Bruges, na Bélgica, é frequentemente apelidada de Veneza do Norte e, se você assistiu à cultuada comédia de humor negro Na Mira do Chefe (In Bruges) com Colin Farrell, é bem provável que esta encantadora cidade belga já esteja há tempos no seu radar de viagens. É exatamente o tipo de lugar onde o tempo parece ter parado e onde você pode passar horas vagando entre casinhas históricas, observando o reflexo das torres góticas na água tranquila dos canais.
Neste artigo, trago para você 16 dicas do que ver e fazer em Bruges, para que você aproveite ao máximo a sua visita e descubra também os cantinhos mais escondidos. Você vai perceber que, ao contrário das frenéticas capitais europeias, aqui reina uma atmosfera bem mais tranquila, mesmo que durante o dia a praça principal saiba se encher de turistas animados.
Também vou te ajudar a entender qual é a melhor época para ir, como chegar facilmente de trem a partir do aeroporto e por que vale a pena dormir no centro histórico. E ainda dou algumas dicas práticas de lugares para satisfazer o paladar, seja você fã do verdadeiro chocolate belga ou de uma excelente cerveja local.

Resumo
- A vista mais bonita: Suba os 366 degraus da icônica torre Belfort, de onde você verá todo o centro histórico na palma da mão.
- A experiência imperdível: Um passeio de barco pelos canais sinuosos mostra a cidade de uma perspectiva totalmente diferente e é absolutamente obrigatório.
- A melhor foto: Vá bem cedinho ao canto de Rozenhoedkaai, onde os prédios históricos se refletem na água sem multidões de turistas.
- Onde respirar paz: O pátio do beguinário Begijnhof oferece um oásis silencioso no meio da cidade e, na primavera, florescem ali lindos tapetes de narcisos.
- O que provar: Não deixe de visitar a cervejaria familiar De Halve Maan e prove a cerveja local Brugse Zot ou waffles fresquinhos.
- Por que dormir na cidade: A maioria dos turistas vem só de bate e volta, então, se você passar a noite, vai curtir as ruelas mágicas de manhã e à noite só para você.
- Como chegar: De Bruxelas saem trens muito confortáveis e rápidos, a viagem dura cerca de uma hora e nos fins de semana você ainda ganha desconto na passagem.

Quando viajar para Bruges
A Bélgica tem um clima oceânico ameno e você precisa contar com o fato de que chove com certa frequência por aqui, então levar uma capa de chuva confiável ou um guarda-chuva é o básico em qualquer estação do ano. Os meses de verão costumam ser bem agradáveis e amenos; em agosto as temperaturas ficam em torno de confortáveis 23 graus, o clima ideal para caminhadas de dia inteiro pelos pontos turísticos sem o calor sufocante.
A época mais bonita para visitar é de abril até o fim de setembro, porque os dias são mais longos e a cidade ganha vida por completo. Se você for em abril, vai encontrar no pátio do beguinário Begijnhof um espetáculo de tirar o fôlego: tapetes floridos de narcisos amarelos que contrastam lindamente com as fachadas brancas das casinhas históricas.
De novembro até começo de março é baixa temporada e as ruas ficam bem mais tranquilas, ainda que algumas atrações ao ar livre, como os antigos moinhos de vento, possam estar fechadas. Um capítulo à parte é o tão amado período de festas natalinas, quando a cidade se cobre com o festival de luzes Winter Glow e as feirinhas de Natal perfumam toda a praça com vinho quente.
O maior desafio para qualquer viajante são as multidões de turistas de bate e volta, que lotam o centro histórico aproximadamente entre as dez da manhã e as quatro da tarde. Se você quer ter os pontos mais famosos só para você e tirar belas fotos sem estranhos no enquadramento, vale a pena acordar cedo e cair na rua antes das nove da manhã.

Onde se hospedar em Bruges
💡 Dica de hospedagem e experiências: A gente adora procurar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pela GetYourGuide.
A grande maioria dos visitantes comete o erro de vir à cidade só para um rápido passeio de um dia, o que costuma ser bastante corrido e te priva da verdadeira atmosfera. Quando você decide passar a noite no centro histórico, ganha uma enorme vantagem: assim que à tarde partem os ônibus cheios de excursionistas, a cidade se esvazia maravilhosamente e as ruelas iluminadas à noite têm um charme inacreditável.
Além disso, os preços de hospedagem aqui costumam ser um pouco mais em conta do que na vizinha Bruxelas, então também vale do ponto de vista financeiro, especialmente se você procura um ambiente mais calmo. O núcleo histórico é bem compacto e você chega a tudo confortavelmente a pé, por isso faz total sentido procurar um hotel a uma distância caminhável da praça principal ou dos canais românticos.
Para os amantes do luxo absoluto e da história, a escolha óbvia é o Hotel Dukes’ Palace, de cinco estrelas, instalado num palácio do século XV lindamente restaurado e com cafés da manhã dignos de reis. Se você procura algo realmente especial e cinematográfico, reserve um quarto no hotel boutique Relais Bourgondisch Cruyce, que fica bem à beira do canal e onde foi gravado o filme citado, Na Mira do Chefe.
Um ótimo custo-benefício oferece a aconchegante pousada B&B Old Bruges, onde você encontra o atendimento pessoal dos donos e uma localização fantástica pertinho dos principais pontos turísticos. Já quem tem um orçamento um pouco menor elogia bastante o limpo e agradável Hotel Asiris, ou ainda o popularíssimo hostel de mochileiros St Christopher’s Inns – The Bauhaus Hostel, onde é fácil conhecer outros apaixonados por viagens do mundo todo.

16 dicas do que ver e fazer em Bruges
Vamos descobrir juntos os pontos turísticos e atividades mais interessantes que você definitivamente não deve perder durante a sua visita. De majestosas construções góticas e passeios pelos canais até cantinhos secretos e chocolaterias excelentes, esta cidade oferece algo interessante para todo mundo e vai te encantar com sua atmosfera única.

1. Praça Markt e suas casas das corporações
A praça principal Markt é o coração pulsante de toda a cidade e provavelmente o primeiro lugar para onde você vai logo depois de chegar. Você vai se encantar de imediato com a fileira de belas e coloridas fachadas das antigas casas das corporações, que parecem saídas de um conto de fadas e que hoje abrigam principalmente restaurantes movimentados e cafés aconchegantes.
No meio desse amplo espaço fica uma marcante estátua de dois heróis locais, Jan Breydel e Pieter de Coninck, que no século XIV lideraram uma revolta bem-sucedida contra o domínio francês. A praça é reservada na maior parte do dia apenas para pedestres e ciclistas, então você pode passear com calma e segurança e absorver a verdadeira atmosfera histórica.
💡 Dica: Se você quer fotografar a praça sem centenas de outros turistas e sem as onipresentes carruagens, chegue bem cedinho, por volta das oito da manhã, quando o sol ainda toca de leve as fachadas coloridas.

2. Subida à icônica torre Belfort
Bem na praça principal ergue-se, a uma respeitável altura de oitenta e três metros, a imponente torre medieval Belfort, que durante séculos serviu de mirante e tesouraria da cidade. Se você não sofre de claustrofobia e está em boa forma, vale subir até o topo pelos 366 degraus bem estreitos e em espiral; a recompensa será uma vista panorâmica fantástica de toda a redondeza.
Durante a subida cansativa, você pode descansar em alguns andares intermediários, onde verá de perto o enorme e complexo mecanismo do relógio e o famoso carrilhão composto por quarenta e sete sinos. O ingresso custa cerca de quinze euros e, dado o enorme interesse e a capacidade limitada da torre, é absolutamente essencial comprar os bilhetes online com bastante antecedência.
É bem possível que você se lembre dessa construção imponente como o palco principal do grandioso clímax do já citado filme Na Mira do Chefe, o que lhe dá ainda mais popularidade entre os turistas. Na alta temporada, a torre fica aberta até as oito da noite, então você pode planejar a subida para o fim da tarde e curtir a cidade banhada pela luz dourada do pôr do sol.

3. Praça Burg e a histórica prefeitura
A apenas algumas dezenas de passos da movimentada praça Markt, você atravessa uma ruela estreita e surge na bem mais elegante praça Burg, que durante séculos funcionou como o principal centro político e religioso de toda a região. Esse espaço é literalmente uma vitrine de diferentes estilos arquitetônicos e transmite uma impressão bem mais imponente e tranquila do que a praça do mercado vizinha.
A grande estrela de todo o espaço é a belíssima prefeitura gótica Stadhuis, construída já em 1376, o que a torna um dos prédios de prefeitura mais antigos de toda a região. Sua fachada ricamente decorada está repleta de esculturas elaboradas e finos detalhes em pedra que contam a longa e complexa história da cidade e despertam a admiração merecida de todos os que passam.
Se você gosta de interiores históricos, pague o ingresso e entre para conhecer o belo Salão Gótico com abóbada de madeira, decorado com impressionantes murais do fim do século XIX. A praça inteira é cercada por outros prédios importantes, como o antigo tribunal com fachada renascentista adornada com detalhes dourados que brilham lindamente ao sol da tarde.

4. Misteriosa Basílica do Sangue Sagrado
Bem no canto direito da praça Burg esconde-se a discreta, mas tão importante, Basílica do Sangue Sagrado, de estilo românico-gótico, que guarda um dos mais sagrados mistérios cristãos de toda a Europa. Sua fachada escura e ricamente decorada com estátuas douradas contrasta fortemente com os prédios claros ao redor e atrai imediatamente a sua atenção.
O interior do templo é dividido em duas partes completamente distintas: a capela românica inferior, do século XII, é bem austera e escura, enquanto a parte neogótica superior brilha em todas as cores e é adornada por belíssimos vitrais. A entrada na basílica em si é totalmente gratuita, mas, se você quiser visitar o pequeno museu anexo, cheio de raros artefatos históricos, vai pagar um ingresso simbólico de cerca de cinco euros.
A maior atração para peregrinos do mundo todo é a ampola de cristal decorada com uma suposta gota do sangue de Cristo, que, segundo a lenda, foi trazida até aqui pelo conde Teodorico da Alsácia após a Segunda Cruzada. Você pode ver essa relíquia venerada com os próprios olhos e, se quiser, prestar-lhe homenagem todos os dias apenas entre as duas e as quatro da tarde, quando ela é solenemente exposta ao público na presença do clero local.

5. Passeio de barco pelos românticos canais
Não importa quanto tempo você passe na cidade, o clássico passeio de barco pelas sinuosas vias aquáticas é uma experiência absolutamente essencial que seria um pecado perder. Da plataforma baixa do barquinho aberto, você verá a cidade de uma perspectiva totalmente diferente e bem mais romântica, passará por baixo de dezenas de antigas pontes de pedra e descobrirá até jardins secretos aonde nunca chegaria a pé.
O passeio dura cerca de trinta minutos e custa quinze euros por adulto, sendo que a cidade tem cinco embarcadouros diferentes, todos bem pertinho da praça principal. É importante saber que esses passeios tradicionais não podem ser reservados pela internet com antecedência: o pagamento é sempre feito no local e, na alta temporada, é bem provável que você pegue uma fila bem longa.
💡 Dica: Mesmo sem comprar online os bilhetes para o barquinho em si, você pode usar a plataforma GetYourGuide e reservar passeios a pé combinados com um guia local, que muitas vezes incluem a navegação pelos canais no programa e te poupam um monte de dor de cabeça com planejamento.

6. Rozenhoedkaai para a melhor foto
Se você procura aquele lugar específico que estampa todos os cartões-postais e folhetos de viagem, coloque no GPS o encantador cais chamado Rozenhoedkaai. É exatamente ali que se encontram os dois principais canais da cidade, criando uma composição absolutamente icônica em que as antigas casas de tijolos, um salgueiro-chorão pendente e a alta torre Belfort ao fundo se refletem perfeitamente na água tranquila.
O nome desse lugar pitoresco significa, em tradução livre, Cais dos Rosários, porque ali, na Idade Média, vendiam-se rosários em grande quantidade, feitos de âmbar báltico e vidro lapidado. Hoje é, sem dúvida, o canto mais fotografado e movimentado de toda a cidade, onde durante o dia se amontoam multidões de turistas com câmeras e celulares disputando o melhor lugar junto à grade.
Para que suas fotos realmente valham a pena e você evite a frustração das multidões, precisa vir aqui bem cedo de manhã, de preferência logo após o nascer do sol, quando ainda paira sobre a água uma leve névoa matinal. Igualmente mágico é esse lugar no fim da noite, quando os prédios históricos e as árvores ao redor estão lindamente e com muita delicadeza iluminados, criando uma atmosfera incrivelmente romântica e misteriosa.

7. Lago do Amor e o romântico parque Minnewater
Na borda sul do centro histórico, a um pulo da estação de trem principal, estende-se o belíssimo e tranquilo parque Minnewater, cujo centro é o chamado Lago do Amor. Segundo uma antiga e triste lenda local, o lago recebeu o nome de uma moça chamada Minna, que morreu de exaustão nos braços do amado enquanto fugia de um casamento arranjado e indesejado.
Hoje é um lugar imensamente querido para passeios tranquilos e piqueniques na grama, pois oferece uma fuga das ruas movimentadas do centro e tem um monte de bancos sob árvores frondosas. O lago inteiro e seus arredores são lar de dezenas de belos cisnes brancos, que deslizam com elegância pela água e são o símbolo oficial e protegido de toda a cidade desde o fim do século XV.
A caminhada ao longo da água calma leva você naturalmente até uma imponente e antiga torre de defesa de tijolos vermelhos, que outrora servia de guarita principal na entrada da cidade. O lugar tem um charme especialmente grande ao entardecer, quando a superfície do lago fica calma como um espelho e as árvores ao redor ganham tons quentes do pôr do sol.

8. Beguinário Begijnhof protegido pela UNESCO
Quando você atravessa o portão decorado perto do Lago do Amor, encontra-se num mundo totalmente diferente e descobre o singular beguinário Begijnhof, fundado já em 1245. Esse complexo fechado de casinhas branquíssimas dispostas em torno de um amplo pátio gramado com árvores frondosas está, com toda razão, na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO e te envolve numa paz absoluta.
Originalmente, viviam aqui as beguinas, mulheres emancipadas e devotas que, embora se comprometessem a uma vida de castidade e obediência, ao contrário das freiras tradicionais não faziam votos vitalícios e podiam deixar a comunidade a qualquer momento. Hoje, nessas casinhas históricas vivem irmãs beneditinas e, durante a visita, espera-se que você respeite a rígida regra do silêncio e não perturbe a atmosfera tranquila do lugar.
A visita a esse lugar mágico é totalmente gratuita; paga-se apenas um ingresso simbólico para a casinha que funciona como museu histórico e mostra o modo de vida original das mulheres locais. Se você tiver a sorte de chegar aqui durante março ou abril, vai presenciar o espetáculo mais bonito possível, quando todo o pátio interno se ilumina com um enorme tapete de narcisos amarelos floridos.

9. Arte no prestigiado Groeningemuseum
Para todos os amantes das belas-artes clássicas, a visita à galeria Groeningemuseum é uma obrigação absoluta e inevitável, pois trata-se da mais importante pinacoteca de toda a redondeza. O acervo está cuidadosamente organizado em espaços modernos e bem iluminados e mapeia mais de seiscentos anos de artes visuais nesta riquíssima e cultural região belga.
A maior e mais valiosa atração de todo o museu é a mundialmente famosa coleção de obras dos chamados primitivos flamengos, entre os quais se destacam nomes como o mestre Jan van Eyck, Hans Memling ou o misterioso Hieronymus Bosch. Está aqui, por exemplo, a famosa Madona do cônego Van der Paele, que impressiona os visitantes com detalhes inacreditáveis e um trabalho magistral com a luz e as texturas dos tecidos.
Além dos antigos mestres, você encontra aqui também obras muito interessantes e valiosas do período renascentista e barroco, assim como exemplos representativos do expressionismo belga moderno. Se você planeja visitar mais instituições parecidas e se interessa por história, vale a pena adquirir o cartão Musea Brugge de 72 horas, que garante acesso muito vantajoso à maioria dos museus da cidade.

10. Igreja de Nossa Senhora e a Madona de Michelangelo
Ao caminhar pela cidade, o seu olhar será constantemente atraído pela enorme torre de tijolos da Igreja de Nossa Senhora, que se ergue a uma respeitável altura de 115,5 metros e pela qual você facilmente se localiza. É a segunda torre de tijolos mais alta do mundo inteiro e sua construção levou inacreditáveis duzentos anos, o que só comprova a enorme riqueza e o poder dos comerciantes medievais daqui.
A entrada na nave principal desse templo majestoso é totalmente gratuita, mas o maior e mais valioso tesouro se esconde na parte museológica paga, onde você paga cerca de seis euros. É justamente ali que te espera um tesouro de valor incalculável: a belíssima escultura de mármore da Madona com o Menino, do lendário escultor italiano Michelangelo Buonarroti.
Essa escultura, talhada com uma delicadeza incrível, é ainda mais rara por ser a única obra escultórica de Michelangelo que comprovadamente deixou sua Itália natal ainda em vida do artista. Além dessa maravilha italiana, você pode contemplar em silêncio também os túmulos de bronze ricamente decorados e muito bem conservados do poderoso duque da Borgonha Carlos, o Temerário, e de sua filha Maria da Borgonha.

11. Parada na romântica ponte Bonifaciusbrug
Bem atrás da Igreja de Nossa Senhora esconde-se a discreta, mas bela e incrivelmente pitoresca ponte de pedra Bonifaciusbrug, que está entre os cantinhos mais encantadores da cidade. Embora, com suas pedras rústicas e arquitetura, pareça uma construção medieval original, não se engane: ela foi construída só no início do século XX como uma réplica histórica muito bem-feita.
A ponte se curva com elegância sobre uma curva estreita e escura do canal, que é cercada por todos os lados por antigas casas de tijolos e parcialmente sombreada pelas copas pendentes de árvores robustas. Ficar de pé no meio da ponte e simplesmente observar os barquinhos de passeio deslizando sob os seus pés é uma experiência imensamente relaxante e uma ótima oportunidade para belas fotos de retrato.
💡 Dica: Como esse lugar é muito querido por viajantes e fotógrafos profissionais, costuma ficar bem apertado durante o dia e você precisa esperar a sua vez. Mais uma vez vale planejar a caminhada nessa direção para bem cedo de manhã ou então para o fim da noite, quando a luz das lâmpadas dá ao lugar um toque quase de conto de fadas.

12. História da medicina no Sint-Janshospitaal
Bem em frente à famosa Igreja de Nossa Senhora há um amplo conjunto histórico de prédios que abriga um dos hospitais mais antigos preservados de toda a Europa. Esse complexo venerável, conhecido como Sint-Janshospitaal, durante longos oitocentos anos serviu incansavelmente a peregrinos doentes, cidadãos pobres e viajantes, cuidados aqui por dedicadas irmãs e monges.
Hoje, nesses fascinantes espaços medievais você encontra um museu cativante onde, pelo ingresso de oito euros, tem um vislumbre do cotidiano dos antigos médicos e enfermeiras por meio de instrumentos da época e recipientes de farmácia. A antiga farmácia do hospital, com suas prateleiras de madeira e o cheiro de ervas secas, está muito bem conservada e tem um ar incrivelmente autêntico, como se o farmacêutico tivesse saído por um instante.
Mas esse hospital histórico é famoso ainda por outro motivo muito importante: as obras-primas do famoso pintor Hans Memling, que aqui estão exibidas com muito cuidado e beleza. Estão à vista grandes e detalhados retábulos e, sobretudo, o célebre relicário de Santa Úrsula, que está entre os ápices absolutos da arte flamenga do século XV.

13. Cervejaria familiar De Halve Maan e a cerveja local
A Bélgica é mundialmente famosa por sua enorme e diversa cultura cervejeira, e uma visita ao centro histórico não estaria completa sem uma parada na autêntica cervejaria familiar De Halve Maan. Essa cervejaria querida funciona no mesmo lugar desde 1856 e é a última cervejaria realmente em funcionamento bem no coração da cidade velha, onde até hoje se produz com amor uma cerveja excelente.
Recomendo demais pagar o divertidíssimo tour guiado de quarenta e cinco minutos com um guia local, que custa cerca de onze euros e te leva pelas técnicas antigas e modernas de produção. O percurso te conduz até bem no alto, no telhado do prédio, de onde você tem uma vista totalmente única e nada batida do panorama histórico da cidade; e, no preço do ingresso, está incluída ainda uma degustação caprichada no final.
A raridade técnica absoluta deste estabelecimento é o fascinante cervaduto subterrâneo de três quilômetros, que os donos mandaram construir em 2017 e que liga a sala de fervura no centro à engarrafadora na periferia. Graças a essa solução muito singular e inovadora, já não precisam circular pelas estreitas ruelas do centro caminhões pesados com tanques, o que aliviou bastante o trânsito local e o calçamento bem conservado.
💡 Dica: Os tours em diferentes idiomas costumam esgotar bem rápido, então reserve-os online pela GetYourGuide, onde você encontra também as mais variadas degustações de cerveja pelos bares locais. Não deixe de provar a famosa e excelente cerveja Brugse Zot, que tem uma bela cor dourada, é agradavelmente frutada e que até vegetarianos mais convictos apreciam sem problema.

14. História no chocolate e o Choco-Story
Quando o assunto é doce, a Bélgica é uma potência mundial absoluta, e os pralinés locais são famosos por sua textura delicada e sabor delicioso mundo afora. Pelo ingresso de cerca de nove euros e meio, você pode visitar com a família inteira o museu interativo do chocolate Choco-Story, que te leva por toda a longa história do cultivo do cacau, dos antigos maias e astecas até a produção industrial moderna.
Parte do cativante tour é também uma demonstração ao vivo do trabalho de um experiente mestre chocolatier, que diante dos seus olhos e com enorme habilidade cria os melhores pralinés, que você depois pode provar na hora. É uma parada totalmente ideal e muito divertida, principalmente quando uma típica pancada de chuva te pega de surpresa lá fora e você precisa se aquecer num lugar seco e quentinho.
Para comprar lembrancinhas comestíveis e lindamente embaladas para levar para casa, recomendo pular as lojinhas turísticas mais comuns e ir até as renomadas chocolaterias artesanais, que aqui têm uma enorme tradição. Uma lenda absoluta é a ousada The Chocolate Line, ou ainda a tradicionalíssima fabricação familiar Dumon, onde você tem certeza de que está comprando o mais doce prazer de melhor qualidade, repleto de ingredientes honestos, que vai agradar até os vegetarianos.

15. Frietmuseum dedicado só às batatas fritas
Outra parada gastronômica, mas desta vez uma enorme e meio maluca curiosidade, é o singular museu Frietmuseum, que dizem ser o único no mundo inteiro dedicado puramente às simples batatas fritas. Por menos de onze euros, você descobre aqui tudo de essencial sobre a longa história do cultivo da batata na América do Sul e fica sabendo como exatamente as queridas batatas fritas se tornaram um tesouro nacional belga.
Mesmo que o tema possa parecer um pouco engraçado, a exposição é preparada com muito cuidado, está cheia de fritadeiras históricas e máquinas de descascar, e as crianças simplesmente adoram pela ludicidade. No fim do tour, é claro que você pode comprar no subsolo uma porção de batatas fritas fresquinhas, fritas duas vezes, que ficam lindamente crocantes por fora e perfeitamente fofinhas por dentro, exatamente como manda a velha tradição belga.
⚠️ Aviso importante: Se você é vegetariano ou vegano, tome muito cuidado, porque as tradicionais batatas fritas belgas são fritas exclusivamente em sebo bovino, e não em óleo vegetal. Por isso, antes de comprar nas barraquinhas de rua, sempre pergunte duas vezes ao atendente qual gordura é usada, ou então, para o almoço, escolha o ótimo e confiável restaurante vegetariano De Bron, que funciona há mais de um quarto de século e cozinha de forma fantástica. Um pouco mais adiante fica o muito elogiado estabelecimento vegano De Brugsche Tafel, onde fazem, entre outras coisas, waffles sem carne incríveis. (Pratos típicos com carne, como o cozido de boi na cerveja, ou seja, o carbonnade flamande, você pode espiar nos pratos dos vizinhos de mesa, mas vai se deliciar com algo melhor.)

16. Moinhos Sint-Janshuismolen e a Capela de Jerusalém
Quando você faz uma caminhada bem agradável de apenas alguns minutos a partir do movimentado centro histórico, ao longo das antigas muralhas gramadas, descobre um lugar inesperadamente calmo e bonito com moinhos de vento. Outrora havia dezenas deles aqui para a defesa e o sustento da cidade; hoje restam quatro belas construções históricas que, nas colinas verdes, parecem absolutamente idílicas.
Desses moinhos, o único totalmente funcional ainda é o Sint-Janshuismolen, que por cerca de cinco euros você pode visitar também por dentro, mas lembre-se de que ele só está aberto durante a temporada de verão, mais ou menos de abril a outubro. Por fora, porém, você pode admirá-los e fotografá-los de graça a qualquer hora, e é um ótimo lugar para um descanso tranquilo à tarde, longe das principais rotas turísticas.
No caminho de volta ao burburinho da cidade velha, pare com certeza num discreto tesouro escondido: a muito incomum e silenciosa Capela de Jerusalém, do início do século XV. Ela foi construída pela rica e influente família de comerciantes Adornes exatamente segundo o modelo da igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém, e seu interior sombrio, com um altar singular coberto de caveiras, deixa em você uma impressão muito forte e um tanto misteriosa.
Para onde ir a partir de Bruges
Se você tem mais dias para conhecer a Bélgica, seria uma enorme pena não rumar também para a capital, que é cheia de surpresas e de uma arquitetura inacreditável. Do famoso menino que faz xixi até o majestoso monumento Atomium, essa metrópole oferece tantas atrações que você deve ler nosso guia detalhado Bruxelas: 19 dicas do que ver e fazer, onde encontra todas as informações práticas para a sua viagem.
Ao mesmo tempo, tenha em mente que a Bélgica e os países vizinhos são absolutamente famosos pela atmosfera mágica e festiva no fim do ano, quando as ruas se perfumam com castanhas assadas e vinho quente. Se você planeja sair em busca do romantismo de inverno e procura a inspiração certa, inspire-se com certeza no nosso grande resumo Os melhores mercados de Natal da Europa, para saber onde exatamente captar o mais belo clima natalino.
Perguntas frequentes
Quantos dias eu preciso para conhecer a cidade?
Na visita dos monumentos mais importantes e um passeio de barco, um dia cheio já dá conta, mas costuma ser bem corrido. O ideal é programar pelo menos uma noite e cerca de um dia e meio, para curtir as ruazinhas iluminadas à noite e conseguir visitar os museus sem estresse e sem multidões.
Como é o transporte do aeroporto?
Se você chegar no aeroporto principal de Bruxelas (Zaventem), é super tranquilo, porque saem trens diretos confortáveis do próprio terminal. A viagem leva cerca de uma hora e meia, os trens passam com bastante frequência e o bilhete custa entre 25 e 35 euros, dependendo de quanto tempo antes você comprar.
Dá pra conhecer a cidade a pé?
Certamente, o centro histórico é muito compacto e plano, então você consegue chegar em todos os lugares confortavelmente a pé. Da estação central até a praça principal Markt é uma caminhada agradável e tranquila de uns vinte minutos, ou você pode usar os ônibus urbanos que passam frequentemente e te levam lá em cinco minutos.
A cidade é segura?
A cidade é considerada um destino muito seguro e tranquilo e a criminalidade grave é praticamente inexistente, então você vai se sentir bem até mesmo à noite. Ainda assim, tome cuidado clássico com batedores de carteira nas multidões enormes ao redor da praça Markt ou em Rozenhoedkaai, que tentam aproveitar a distração dos turistas empolgados.
Consigo me comunicar em inglês aqui?
Embora o idioma oficial e principal local seja o flamengo (que é um dialeto do holandês), você não terá o menor problema com o inglês. Os moradores locais, garçons em restaurantes e guias falam inglês perfeitamente e com muita disposição, então a comunicação por aqui é uma delícia.
Onde eu estaciono o carro?
Entrar de carro diretamente nas ruelas estreitas do centro histórico é uma péssima ideia cheia de proibições e mãos únicas, além disso o estacionamento aqui é caro and limitado. Muito mais inteligente é deixar o carro nos estacionamentos baratos tipo P+R na periferia da cidade ou direto na estação central, de onde você chega ao centro a pé ou de ônibus.
A água da torneira é potável?
Sim, a água da torneira aqui é totalmente segura, limpa e potável, então fique à vontade para levar sua própria garrafa reutilizável. No entanto, os restaurantes muitas vezes não oferecem água da torneira gratuitamente e vão querer te vender água engarrafada mais cara, por isso sempre pergunte educadamente e diretamente.
