Roteiro de 7 dias pela França: saindo de Paris de carro

A França é um daqueles países para os quais você simplesmente quer voltar. Sabe aquela sensação de estar no avião de volta pra casa já planejando a próxima viagem? É exatamente assim que nos sentimos toda vez que saímos da França. O aroma de croissants fresquinhos, vinhedos que se estendem até o horizonte, castelos de contos de fadas e aquelas falésias… Ah, as falésias da Normandia. 😍

Como eu amo a França, montei este roteiro França 7 dias — para que você evite os erros clássicos e aproveite a França ao máximo. A rota vai de Paris passando pelos castelos encantados do Loire, pelo impressionante Mont Saint-Michel, pelas praias históricas da Normandia até os jardins de Monet em Giverny. E tudo isso em apenas uma semana.

Neste artigo você vai encontrar um roteiro completo de 7 dias de roadtrip pela França — dia a dia, com dicas específicas de restaurantes, hospedagem e lugares que você não pode perder. Vou contar quando ir, quanto custa tudo e no que prestar atenção.

Pai segurando o filho pequeno em frente à Notre-Dame com o Sena ao fundo

Obsah článku

Resumo

  • Rota: Paris → Versalhes → castelos do Loire (Chambord, Chenonceau, Amboise) → Mont Saint-Michel → Normandia (praias do Dia D, Étretat) → Giverny → Paris
  • Quilometragem total: aproximadamente 1.200–1.400 km (depende dos desvios e paradas extras)
  • Melhor época: maio, junho ou setembro — clima agradável, menos turistas, preços mais baixos
  • Carro é indispensável — de transporte público não dá pra fazer essa rota em 7 dias, pelo menos não com conforto
  • Orçamento para duas pessoas por semana: aproximadamente 1.150–2.000 € (sem passagens aéreas) — depende do tipo de hospedagem e hábitos alimentares
  • Momentos WOW: Mont Saint-Michel ao nascer do sol, falésias de Étretat, pôr do sol sobre Chambord
  • Fique atento: pedágio nas rodovias vai te surpreender (conte com 50–80 € no total da viagem), gasolina é cara, em Paris você não precisa de carro
  • Baixe o mapa de todos os lugares recomendados direto no celular (link no artigo)

Quando ir e como se preparar para o roadtrip pela França

A França é bonita praticamente o ano inteiro, mas para um roadtrip onde você alterna entre cidade, interior e litoral, alguns meses são bem melhores que outros. Vamos ver o que você precisa saber antes de pegar a estrada.

Melhor época: maio, junho e setembro

Maio e junho são, na nossa opinião, absolutamente ideais. O clima é agradável (18–25 °C), os jardins estão em plena floração (os Jardins de Monet em Giverny em junho são literalmente uma explosão de cores), a temporada turística está apenas começando e os preços de hospedagem são razoáveis. Setembro é uma ótima alternativa — as temperaturas são parecidas, mas os vinhedos no Vale do Loire começam a ganhar tons dourados de outono e a atmosfera é completamente diferente.

Julho e agosto eu não recomendo se você quer fugir das multidões. O Mont Saint-Michel em agosto é como o Cristo Redentor no Carnaval — simplesmente impossível se movimentar. Além disso, os franceses tiram férias coletivas em agosto e os lugares populares ficam lotados. E os preços? No verão, facilmente 40–60% mais caros. 😅

Os meses de inverno (novembro a fevereiro) têm seu charme, mas vários jardins e alguns castelos menores ficam fechados, e na Normandia o vento sopra de um jeito que quase te derruba.

Como chegar à França

De avião até Paris é a opção mais prática. Do Brasil, há voos diretos de São Paulo e Rio de Janeiro para o aeroporto Charles de Gaulle (CDG) com companhias como LATAM e Air France. Se comprar com antecedência, é possível encontrar passagens em promoção. Outra opção é buscar voos com escala via Lisboa ou Madri, que podem sair bem mais em conta.

Para encontrar passagens baratas, recomendamos pesquisar em sites comparadores como Google Flights ou Skyscanner — vale a pena monitorar os preços com antecedência e ativar alertas de promoções.

Dica: Se você pousar em Charles de Gaulle, retire o carro alugado direto no aeroporto. Praticamente todas as locadoras têm balcão lá, e você já sai direto para a rodovia rumo a Versalhes, sem precisar enfrentar o trânsito do centro de Paris (e acredite, você não vai querer fazer isso).

Aluguel de carro e transporte

O carro é absolutamente essencial para este roadtrip. Embora seja possível chegar à maioria dos lugares da rota de trem (a França tem uma excelente rede de TGV), a flexibilidade do carro é insubstituível — especialmente na Normandia e no Loire, onde os pontos turísticos estão espalhados pela paisagem.

Nós temos uma ótima experiência com a RentalCars, que usamos em todas as nossas viagens pelo mundo. Para a França, recomendo:

  • Reserve com bastante antecedência — idealmente 2–3 meses antes, pois os preços de última hora costumam ser astronômicos
  • Um carro pequeno é suficiente — as estradas nas vilas da Normandia são estreitas, e com um SUV você vai passar raiva
  • Câmbio automático custa mais na França, mas se você está acostumado, vale o custo extra
  • Seguro completo sem franquia — sempre, sempre, sempre. As estradas francesas são cheias de rotatórias e saídas nem sempre bem sinalizadas

Atenção com o carro:

  • Pedágio (péage) nas rodovias francesas é bastante alto. Para toda a viagem, conte com 50–80 €. As cabines de pedágio aceitam cartão.
  • Gasolina custa em torno de 1,70–1,90 €/litro, diesel é um pouco mais barato
  • Radares estão por toda parte e os franceses multam até por poucos km/h acima do limite. Nas rodovias o limite é 130 km/h, nas estradas secundárias 80 km/h.
  • Estacionamento nas cidades — procure estacionamentos P+R ou na periferia, pois os centros costumam ser zonas de pedestres

Quanto custa o aluguel: Conte com 200–350 € por semana para um carro pequeno, na alta temporada pode ser mais.

Onde se hospedar no roadtrip pela França + quanto custa

Em um roadtrip de sete dias, recomendo se hospedar em 3–4 lugares diferentes — afinal, ninguém quer trocar de hotel todo dia, senão as férias viram um pesadelo logístico. Minha estratégia recomendada:

  • Noite 1: arredores de Versalhes ou sul dos subúrbios de Paris (perto da rodovia para o Loire)
  • Noites 2–3: região do Loire (idealmente Amboise ou Tours)
  • Noites 4–5: Mont Saint-Michel ou arredores (Pontorson, Beauvoir)
  • Noites 6–7: Normandia — Bayeux ou Honfleur (ambos são estrategicamente excelentes)

Quanto custa uma semana na França para duas pessoas

A França não é um destino barato, mas não precisa custar uma fortuna. Aqui está nosso orçamento realista para 7 dias para duas pessoas (sem passagens aéreas):

  • Hospedagem: 400–800 € — depende se você escolhe Airbnb / B&B / hotéis
  • Aluguel de carro + gasolina + pedágio: 350–500 €
  • Comida e bebida: 300–500 € — almoço em bistrôs 15–25 € por pessoa, jantar 25–40 €
  • Ingressos e atividades: 100–200 € — castelos, museus, jardins
  • Total: aproximadamente 1.150–2.000 € para duas pessoas

Dica de economia: Compre nos supermercados (Carrefour, Leclerc) queijos, baguetes, frutas e vinho para fazer piquenique — assim você resolve o almoço por poucos euros e a experiência de um piquenique em frente a um castelo do Loire é incomparável. Nós fazíamos isso no almoço e com o dinheiro economizado, caprichávamos no jantar. Todo mundo sai ganhando! 😁

Aqui está a visão geral de toda a rota dia a dia. Quer mais tempo e conhecer também o sul da França? Confira nosso roteiro de 14 dias pela França.

Dia Rota e deslocamento Onde dormir
1. Chegada em Paris, Versalhes Versalhes
2. Versalhes → castelos do Loire — Chambord, Chenonceau Loire (Amboise)
3. Amboise → Mont-Saint-Michel (~3h30) perto do Mont-Saint-Michel
4. Mont-Saint-Michel → Normandia (Saint-Malo, Cancale) Bayeux
5. Praias do Dia D e Normandia histórica Bayeux
6. Étretat, Honfleur → Giverny Giverny
7. Jardins de Monet em Giverny → volta para Paris
A rota total tem aproximadamente 1.100 km. Os tempos de deslocamento são estimados, sem contar as paradas no caminho.

Dia 1. Versalhes e o primeiro contato com a França

Homem de camiseta e óculos com carrinho de bebê em frente ao Palácio de Versalhes

Você chega em Paris, retira o carro e — não vá para o centro. Eu sei que vai dar vontade, mas deixe Paris para o final (ou para uma viagem separada, porque Paris merece no mínimo 3 dias). Em vez disso, siga direto para Versalhes, que fica a cerca de uma hora e meia do aeroporto CDG.

Palácio de Versalhes

O Palácio de Versalhes é simplesmente outro nível. Você pode ter visto todas as fotos e vídeos, mas quando está ali pessoalmente, o impacto é outro. A dimensão, a suntuosidade, os jardins que se estendem até perder de vista… Luís XIV definitivamente não tinha problemas com modéstia. 😅

Dicas práticas:

  • Compre os ingressos antecipadamente online — as filas sem reserva podem chegar a 2 horas (e não é exagero)
  • O ingresso completo custa 21,50 € por pessoa, incluindo o palácio e os jardins
  • Chegue na abertura (9h) — as primeiras duas horas são as mais tranquilas
  • Para visitar o palácio + jardins, reserve no mínimo 3–4 horas, idealmente a manhã inteira
  • Os jardins são enormes — se você não curte caminhar muito, dá para alugar um carrinho de golfe ou um barquinho no Grand Canal

Para o almoço, vá até a cidade de Versalhes — a Rue de Satory é cheia de pequenos restaurantes. Recomendo o La Table du 11 (se o orçamento permite um almoço mais sofisticado) ou o Bistrot du Potager du Roi, com um terraço charmoso e cozinha local. Prato principal em torno de 18–25 €.

Depois do almoço, passeie pelo centro histórico de Versalhes — o bairro Saint-Louis com a catedral e o mercado é surpreendentemente encantador e quase intocado pelos turistas.

Se ainda sobrar energia, passe pelo Mercado de Versalhes (Marché Notre-Dame) — funciona todos os dias exceto segunda-feira e lá você encontra queijos fantásticos e produtos locais para o piquenique do dia seguinte.

Onde se hospedar na primeira noite

Fique nos arredores de Versalhes ou em Chartres (fica no meio do caminho para o Loire e você ganha tempo pela manhã). Em Versalhes, recomendo o Hôtel Le Louis Versailles Château (moderno, a uma caminhada do palácio) ou o mais acessível Hôtel Le Cheval Rouge, com ambiente familiar e café da manhã excelente. Se procura Airbnb, foque no bairro Saint-Louis.

Dia 2. Castelos do Loire — Chambord e Chenonceau

Castelo às margens do rio Loire

Hoje é o dia mais encantador de todo o roadtrip. De manhã você parte para o Loire, que fica a cerca de 2 horas de Versalhes pela rodovia A10. A estrada passa por campos intermináveis e é meio monótona, mas o que te espera no final compensa cada quilômetro.

Castelo de Chambord

Chambord é a joia da coroa dos castelos do Loire. Quando você está chegando e ele vai surgindo por trás das árvores… simplesmente uau. É gigantesco, tem mais de 400 cômodos e sua famosa escadaria dupla (supostamente projetada por da Vinci) é uma maravilha arquitetônica — duas pessoas podem subir ao mesmo tempo sem se encontrar.

Dicas práticas:

  • Entrada: 16 €, menores de 26 anos da UE entram de graça (!)
  • Chegue bem cedo (abre às 9h) — a manhã é o horário mais tranquilo
  • Reserve 2–2,5 horas para o castelo + parque
  • Não perca o terraço no telhado — a vista das florestas ao redor é incrível
  • No parque (5.440 hectares!), é possível alugar bicicletas ou carrinhos elétricos

O momento perfeito para o piquenique é justamente aqui — estenda uma toalha na grama junto ao espelho d’água em frente ao castelo, abra o queijo e a baguete comprados no mercado de Versalhes e aproveite a vista. Restaurante melhor que esse, impossível. ☺️

Castelo de Chenonceau

À tarde, siga para Chenonceau (cerca de 1 hora de Chambord). Este é o famoso “castelo das damas”, construído sobre o rio Cher — você certamente já viu em algum cartão-postal da França. E tenho que dizer: as fotos não fazem jus à realidade.

Chenonceau é mais intimista que Chambord, mas tem uma atmosfera incrível. Você passeia pelo castelo, embaixo o rio corre, ao redor os jardins florescem… É como entrar dentro de uma pintura.

  • Entrada: 17 €
  • Para a visita, 1,5–2 horas são suficientes
  • Os jardins de Diane de Poitiers e Catarina de Médici são ambos lindos, mas cada um com seu estilo
  • No verão, há visitas noturnas com iluminação — se tiver oportunidade, não perca!

Para o jantar, vá a Amboise (30 minutos de Chenonceau), uma cidadezinha charmosa na margem do Loire. Recomendo o restaurante L’Écluse à beira do rio — ótimos steaks e vinhos locais do Loire a preços justos (prato principal 18–28 €). Para algo mais leve, experimente o Bigot, uma confeitaria e chocolataria com sobremesas fenomenais.

Onde se hospedar no Loire

Fique em Amboise — é uma base estrategicamente perfeita para os castelos e a cidade em si é encantadora. O Le Clos d’Amboise é um lindo hotel boutique com jardim e piscina. Opções mais acessíveis incluem o Hôtel Le Chaptal ou um Airbnb no centro histórico. Na região, você também encontra hospedagens trogloditas (escavadas na rocha) — uma experiência que não se encontra em qualquer lugar!

Dia 3. Amboise, o último castelo e caminho para o Mont Saint-Michel

Castelo de Amboise sobre o rio Loire
Foto: Martin Falbisoner, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

Pela manhã, comece com calma em Amboise — passeie pela margem do Loire, tome café da manhã em um dos cafés na rua principal e visite um lugar que você não pode deixar de fora.

Castelo de Amboise e Clos Lucé

O Château Royal d’Amboise se ergue sobre a cidade e oferece uma vista deslumbrante do rio e da paisagem ao redor. A visita é mais curta que nos grandes castelos (uma hora é suficiente), mas a atmosfera é intimista e agradável.

Logo ao lado fica o Clos Lucé — a última morada de Leonardo da Vinci, onde ele viveu seus últimos anos a convite de Francisco I. A exposição interativa de suas invenções é fantástica até para adultos (e se você estiver com crianças, elas vão adorar). Entrada: 19 €. Reserve 2–3 horas para ambos.

Dica da manhã: Se ainda não cansou de castelos, no caminho ao sair de Amboise você pode parar no Château de Villandry — os interiores não são tão impressionantes, mas seus jardins renascentistas são provavelmente os mais bonitos de toda a França. Padrões geométricos de tirar o fôlego. Entrada: 13 €.

Caminho para o Mont Saint-Michel

Depois do almoço em Amboise (experimente o L’Amboiserie — ótimas galettes, as panquecas salgadas de trigo sarraceno típicas da Bretanha, prato principal a partir de 12 €), entre no carro e siga rumo ao Mont Saint-Michel.

A viagem leva cerca de 3 horas e meia passando por Le Mans e Avranches. É o trecho mais longo de todo o roadtrip, mas a paisagem é linda — especialmente na última hora, quando você cruza o interior da Normandia com pastagens cheias de vacas e pomares.

Importante: Não é possível chegar de carro até o Mont Saint-Michel. Você estaciona em um grande estacionamento (cerca de 2,5 km da ilha, estacionamento 14,90 € por 24 horas) e de lá segue com o shuttle gratuito ou caminha pela passarela. Recomendo chegar no final da tarde — o Mont Saint-Michel ao pôr do sol é uma das experiências mais marcantes de toda a viagem.

Onde se hospedar perto do Mont Saint-Michel

Você tem duas opções: se hospedar diretamente NA ilha (caro, mas inesquecível) ou nos arredores (mais prático e barato).

Na ilha: O La Mère Poulard é um hotel e restaurante lendário — caro, mas uma experiência única. Se quer realizar um sonho, aqui vale a pena.

Nos arredores: As vilas de Beauvoir ou Pontorson (10–15 minutos) têm boas opções de B&B a preços razoáveis. O Le Beauvoir é um simpático hotel familiar com vista para o Mont Saint-Michel, e o La Jacotière é uma bela fazenda convertida em chambre d’hôte (B&B).

Dia 4. Mont Saint-Michel e caminho para a Normandia

Abadia do Mont-Saint-Michel durante a maré baixa
Foto: Lynx1211, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Hoje é o dia do lugar pelo qual muita gente faz essa viagem. E com toda razão.

Mont Saint-Michel

Acorde cedo. Eu sei que são férias, mas o Mont Saint-Michel de manhã, ainda sem as multidões de turistas, é uma experiência mágica. Se tiver sorte com o coeficiente de maré (verifique antes no site da ilha), você pode ver o mar cercando toda a ilha — é uma das marés mais altas da Europa.

A abadia no topo é monumental. Colunas góticas, claustro, vista dos terraços sobre a baía… É um lugar com uma energia incrível, seja você religioso ou não.

Dicas práticas:

  • Entrada na abadia: 13 €, menores de 26 anos da UE entram de graça
  • Chegue na abertura (9h30) — a partir das 11h começam a chegar os ônibus de excursão
  • Reserve 2–3 horas para a abadia + passeio pelas ruelas
  • A rua principal (Grande Rue) é cheia de armadilhas para turistas — lojas de souvenirs e restaurantes caríssimos. Mas a atmosfera é incrível mesmo assim.
  • La Mère Poulard é famosa pela sua omelete fofa — custa 30–40 € e, honestamente, o sabor é bem simples. Mas a experiência? Essa talvez valha a pena. Talvez. 😅

Dica secreta do Reddit: Se tem tempo e bom preparo físico, contrate um guia para a travessia da baía a pé (traversée de la baie). Você caminha sobre a areia e lama direto até a ilha, leva cerca de 2–3 horas e é uma experiência para a vida toda. NÃO tente sem guia — as areias movediças e a maré são perigosas. Preço: cerca de 10–15 € por pessoa.

Tarde: Caminho para a Normandia — Saint-Malo ou Cancale

Depois do almoço (recomendo sair do Mont Saint-Michel e parar em Cancale, que fica a apenas 50 minutos), siga pela costa. Cancale é a “capital das ostras” — no Marché aux Huîtres você compra ostras fresquinhas por poucos euros diretamente dos pescadores e come com vista para o mar. Nem precisa gostar de ostras — aqui a experiência convence até os céticos (testado com o Lukáš, que se tornou fã declarado depois disso 😁).

À tarde, continue até Bayeux (cerca de 1h30 de Cancale), que será sua base para os próximos dois dias na Normandia. No caminho, pare em Saint-Malo — a cidade fortificada à beira-mar parece saída de um filme de piratas. Uma hora de caminhada pelas muralhas e ruas do intra muros (cidade interior) é suficiente.

Onde se hospedar na Normandia

Bayeux é a base ideal — é pitoresca, bem localizada entre as praias do Dia D e Étretat, e tem uma excelente oferta de hospedagem.

O Hôtel Reine Mathilde fica no coração da cidade, com equipe simpática e localização perfeita. O Villa Lara é a opção mais luxuosa, com vista para a catedral. Para Airbnb, busque no centro — tudo é acessível a pé e a atmosfera das ruelas medievais é encantadora.

Alternativamente, hospede-se em Honfleur — fica um pouco mais longe das praias do Dia D, mas é uma das cidadezinhas mais fotogênicas de toda a França.

Dia 5. Praias do Dia D e a Normandia histórica

Cemitério militar americano na Normandia
Foto: U.S. Navy, domínio público, Wikimedia Commons

Hoje será um dia que vai ficar gravado na sua memória. Mesmo que você não seja entusiasta de história militar, as praias do Dia D e os monumentos ao redor são uma experiência profundamente emocionante.

Cemitério americano em Colleville-sur-Mer

Comece por aqui. 9.387 cruzes brancas em fileiras perfeitas com vista para a Omaha Beach. É um lugar silencioso e solene que te atinge mais do que você espera. A entrada é gratuita.

Logo abaixo do cemitério fica a Omaha Beach — uma praia ampla e ventosa onde é difícil imaginar o que aconteceu aqui em 6 de junho de 1944. Caminhe pela areia, observe os restos das fortificações e deixe o lugar falar por si.

Pointe du Hoc

Pertinho da Omaha Beach fica a Pointe du Hoc — as falésias que os rangers americanos escalaram sob fogo inimigo. As crateras de bombas ainda são visíveis e parecem de ontem. Entrada gratuita, 30–45 minutos são suficientes para a visita.

Arromanches e o porto artificial

A cidadezinha de Arromanches-les-Bains é fascinante — na praia ainda são visíveis os restos do porto artificial Mulberry, construído pelos Aliados durante a invasão. O Museu do Dia D (Musée du Débarquement) na praia explica toda a operação. Entrada: 10,50 €.

Para o almoço, pare em Arromanches — o Restaurant L’Idéal no calçadão tem excelentes mexilhões (moules-frites por cerca de 16 €) e vista direta para os restos do porto. Ou faça um piquenique na praia — de manhã em Bayeux compre baguetes na padaria e queijo na fromagerie.

Tarde: Bayeux e sua tapeçaria

Ao voltar para Bayeux, passeie pela cidade e visite a Tapeçaria de Bayeux — uma faixa bordada de 70 metros de comprimento do século XI que conta a história da conquista normanda da Inglaterra. É como uma história em quadrinhos medieval e é fascinante. Entrada: 12 €. Audioguia em português não está disponível, mas o em inglês é excelente.

Jantar em Bayeux: O L’Angle Saint-Laurent é nossa recomendação número um — cozinha francesa moderna em uma bela casa histórica, pratos principais 22–35 €. Para algo mais informal, experimente o La Reine Mathilde (ligado ao hotel), com ótimas especialidades normandas incluindo camembert en croûte.

Dia 6. Étretat e caminho por Honfleur até Giverny

Falésias de giz em Étretat na Normandia
Foto: H. Grobe, CC BY 3.0, Wikimedia Commons

Hoje a paisagem vai te fazer querer parar a cada cinco minutos. O litoral normando é simplesmente espetacular.

Étretat — falésias de outro mundo

De Bayeux até Étretat são cerca de 2 horas. Saia bem cedo, porque você quer chegar às falésias antes dos ônibus de turismo.

As falésias de Étretat são… como descrever? Imagine enormes arcos de rocha branca erguendo-se do mar turquesa, no topo grama verde e acima um céu dramático. Monet e Manet vinham aqui pintar e eu entendo perfeitamente por quê.

O que fazer sem falta:

  • Subida à Falaise d’Aval (falésias à esquerda olhando para o mar) — uma escadaria leva até o topo e a vista é de tirar o fôlego. A subida leva 15–20 minutos.
  • Subida à Falaise d’Amont (falésias à direita) — menos gente, uma capela e um pequeno museu Nungesser et Coli. Vista também deslumbrante.
  • Caminhada pela praia — é de seixos, mas na maré baixa dá para passar por baixo do arco rochoso.
  • Jardins d’Étretat (jardins) no topo das falésias — jardim moderno com instalações artísticas e vista 360°. Entrada: 12,50 €. Sinceramente? Pela vista vale a pena, os jardins em si são… bem peculiares. 😅

Para o almoço em Étretat, recomendo o Le Belvédère — terraço com vista para as falésias, frutos do mar fresquíssimos. Prato principal em torno de 20–30 €. Se procura algo mais barato, no calçadão da praia tem barraquinhas de galettes e crêpes.

Parada em Honfleur

De Étretat, siga para Honfleur (cerca de 45 minutos). Esta cidadezinha litorânea com seu pequeno porto Vieux Bassin é um dos lugares mais fotogênicos de toda a França — uma fileira de casas coloridas refletidas na água, pequenas galerias, cafés…

Para conhecer Honfleur, 1–2 horas são suficientes:

  • Vieux Bassin (porto antigo) — passeio, fotos, café
  • Igreja Sainte-Catherine — inteiramente de madeira, uma raridade na França
  • Les Maisons Satie — museu interativo do compositor Erik Satie, surpreendentemente divertido

Café da tarde: La Cidrerie junto ao porto — peça um cidre (vinho de maçã, clássico da Normandia) e uma galette com caramelo salgado. A Normandia é terra da cidra — beba cidre normando em todo lugar que puder.

Caminho para Giverny

De Honfleur até Giverny são cerca de 2 horas. O caminho passa pela ponte Pont de Normandie (impressionante!) e segue margeando o Sena. Hospede-se em Giverny mesmo ou na vizinha Vernon (5 minutos de carro), para poder estar nos Jardins de Monet logo de manhã.

Onde se hospedar em Giverny / Vernon

O La Musardière em Giverny é um hotel charmoso bem no centro da vila — a uma caminhada dos jardins, com um jardim bonito e preços em torno de 100–140 € por noite. Em Vernon, a oferta é maior e mais acessível — o Hôtel Normandy é uma escolha sólida, e o Le Vieux Moulin (um velho moinho numa ilhota no Sena) é alugado como Airbnb e é provavelmente a hospedagem mais romântica de toda a viagem.

Dia 7. Jardins de Monet em Giverny e volta para Paris

Casa e jardim de Monet em Giverny
Foto: La salonniere, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Último dia do roadtrip, mas definitivamente não o mais fraco. Giverny é o encerramento perfeito para toda a viagem.

Jardins de Monet (Fondation Claude Monet)

Claude Monet viveu e criou aqui por mais de 40 anos, e seus jardins são sua maior obra de arte. A famosa ponte japonesa, os nenúfares no lago, os canteiros coloridos… Tudo o que você conhece dos quadros dele está aqui, vivo e pulsante.

Dicas práticas:

  • Aberto: abril a outubro (no inverno fica fechado!)
  • Entrada: 12 €
  • CHEGUE NA ABERTURA (9h30). Esta é provavelmente a dica mais importante de todo o artigo. A partir das 10h30 começam a chegar os ônibus de Paris e os jardins ficam tão cheios que no lago dos nenúfares você vai ficar espremido no meio da multidão. De manhã você estará praticamente sozinho e a experiência é completamente diferente.
  • Reserve 1,5–2 horas para os jardins + a casa
  • Os jardins são mais bonitos em maio e junho (peônias, rosas, nenúfares começando a florescer) e em setembro (menos gente, cores de outono)
  • A casa está preservada no estado original — a sala de jantar amarela e a cozinha azul de Monet são surpreendentemente modernas e estilosas

Museu do Impressionismo (Musée des Impressionnismes)

Se tiver tempo, este pequeno museu em Giverny oferece exposições temporárias focadas no impressionismo. Entrada: 9 €. Agradável para 30–45 minutos.

Para o almoço em Giverny, recomendo o Restaurant Baudy — um restaurante histórico onde os pintores impressionistas costumavam comer. O terraço é lindo e a cozinha é boa, embora os preços sejam um pouco turísticos (prato principal 20–28 €). Alternativamente, em Vernon, experimente o Les Fleurs — mais local e mais barato.

Volta para Paris

De Giverny até o centro de Paris são apenas cerca de uma hora e meia; até o aeroporto CDG, aproximadamente 2 horas (considere o trânsito nos subúrbios, que pode ser lento no horário de pico da tarde).

Se seu voo sai só à noite ou no dia seguinte:

Você tem algumas opções para aproveitar a tarde:

  • Devolva o carro no aeroporto e pegue o metrô até o centro — passeie por Montmartre, tome um café na Place du Tertre e se despeça da França com a vista da cidade desde a Sacré-Cœur
  • Pare em La Roche-Guyon no caminho para Paris — uma vila pitoresca com um castelo esculpido na rocha, a 30 minutos de Giverny
  • Vá até Auvers-sur-Oise — a vila onde Van Gogh viveu seus últimos dias. Um pequeno museu e o cemitério onde ele está enterrado. Para amantes de arte, uma parada inesquecível.

Dicas práticas para o roadtrip pela França

O que levar na mala

A França não é destino exótico, mas algumas coisas fazem diferença:

  • Sapatos confortáveis para caminhada — você vai andar bastante, dos jardins dos castelos às falésias. Se não tem um calçado testado, confira nosso guia de melhores sapatos para trilha.
  • Jaqueta impermeável leve — na Normandia pode chover de repente mesmo no verão
  • Adaptador de tomada: O Brasil usa tomadas tipo N. A França usa tipo E. Você vai precisar de um adaptador universal — compre antes de viajar.
  • Óculos de sol e protetor solar — nas falésias e praias o sol castiga mais do que você espera

Para mais dicas sobre bagagem, confira nosso artigo sobre como fazer a mala de mão.

Onde encontrar passagens aéreas

Para encontrar passagens baratas saindo do Brasil, use comparadores como Google Flights, Skyscanner ou Kayak. Do Brasil para Paris, as melhores opções costumam ser com LATAM, Air France (voo direto de São Paulo) ou com escala por Lisboa (TAP) e Madri (Iberia). Monitore os preços com antecedência e ative alertas de promoção — a diferença de preço pode ser enorme dependendo da época.

Seguro viagem e eSIM

Brasileiros precisam de seguro viagem com cobertura mínima de 30.000 € para entrar na Europa (exigência do Espaço Schengen). Não viaje sem! Para dicas, confira nossa avaliação do SafetyWing.

Para ter internet no celular sem depender de Wi-Fi, vale muito a pena um chip eSIM. Confira nossa avaliação do eSIM Holafly — nós usamos em todas as viagens e funciona muito bem na França.

Pedágio e combustível

  • As cabines de pedágio aceitam cartão de crédito — não precisa de dinheiro em espécie
  • O aplicativo ViaMichelin calcula a rota antecipadamente incluindo o pedágio — ótimo para planejamento
  • Abasteça nos postos de supermercado (Carrefour, Leclerc, Auchan) — são significativamente mais baratos que os postos de marca nas rodovias

Comida e bebida — o que experimentar

  • Galettes (panqueca salgada de trigo sarraceno) — na Bretanha e Normandia é básico
  • Cidre (vinho de maçã) — especialidade normanda, peça junto com a galette
  • Camembert, Livarot, Pont-l’Évêque — queijos normandos, compre nos mercados locais
  • Crème brûlée — simples, mas na França fazem como ninguém
  • Croissant au beurre — toda manhã, em qualquer padaria. Nunca cansa. 😁

Perguntas frequentes sobre o roadtrip pela França

Antes de pegar a estrada, aqui estão as respostas para as dúvidas mais comuns que recebemos dos leitores sobre o roteiro de 7 dias pela França.

7 dias são suficientes para essa rota?

Sinceramente? É apertadinho, mas com uma programação bem feita dá. Se puder estender para 9–10 dias, faça isso — você vai poder passar mais tempo na Normandia e incluir Saint-Malo ou Rouen. Mas em 7 dias é possível cobrir todos os pontos principais sem ter a sensação de que perdeu algo essencial.

Dá para fazer esse roadtrip sem carro?

Em teoria, sim — Versalhes, Mont Saint-Michel e Giverny são acessíveis de trem/ônibus a partir de Paris. Mas você perde toda a flexibilidade e gasta muito tempo esperando conexões. Os castelos do Loire e as praias do Dia D são bem complicados sem carro. Se não quer dirigir, considere passeios organizados a partir de Paris para cada destino, mas em 7 dias você vai conseguir fazer muito menos.

Quanto custa o pedágio em toda a rota?

Para o circuito completo Paris–Loire–Mont Saint-Michel–Normandia–Paris, conte com 50–80 € em pedágio. Você pode evitar os pedágios usando as estradas “N” e “D” em vez das “A” (autoroute), mas a viagem será bem mais longa. Nós combinamos as duas — rodovia nos trechos mais longos, estradas secundárias nos curtos.

É melhor ir no sentido horário ou anti-horário?

Nosso roteiro segue no sentido anti-horário (para o sul até o Loire, depois oeste e norte). É mais prático porque Giverny fica perto de Paris e funciona muito bem como última parada antes do voo de volta. Mas o sentido contrário também funciona — depende do horário do seu voo.

Preciso de vinheta de rodovia na França?

Não. A França não tem sistema de vinheta como alguns outros países europeus. O pedágio é pago diretamente nas cabines (com cartão ou dinheiro). Você não precisa de nenhum adesivo ou dispositivo eletrônico.

Os jardins de Monet em Giverny são realmente tão bonitos ou é superestimado?

São realmente lindos. MAS — depende do timing. De manhã, sem multidões, em maio ou junho quando tudo está florido? Mágico. À tarde em agosto, quando centenas de pessoas se aglomeram? Frustrante. O segredo é chegar na abertura. E se for na baixa temporada (abril ou outubro), os jardins também são bonitos, só de um jeito diferente.

E se chover? Vale a pena ir à Normandia com chuva?

Com certeza. A Normandia na chuva tem uma beleza rústica toda sua — as falésias de Étretat com neblina parecem místicas e as praias do Dia D sob céu cinza ficam ainda mais emocionantes. Além disso, museus, castelos e restaurantes funcionam com qualquer tempo. Só não esqueça a jaqueta impermeável. ☺️

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ViagensEuropaRoteiro de 7 dias pela França: saindo de Paris de carro

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