Santiago de Compostela: 14 dicas do que ver no destino do Caminho

O verde noroeste da Espanha surpreende à primeira vista — é bem provável que você não espere encontrar uma paisagem assim no país. Em vez de planícies áridas e sol escaldante, você é recebido por um cenário que lembra mais a Irlanda ou a Escócia selvagem, onde a névoa sobe preguiçosamente dos eucaliptais e os bares locais têm o som de gaitas de fole ao fundo. A Galícia funciona como um mundo à parte, com suas próprias regras, raízes celtas profundas e uma língua muito mais próxima do português do que do castelhano clássico. Para milhões de pessoas de todo o mundo, porém, essa região representa sobretudo o destino tão sonhado do Caminho de Santiago de Compostela, pois é aqui que termina uma das mais famosas rotas de peregrinação do planeta.

Seja você alguém que chegou com centenas de quilômetros nas pernas e a mochila nas costas, ou que veio de avião para conhecer o norte da Espanha com conforto, Santiago de Compostela vai te envolver imediatamente com sua atmosfera inconfundível. Em torno do monumental santuário, cresceu um centro histórico cheio de arcadas de granito, ruelas estreitas e antigos mosteiros que mantiveram seu aspecto medieval. Mesmo sob a chuva — algo muito típico por aqui — a cidade é absolutamente mágica, porque a pedra molhada brilha lindamente à luz das lanternas e dá ao lugar um charme todo especial.

Vamos descobrir juntos o que você definitivamente não pode perder nessa cidade fascinante. Preparei um guia completo que vai te levar desde a famosa catedral, passando pelos mercados movimentados, até uma excursão para o fim do mundo. Você também vai descobrir qual é a melhor época para visitar e por que não dá para adiar muito o planejamento da viagem.

Vista panorâmica de Santiago de Compostela
Foto: Luis Miguel Bugallo Sánchez / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Principal atração: A Catedral de Santiago é o centro absoluto da cidade, e sob seu altar-mor repousam os restos mortais do apóstolo Tiago.
  • Melhor época para visitar: Vá de preferência em 2026, entre maio e outubro, pois 2027 é o chamado Ano Santo — a cidade vai estar superlotada.
  • Centro histórico: Todo o casco antigo é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, com charmosas ruelas de granito repletas de cafés, bares de tapas e músicos de rua.
  • Experiências gastronômicas: A cidade é famosa pelo Mercado de Abastos e pela culinária galega, que inclui o vinho branco mineral Albariño.
  • Dica prática: Não fique só na cidade — reserve pelo menos um dia para uma excursão ao oceano, até o Cabo Finisterra, apelidado de o fim do mundo.
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Quando ir a Santiago de Compostela

O clima do noroeste espanhol é ditado pelo Atlântico, então pode esperar um tempo bem mais imprevisível do que no sul do país. O inverno costuma ser relativamente ameno em termos de temperatura, mas é extremamente chuvoso e úmido, o que não é lá muito ideal para passeios turísticos. A janela segura para uma visita agradável à Galícia se abre por volta de maio e vai até o final de outubro.

Se você quer explorar o litoral e até mergulhar no oceano — que permanece bastante refrescante mesmo no verão europeu —, opte pelos meses de junho a setembro. Só que agosto concentra o pico absoluto da temporada turística e de peregrinações. A hospedagem costuma lotar com muita antecedência e os preços sobem ao máximo, então reservar com antecedência é indispensável nesse período.

No planejamento da viagem, um fenômeno é fundamental: 2027 é o chamado Ano Santo (Ano Xacobeo), que ocorre sempre que a festa de Santiago cai em um domingo. Durante o Ano Santo, o número de peregrinos cresce entre 50 e 80%, a Porta Santa da catedral se abre e a cidade vive uma espécie de loucura coletiva. Por isso, 2026 se apresenta como a janela ideal para uma visita mais tranquila, quando você ainda vai sentir a atmosfera autêntica antes que as multidões do jubileu tomem conta da região.

Onde se hospedar em Santiago de Compostela

💡 Dica de hospedagem e passeios: Gostamos de buscar acomodações no Booking.com, que geralmente tem as melhores condições de cancelamento. Para ingressos, passeios e atividades, vale comparar no GetYourGuide.

A escolha do bairro certo para se hospedar pode fazer toda a diferença, já que a cidade é compacta mas bastante íngreme. A opção mais popular é, claro, o próprio centro histórico (Casco Histórico), onde você tem todas as principais atrações, bares de tapas e as charmosas ruelas a poucos passos da cama. Só que a hospedagem direto no centro costuma ser mais cara, e o barulho do abastecimento matinal ou da animação noturna dos peregrinos pode incomodar um pouco.

Se preferir uma opção mais tranquila e muitas vezes mais econômica, procure hospedagem nos arredores do Parque da Alameda ou em direção à estação de trem. A partir desses pontos, você chega à catedral a pé em dez a quinze minutos, evita as multidões e tem bem mais facilidade para estacionar, caso vá de carro alugado. Para buscar hospedagem, o Booking.com é nossa escolha de longa data — tem de tudo, desde pousadas simples a hotéis boutique de luxo.

  • Experiência de luxo: Se quiser algo verdadeiramente especial e o orçamento não for problema, hospede-se no histórico Parador de Santiago (Hostal dos Reis Católicos), bem na praça principal — um dos hotéis mais antigos e mais bonitos do mundo.
  • Ótimo custo-benefício: O Hotel Compostela oferece excelente relação entre preço e qualidade, instalado em um belo edifício histórico a poucos minutos a pé da catedral.
  • Para os amantes de atmosfera: Muito apreciado também é o boutique San Francisco Hotel Monumento, instalado em um convento franciscano do século XVIII cuidadosamente restaurado, com um genius loci incomparável.

14 dicas do que ver e fazer em Santiago de Compostela

A cidade tem muito mais a oferecer do que uma única catedral famosa, embora ela seja, claro, a estrela do show. Reserve pelo menos dois dias inteiros para explorar a cidade com calma — tempo suficiente não só para os monumentos, mas também para sentar em algum café tranquilo e absorver a atmosfera local.

1. Praça do Obradoiro

Praça do Obradoiro em Santiago de Compostela
Foto: Lmbuga / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Todos os caminhos da Galícia levam a essa enorme praça, que é o verdadeiro coração arquitetônico e emocional de toda a cidade. É aqui, bem diante da monumental fachada barroca da catedral, que chegam todos os dias centenas de peregrinos exaustos, com sapatos empoeirados, apoiados nos bastões de trekking — e muitos deles mal conseguem esconder as lágrimas.

É uma experiência emocionante só de sentar na borda da praça e observar as pessoas que acabaram de completar uma peregrinação de centenas de quilômetros. A praça é cercada em todos os quatro lados por importantes edifícios históricos que representam os quatro pilares do poder: religião (a catedral), monarquia (o Parador), saber (o Colégio de San Jerónimo) e poder civil (o Palácio de Raxoi, hoje sede da prefeitura).

💡 Dica de local: A melhor luz para fotografar a fachada da catedral nessa praça costuma ser no fim da tarde, quando o sol poente tinge as pedras de granito em tons dourados lindíssimos.

2. Catedral de Santiago e o túmulo do apóstolo

Interior da Catedral de Santiago de Compostela
Foto: Michielverbeek / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A catedral em si é uma obra arquitetônica impressionante: no núcleo está uma majestosa basílica românica que foi sendo envolta ao longo dos séculos em camadas góticas e barrocas ricamente decoradas. Segundo a tradição milenar, a cripta sob o altar-mor guarda os restos mortais do apóstolo Tiago, o que fez deste lugar, já na Idade Média, um dos três principais destinos de peregrinação do cristianismo — ao lado de Roma e Jerusalém.

Ao visitar o interior, não deixe de ver o magnífico Pórtico da Glória, obra-prima da escultura românica do Mestre Mateus, para a qual você precisa comprar um ingresso específico com hora marcada com antecedência. O ritual tradicional de todos os visitantes era abraçar a estátua de Santiago no altar-mor, embora as regras para esse gesto tenham mudado bastante nos últimos anos por questões de segurança e higiene.

A entrada na nave da catedral é totalmente gratuita e fica aberta desde cedo até a noite, mas para visitar o museu, a cripta ou subir às torres e aos telhados, há cobrança de ingresso e é necessário reservar com antecedência.

3. O gigantesco turíbulo Botafumeiro

Botafumeiro, o famoso turíbulo gigante da Catedral de Santiago
Foto: Josefito123 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Uma das atrações mais icônicas e fotografadas de toda a catedral é, sem dúvida, o Botafumeiro — um enorme turíbulo de prata que fica suspenso por uma grossa corda direto da cúpula central. Esse objeto fascinante pesa mais de cinquenta quilos e mede impressionantes um metro e meio de altura; sua função original, na Idade Média, era encobrir o cheiro de centenas de peregrinos que dormiam na catedral sem se lavar.

Para colocá-lo em movimento, são necessários oito homens robustos chamados tiraboleiros, que o balançam até atingir a incrível velocidade de 68 km/h, voando quase até o teto do transepto. É um espetáculo de tirar o fôlego, com o aroma do incenso se espalhando por todo o espaço e o som do cabo cortando o ar.

💡 Dica de local: Ver o Botafumeiro em ação exige um pouco de sorte, porque ele não voa em toda missa — mas você pode contá-lo em grandes festividades religiosas, ou quando algum grupo generoso de peregrinos paga pelo ritual (o que custa algumas centenas de euros).

4. Passeio pelas ruelas do centro histórico (Casco Histórico)

Depois de sair da catedral, mergulhe no labirinto de ruelas estreitas do centro histórico, que como um todo é, com razão, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. As principais artérias são as ruas Rúa do Franco e Rúa do Vilar, ladeadas por enormes arcadas de granito que antigamente protegiam os comerciantes da chuva onipresente.

Enquanto a Rúa do Franco é conhecida principalmente como a rua gastronômica por excelência, repleta de bares de tapas e restaurantes, a Rúa do Vilar abriga lojas elegantes, ourivesarias e belos palácios históricos. Repare nos detalhes das fachadas, nas gárgulas em forma de animais estranhos e nas pequenas praças que surgem do nada a cada esquina.

Todo o centro antigo é exclusivamente para pedestres, então você pode perambular por horas com toda a segurança, absorver a atmosfera e ouvir os músicos de rua, que muitas vezes tocam as tradicionais gaitas galegas.

5. Mercado de Abastos

Se você quer sentir o pulso real da cidade e ver como é a vida dos moradores locais, uma visita ao Mercado de Abastos é obrigatória. É o segundo lugar mais visitado da cidade, logo atrás da catedral, instalado em belas galerias de pedra que cheiram a ervas frescas, queijos e flores.

O movimento é maior aos sábados pela manhã, quando as bancas se curvam sob o peso de uma quantidade impressionante de queijos em forma de seio feminino (o famoso queijo tetilla), verduras frescas, pães artesanais e uma variedade enorme de frutos do mar. O mercado é dividido em várias naves por tipo de produto, e a atmosfera é incrivelmente viva, barulhenta e completamente autêntica.

💡 Dica de local: Dentro do próprio mercado tem um pequeno estabelecimento chamado Mariscomanía, onde você pode levar os ingredientes que acabou de comprar nas bancas e eles cozinham tudo para você na hora, por uma taxa modesta.

6. Parador Hostal dos Reis Católicos

Parador Hostal dos Reis Católicos em Santiago de Compostela
Foto: Luis Miguel Bugallo Sánchez / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Bem em frente à catedral, na praça principal, ergueu-se um edifício magnífico que ostenta o título de hotel mais antigo em funcionamento no mundo. Foi mandado construir no final do século XV pelos Reis Católicos — a rainha Isabel e o rei Fernando — como um luxuoso hospício real destinado a acolher, cuidar e prestar assistência médica aos peregrinos esgotados.

Hoje essa suntuosa construção funciona como hotel cinco estrelas da rede Parador, mas seu valor histórico foi preservado integralmente. O edifício abriga quatro belos pátios internos, claustros decorados e detalhes em pedra ricamente esculpidos que remetem ao estilo renascentista e plateresco.

Mesmo que você não esteja hospedado aqui, pode pagar um tour guiado pelo interior, ou simplesmente tomar um café ou uma taça de vinho no café do hotel para absorver um pouco dessa atmosfera histórica e nobre.

7. A sobremesa obrigatória: Tarta de Santiago

Passeando pela cidade, você vai encontrar a cada esquina vitrines de confeitarias exibindo com orgulho tortas redondas polvilhadas de açúcar de confeiteiro com a silhueta inconfundível da Cruz de Santiago no centro. É a famosa Tarta de Santiago, ícone absoluto da confeitaria local e uma escolha perfeita para vegetarianos e amantes do doce.

Essa sobremesa tradicional é feita exclusivamente com amêndoas moídas, ovos e açúcar — sem nenhuma farinha de trigo (ou seja, naturalmente sem glúten) —, e muitas vezes tem um toque de raspas de limão ou um fio de vinho doce. Tem uma textura densa e úmida, e combina divinamente com um bom espresso ou com o chá da tarde.

💡 Dica de local: Não compre as tortas em supermercados ou lojas de souvenirs — vá às padarias monásticas tradicionais, onde as freiras locais ainda as produzem hoje segundo receitas centenárias e secretas.

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8. Descobrindo a culinária galega tradicional

A Galícia é famosa em toda a Espanha por sua gastronomia específica e muito rica, bem diferente do que você conhece do sul ou do leste do país. A rainha dos cardápios locais é, sem sombra de dúvida, o polvo à galega (pulpo a la gallega), cozido em grandes tachos de cobre até ficar perfeitamente macio e servido em uma tábua de madeira regado de azeite, sal grosso e páprica defumada.

Outra iguaria local impressionante são os percebes, crustáceos minúsculos que crescem nas rochas cortantes açoitadas pelas ondas do oceano. A coleta é extremamente perigosa, o que se reflete logicamente em seu preço elevado; os locais os consideram a maior delícia, com sabor de mar puro. Você também vai encontrar facilmente as empanadas, que são tortas salgadas recheadas com diferentes misturas — atum, carne ou legumes.

Se preferir algo sem carne, prove os Pimientos de Padrón, pimentões verdes pequenos fritos no azeite e polvilhados com sal grosso. São absolutamente viciantes e seguem o famoso ditado: “algunos pican, algunos no” (alguns ardem, outros não) — o que torna cada mordida uma pequena roleta gastronômica. Você pode saber mais sobre a variedade da culinária local em nosso artigo sobre a comida típica espanhola.

9. Degustação do vinho mineral Albariño

Uma comida excepcional pede, claro, um vinho à altura — e o noroeste da Espanha tem muito a oferecer nesse sentido. A Galícia é o lar da famosa uva Albariño, com a qual se produz um vinho branco fantástico, fresco e altamente mineral, com notas delicadas de pêssego, maçã e cítricos.

A influência atlântica, úmida e mais fresca, confere a esse vinho uma acidez perfeita, que o torna ideal para acompanhar as tapas locais e os pratos à base de frutos do mar. As vinhas costumam ser cultivadas em pérgolas especiais para que as uvas fiquem protegidas do excesso de umidade do solo e tenham melhor ventilação.

Praticamente qualquer bar da Rúa do Franco serve com prazer uma taça desse tesouro local. Se você quiser se aprofundar no mundo dos vinhos galegos, pergunte nos bares também sobre os vinhos da região de Ribeiro ou os da uva Mencía — são outras denominações locais interessantes que valem muito a pena explorar.

10. Mosteiro de San Martiño Pinario

Mosteiro de San Martiño Pinario em Santiago de Compostela
Foto: Lmbuga / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Logo em frente à fachada norte da catedral se estende outro gigante arquitetônico que você definitivamente não pode deixar passar. O Mosteiro Beneditino de San Martiño Pinario é o segundo maior complexo religioso de toda a Espanha (logo atrás do Palácio do Escorial, perto de Madri), e suas proporções são realmente impressionantes.

A fachada da igreja do mosteiro é um belo exemplo do barroco galego, mas a grande surpresa te espera lá dentro. O retábulo principal ricamente decorado e o extraordinário coro em madeira de nogueira representam o ápice da arte em talha do século XVII e vão literalmente te deixar sem fôlego com sua elaboração detalhista.

💡 Dica de local: Hoje parte desse enorme complexo funciona como seminário e alojamento universitário, mas a igreja e o museu são abertos ao público com um ingresso muito acessível que vale cada centavo.

11. Parque da Alameda e o mirante da cidade

Parque da Alameda com vista para as torres da Catedral de Santiago
Foto: Lmbuga / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Quando quiser descansar das ruelas de pedra e do barulho do centro, siga em direção sudoeste até o Parque da Alameda. Esse amplo e bem cuidado espaço verde data do século XIX e os moradores locais o adoram para os tradicionais passeios de domingo à sombra de carvalhos, castanheiras e enormes eucaliptos.

É exatamente deste parque, da alameda Paseo da Ferradura, que se abre aquela vista mais linda e mais icônica das torres da catedral — a mesma que você encontra em todos os cartões-postais. Especialmente no entardecer, quando a cidade começa a se iluminar, é um lugar de um romantismo fora do comum.

Na entrada principal do parque, não deixe de cumprimentar a colorida estátua das Duas Marias (Las Dos Marías). É um monumento a duas irmãs reais da cidade que, em meados do século XX, tornaram-se lendas urbanas ao se vestir com roupas extravagantes, se maquiar pesado e sair todo dia às duas da tarde para passear pelo parque e flertar com os estudantes — resistindo à sua maneira ao regime severo da época.

12. Museo das Peregrinacións (Museu das Peregrinações)

Museo das Peregrinacións, Museu das Peregrinações em Santiago de Compostela
Foto: Lameiro / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Para entender de verdade a enorme importância e a história do fenômeno chamado Caminho de Santiago de Compostela, recomendo visitar o Museu das Peregrinações, num edifício modernamente restaurado perto da catedral. A exposição percorre a história das peregrinações desde a Idade Média até os dias de hoje.

Você vai descobrir muitas coisas fascinantes sobre como foi mudando a motivação das pessoas, que provações tinham de superar no passado e como a própria existência da rota de peregrinação moldou a arquitetura, a cultura e a economia de toda a Europa. Verá mapas históricos, antigas insígnias de peregrinos de diferentes partes do mundo e obras de arte fascinantes ligadas ao culto de Santiago.

Do andar mais alto do museu, onde há grandes janelas panorâmicas, você ganha ainda uma visão bem de perto e bastante incomum da Torre del Reloj (Torre da Berenguela) e de parte dos telhados da própria catedral.

13. Excursão ao Cabo Finisterra (o Fim do Mundo)

Limitar sua visita a esta região apenas à cidade de Santiago seria um erro enorme — por isso, separe pelo menos um dia para uma excursão até o litoral. Seu destino deve ser o icônico Cabo Finisterra, cujo nome vem do latim Finis Terrae, que em tradução literal significa “fim do mundo”.

Para muitos peregrinos, a jornada não termina na catedral: eles continuam andando por mais três ou quatro dias até aqui, para olhar para as águas infinitas do Atlântico. No passado, existia a tradição de os peregrinos queimarem seus sapatos e roupas gastos nos penhascos como símbolo de purificação e recomeço — o que hoje é estritamente proibido por razões ecológicas e de segurança.

Se você não tem carro alugado, sem problema. Da cidade partem diariamente vários passeios de ônibus organizados que te levam até o farol no penhasco e ainda mostram o belo litoral das Rías Baixas e as charmosas aldeias de pescadores pelo caminho. Esses passeios de dia inteiro podem ser reservados facilmente nas agências de turismo locais ou pelo GetYourGuide.

14. Compras de lembranças e joias de prata

No final da sua estadia, você vai querer levar para casa alguma lembrança concreta. As lojas de souvenirs ao redor da catedral oferecem uma infinidade de produtos, mas se você busca algo verdadeiramente típico e de valor, foque na joalheria galega tradicional.

Os artesãos locais são mestres há séculos no trabalho com prata e com uma pedra negra especial chamada azabache (jato), uma forma rara de madeira fossilizada. O motivo mais popular é, claro, a concha de vieira (símbolo do caminho), que você pode encontrar em brincos delicados, pingentes ou pulseiras elegantes.

💡 Dica de local: Se quiser trazer algo para os amantes de comida, uma ótima pedida é o atum em conserva de qualidade, queijo tetilla ou uma garrafa do licor local Orujo, feito com o bagaço das uvas prensadas e muitas vezes aromatizado com ervas ou grãos de café.

Para onde ir depois da Galícia

Se você tem a sorte de dispor de mais tempo, o norte e o centro da Espanha oferecem possibilidades infinitas de exploração. Você pode alugar um carro e seguir pelo selvagem litoral norte do Atlântico em direção ao País Basco. Pare no moderno Bilbao, onde o impressionante Museu Guggenheim vai te deixar boquiaberto, e depois siga para o elegante balneário de San Sebastián, considerado o topo absoluto da gastronomia europeia.

Se preferir o interior e o agito de uma grande metrópole, embarque no trem de alta velocidade que te leva confortavelmente em poucas horas direto para Madri. De lá, você pode continuar facilmente para o litoral leste até a vibrante Barcelona, ou descobrir outros lugares incríveis como a ensolarada Valência. As possibilidades na Espanha são simplesmente inesgotáveis.

Perguntas frequentes

Como conseguir o certificado de conclusão do Caminho (Compostela)?

Para receber o certificado oficial em latim, você precisa chegar a Santiago a pé e comprovar que percorreu pelo menos os últimos 100 quilômetros (ou 200 quilômetros de bicicleta ou a cavalo). A prova é a credencial do peregrino, na qual você deve ter pelo menos dois carimbos por dia nos últimos 100 quilômetros, obtidos em albergues, igrejas ou cafés ao longo do caminho.

Quantos dias reservar para conhecer a cidade?

Para a cidade de Santiago de Compostela e seu centro histórico, dois dias completos são suficientes para conhecer com tranquilidade. Mas se você quiser aproveitar uma atmosfera mais relaxada, sem pressa, visitar museus e fazer um bate-volta até o oceano no Cabo Finisterre, recomendo reservar pelo menos três ou quatro dias.

A Galícia é um destino caro comparado ao resto da Espanha?

Pelo contrário, a Galícia é uma das regiões mais acessíveis da Europa Ocidental, principalmente graças à enorme infraestrutura para peregrinos. Enquanto um viajante econômico comum gasta normalmente cerca de 80 euros por dia no sul, um peregrino mais modesto no norte consegue reduzir os custos diários para menos de 50 euros, aproveitando os menus do dia (menú del día) com preços especiais nas tavernas locais.

Posso beber água da torneira normalmente na Espanha?

Sim, a água da torneira em todo o norte e noroeste da Espanha é totalmente segura, potável e muitas vezes muito saborosa. Além disso, desde 2022, os restaurantes são obrigados por lei a oferecer uma jarra de água da torneira completamente grátis com a refeição, basta pedir “agua del grifo”.

Preciso de carro para viajar pela região?

Se você planeja ficar apenas na cidade ou pegar o trem de alta velocidade para cidades grandes como A Coruña, não precisa de carro. Mas se quiser explorar praias escondidas nas enseadas das Rías Baixas, faróis isolados e vilarejos de pescadores no interior, alugar um carro é absolutamente necessário, pois o transporte público funciona de forma bem limitada por lá.

A cidade é segura à noite?

Santiago de Compostela é uma das cidades espanholas mais seguras, com criminalidade mínima. O centro histórico fica animado até tarde da noite, as ruelas ficam cheias de gente, estudantes e peregrinos, então você pode circular tranquilamente mesmo depois de escurecer. Claro que é sempre bom ficar atento a batedores de carteira em locais com grande concentração de turistas.

Fala-se espanhol na região?

Sim, todos os habitantes falam espanhol (castelhano) perfeitamente, mas o idioma principal e do coração deles é o galego (galego). Você vai ver esse idioma em todas as placas de trânsito, cardápios e painéis informativos. É bem parecido com o português, mas com um inglês básico e um sorriso no rosto você consegue se comunicar sem problemas por lá.

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