e a paisagem nórdica intocada. A ilha funciona como uma imensa reserva natural, a cerca de uma hora e meia a duas horas de barco do centro movimentado. Mas o melhor de Grinda é que não circula nenhum carro por lá, então, assim que você desembarca, fica imediatamente cercado apenas pelo sussurro das árvores e pelo canto dos pássaros.
Ao seu redor você vai ver apenas florestas densas de pinheiros, prados verdes com vacas pastando e algumas enseadas menores que convidam ao banho nos meses de verão. A água por aqui costuma ser surpreendentemente calma e nos dias de sol esquenta rápido. Ao mesmo tempo, você não vai passar por nenhuma privação, porque funciona sem problemas a famosa pousada Grinda Wärdshus, uma pequena loja de campo e uma locadora de caiaques do mar muito bem equipada.
Aqui você pode curtir um dia lento perfeito. Caminhe pela rede de trilhas perfeitamente sinalizadas, que levam por mirantes até praias afastadas. No almoço, você pode montar seu próprio piquenique sobre as rochas de granito aquecidas, ou seguir para a pousada mencionada para uma sopa vegetariana reforçada e pão fresco. Enfim, é aquele tipo de dia depois do qual você volta para o barco à noite com as pernas leves e a cabeça cheia de pinheiros.
💡 Dica: Se você planeja um passeio de caiaque, recomendo chegar no primeiro barco da manhã. A locadora enche rápido em julho, e a superfície do Báltico costuma estar mais calma de manhã, o que os iniciantes vão adorar.

4. Sandhamn: A cena da vela na faixa externa
Sandhamn fica na própria borda do arquipélago de Estocolmo, exatamente onde já começa o mar aberto indomado. A viagem até lá leva mais de duas horas e consome praticamente o dia inteiro, mas a ilha é considerada a meca absoluta da vela sueca. No verão isso aqui ferve de verdade: a música dos bares do porto ecoa até tarde da noite e as marinas ficam lotadas sob o assédio de veleiros lindíssimos de toda a Europa.
Mas não se deixe desanimar pelo agito inicial no cais. Basta atravessar por estreitas trilhas entre os pinheiros até a margem oposta da ilha para descobrir lindas praias de areia ladeadas por dunas, como a popular praia de Trouville. Aqui você vai se sentir mais em algum lugar do Mediterrâneo do que no norte rústico. A areia é incrivelmente fina e a água, refrescante.
Sandhamn te serve a experiência mais autêntica da faixa externa rústica, aonde os turistas comuns do centro muitas vezes nem chegam. Você pode vagar por caminhos de areia entre casas antigas de pescadores, admirar iates de luxo e absorver o cheiro salgado do mar. Numa rua, uma casa de pescador com pintura anterior à guerra; dez metros adiante, um iate de um milhão de euros. Sandhamn é simplesmente assim.
💡 Dica: O bilhete de ida e volta no barco rápido Cinderella sai por pouco menos de 400 SEK (cerca de R$ 880). Como é um destino muito popular, compre os bilhetes para as travessias de fim de semana em julho online, tranquilamente com várias semanas de antecedência.

5. Utö: Ciclismo e história da mineração no sul
Enquanto a maioria dos visitantes segue automaticamente para a parte central ou norte do arquipélago, Utö reina orgulhosa lá no sul. É um pedaço de terra bastante grande, com uma extensa rede de estradas pavimentadas, então o melhor jeito de explorar é de bicicleta. Felizmente, você não precisa trazer a sua na balsa, porque há uma locadora enorme a poucos passos da saída do porto principal.
A ilha se orgulha de uma história de mineração realmente fascinante. Aqui você encontra as minas de ferro mais antigas de toda a Suécia, hoje abismos profundos inundados e cercados por rocha escura, e bem acima deles se ergue um moinho de vento histórico, de onde há uma vista fantástica antes de você sair pedalando pela costa, através de florestas densas, até chegar às praias desertas.
Depois de um bom esforço físico, com certeza você vai querer repor as energias. Nesse quesito, é obrigatório visitar a famosa padaria local Utö Bakgård. O pão fresquinho e os gigantescos nós de cardamomo perfumam a léguas. Utö é simplesmente o destino ideal para quem é mais ativo, não aguenta ficar deitado na praia e quer curtir o dia na ilha se movimentando de verdade.
💡 Dica: Se você planeja dar a volta na ilha inteira, conte com um trajeto de cerca de vinte quilômetros. Alugar a bicicleta pelo dia todo custa cerca de 250 SEK (aproximadamente R$ 550) e, na alta temporada, é sensato fazer a reserva com antecedência.

6. Möja e Finnhamn: Opções mais tranquilas para estadias longas
Se você busca uma verdadeira fuga das multidões de verão e tem mais do que apenas um dia corrido para explorar o arquipélago, com certeza volte sua atenção para as ilhas de Möja ou Finnhamn. Esses pedaços de terra ficam bem mais longe da cidade e preservam um ar muito tradicional, com vilarejos de pescadores originais, estradas de terra e um mínimo absoluto de atrações comerciais.
São lugares absolutamente ideais para o chamado slow travel. Aqui você pode alugar uma pequena cabana de madeira, passar dias inteiros lendo seus livros favoritos sobre as rochas de granito aquecidas e à noite caminhar em silêncio absoluto por florestas densas. Não vai encontrar tantos restaurantes e bares agitados como em Sandhamn, mas em compensação ganha muito mais espaço para esvaziar totalmente a cabeça e fazer um detox digital.
Möja é um pouco maior e oferece alguns vilarejos pequenos conectados por uma estrada de terra, enquanto Finnhamn passa uma impressão ainda mais recolhida e intimista. As duas ilhas te obrigam a desacelerar de vez. Você vai cozinhar com o que trouxe, à noite olhar as estrelas e de manhã pular no mar gelado, porque por que não.
💡 Dica: Como há poucas lojas, compre a maior parte dos alimentos não perecíveis e das guloseimas ainda nos supermercados de Estocolmo. Nas ilhas você encontra só o básico absoluto, e ainda com uma sobretaxa de ilha bem salgada.

7. Nämdöskärgården: O novo parque nacional 2025/26
Procura algo que com certeza você não vai encontrar em guias impressos mais antigos? Anote na sua lista de viagem Nämdöskärgården, que o governo sueco declarou solenemente no fim de 2025 como um parque nacional totalmente novo da Suécia. Esse parque detém um recorde absoluto, porque é o primeiro grande parque nacional marinho de todo o mar Báltico.
Ele se estende por uma enorme superfície de água e abrange mais de mil e trezentas ilhas, ilhotas e recifes nus desabitados. Isso o torna um verdadeiro paraíso para os praticantes de caiaque, os observadores de aves e os amantes do silêncio absoluto. Aqui você pode remar por horas em enseadas rasas, observar águias-marinhas e curtir a sensação de isolamento absoluto do mundo ao redor. A natureza aqui permanece rústica e perfeitamente intocada.
Ao contrário de muitos parques nacionais famosos do sul da Europa ou da América, aqui não espere nenhum sistema de reservas nem catracas. A entrada no parque nacional continua totalmente gratuita e você paga apenas pelo transporte de barco até o ponto de partida. Simplesmente chega, paga o bilhete do barco e a natureza é sua. Sem catracas, sem reservas de entrada, sem filas.
💡 Dica: No parque nacional valem regras bem mais rígidas para camping do que no resto do arquipélago. Você só pode montar barraca em locais previamente demarcados e fazer fogueira fora dos pontos oficiais é proibido, sob pena de multa pesada.

8. Como chegar às ilhas: A logística dos barcos
O transporte pelo imenso arquipélago é uma experiência maravilhosa por si só, mas exige de você um planejamento um pouco mais cuidadoso e leitura dos horários. A espinha dorsal do transporte público são os clássicos barcos brancos da empresa Waxholmsbolaget, que operam de forma totalmente confiável o ano inteiro e conectam com paciência até os cantos mais isolados do arquipélago à civilização. A viagem neles é mais lenta, mas incrivelmente romântica.
Uma alternativa mais ágil e bem mais moderna são os barcos rápidos Cinderellabåtarna. Você paga um pouquinho a mais, mas os motores potentes economizam bastante do seu precioso tempo na viagem para as ilhas mais distantes, como justamente Sandhamn. Enquanto o barco clássico se arrasta por mais de duas horas, o Cinderella vence a distância muito mais rápido e você ganha mais tempo para explorar o destino em si.
Seja escolhendo a romântica lentidão ou a velocidade moderna, lembre-se de uma regra absolutamente essencial da vida nas ilhas. Confira sempre duas vezes o horário de partida do último barco de volta a Estocolmo. Se você perder, os táxis aquáticos particulares vão custar uma pequena fortuna e uma pernoite na ilha sem reserva prévia em julho é praticamente impossível de conseguir.
💡 Dica: No verão, reserve sempre os bilhetes dos barcos Cinderella com bastante antecedência online. Nos barcos mais lentos da Waxholmsbolaget basta estar no porto na hora, porque os bilhetes costumam ser comprados a bordo, depois de embarcar.

9. Preços dos bilhetes de barco e subsídios em 2026
Se você planeja mais de um passeio pelas ilhas e quer explorar o arquipélago de cabo a rabo, considere comprar o passe especial das ilhas chamado Båtluffarkort. Ele permite um número ilimitado de viagens por cinco ou trinta dias. Mas para 2026 há outra novidade financeira ainda mais interessante, que os turistas estrangeiros ainda mal conhecem.
O governo sueco decidiu subsidiar maciçamente o transporte público e, graças a isso, o passe de trinta dias da SL ficou mais barato, custando incríveis 530 SEK (cerca de R$ 1.150). Os bilhetes avulsos comuns para o barco Waxholmsbolaget variam entre 60 e 170 SEK por trecho, dependendo da distância, então, se você passar uma semana em Estocolmo usando transporte público e barcos, o passe mensal subsidiado se paga rapidinho.
Além disso, os bilhetes urbanos da SL costumam valer também nos barcos suburbanos próximos ao centro (por exemplo, a popularíssima linha 80). A integração deles com os trajetos mais longos da Waxholmsbolaget muda com frequência conforme a temporada. No inverno o passe urbano te leva mais fundo no arquipélago, enquanto no verão valem outras regras.
💡 Dica: Confira sempre com antecedência, no aplicativo oficial da SL ou direto com o pessoal no porto, até onde o seu passe urbano barato te leva de graça, para evitar o desagradável pagamento extra a bordo do barco.

10. Quando ir: A sazonalidade do verão sueco
A Suécia tem duas faces completamente diferentes e o arquipélago mostra isso sem meias palavras. Julho é o mês do chamado Industrisemester, quando a Suécia inteira tira suas férias de um mês em massa. Nesse período as ilhas ficam lotadas, todos os cafés de verão funcionam a todo vapor e a água do mar atinge suas temperaturas máximas. É tudo incrivelmente animado, mas nas balsas às vezes você simplesmente não consegue lugar sentado.
Se você busca aquela desejada calmaria nórdica, recomendo ir em junho ou, idealmente, ao longo de setembro. Em setembro a paisagem das ilhas se tinge de uma linda luz dourada, os barcos de passeio ficam de repente semivazios e, principalmente, some do ar aquele inseto chato. Sobretudo os pequenos mosquitos chamados knott conseguem ser bem irritantes no auge do verão nas áreas pantanosas, embora perto do mar não seja tão terrível quanto no norte do país.
Já a visita no inverno fica reservada apenas para os viajantes mais experientes e apaixonados. O mar Báltico ao redor das ilhas costuma congelar e os barcos de passeio operam num regime bem reduzido, só para abastecer os moradores fixos. Mas, se você se agasalhar bem, o que espera é uma experiência rústica, silenciosa e visualmente absolutamente impressionante, cheia de blocos de gelo e um céu azul-escuro.
💡 Dica: Se você for na alta temporada (julho e agosto), leve na mochila um bom repelente com alto teor de DEET, que funciona bem contra os mosquitos locais, e roupas de manga longa para os passeios do fim de tarde.

11. De caiaque pelo arquipélago: O melhor ângulo de visão
A vista das ilhas do convés superior da balsa é legal, mas só a partir da superfície da água, no caiaque, é que você percebe o quanto essas rochas são gigantescas e o quanto você é pequeno. A água aqui costuma ser muito calma e protegida das grandes ondas do mar aberto, graças à barreira das ilhas externas, então até iniciantes absolutos, que nunca antes estiveram num barco, podem começar a remar sem grandes preocupações.
Se você não se sente seguro para ir por conta própria, use as locadoras locais em Vaxholm ou direto no centro de Estocolmo, onde você pode pagar um passeio seguro de dia inteiro com um guia local. Os caiaques duplos modernos são extremamente estáveis e os instrutores experientes te levam a enseadas rasas maravilhosas, onde os grandes barcos a motor simplesmente nunca entram por causa do calado.
Já para os remadores mais experientes, os operadores locais oferecem expedições de vários dias. Você recebe um caiaque equipado, um mapa, uma barraca e sai por conta própria para descobrir ilhotas desabitadas. Dorme sob as estrelas, cozinha no fogareiro a gás e à noite tira o sal do corpo com um banho de mar. É, disparado, o jeito mais aventureiro de vivenciar o arquipélago.
💡 Dica: Mesmo que você vá só num passeio de meio período, peça sempre à locadora um saco estanque (dry bag) para o celular, os documentos e uma muda de roupa seca. O tempo no Báltico muda rápido e uma onda inesperada de um barco que passa pode te pegar de surpresa.

12. Camping e as regras do Allemansrätten
O direito sueco de livre acesso à natureza, chamado allemansrätten, permite que você monte a barraca por uma a duas noites praticamente em qualquer lugar na natureza selvagem. No arquipélago, porém, isso tem suas particularidades bem rígidas, que você precisa respeitar, porque muitas ilhas são de propriedade privada e nelas ficam as queridas casas de verão dos moradores locais.
A regra básica é bem clara: você não pode incomodar os moradores e precisa manter uma distância respeitosa. Existe a chamada hemfridszon (zona privada). Se numa ilhota você vê uma casa, um cais com um barco ou um gramado bem cuidado, é melhor ir bem mais longe e procurar recifes rochosos desabitados, onde você não estará à vista de ninguém.
Os suecos também adoram tanto ficar ao ar livre que construíram por todo o país abrigos de madeira chamados vindskydd. São gratuitos, muitas vezes com fogueira e um estoque de lenha seca, mas nos parques nacionais e nas reservas de aves confira sempre as placas informativas, porque o camping livre costuma ficar limitado apenas a locais demarcados.
💡 Dica: Se você vai acampar em rochas isoladas, leve uma barraca autoportante (do tipo iglu). É que na rocha dura de granito você simplesmente não crava as estacas comuns e vai ter que improvisar amarrando a barraca a pedras pesadas.

13. Banho de mar e temperatura da água no Báltico
Quando se fala em Suécia, poucos imaginam umas clássicas férias de praia, mas os meses de verão nórdico conseguem ser inesperadamente quentes por aqui. Nas enseadas rasas e protegidas do arquipélago, a água em julho e agosto costuma esquentar até 18 a 20 graus, o que, depois de um dia inteiro de trekking ou remada sob o sol, é um refresco absolutamente perfeito e desejado.
As praias de areia mais bonitas, com areia branca e fina, você encontra na ilha externa de Sandhamn, mas na maioria das outras ilhas predominam mais os rochedos lisos de granito, que a geleira desgastou ao longo de milênios em formas perfeitas. É justamente dessas rochas que você mergulha direto na água profunda e azul-escura. Não há nada melhor do que, depois do banho, se esticar sobre a rocha aquecida e se deixar secar sob o sol nórdico.
Em muitas áreas de banho públicas nas ilhas maiores (por exemplo, em Grinda ou Utö), você encontra também vestiários simples de madeira e, às vezes, plataformas de onde dá para descer confortavelmente ao mar. O banho no Báltico é muito agradável graças à salinidade bem mais baixa, e você não vai ter aquela sensação de precisar tomar uma ducha de água doce logo em seguida.
💡 Dica: Leve na mochila um bom sapato aquático. Em alguns lugares, as pedras embaixo d’água podem ser traiçoeiramente escorregadias ou densamente cobertas de conchas afiadas, nas quais você corta o pé com facilidade.

14. Comida, fika e o traiçoeiro aplicativo Swish
Os botecos locais das ilhas tradicionalmente montam seus cardápios em torno do peixe local e de gigantescos sanduíches abertos recheados de camarão, maionese e ovos, que em sueco se chamam räksmörgås e são um tesouro nacional. Mas, se você prefere uma alimentação sem carne, recomendo experimentar as excelentes padarias suecas, onde você pode se dar ao ritual tradicional do fika com um pãozinho de cardamomo, ou pedir nos restaurantes fartos bufês de saladas vegetarianas, que muitas vezes estão inclusos no preço do menu do almoço.
Mas prepare-se para uma grande armadilha tecnológica, na qual muitos turistas quebram a cara. A Suécia é uma sociedade quase cem por cento cashless e os pequenos vendedores de cerveja, sorvete ou morangos à beira do caminho muitas vezes aceitam apenas o aplicativo local Swish. Só que essa plataforma de pagamento você, como turista sem conta bancária sueca e sem número de registro pessoal, simplesmente não consegue ativar.
Pode acontecer facilmente de você estar com a carteira cheia, um cartão funcionando, mas não conseguir comprar aquele sorvete numa barraquinha simples, porque eles não têm uma maquininha comum. Por isso, tenha sempre com você, por via das dúvidas, uma reserva de emergência em dinheiro vivo, em notas pequenas, porque de vez em quando o vendedor tem pena de você e aceita.
💡 Dica: Se você planeja alugar uma cabana e está ansioso por um churrasco à noite com uma garrafa de vinho, compre o estoque de álcool (acima de 3,5%) ainda no centro de Estocolmo, nas lojas estatais Systembolaget. Essas lojas fecham rigorosamente já a partir das 15h no sábado e o domingo inteiro, e nas ilhas pequenas você logicamente não vai encontrá-las.

Transporte por barco: como chegar às ilhas
A base de um passeio bem-sucedido é entender como as frotas locais realmente funcionam. O arquipélago de Estocolmo é servido por duas grandes empresas de barcos e cada uma se encaixa num tipo de viagem um pouco diferente. A espinha dorsal de toda a rede é a empresa Waxholmsbolaget. Seus típicos barcos brancos com uma faixa azul cruzam o mar o ano inteiro e te levam até as ilhotas mais isoladas. A frota inclui de tudo, de barcos a vapor históricos a balsas modernas, mas em geral a viagem com eles é uma experiência mais lenta, com paradas em muitos pequenos cais.
Se você está com o tempo apertado e quer chegar às ilhas externas (como Sandhamn ou Möja), prefira os barcos Cinderella Båtarna (operados pela empresa Strömma). São catamarãs elegantes e rápidos, que cortam as distâncias tranquilamente pela metade. Os bilhetes deles são mais caros, não valem os subsídios estatais e, no verão, você precisa obrigatoriamente reservar o lugar com antecedência online, porque costumam esgotar sem dó.
A maioria dos barcos parte do próprio centro de Estocolmo, especificamente de dois cais principais: Strömkajen (bem em frente ao Palácio Real) e Nybroplan (a poucos passos do mercado Östermalm). Para os passeios mais curtos, por exemplo às ilhas Fjäderholmarna, os barcos costumam partir do terminal Slussen.
E agora uma coisa que surpreende muita gente: o bilhete comum da SL vale também em algumas linhas suburbanas de barco, sendo a mais popular delas a linha número 80. Ela te leva à borda interna do arquipélago e funciona basicamente como um ônibus aquático. A integração dos bilhetes da SL com os trajetos mais longos da Waxholmsbolaget muda conforme a época do ano, então prefira sempre perguntar ao pessoal ao embarcar. Nos barcos da Waxholmsbolaget você também costuma poder levar a bicicleta por uma pequena taxa, bastando avisar a tripulação ao embarcar para que eles te ajudem a guardá-la com segurança a bordo.

Qual ilha escolher de acordo com o tempo
Para você não se afogar nesse mar de milhares de ilhas logo no planejamento, separei os melhores destinos de acordo com quanto tempo você pode dedicar a eles.
Cenário 1: Só tenho uma tarde livre (passeio de meio período) Se você tem só um fim de semana em Estocolmo e não quer passar horas no barco, sua única e melhor escolha são as ilhas Fjäderholmarna. A travessia dura menos de meia hora e o preço da ida e volta gira em torno de 175 SEK (cerca de R$ 385). Na ilha você percorre as oficinas artesanais, toma um ótimo café com vista para o mar e, em três horas, está confortavelmente de volta ao centro da cidade para o jantar.
Cenário 2: Tenho um dia inteiro (o clássico bate e volta) Aqui, decida de acordo com quem viaja com você. Para famílias com crianças ou amantes da história, o ideal é Vaxholm. A travessia dura uma hora, o bilhete custa poucos trocados e a fortaleza te entretém a manhã toda. Se você viaja a dois e busca mais natureza, florestas e um banho eventual nas enseadas, embarque e vá menos de duas horas até a ilha de Grinda. A pousada local e as trilhas tranquilas criam para você uma fuga perfeita da realidade.
Cenário 3: Quero passar uma noite Se você tem tempo reservado para uma pernoite, embarque no barco rápido Cinderella rumo a Sandhamn. A travessia leva cerca de duas horas e o bilhete sai por 400 SEK (cerca de R$ 880). Durante o dia você curte lindas praias de areia e à noite, quando todos os turistas de bate e volta já partiram, absorve a verdadeira atmosfera do luxuoso vilarejo de velejadores. Mas reserve a hospedagem tranquilamente com meio ano de antecedência, as vagas são bem limitadas.
Cenário 4: Tenho um fim de semana inteiro ou mais Para uma estadia de vários dias, vale a pena ir mais fundo. Mire ao sul, na ilha de Utö, onde você aluga bicicletas logo no porto e explora as antigas minas de ferro e a costa incrível. Se você busca a natureza mais selvagem e o silêncio absoluto, compre um bilhete para o novo parque nacional Nämdöskärgården. Lá você aluga um caiaque e passa os dias remando no imenso labirinto de rochedos desabitados.

Onde se hospedar nas ilhas
💡 Dica de hospedagem e experiências: Nós preferimos procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam estar as melhores condições de cancelamento. Já os ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.
As vagas de hospedagem são bem limitadas e, nos meses de verão, deixar a reserva para a última hora só se você gosta de arriscar. Se você decidir não ficar só num bate e volta, o que espera é uma experiência fantástica com o silêncio da noite, assim que partir o último barco para Estocolmo.
- Albergues da associação sueca de turismo (STF): Uma alternativa absolutamente ótima e com bom custo-benefício são os albergues da STF, como o muito bem avaliado STF Utö Vandrarhem. Esses albergues não têm nada a ver com os hostels baratos de balada. Eles oferecem quartos bem limpos e simples, cozinhas compartilhadas totalmente equipadas (onde você prepara sua própria comida com tranquilidade) e uma atmosfera comunitária fantástica. O preço por cama costuma ficar entre 600 e 800 SEK (R$ 1.300–1.750).
- As clássicas pousadas das ilhas: Se você busca mais conforto, romantismo e não quer se preocupar em cozinhar, uma ótima escolha é a renomada Grinda Wärdshus. É um lindo prédio tradicional com um restaurante excelente, cercado só por florestas e água. Um quarto de casal fica em torno de 1.800 SEK (cerca de R$ 3.960) por noite, dependendo da temporada.
- Luxo à beira-mar para velejadores: Para os amantes de uma vida mais agitada e do máximo conforto, na faixa externa há o icônico Sandhamn Seglarhotell. Ele funciona como o centro social de toda a ilha. Oferece um belo spa, piscinas e vistas direto para o porto cheio de veleiros de luxo. Mas aqui os preços costumam passar de 2.500 SEK (R$ 5.500) por noite, e no verão costuma lotar.
- Aluguel de uma cabana tradicional: Quer viver o verdadeiro sonho do slow living e se sentir por um tempo como um morador local? Por meio de plataformas suecas populares, como a Stugknuten, você aluga uma clássica cabana vermelha bem à beira da água, direto com proprietários particulares. Muitas vezes vem até com um barquinho incluso e o aluguel semanal sai, para uma família, muitas vezes mais em conta do que algumas noites num hotel convencional.

Onde comer nas ilhas
A gastronomia das ilhas suecas é uma experiência por si só. O ar salgado desperta o apetite na hora e, embora muitos passeadores levem seus próprios lanches para o piquenique, seria uma pena enorme não experimentar pelo menos alguns estabelecimentos locais. O peixe é a estrela por aqui, mas, com a crescente popularidade da alimentação sem carne, as ilhas se adaptaram fantasticamente, então até os vegetarianos vão encontrar boas opções.
Se você for a Grinda, recomendo visitar a famosa pousada Grinda Wärdshus, uma das melhores de todo o arquipélago. Ela oferece um ótimo menu sazonal e vista direta para a água. Já na ilha de Utö você precisa experimentar a querida padaria Utö Bakgård. Os nós de cardamomo fresquinhos deles são absolutamente obrigatórios depois de um dia inteiro de ciclismo. E se você for só até as mais próximas Fjäderholmarna, ancore na cervejaria local Fjäderholmarnas Bryggeri, onde você prova cervejas artesanais da região.

Resumo prático e preços de referência
Ao planejar o orçamento, lembre-se de uma regra simples: uma coroa sueca equivale a cerca de R$ 0,53 para você ter o preço em reais. Aqui está um resumo dos itens mais importantes para 2026:
- Passe mensal subsidiado da SL: 530 SEK (cerca de R$ 1.150)
- Bilhete avulso da SL (75 minutos): 42 SEK (cerca de R$ 22)
- Bilhete de barco Waxholmsbolaget: de 60 a 170 SEK, conforme a distância
- Menu do almoço (dagens rätt): 120 a 150 SEK (cerca de R$ 65–80)
- Café e pãozinho de canela (fika): 65 a 100 SEK (cerca de R$ 35–55)
- Cerveja num restaurante das ilhas: 70 a 95 SEK (cerca de R$ 40–50)
- Cerveja na loja estatal Systembolaget: 18 a 35 SEK (cerca de R$ 10–20)
💡 Aviso importante sobre o álcool: Se você planeja um encontro à noite na cabana, compre os estoques ainda em Estocolmo. Álcool acima de 3,5% só é vendido nas lojas estatais Systembolaget, que encerram o expediente às 15h em ponto no sábado e não abrem de jeito nenhum no domingo. Nas próprias ilhas pequenas você logicamente não vai encontrar essas lojas.
Para onde ir depois
- Estocolmo: 25 dicas do que ver e viver
- Onde se hospedar em Estocolmo: bairros e hotéis
- Suécia: 30 dicas do que ver e viver
- Quando ir para a Suécia: o clima mês a mês
- Preços na Suécia: quanto custa uma viagem
Perguntas frequentes
O arquipélago é imenso e planejar a viagem pode gerar, no início, um monte de dúvidas. Principalmente quando se trata de transporte ou das regras nórdicas, é bom ter tudo claro antes mesmo de embarcar no barco.
Por isso, reuni para você as respostas às perguntas mais frequentes que recebo sobre os passeios às ilhas, para que você possa partir sem nenhum estresse.
Qual ilha devo escolher para um passeio de um dia?
Se você tem pouco tempo e quer uma fuga rápida da cidade, vá para as ilhotas de Fjäderholmarna, onde a travessia dura apenas 25 minutos. Se você está viajando com a família e quer ver uma fortaleza histórica e ruelas cheias de cafés, escolha Vaxholm. Para os amantes da natureza e de caminhadas, Grinda é absolutamente ideal, fica a menos de duas horas de barco e oferece belas florestas sem carros.
Como chego às ilhas e quanto custa a passagem?
A forma mais comum são os barcos brancos públicos da empresa Waxholmsbolaget, onde você compra a passagem diretamente a bordo ou pelo aplicativo móvel. Os preços variam de 60 a 170 SEK dependendo da distância. Os barcos expressos Cinderella Båtarna são consideravelmente mais caros e você precisa reservá-los com antecedência, mas economizam muito tempo na viagem para ilhas distantes como Sandhamn.
Minha passagem comum de transporte público de Estocolmo vale nos barcos?
Em algumas linhas suburbanas (por exemplo, a muito popular linha 80) sua passagem clássica SL ou cupom mensal subsidiado são válidos. A integração com as rotas mais longas da Waxholmsbolaget, no entanto, muda conforme a temporada. No inverno, o passe geralmente vale mais fundo no arquipélago do que durante o movimentado verão, então sempre verifique no aplicativo SL antes de embarcar.
Quando é a melhor época para visitar o arquipélago?
A alta temporada ocorre em julho e agosto, quando a água está mais quente e absolutamente todos os cafés e restaurantes estão abertos, mas você deve contar com grandes multidões de suecos de férias. Para uma experiência mais tranquila e passeios de caiaque, recomendo ir em junho ou, idealmente, em setembro, quando os insetos irritantes já desapareceram e a luz do outono é maravilhosa.
Dá para nadar no Mar Báltico ao redor das ilhas?
Sim, em baías rasas protegidas a água durante julho e agosto normalmente se aquece para refrescantes 18 a 20 graus Celsius. As melhores praias de areia fina você encontra na ilha de Sandhamn. Na maioria dos outros lugares, você nadará a partir de rochedos de granito liso, para os quais definitivamente vale a pena levar sapatos para água.
Posso montar barraca livremente nas ilhas?
Graças ao direito sueco allemansrätten, você pode montar uma pequena barraca por uma ou duas noites praticamente em qualquer lugar na natureza, desde que não esteja em propriedade privada ou à vista de residências. Nos parques nacionais (como o novo Nämdöskärgården) e em reservas de aves, no entanto, aplicam-se restrições locais mais rigorosas e acampar só é permitido em locais designados.
Por que não aceitam dinheiro em espécie nas ilhas?
A Suécia é uma sociedade quase 100% sem dinheiro em espécie e pequenos comerciantes (por exemplo, barracas de sorvete ou agricultores) frequentemente usam apenas o aplicativo de pagamento local Swish. Infelizmente, como turistas sem conta bancária sueca, você não consegue obter esse aplicativo. Por isso, é bom ter sempre pelo menos uma pequena reserva de moedas e notas em mãos para emergências.
