Vale do Douro, Portugal: 14 dicas do que fazer – vinho do Porto, vinhedos e passeio de barco

Se você está pensando em viajar para o norte de Portugal, eu entendo muito bem esse desejo e preciso dizer que o vale do rio Douro é um lugar que vai te deixar completamente sem palavras. ☺️ Imagine colinas íngremes cobertas por fileiras intermináveis de videiras, um rio que serpenteia preguiçosamente pelo fundo de um cânion profundo e antigas quintas vinícolas perfumadas pelo vinho do Porto em amadurecimento. Essa região é bruta, fotogênica e incrivelmente autêntica, então se você está em busca do verdadeiro coração de Portugal, pode parar de procurar — você acabou de encontrá-lo.

Neste artigo você vai encontrar exatamente 14 dicas do que ver e fazer no vale do Douro para aproveitar ao máximo sua visita. Vou te contar como chegar, onde encontrar a hospedagem mais encantadora e o que observar na hora de experimentar o famoso vinho local. Você também vai descobrir por que é melhor deixar o salto alto em casa e como planejar sua viagem saindo do Porto de forma inteligente — seja de trem pela paisagem de tirar o fôlego ou de barco em um passeio romântico.

Vale do Douro, Portugal
Foto: Jcsantos85 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Região mais antiga do mundo: O vale do Douro é Patrimônio Mundial da UNESCO e o vinho é cultivado em socalcos de xisto íngremes, onde todo o trabalho é feito à mão.
  • De trem saindo do Porto: O trajeto pela Linha do Douro está entre os mais bonitos do mundo, com os melhores cenários no trecho entre Peso da Régua e Pinhão.
  • Passeios de barco: Você pode escolher um cruzeiro de dia inteiro saindo do Porto, com travessias pelas enormes eclusas, ou um passeio mais curto num barco rabelo tradicional saindo de Pinhão.
  • Hospedagem em vinícola: Ficar em uma quinta é a experiência mais autêntica que você pode ter na região.
  • Quando ir: O mês mais especial é setembro, quando acontece a vindima e você pode até pisar as uvas descalço.
  • Cuidado com o vinho do Porto: O vinho fortificado local tem 20% de álcool e é muito doce, então durante as degustações lembre-se sempre de intercalar com bastante água.
Quando visitar o vale do Douro
Foto: Jcsantos85 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
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Quando visitar o vale do Douro

Essa é uma pergunta essencial, porque o clima no norte de Portugal pode ser bem imprevisível e é muito diferente do sul ensolarado. O melhor período para visitar é, sem dúvida, setembro e outubro, quando todo o vale se pinta com tons dourados e alaranjados do outono e acontece a famosa vindima. As temperaturas ficam em torno de 20 a 25 graus, o que é perfeito tanto para explorar os pontos turísticos quanto para relaxar numa varanda com vista para os vinhedos.

Se você for no verão, precisa se preparar para o fato de que o vale funciona como um enorme forno natural. Em julho e agosto, as temperaturas batem facilmente nos 40 graus, e como as vinhas crescem em encostas íngremes de xisto, o sol reflete impiedosamente nas pedras. Nesses meses, o ideal é planejar todas as atividades para bem cedo pela manhã e passar a tarde na piscina com um copo de vinho branco gelado, caso contrário o calor pode te esgotar muito rapidamente.

A primavera, entre março e maio, oferece uma paisagem linda, verde e florida, mas o tempo é bastante instável e as chuvas são frequentes. O inverno, de novembro a fevereiro, é muito frio, úmido e ventoso, então se você for nessa época, não esqueça um bom corta-vento impermeável e um guarda-chuva resistente. Afinal, as colinas verdes do norte de Portugal não são verdes por acaso — as frentes oceânicas trazem muita chuva para a região.

Douro - o que ver em Portugal
Douro – o que ver em Portugal

Onde se hospedar no vale do Douro

💡 Dica de hospedagem e atrações: Gostamos de buscar hospedagem no Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Para ingressos, passeios e atividades, vale a pena comparar preços no GetYourGuide.

Se você quer viver uma experiência verdadeiramente romântica e mergulhar na atmosfera da região, se hospedar numa vinícola é simplesmente indispensável. Essas propriedades são chamadas de quintas e muitas delas se transformaram em belíssimos hotéis boutique, com silêncio absoluto, piscinas de luxo com vista para os socalcos e degustações noturnas conduzidas pelos próprios donos. Os preços por noite variam entre 150 e 400 euros, mas acredite, essa experiência vale cada centavo.

Para explorar a região de forma estratégica, o ideal é se hospedar nos arredores de Peso da Régua ou Pinhão. Pinhão é consideravelmente mais charmoso e tranquilo, fica bem no coração dos melhores vinhedos e tem várias pousadas encantadoras a uma curta caminhada do rio. Peso da Régua é um pouco maior e mais movimentada, mas funciona como um excelente ponto de partida para os passeios e oferece uma grande variedade de restaurantes e hotéis com preços mais acessíveis para quem tem um orçamento menor.

Ao reservar a hospedagem pelo Booking.com, verifique sempre se o hotel ou pousada tem estacionamento próprio, já que estacionar nas ruas estreitas das cidades pequenas pode ser um verdadeiro pesadelo. Se você busca uma experiência completamente única, pesquise a Quinta da Pacheca, perto de Régua, onde os hóspedes podem dormir dentro de enormes barris de vinho no meio do vinhedo.

14 dicas do que ver e fazer no vale do Douro
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

14 dicas do que ver e fazer no vale do Douro

Vamos explorar o melhor que essa região fascinante tem a oferecer para você montar um roteiro perfeito. Desde mirantes icônicos e trens históricos até adegas centenárias, preparei para você um guia completo com os lugares mais bonitos e as atividades que você simplesmente não pode perder. Você vai perceber que não é só sobre beber vinho — há uma história incrível e uma natureza selvagem esperando por você.

Socalcos de vinhedos patrimônio UNESCO
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

1. Socalcos de vinhedos patrimônio UNESCO

O Vale do Douro (Alto Douro Vinhateiro) é a região vinícola demarcada mais antiga do mundo, com fronteiras estabelecidas desde 1756. A paisagem é Patrimônio Mundial da UNESCO e à primeira vista você entende o porquê — colinas íngremes que descem até o rio, todas cobertas por milhares de socalcos impecavelmente cuidados. Esses terraços foram construídos ao longo de séculos pela força do trabalho humano, quando os agricultores precisavam literalmente quebrar o xisto duro para plantar as primeiras videiras.

O trabalho nos vinhedos é incrivelmente árduo ainda hoje e continua sendo feito principalmente à mão. As máquinas simplesmente não chegam nessas encostas, então durante a vindima as uvas ainda são carregadas em pesados cestos de vime nas costas, descendo pelos degraus de pedra até os caminhos abaixo. É uma terra dura, onde o suor e o esforço dos moradores se refletem em cada gota do vinho extraordinário que é produzido aqui.

💡 Dica local: O melhor ângulo para admirar a simetria dos socalcos é logo cedo pela manhã, quando uma névoa leve ainda paira pelo vale e o sol nascente começa a iluminar suavemente as encostas uma a uma.

Cruzeiro pelo rio Douro do Porto até Régua
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

2. Cruzeiro pelo rio Douro do Porto até Régua

Se você aprecia conforto e quer ver como a paisagem muda gradualmente do subúrbio industrial para a natureza selvagem, o cruzeiro de dia inteiro saindo do Porto é uma ótima pedida. Os barcos partem de manhã cedo do famoso cais da Ribeira e a viagem contra a corrente até Peso da Régua leva cerca de seis a sete horas no total. Durante o percurso é servido um almoço tipicamente português a bordo e você pode simplesmente relaxar, tomar um copo de vinho e admirar as margens que vão passando.

O maior espetáculo técnico de todo o passeio é a travessia pelas gigantescas barragens que domaram o rio Douro no século passado. A eclusa de Carrapatelo supera um desnível impressionante de 35 metros, o que a torna uma das maiores da Europa, e navegar por aquele enorme poço de concreto escuro é um momento verdadeiramente fascinante. A volta para o Porto de Régua costuma ser feita de trem ou ônibus especial, o que deixa o passeio todo muito mais dinâmico.

Passeio de trem pela Linha do Douro
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

3. Passeio de trem pela Linha do Douro

A linha ferroviária que acompanha o rio Douro aparece regularmente nos rankings das rotas de trem mais bonitas do mundo inteiro, e é uma experiência que você não pode deixar passar. Os trens partem da famosa estação de São Bento, no Porto, e a viagem até o coração da região vinícola dura pouco mais de duas horas, passando por dezenas de túneis e inúmeras pontes históricas. Os bilhetes podem ser comprados com facilidade pelo aplicativo oficial da CP (Comboios de Portugal).

Mas o verdadeiro choque visual e a parte mais bonita da viagem só chegam no trecho entre Peso da Régua e Pinhão. O trem acompanha a margem do rio de tão perto que, por momentos, você tem a sensação de estar viajando diretamente sobre a água.

💡 Dica local: Na viagem saindo do Porto, sente-se no lado direito do trem para ter a melhor vista sem interrupções sobre o rio e os vinhedos — o lado esquerdo fica virado para a rocha.

Estação de Pinhão e seus azulejos azuis
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

4. Estação de Pinhão e seus azulejos azuis

Quando você desembarcar em Pinhão, não saia correndo da estação — o próprio edifício é uma obra de arte gigantesca. As paredes são decoradas com 24 painéis de azulejos azuis e brancos tradicionais, instalados em 1937 e criados pelo artista J. Oliveira. A entrada é completamente gratuita e a estação funciona normalmente, então você pode admirar essa arte mesmo sem ter uma passagem.

As cenas nos azulejos funcionam como um quadrinho perfeito que conta toda a história da região e do processo de produção do vinho. Você vai ver os históricos barcos rabelos navegando pelo rio bravo, mulheres carregando cestos de uvas na cabeça e o tradicional pisão de uvas descalço nas enormes dornas de pedra. É uma linda demonstração do orgulho português pela própria história e pelo artesanato, imperdível.

Passeio curto no barco rabelo tradicional
Foto: mat’s eye / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

5. Passeio curto no barco rabelo tradicional

Se você não tem vontade de passar o dia inteiro num grande cruzeiro saindo do Porto, recomendo fazer um passeio mais curto partindo direto de Pinhão. Você pode embarcar num barco de madeira tradicional chamado rabelo, que antigamente era usado para transportar as pipas de vinho pelas corredeiras do vale até as adegas em Vila Nova de Gaia. Hoje esses barcos têm motores silenciosos e oferecem uma perspectiva incrivelmente romântica dos vinhedos visto do nível da água.

O passeio de uma ou duas horas sai por volta de 10 a 20 euros e muitas vezes já inclui uma pequena degustação de vinho do Porto a bordo. Durante a viagem, você vai ver as famosas quintas se erguendo nas encostas acima do rio e vai passar por baixo de uma elegante ponte de ferro projetada pelo lendário Gustave Eiffel. É uma experiência muito mais intimista e autêntica do que navegar num catamarã moderno e cheio de turistas.

Visita às quintas e degustação de vinho do Porto
Foto: peuplier from Switzerland Suisse romande / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

6. Visita às quintas e degustação de vinho do Porto

Estar no vale do Douro e não visitar uma vinícola seria um desperdício enorme, porque é exatamente aqui que nasce a magia conhecida pelo mundo todo. Recomendo escolher uma ou duas quintas menores e de gestão familiar e reservar o tour com antecedência, porque na alta temporada os guias que falam português rapidamente ficam sem vaga. Durante a visita, você vai aprender tudo sobre o complexo processo de fortificação, quando aguardente vínica é adicionada ao mosto em fermentação para interrompê-la e manter o vinho doce.

Na degustação em si, você vai poder comparar as diferenças entre o Porto jovem, Ruby — de cor vermelha intensa e sabor frutado — e o mais velho e oxidado, o Tawny, com notas de amêndoa e avelã, que envelhece em pequenos barris de carvalho. Mas preciso te alertar com muita seriedade sobre a traição do vinho do Porto: ele tem 20% de álcool e, pela doçura, desce perigosamente fácil. Nunca vá a uma degustação de estômago vazio e intercale cada taça com um bom copo de água, senão o sol da tarde vai te colocar no chão. 😅

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7. Estrada panorâmica N222

Se você decidir explorar a região de carro alugado, está de frente para uma das melhores experiências de condução da Europa. O trecho da estrada N222 entre Peso da Régua e Pinhão já foi eleito a melhor estrada do mundo para dirigir, graças ao equilíbrio perfeito entre retas suaves e curvas emocionantes. A estrada acompanha o leito do rio Douro o tempo todo e as paisagens pela janela são tão deslumbrantes que você vai querer parar a cada cinco minutos para fotografar.

Ao alugar um carro em Portugal, não esqueça de um detalhe absolutamente essencial. Sempre solicite na locadora o dispositivo eletrônico de pedágio chamado Via Verde, porque a maioria das autoestradas portuguesas funciona completamente de forma eletrônica, sem cancelas nem cabines de pagamento. As câmeras instaladas nas pórticos leem as placas dos carros que passam, e se você não tiver o dispositivo, pode enfrentar multas e complicações grandes tentando pagar depois.

Museu do Douro em Peso da Régua
Foto: Marek Ślusarczyk (Tupungato) Photo portfolio / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

8. Museu do Douro em Peso da Régua

Museu do Douro em Peso da Régua
Foto: Marek Ślusarczyk (Tupungato) Photo portfolio / Wikimedia Commons, CC BY 3.0

Peso da Régua é a capital não oficial de toda a região vinícola e o ponto de partida ideal para todos os passeios. O grande destaque da cidade é o interativo Museu do Douro, instalado num belo edifício histórico restaurado, que documenta com riqueza de detalhes toda a história do cultivo da videira nessa terra bruta. Você vai entender como os socalcos de xisto eram construídos, como era dura a vida dos agricultores locais e qual era o papel fundamental do rio antes da construção das barragens.

A exposição é muito moderna, as legendas estão em inglês perfeito e, ao final da visita, é claro que aguarda uma pequena degustação no café do museu. Régua também tem um belo calçadão à beira-rio onde você pode passear no fim de tarde, além de uma enorme quantidade de restaurantes que são um pouco mais em conta do que os do turístico Pinhão.

9. A joia chamada Lamego e sua escadaria do Bom Jesus

Bem ao sul do rio Douro fica a elegante cidade histórica de Lamego, que você definitivamente não deve tirar do seu roteiro. O grande símbolo da cidade é o grandioso santuário de Nossa Senhora dos Remédios, erguido no alto de uma colina e acessível por uma monumental escadaria barroca com quase setecentos degraus. Essa escadaria é ricamente decorada com azulejos, estátuas e fontes, e vista de baixo cria uma ilusão de ótica simplesmente deslumbrante.

Se você não estiver disposto a subir todos esses degraus a pé, pode ir de carro até o santuário e descer a escadaria tranquilamente até o centro da cidade. Lamego também é famosa pela produção do excelente espumante Raposeira, uma alternativa refrescante e deliciosa ao pesado e doce Porto — então não deixe de parar em algum dos cafés locais para uma taça.

10. Mirante São Leonardo de Galafura

Existem dezenas de mirantes lindos espalhados pelo vale, mas este aqui é possivelmente o mais bonito de todos. O mirante São Leonardo de Galafura fica a 640 metros de altitude e oferece um panorama absolutamente espetacular sobre o rio Douro serpenteando cercado por vinhedos em socalcos que se estendem até onde a vista alcança. O famoso escritor português Miguel Torga definiu esse lugar de forma muito precisa como um enorme poema geológico, e ao contemplar o vale lá de cima você vai entender o que ele quis dizer.

A estrada de carro até o mirante é um pouco estreita e sinuosa, mas a recompensa é encontrar um lugar tranquilo que a maioria dos ônibus turísticos felizmente não consegue alcançar. No topo há uma pequena capelinha e mesas de piquenique à sombra das árvores, então recomendo comprar pão fresquinho, queijos e azeitonas numa padaria e fazer ali o almoço mais romântico com vista que você já teve na vida.

11. Vindima e pisão de uvas em setembro

Se você conseguir planejar sua viagem para Portugal no mês de setembro, vai ter uma experiência cultural absolutamente única. Durante a vindima de setembro, todo o vale transborda de uma energia incrível, o cheiro de mosto fermentando está em todo lugar e você vai ver dezenas de colhedores com cestos de vime nas encostas íngremes. Muitas vinícolas da região oferecem programas turísticos especiais nessa época, nos quais você pode participar ativamente.

O maior atrativo é, claro, o pisão tradicional de uvas, que nas melhores quintas ainda acontece da forma antiga. Os visitantes podem lavar os pés e pisar as uvas descalços nas grandes dornas de granito, chamadas lagares, ao som de músicas tradicionais. É uma diversão enorme, onde você vai se sujar de roxo com certeza, mas vai guardar uma lembrança inesquecível para o resto da vida.

12. A encantadora aldeinha de Provesende

Para fugir do movimento turístico às margens do rio, recomendo subir pelas colinas e visitar a pitoresca aldeia histórica de Provesende. O tempo parou aqui, e você pode caminhar por ruelas estreitas e calçadas que margeiam antigas casas nobres, que guardam memórias dos tempos áureos do comércio do vinho do Porto. No centro da aldeia há uma fonte antiga e um pelourinho histórico, onde os moradores mais velhos sentam para observar os raros visitantes.

Na aldeia você encontra uma pequena padaria tradicional com cheiro de pão saindo do forno e alguns cafezinhos modestos onde dá para tomar um espresso forte por menos de um euro. É o lugar perfeito para uma parada rápida no fim da tarde, se você estiver de carro percorrendo os vinhedos de Pinhão em direção ao norte até Vila Real, e você vai sair com a sensação de ter descoberto o Portugal de verdade, sem filtro.

13. Parada em Amarante, cidade cheia de história

Apesar de Amarante não ficar às margens do Douro em si, mas do seu afluente Tâmega, é uma parada absolutamente ideal quando você vai de carro do Porto até a região vinícola. A cidade é dominada pela bela ponte de pedra de São Gonçalo e pelo convento homônimo, cuja imponente fachada renascentista se reflete nas águas tranquilas do rio. Amarante tem um clima calmo e romântico, um lindo centro histórico e bastante verde à beira d’água.

Amarante é famosa em todo Portugal pelos seus doces típicos, vendidos nas confeitarias locais, que têm formas bastante inusitadas — digamos, fálicas — associadas a São Gonçalo, padroeiro das combinações amorosas e da fertilidade. Não deixe de parar para um ótimo café e experimentar algum dos tradicionais doces de gema, que vão te dar energia para continuar o trajeto pelas colinas.

14. Gastronomia portuguesa no vale

Viajar pelo norte de Portugal é uma experiência culinária enorme, mesmo que você coma sem carne. A base de qualquer refeição num bom restaurante local (tasca) é pão fresco e crocante, queijos locais excelentes, azeitonas e sopas de legumes encorpadas, como a famosa caldo verde de couve e batata (é só pedir ao garçom para não colocar o chouriço). Omelets, pratos de arroz e os tradicionais doces de gema e amêndoa também são ótimas pedidas.

As especialidades locais não-vegetarianas são muito fartas e rústicas, como o famoso bacalhau ou o pesado cozido à portuguesa, que costumam ser acompanhados de um tinto encorpado da própria região. Fique atento à prática do couvert — quando você senta à mesa e o garçom automaticamente traz pão, queijo e azeitonas, não se trata de uma cortesia da casa. Se você comer, vai pagar de 2 a 5 euros por isso, mas se não quiser, basta agradecer educadamente que ele retira tudo sem problema. 😉

O que ver depois do vale do Douro
Foto: Marco Varisco from Albany, New York, USA / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

O que visitar depois do vale do Douro

Se você tem mais tempo em Portugal, seria uma pena ficar só no norte, porque esse país oferece uma quantidade incrível de contrastes. Já que você está na região, explorar a fundo a cidade do Porto é absolutamente obrigatório — suas ruelas íngremes e a atmosfera melancólica vão te encantar completamente.

Depois, vale pegar o trem de alta velocidade para o sul e conhecer a ensolarada Lisboa, de onde é um pulinho até a cidade mágica de Sintra, repleta de palácios, ou até a charmosa cidade praiana de Cascais. Se você sonha com o oceano selvagem e as maiores ondas do mundo, faça uma parada na meca do surfe que é Nazaré.

E se o que você quer mesmo é areia quente, falésias brancas e mergulho, vá direto para a região do Algarve, no extremo sul. Você pode usar como base a animada Lagos ou explorar as praias selvagens perto de Sagres. Vale visitar também a romântica Carvoeiro, a histórica Silves com seu belo castelo, ou a tranquila Tavira perto da fronteira com a Espanha. Para quem curte mercados, vale conferir o que fazer em Loulé, e o voo de volta pode partir do aeroporto de Faro, perto da qual fica também a pitoresca cidade pesqueira de Olhão.

Perguntas frequentes

Como chegar do Porto ao Vale do Douro?

A opção mais confortável e pitoresca é o trem, que sai da estação São Bento no Porto e leva cerca de duas horas até a cidadezinha de Peso da Régua. Você também pode alugar um carro e ir pela autoestrada A4 seguida pela estrada panorâmica N222, ou comprar um passeio organizado de barco de dia inteiro direto do cais da Ribeira.

Qual é a melhor época para visitar as vinícolas?

A melhor época absoluta para visitar é o mês de setembro, quando acontece a tradicional colheita de uvas no vale, as temperaturas são muito agradáveis e a paisagem fica linda com as cores do outono. A primavera também é bonita e verdejante, mas você precisa contar com chuvas frequentes, enquanto em julho e agosto prepare-se para um calor extremo que passa dos quarenta graus.

Qual é a diferença entre o vinho do Porto Ruby e Tawny?

O vinho do Porto tipo Ruby envelhece em barris grandes ou tanques de aço inoxidável, não entra em contato com o ar, tem uma cor vermelho escuro e sabor bem frutado e doce. Já o Tawny envelhece em barris menores de carvalho, onde oxida gradualmente, ganha uma cor mais clara acobreada até marrom e se destaca por notas complexas de nozes e caramelo.

Posso visitar vinícolas sem reserva prévia?

Na alta temporada de verão e durante a colheita de outono eu definitivamente não recomendo, porque as vagas para tours em inglês nas melhores propriedades costumam esgotar com semanas de antecedência. Se você viajar nos meses de inverno, pode ter sorte chegando sem avisar, mas sempre é melhor garantir seu lugar com pelo menos alguns dias de antecedência pela internet.

O que significa exatamente a palavra Quinta?

Quinta é uma palavra tradicional portuguesa que designa uma propriedade rural ou fazenda, sendo que no Vale do Douro esse termo é usado exclusivamente para vinícolas onde se cultiva uva e produz vinho. Muitas dessas construções históricas funcionam hoje não apenas como produtoras, mas também como hotéis de luxo e centros de degustação para turistas.

Preciso de um dispositivo especial de pedágio para as autoestradas?

Sim, se você alugar um carro, peça com certeza o transponder eletrônico chamado Via Verde na locadora. A maioria das autoestradas portuguesas não tem cabines de pedágio com atendentes, mas usa portais eletrônicos que leem a placa, e sem o dispositivo você teria que pagar as taxas devidas de forma complicada nas agências dos correios.

O Vale do Douro é adequado para viajar com crianças pequenas?

Viajar com crianças é possível, mas você precisa levar em conta que a região é muito montanhosa, carrinhos de bebê são praticamente inutilizáveis nos vinhedos íngremes e ruas de paralelepípedo, e no verão faz um calor extremo. Além disso, a principal atividade na área é degustação de bebidas alcoólicas, então para crianças menores o programa pode ficar meio cansativo e entediante depois de um tempo.

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