Quando eu estava na universidade, num curso de fotojornalismo em busca dos melhores contrastes de luz e sombra, passava manhãs inteiras de inverno na Praça da Cidade Velha, o coração pulsante de Praga. Com uma câmera DSLR pesada pendurada no pescoço, ficava tremendo de frio ao lado das barracas vazias, esperando os primeiros raios de sol cortarem a neblina sobre os telhados e tocarem o rosto fosco do relógio da torre. Naqueles momentos, quando os únicos passantes eram padeiros e garis, esse epicentro histórico de Praga tinha um ritmo completamente diferente do meio-dia, quando uma muralha impenetrável de turistas com celulares erguidos toma conta do lugar.
Ao longo dos meus dez anos morando em Praga, construí uma relação cheia de paradoxos com esse lugar. Como estudante do Gymnázium de Malá Strana, eu basicamente só atravessava a praça correndo, porque para os moradores era apenas uma pista de obstáculos no caminho até o metrô. Em 2018, vi o famoso Relógio Astronômico de Praga se esconder por longos meses atrás de andaimes e lonas para passar pela maior restauração das últimas décadas — e a cidade de repente parecia estranhamente incompleta. E hoje? Hoje manobro pelas mesmas pedras de paralelepípedo com um carrinho onde está sentado nosso filho de dois anos, Jonáš, e aprendo a perceber o espaço de uma perspectiva totalmente nova, procurando rampas de acessibilidade e bancos à sombra.
Apesar da frustração ocasional com as multidões e a poluição visual, eu e o Lukáš sempre voltamos aqui. Existe uma diferença enorme entre simplesmente atravessar a praça a caminho de um trdelník e saber exatamente para onde olhar. Quando você conhece a história das vinte e sete cruzes brancas no calçamento, sabe em qual passagem se esconde um café tranquilo, e entende que esperar meia hora na multidão por um espetáculo de quarenta e cinco segundos dos apóstolos pode ser um pouco superestimado — mas, do ponto de vista histórico, absolutamente fascinante.
Então vamos lá — de forma direta, sem enrolação e com as dicas que juntei ao longo desses anos.

Resumo
Entendo perfeitamente — às vezes você só precisa de um resumo rápido. Quando eu e o Lukáš estávamos planejando um fim de semana em Viena, também procurei freneticamente apenas os pontos principais para não perder tempo. Então, se você já está de malas prontas e quer partir, aqui vai o essencial que precisa saber.
Esses poucos pontos vão te salvar do quentão mais caro da sua vida e poupar a decepção de enfrentar multidões enormes. Recomendo pelo menos dar uma olhada rápida antes de se jogar de cabeça nesse turbilhão praguense.
- A praça é mais bonita bem cedinho, idealmente antes das oito da manhã, quando não há multidões de turistas e dá para fotografar o espaço vazio tranquilamente.
- O relógio bate a cada hora cheia das 9h às 23h, mas o desfile dos apóstolos dura menos de um minuto, então não planeje meio dia em função dele.
- Compre os ingressos para a torre da Prefeitura da Cidade Velha sempre online com antecedência, assim você evita a fila enorme na bilheteria do térreo.
- Para a melhor vista, não precisa ir só à torre da prefeitura — uma perspectiva incrível também é oferecida pelas janelas do café no Instituto Escoteiro, bem na praça.
- A Igreja de Týn tem a entrada astutamente escondida atrás das arcadas dos prédios — não procure diretamente na área aberta da praça.
- No calçamento perto da prefeitura, você encontrará 27 cruzes brancas que lembram a execução de nobres tchecos em 1621 — uma tradição local diz que não se deve pisar nelas.
- A Igreja de São Nicolau nesta praça é um ótimo lugar para concertos noturnos de música clássica graças à sua excelente acústica.
- Fuja das armadilhas turísticas como casas de câmbio superfaturadas e taxistas de rua — para transporte, use aplicativos ou o transporte público.
- O trdelník, vendido por toda parte como “tradicional tcheco antigo”, é na verdade uma invenção de marketing moderna, não uma receita histórica de Praga. Mesmo assim, eu e o Lukáš comemos — é uma delícia. 😄

Quando ir e qual horário escolher
A escolha do momento certo para visitar o centro histórico determina se você vai levar uma experiência incrível ou apenas uma sensação de claustrofobia. Em 2026, Praga já não conhece uma verdadeira baixa temporada, mas ainda existem janelas de tempo em que a cidade respira mais livremente.
Neblina matinal versus luzes noturnas
Se você gosta de fotografia, programe o despertador. Por volta das sete da manhã, especialmente na primavera ou no outono, a praça está praticamente vazia. A luz bate na Igreja de Týn e você só ouve o som dos seus próprios passos no calçamento. É exatamente aquela atmosfera que eu costumava capturar em filme. A visita noturna tem outra dinâmica: as fachadas dos palácios estão iluminadas, de dentro das igrejas escapam trechos de música clássica e o espaço ganha vida com arte de rua. Mas prepare-se, pois à noite é quando se acumula mais gente.
Venha mesmo depois da chuva. O calçamento molhado reflete as luzes dos postes e a Igreja de Týn emana uma energia totalmente mágica. Só não esqueça roupas quentes — do rio costuma vir um vento desagradável. Quando depois, com o nariz vermelho, você entra no primeiro café aberto na esquina, aquele chá quente tem um sabor cem vezes melhor. Para um fotógrafo, esse despertar matinal da cidade é simplesmente um presente — um momento íntimo e silencioso que nenhum passeio ao meio-dia consegue oferecer.
💡 Dica de moradora: Se quiser evitar o maior aperto da multidão em frente ao relógio, chegue cerca de cinco minutos depois da hora cheia. As pessoas se dispersam imediatamente após o show dos apóstolos e você terá espaço para observar o mostrador astronômico de perto.
Mercados de Natal e Páscoa
Os mercados na Praça da Cidade Velha são um fenômeno que os praguenses amam e odeiam ao mesmo tempo. Os de Natal acontecem do final de novembro até o início de janeiro, e os de Páscoa tradicionalmente em abril. Com o Jonáš, tentamos absorver a atmosfera durante o Advento no ano passado, mas com o carrinho de bebê isso exige nervos de aço e planejamento estratégico. O espaço ao redor das barracas de cerâmica e quentão se transforma em um labirinto impenetrável. Se vier nesta época, venha num dia de semana pela manhã.
Sinceramente, adoro aquele cheiro de pinheiro misturado com castanhas assadas. Sempre tomo um quentão e fico só curtindo a atmosfera. Mas é preciso chegar bem antes de escurecer, quando começa a loucura de verdade e não dá para dar um passo. Quando não aguentamos mais, fugimos pelo menos para a beirada, na direção da Rua Pařížská. Mesmo com o carrinho, é preciso uma dose de zen e bons sapatos para manobrar.
💡 Dica de moradora: O quentão das barracas principais, bem debaixo da árvore, costuma ser excessivamente doce e caro demais. Basta ir a qualquer ruela lateral em direção ao bairro de Haštalská e você consegue uma qualidade muito melhor por menos dinheiro.

Onde se hospedar
A escolha do hotel certo pode salvar suas férias inteiras, especialmente quando você está com crianças pequenas. Eu sou bem exigente com conforto quando viajo, mas ao mesmo tempo não quero perder tempo com uma hora de deslocamento até o centro.
Nosso favorito testado: The Julius Hotel
Se você quer ter o centro histórico ao alcance, mas ao mesmo tempo prefere um ambiente mais tranquilo com alto padrão, recomendo o The Julius Hotel, onde eu e o Lukáš nos hospedamos recentemente. Fica na Praça Senovážné, a apenas dez minutos de caminhada agradável da Praça da Cidade Velha. Tivemos uma One Bedroom Suite, incrivelmente espaçosa — o que adoramos, considerando a necessidade do Jonáš de correr para todo lado. O interior é impecavelmente projetado em tons terrosos e o café da manhã inclui opções vegetarianas generosas, então fiquei mais do que satisfeita. Você pode conferir preços atuais e disponibilidade e reservar pelo Booking.com.
É um alívio enorme quando, depois de um dia inteiro correndo entre monumentos, você pode voltar para um quarto silencioso, abrir uma garrafa de vinho e simplesmente desligar. De manhã, café na mão, você planeja o roteiro do dia sem o estresse de se enfiar na multidão logo ao sair do hotel. Esse equilíbrio entre centro e privacidade aqui é simplesmente perfeito.

Prefeitura da Cidade Velha e seus segredos
Não é apenas um edifício, mas um complexo de casas que foram se fundindo aos poucos, assim como a própria história de Praga — um pouco caótica, um pouco surpreendente e cada camada mais interessante que a anterior.
Quando estivemos lá com o Jonáš pela última vez, ele ficou fascinado observando como as diferentes fachadas se conectam. Para mim, esse lugar é uma demonstração fascinante de como Praga se transformou e se adaptou ao longo dos séculos sem perder seu charme original.
Relógio Astronômico de Praga
É provavelmente o monumento técnico mais fotografado da República Tcheca. O Relógio Astronômico de Praga data de 1410 e é o terceiro mais antigo do mundo — sendo o único que ainda funciona. Lembro do nosso professor de história no ensino médio desmistificando a famosa lenda do mestre Hanuš, que supostamente teria sido cegado pelos vereadores para nunca mais construir algo tão belo. Na verdade, o relógio foi criado por Mikuláš de Kadaň. O mostrador astronômico indica a posição do sol, da lua e os signos do zodíaco. O disco do calendário com medalhões de Josef Mánes é uma cópia (o original está no museu), mas os detalhes das cenas campestres são de tirar o fôlego. O desfile dos doze apóstolos acontece a cada hora cheia, das 9h às 23h.
Lembro de uma vez que saí com as amigas com vinho em copo de plástico, bem na hora que o relógio batia meia-noite. A atmosfera era completamente diferente da de dia. Nada de pau de selfie, apenas alguns casais perdidos e o som silencioso das engrenagens, lembrando que esse mecanismo marca o tempo há centenas de anos. Foi incrivelmente romântico, e desde então digo a todo mundo para vir ver o relógio tarde da noite.
💡 Dica de moradora: Não espere um show de laser. É um desfile de 45 segundos de pequenas estátuas de madeira: se quiser ter uma boa visão sem precisar dar cotoveladas, posicione-se na diagonal à esquerda da prefeitura quinze minutos antes.

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Mirante da Prefeitura da Cidade Velha
Enquanto o relógio pode ser admirado gratuitamente da rua, a Prefeitura da Cidade Velha oferece uma das melhores vistas de Praga — e essa é paga. A torre gótica tem 69,5 metros de altura e, diferentemente de muitas outras torres históricas da cidade, você chega ao topo confortavelmente por um elevador moderno de vidro — um alívio enorme se estiver carregando uma criança no canguru. Do terraço, toda a praça fica como na palma da mão, dá para ver perfeitamente a estrutura dos telhados e, ao fundo, a silhueta do Castelo de Praga. A entrada básica em 2026 custa cerca de 12 €.
Quando você chega lá em cima, percebe como essa cidade velha é compacta. Adoro observar dali aquele enorme labirinto de ruelas e telhados vermelhos. 😉
💡 Dica de moradora: As filas na bilheteria interna são intermináveis. Economize tempo e compre os ingressos para a Prefeitura da Cidade Velha pelo GetYourGuide, com eles você vai direto aos elevadores.

Subterrâneos da prefeitura e salões históricos
A maioria das pessoas sobe correndo, tira uma foto e já quer ir embora. Mas repare na seta para baixo — sob a prefeitura se esconde um emaranhado de porões românicos e góticos mais antigos que o próprio edifício acima deles. Antigamente, esses espaços serviam como prisão. No andar superior, você encontra belos salões históricos, dos quais o Salão Brožík funciona como local popular para casamentos. Esses espaços são acessíveis por meio de visitas guiadas, geralmente incluídas na entrada básica.
Lá embaixo faz friozinho, então mesmo no auge do verão recomendo jogar um casaco nos ombros. O lugar todo cheira a pedra antiga e poeira — exatamente como eu gosto em lugares históricos. Vale muito a pena a horinha extra que você dedica à visita. Para mim, esse contraste entre os salões reluzentes lá em cima e as masmorras escuras lá embaixo é uma das experiências mais marcantes de toda a praça.
💡 Dica de moradora: As visitas guiadas ao subterrâneo acontecem em horários específicos. Confira a programação logo na entrada para conseguir encaixar bem a visita à torre e ao subterrâneo.

Monumentos que definem a Praça da Cidade Velha
A praça não seria o que é sem os dois gigantes que se encaram de lados opostos há séculos — a austeridade gótica de Týn contra a elegância barroca branca de São Nicolau. Nenhum dos dois deixa você indiferente.
É bem divertido observar como essas duas construções competem entre si. Uma escura e majestosa, a outra clara e ornamentada. Sempre me pergunto o que os arquitetos de ambas as igrejas diriam se se encontrassem hoje tomando café no meio da praça.
Igreja de Týn (Igreja de Nossa Senhora diante de Týn)
Suas torres góticas assimétricas, com dezenas de pequenas torrinhas, parecem quase saídas de um conto de fadas sombrio. A Igreja de Týn é a dominante que se fotografa de todos os ângulos, mas encontrar a entrada é um desafio para muitos. A igreja está parcialmente oculta da praça por casas históricas à sua frente. Lá dentro, além de um lindo altar barroco, você encontra o túmulo do famoso astrônomo dinamarquês Tycho Brahe. A entrada é gratuita, mas recomenda-se deixar uma contribuição voluntária.
A igreja é surpreendentemente espaçosa por dentro e reina nela uma paz incrível — um contraste total com o caos lá fora. Gosto de simplesmente sentar no último banco e ficar pensando por um tempo.
💡 Dica de moradora: A entrada se esconde nas arcadas da Escola de Týn, ao lado dos restaurantes. Passe pelo terceiro arco da esquerda e descubra a pesada porta de madeira que leva ao silencioso interior da igreja.
Igreja de São Nicolau — Cidade Velha
Quando se fala na Igreja de São Nicolau, a maioria pensa na de Malá Strana (o bairro menor). Mas a Igreja de São Nicolau na Cidade Velha oferece sua própria resposta barroca imaculadamente branca, obra de Kilián Ignác Dientzenhofer. O interior é impressionante, repleto de estuques e afrescos, e no centro pende um lustre de cristal presenteado por um czar russo. Hoje abriga a Igreja Hussita Tchecoslovaca e são realizados concertos de música clássica que valem muito a pena, mesmo sem ocasião especial.

Palácio Kinský e Casa do Sino de Pedra
No lado leste da praça ficam dois edifícios que ilustram perfeitamente a mistura arquitetônica de Praga. O rococó Palácio Kinský, com sua fachada em estuque rosa e branco, hoje abriga exposições da Galeria Nacional. Logo ao lado está a Casa do Sino de Pedra, que no século passado foi cuidadosamente limpa do reboco barroco para revelar sua face gótica original e crua. Hoje funciona ali a Galeria da Cidade de Praga.
Toda vez que passo pela Casa do Sino de Pedra, lembro dos meus anos de faculdade. Com as amigas do curso, íamos a cada nova exposição e depois debatíamos por horas sobre ela com uma taça de vinho branco no café logo ali na esquina. A programação deles é realmente excelente e consegue empolgar até quem normalmente não frequenta galerias.
💡 Dica de moradora: As exposições na Casa do Sino de Pedra costumam ser das mais bem curadas de Praga, frequentemente focadas em fotografia moderna ou arte contemporânea — como ex-estudante de fotojornalismo, recomendo de coração.
Detalhes históricos e sombras do passado
Todo mundo olha para cima, para as torres. Mas o mais interessante — e, sinceramente, o mais arrepiante — está o tempo todo literalmente debaixo dos seus pés.
Praga sabe disfarçar muito bem seus segredos. Milhares de pessoas passam dançando por aqui todos os dias com a câmera, sem perceber que vestígios do passado se escondem bem ali nas pedras do calçamento. E são exatamente esses detalhes que, na minha opinião, transformam um simples passeio em uma experiência inesquecível.
27 cruzes no calçamento (Execução de 1621)
Bem em frente à ala leste da Prefeitura da Cidade Velha, você verá no calçamento de granito 27 cruzes brancas. Trata-se de um memorial do trágico evento de 21 de junho de 1621, quando, após a Batalha da Montanha Branca, vinte e sete líderes da revolta protestante foram executados ali — incluindo o célebre médico Jan Jesenius. A atmosfera do lugar é arrepiante, mesmo com as multidões de turistas, quando você se dá conta do que aconteceu ali há séculos.
É uma sensação muito estranha ficar de pé no lugar sobre o qual você aprendeu na escola, nas aulas de história. Na época eram apenas datas secas, mas quando você está ali e vê as cruzes com seus próprios olhos, tudo ganha uma dimensão completamente diferente. Às vezes, eu e o Lukáš vemos turistas tirando fotos sorridentes ali e nos perguntamos se fazem ideia do que estão pisando. Para mim, é um pequeno teste diário de atenção e empatia. Sempre me lembro das palavras da minha avó sobre a importância de conhecer as próprias raízes — mesmo quando são bem sangrentas.
💡 Dica de moradora: Entre os praguenses de nascença existe uma regra não escrita de não pisar nas cruzes, em respeito aos executados. A maioria dos turistas passa por cima sem pensar, mas você pode tentar contorná-las respeitosamente.

Monumento a Jan Hus
O imponente grupo escultórico em bronze, dominado pela figura do reformador Jan Hus — queimado na fogueira por suas ideias religiosas — ocupa a parte norte da praça. O monumento, do escultor Ladislav Šaloun, foi inaugurado em 1915 e se tornou um dos principais pontos de referência. Na gíria praguense, encontros são marcados “no Hus” — assim como na Praça Venceslau as pessoas se encontram “debaixo do rabo” (referindo-se à estátua equestre de São Venceslau).
A escultura é realmente monumental e confesso que sempre me impressiono de novo com o tamanho dela. Quando preciso encontrar alguém no centro, o ponto de encontro “no Hus” é certeiro. Você nunca se desencontra e, de lá, tem uma vista perfeita de todos os lados da praça — dá para conferir tranquilamente se sua cara-metade já chegou.
💡 Dica de moradora: A larga borda de pedra do monumento é um dos poucos lugares na praça onde dá para sentar de graça, sem precisar pagar um café nas mesas dos restaurantes.
Meridiano de Praga
Se você caminhar do monumento de Hus em direção à Prefeitura da Cidade Velha, vai encontrar uma discreta faixa de latão cravada no calçamento. É o Meridiano de Praga (14°25’17” de longitude leste). No passado, os praguenses usavam essa marca para determinar a hora exata. Quando a sombra da Coluna Mariana caía precisamente sobre essa linha, era meio-dia.
Algo me diz que, se os executivos apressados de hoje com seus iPhones tivessem que acertar o relógio pela sombra da Coluna Mariana, todo mundo chegaria atrasado para tudo 😁. De qualquer forma, é uma lembrança adorável de uma época em que o mundo ainda não corria nesse ritmo frenético de hoje. Adoro reencontrar esse detalhezinho toda vez que venho aqui.
💡 Dica de moradora: A inscrição no meridiano está em latim e inglês, mas frequentemente fica escondida sob os pés de grupos de pessoas paradas. Você vai encontrá-lo mais ou menos na metade do caminho entre o relógio e o monumento de Jan Hus.
Como sobreviver à Praça da Cidade Velha (sem cair em armadilhas)
O centro histórico é, infelizmente, um ímã para ciladas que se aproveitam da desinformação dos visitantes. Morei em Praga tempo suficiente para saber quais lugares evitar a todo custo e onde encontrar refúgio.
Não quero parecer uma moradora ranzinza, mas às vezes dói o coração quando vejo alguns visitantes caindo em golpes. Por isso montei esses pontos de resgate. Eles vão te ajudar a curtir o lugar sem sair com a sensação de que alguém acabou de te tirar o salário inteiro.
Onde comer: Café e comida sem taxa turística
Os restaurantes ao redor da praça têm uma coisa em comum: você paga pela vista, não pela experiência gastronômica. Um café aqui custa facilmente o dobro do que a poucas ruas de distância. Se precisar urgentemente de cafeína sem sair da praça, vá ao Instituto Escoteiro. Fica no primeiro andar de uma das casas históricas bem ao lado do relógio. Servem um café excelente a preços normais e das janelas a vista para o movimento lá embaixo é fantástica. Como vegetariana, também nunca deixo de visitar o restaurante Maitrea, na ruazinha Týnská ali perto, que oferece um menu vegetariano de primeira em um interior lindo com decoração feng shui.
Sabe como é, com criança pequena você precisa parar de vez em quando, dar comida e descansar um pouco. E pagar um absurdo por isso não é exatamente o meu plano. O Instituto Escoteiro é um verdadeiro tesouro para essas paradas, escondido bem diante dos olhos de todo mundo. O café de lá tem um aroma honesto e aquela paz na varanda simplesmente não tem preço. Dá para recarregar as energias antes de mergulhar de volta nas ondas intermináveis de gente.
💡 Dica de moradora: A entrada do Instituto Escoteiro é uma passagem discreta bem ao lado da loja de cristais. Atravesse o pátio e suba pela escada em caracol até o primeiro andar, onde se abre uma rede de salinhas aconchegantes.

Armadilhas turísticas e taxistas
O golpe clássico são as casas de câmbio com aquela placa enorme de “0% commission”, que oferecem um câmbio tão desfavorável que você perde um terço do dinheiro. Saque sempre em caixas eletrônicos de bancos normais, nunca naquelas máquinas Euronet espalhadas pela rua. Para brasileiros, a coroa tcheca (CZK) é a moeda local — o euro não é aceito oficialmente, então evite trocar na rua. E agora sobre o trdelník: aquele cheiro de canela vai te seduzir, mas saiba que não tem nada a ver com a história de Praga. É um fenômeno moderno de fast food.
Os taxistas de Praga que ficam de plantão perto da estação e da praça têm uma reputação que se passa literalmente de geração em geração — e não no bom sentido. O Lukáš, de brincadeira, chama eles de “piratas do asfalto com tabela em euro”. Sério, economize nervos e dinheiro e confie nas suas pernas ou nos aplicativos. Não tem nada pior do que estragar um dia lindo com uma briga por uma corrida superfaturada.
💡 Dica de moradora: Nunca pegue um táxi estacionado perto da praça (geralmente na Rua Pařížská). Se precisar de transporte, sempre chame um Uber ou Bolt pelo aplicativo, onde o preço aparece antecipadamente.
Informações práticas
Agora vem a parte mais chata, porém muito mais importante do que parece. Pode parecer bobagem, mas quando você estiver correndo desesperado ao redor da prefeitura de bexiga cheia sem saber para onde ir, vai perceber rapidinho que essas dicas práticas valem ouro.
Transporte e acessibilidade
Metrô: estação Staroměstská na linha verde A, três minutos a pé. De bonde? Mesma parada junto ao rio (linhas 2, 17, 18) ou Náměstí Republiky, se você vier do outro lado. No geral, o transporte público em Praga é bem confiável e muitas vezes leva você ao destino muito mais rápido do que ficar engarrafado de carro pelas ruas estreitas. Para quem vem do Brasil, o mais prático é voar até Praga (com conexão em alguma capital europeia como Frankfurt, Amsterdã ou Lisboa) e do aeroporto pegar o ônibus 119 até a estação de metrô Nádraží Veleslavín, de onde a linha A leva direto ao centro.
Quanto à acessibilidade, toda a superfície da praça é calçada com paralelepípedos. Às vezes você esbarra em vãos bem grandes entre as pedras, o que com carrinho de bebê balança bastante.
Ingressos e serviços úteis
A boa notícia é que a entrada na praça e na maioria das igrejas locais é totalmente gratuita. Paga-se basicamente apenas pela subida à torre da prefeitura, que em 2026 custa cerca de 12 €, e eventualmente pelas visitas guiadas ao subterrâneo. Mesmo assim, vale cada centavo, porque as vistas de lá simplesmente não têm concorrência.
Banheiros públicos ficam no térreo da Prefeitura da Cidade Velha, onde se paga tranquilamente com cartão ou moedas. Outra opção é usar as instalações do Instituto Escoteiro mencionado acima — desde que, é claro, você peça pelo menos um café ou uma limonada.
Perguntas frequentes
A que horas toca o Relógio Astronômico de Praga?
Os apóstolos do relógio aparecem a cada hora cheia, das 9h da manhã às 23h da noite. O espetáculo dura cerca de 45 segundos e termina com o canto do galo dourado.
Quanto custa a entrada na torre da Prefeitura da Cidade Velha?
A entrada básica para adulto em 2026 custa cerca de 12 € (aproximadamente 300 CZK). Recomendo comprar os ingressos online com antecedência para evitar filas.
Dá para subir na torre de elevador?
Sim, dentro da torre histórica há um elevador moderno de vidro que leva até o mirante. É uma solução totalmente acessível, adequada para cadeirantes e famílias com carrinho de bebê.
Trdelník é um doce tradicional de Praga?
Não, o trdelník não é uma especialidade histórica de Praga. Trata-se de um doce originário da Transilvânia que se espalhou massivamente pelas ruas de Praga apenas nas últimas duas décadas como atração turística.
Onde fica a entrada da Igreja de Týn?
A entrada não fica diretamente na praça. É preciso passar pelas arcadas da Escola de Týn (terceiro arco da esquerda, olhando para a igreja) para encontrar a porta de entrada.
Quando acontecem os mercados de Natal na Praça da Cidade Velha?
Os mercados de Natal geralmente começam no primeiro fim de semana do Advento (final de novembro) e vão até 6 de janeiro (Dia de Reis). Em 2026, acontecem nesse período padrão.
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