Roadtrip pela França: Roteiro de 14 Dias

A França é um país pelo qual você simplesmente vai se apaixonar — mesmo que não queira. Basta parar em qualquer posto de gasolina, pedir um espresso e um croissant, e de repente você entende por que essa nação valoriza tanto a qualidade de vida.

Esse roadtrip pela França é incrível. O país tem uma malha rodoviária excelente (mesmo que você pague por ela — vamos falar sobre isso mais adiante 😅), as distâncias entre as cidades são razoáveis e a hospedagem em cidades menores é surpreendentemente acessível. Nada de trechos intermináveis de oito horas nem dormir no carro em estacionamentos — é uma viagem civilizada, com vinho e queijo a cada parada.

Neste artigo, você encontra o roteiro completo de um roadtrip pela França em 14 dias — de Paris, passando pelos castelos do Loire, pela região vinícola de Bordeaux, pela ensolarada Provence, até a Côte d’Azur e a alpina Annecy. Vou contar onde se hospedar, onde parar para almoçar, quanto tudo isso custa e o que pode ser tranquilamente pulado. Vamos lá!

Resumo

  • Rota: Paris → Versalhes → Loire → Bordeaux → Dune du Pilat → Carcassonne → Provence → Marseille → Nice → Mônaco → Annecy → Lyon
  • Duração: 14 dias, cerca de 2.200 km no total
  • Melhor época: maio–junho ou setembro–outubro (menos turistas, temperaturas agradáveis, em junho as lavandas florescem)
  • Carro: alugue pelo RentalCars, um carro compacto é suficiente — estacionar na França pode ser um desafio
  • Orçamento: cerca de 1.300–2.200 € por pessoa para 14 dias (sem passagens aéreas), dependendo do estilo de hospedagem
  • Pedágios: conte com 80–120 € para toda a rota (pedágios pagos nas praças ao longo do caminho)
  • Imperdíveis: Dune du Pilat, Marseille e suas calanques, vilas da Provence, Mônaco por algumas horas
  • Comida: A França é um paraíso para quem gosta de comer bem — aumente o orçamento de alimentação, vale a pena
  • Dica: baixe mapas offline e tenha dinheiro em espécie no carro para as praças de pedágio

Quando fazer um roadtrip pela França e como se preparar

A França é um destino para o ano inteiro, mas para um roadtrip existem duas épocas ideais. Maio e junho são absolutamente perfeitos — os dias são longos, a natureza está florida, os turistas ainda são poucos e na Provence os campos de lavanda começam a desabrochar (o auge geralmente é no final de junho). Setembro e início de outubro são a segunda ótima opção — o calor diminuiu, o mar ainda está quente para banho e a colheita das uvas está a todo vapor.

Evite julho e agosto, se puder. A França inteira está de férias (os franceses têm férias longuíssimas), a Côte d’Azur fica lotada, os preços disparam e estacionar em Nice ou Marseille é um pesadelo. 😅 Outra coisa — em agosto, as rodovias perto de Lyon ficam num caos total quando toda a população de Paris volta do sul.

Como chegar e transporte

Passagens aéreas para Paris saindo do Brasil são encontradas por preços variados — com companhias como LATAM, Air France ou TAP, é possível achar ida e volta a partir de R$ 3.500–5.000 em promoções, dependendo da temporada. Pesquise em sites comparadores como Google Flights ou Skyscanner para encontrar as melhores ofertas. Você desembarca no Charles de Gaulle (CDG), onde já pode retirar o carro alugado.

O voo de volta recomendo que seja saindo de Lyon — assim você evita devolver o carro em Paris e o roadtrip forma um circuito lógico. Passagens Lyon → São Paulo costumam ter preços comparáveis aos de Paris (geralmente com conexão).

Alugue o carro para todo o período. Com o Lukáš, temos ótima experiência com o RentalCars, que usamos no mundo inteiro — ele compara ofertas de todas as locadoras e você escolhe o melhor preço. Para a França, um carro compacto é suficiente (as vagas nos centros históricos são minúsculas) — escolha câmbio automático, porque nas cidades com subidas e rotatórias, o câmbio manual vai te dar dor de cabeça. Conte com um custo de 25–45 € por dia dependendo da temporada.

Importante: A França tem sistema de pedágio — nas rodovias você paga nas praças ao longo do caminho. Para toda a nossa rota, o gasto fica em torno de 80–120 €. A maioria das praças aceita cartão, mas de vez em quando você encontra uma mais antiga que só aceita moedas. Tenha alguns euros em espécie por precaução. A gasolina custa cerca de 1,70–1,90 €/litro.

eSIM: Para dados móveis no exterior, recomendo o eSIM da Holafly — funciona perfeitamente em toda a França e você não precisa se preocupar com chip local. Para brasileiros, é especialmente prático, já que o roaming internacional das operadoras brasileiras costuma ser caro.

Onde se hospedar e quanto custa 14 dias na França

A hospedagem na França é provavelmente o maior item do orçamento, mas existe um truque bacana — fora de Paris e da Côte d’Azur, os preços são surpreendentemente razoáveis. Pequenos hotéis e B&Bs na Provence, no Loire ou perto de Bordeaux oferecem quartos lindos com o charme tipicamente francês por 60–100 € a noite. Já em Paris, é difícil encontrar um quarto decente no centro por menos de 120 €, e em Nice na alta temporada a situação é parecida.

Minha recomendação: varie os tipos de hospedagem. Em Paris, fique no centro (vai gastar mais, mas economiza em transporte e tempo), nas cidades menores escolha chambre d’hôtes (B&Bs franceses) ou pequenos hotéis boutique. No interior, eles são encantadores — e muitas vezes o próprio dono indica o restaurante onde os moradores locais comem.

Orçamento estimado para 14 dias (para duas pessoas)

  • Hospedagem: 1.200–2.000 € (13 noites, mix de lugares mais baratos e mais caros)
  • Carro + gasolina + pedágio: 600–900 €
  • Alimentação e bebidas: 700–1.200 € (se almoçar e jantar fora)
  • Ingressos e atividades: 150–250 €
  • Total: cerca de 2.650–4.350 € para duas pessoas, ou seja, 1.325–2.175 € por pessoa

Dica para economizar: A França tem um sistema genial de piqueniques — em qualquer cidade você encontra feiras, padarias e queijarias. Compre uma baguete, um camembert, presunto curado e uma garrafa de vinho rosé, sente num banco com vista para um castelo e pronto: almoço por 10 € para dois, melhor que metade dos restaurantes. 😁

Aqui está o panorama completo da rota — por onde passar e onde dormir cada noite. Se tiver menos tempo, confira a nossa versão de 7 dias do roadtrip pela França.

Dia Rota e deslocamento Onde dormir
1.–2. Chegada em Paris, clássicos da cidade Paris
3.–4. Paris → Versalhes → castelos do Loire (~2,5 h) Loire (Amboise)
5.–6. Loire → Bordeaux (~4 h), Saint-Émilion Bordeaux
7.–8. Bordeaux → Dune du Pilat → Carcassonne (~4 h) Carcassonne
9. Carcassonne → Provence, Avignon (~3 h) Avignon
10.–11. Provence — Aix-en-Provence → Marseille e Calanques Marseille
12. Marseille → Côte d’Azur, Nice e Mônaco (~2,5 h) Nice
13. Nice → Annecy (~4,5 h) Annecy
14. Annecy → Lyon (~1,5 h), voo de volta Lyon
A rota total tem aproximadamente 2.500 km. Os tempos de deslocamento são estimados, sem considerar paradas pelo caminho.

Dia 1 e 2. Paris — clássica que nunca cansa

Rua parisiense com a torre de Notre-Dame ao fundo

Dedique os dois primeiros dias a Paris. Eu sei que “Paris em dois dias” parece loucura — e é loucura — mas num roadtrip é a dose perfeita de introdução. Não tente ver tudo, apenas curta a atmosfera.

Dia 1 — dedique à margem esquerda do Sena: passeio desde Notre-Dame (a reconstrução continua, mas os arredores valem muito a pena) passando pelo Quartier Latin, onde vale parar para um café em qualquer bistrô com vista para a catedral. Continue pelo Jardim de Luxemburgo — lugar lindo para um piquenique ou simplesmente para observar os parisienses. À tarde, suba a Torre Eiffel (compre ingressos online com antecedência, senão a fila dura horas) ou apenas admire-a do Trocadéro — sinceramente, a vista DA torre é mais bonita do que a vista DA torre.

Para o jantar, vá ao bairro Le Marais — é provavelmente o bairro mais vibrante e charmoso de Paris. Recomendo o Breizh Café para galettes bretãs incríveis (panquecas salgadas de trigo sarraceno) ou o Chez Janou — um bistrô lendário com um mousse de chocolate sensacional (a porção é tão grande que você não vai dar conta 😅).

Dia 2 — comece em Montmartre: Sacré-Cœur, ruelas estreitas cheias de artistas e vista de toda Paris. Depois, Louvre (mesmo que vá só para ver a Mona Lisa e a Vênus de Milo, são algumas horas) ou Musée d’Orsay (impressionistas — Monet, Renoir, Van Gogh — muito menor e mais agradável que o Louvre). À tarde, passeie pela Champs-Élysées e pelo Arco do Triunfo.

Dica de restaurante: Para comer bem e a preços justos, fuja das armadilhas turísticas ao redor dos grandes monumentos. Basta virar numa ruela lateral e os preços caem um terço enquanto a qualidade sobe exponencialmente.

Onde se hospedar em Paris

Fique no Le Marais ou perto da Bastilha — é central, animado e você vai a pé para todos os lugares. Airbnb costuma ser mais em conta que hotéis, mas hotéis como o Hôtel Jeanne d’Arc Le Marais (cerca de 130–180 €/noite) ou o Hôtel du Petit Moulin têm um charme que você não encontra em outro lugar.

Dia 3. Versalhes e partida para o Loire

Jardins do Palácio de Versalhes

De manhã, vá até Versalhes — são apenas 40 minutos de carro de Paris (ou de trem RER, se preferir pegar o carro só à tarde). O Palácio de Versalhes é… bom, é de tirar o fôlego. Não tem outra forma de descrever. Os jardins, a Galeria dos Espelhos, a megalomania absoluta — simplesmente imperdível.

Dica prática: Compre ingressos online com antecedência e chegue o mais cedo possível. À tarde fica lotado como metrô na hora do rush. Os jardins são gratuitos (exceto nos dias das fontes musicais — que têm um custo extra, mas vale muito a pena). Reserve 3–4 horas para o palácio + jardins.

Depois do almoço, entre no carro e siga rumo ao Vale do Loire — são cerca de 2,5 horas de viagem. No caminho, coloque um bom podcast; a estrada é tranquila e a paisagem vai mudando aos poucos de zona urbana para campos verdes e vinhedos.

Você chega à região de Amboise ou Tours — ambas são ótimas bases para explorar os castelos do Loire. Se chegar a tempo, um passeio pelo entardecer em Amboise é lindo — uma cidadezinha às margens do Loire com um castelo imponente sobre o rio.

Onde se hospedar no Loire

Fique em Amboise ou arredores. Uma opção encantadora são os pequenos hotéis-castelo ou chambre d’hôtes — o Le Manoir Les Minimes em Amboise tem um terraço com vista para o rio e é um sonho realizado. Mais acessível é o Le Clos d’Amboise com um belo jardim.

Dia 4. Castelos do Loire — conto de fadas na vida real

Castelo às margens do rio Loire

Hoje é o dia mais encantado de todo o roadtrip. O Vale do Loire tem mais de 300 castelos (!!), mas não se preocupe, selecionei três que vão deixar você de queixo caído.

De manhã, vá ao Château de Chambord — provavelmente o castelo mais fotogênico do mundo. Enorme, branco, com 440 quartos e a lendária escadaria dupla que supostamente foi projetada por Leonardo da Vinci. Percorra os interiores, suba ao telhado (a vista das florestas ao redor é deslumbrante) e simplesmente admire — esse castelo impressiona até quem normalmente não liga para castelos.

A segunda parada é o Château de Chenonceau — o “castelo das damas”, que se estende sobre o rio Cher. É menor e mais intimista que Chambord, os jardins são magníficos e o castelo inteiro sobre o rio parece saído de um conto de fadas. A entrada custa cerca de 15 €.

Se sobrar tempo (e energia), passe ainda pelo Château de Cheverny — menor, mas lindamente decorado e que serviu de inspiração para o castelo de Moulinsart nas histórias do Tintim.

Para o almoço, recomendo o Le Shaker em Amboise — um bistrô moderno com excelente menu du jour (menu do dia por cerca de 15–20 €), ou faça um piquenique perto do castelo de Chambord — na cidadezinha ao lado do castelo você compra baguetes frescas, queijos e patês.

À noite: Se estiver em Amboise, vá jantar no L’Écluse — excelente culinária francesa clássica com ingredientes locais. No Loire, os vinhos brancos são protagonistas — experimente um Vouvray, é fantástico.

Onde se hospedar

Fique a segunda noite no Loire na mesma hospedagem — dois dias para essa região são o ideal.

Dia 5. Traslado para Bordeaux

Centro de Bordeaux

Hoje é dia de estrada — do Loire até Bordeaux são cerca de 3,5–4 horas de rodovia. Mas não encare como tempo perdido — as rodovias francesas são surpreendentemente agradáveis e a paisagem ao redor é linda.

Chegue a Bordeaux por volta do meio-dia e, depois de fazer o check-in, saia para explorar a cidade. Bordeaux é absolutamente deslumbrante — todo o centro histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO e nos últimos anos passou por uma transformação incrível. Ao longo do rio Garonne há uma nova orla, onde moradores e turistas passeiam, e o famoso Miroir d’eau (Espelho d’Água) é a maior superfície aquática refletora do mundo — basicamente uma enorme lâmina d’água onde as crianças (e adultos 😁) se divertem alegremente.

À tarde, passeie pela cidade antiga — Place de la Bourse, catedral Saint-André, ruelas ao redor da Place du Parlement. Para um café ou vinho, vá à Rue Sainte-Catherine — a zona de pedestres mais longa da Europa.

Para jantar, recomendo o Le Petit Commerce (frutos do mar excelentes, mas sempre tem fila — chegue antes das sete) ou o Café du Port na orla.

Onde se hospedar em Bordeaux

No centro, idealmente na região de Chartrons (bairro descolado com antiquários e wine bars) ou perto da Place des Quinconces. Recomendo o La Course Hotel (hotel boutique moderno, cerca de 100–140 €/noite) ou o Hôtel de Tourny com um pátio interno encantador.

Dia 6. Bordeaux — vinho e Saint-Émilion

Cidadezinha vinícola de Saint-Émilion
Foto: JLPC, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

Hoje é dia de vinhos! 🍷 De manhã, vá até Saint-Émilion — uma cidadezinha medieval cercada por vinhedos, a cerca de 45 minutos de Bordeaux. Esse lugar é tão fotogênico que vai ser difícil guardar o celular. Ruelas estreitas de pedra, uma igreja esculpida na rocha (Église Monolithe — igreja subterrânea, totalmente única!) e vinhedos a perder de vista em todas as direções.

Pare para uma degustação em alguma das vinícolas — a maioria oferece visitas mesmo sem reserva, mas é melhor agendar com antecedência. O ingresso com degustação custa cerca de 10–25 € por pessoa. Se não souber onde ir, Château Franc Mayne ou Clos Fourtet são excelentes opções com lindas caves.

Para almoçar em Saint-Émilion, recomendo o L’Envers du Décor — wine bar com um ótimo menu leve — ou o Amelia Canta para uma cozinha mais criativa.

À tarde, volte para Bordeaux e aproveite o tempo restante para visitar a Cité du Vin (museu do vinho num edifício moderno que parece um enorme decanter). Entrada cerca de 22 €, e no final você ganha uma taça de vinho no terraço com vista para toda a cidade. Vale muito a pena.

Onde se hospedar

Fique a segunda noite em Bordeaux.

Dia 7. Dune du Pilat — a maior duna de areia da Europa

Dune du Pilat — a maior duna de areia da Europa

De manhã, arrume as malas e vá até a Dune du Pilat — fica a apenas uma hora de carro de Bordeaux e é um dos lugares mais impressionantes de toda a França.

Imagine uma duna de areia com 100 metros de altura, 2,7 km de extensão, com vista para o Atlântico de um lado e uma floresta infinita de pinheiros do outro. É surreal. Suba até o topo (pelas escadas ou direto pela areia — as duas opções são uma experiência) e lá em cima se abre um panorama de tirar o fôlego. Sinceramente — a Dune du Pilat é um daqueles lugares onde as fotos simplesmente não dão conta de mostrar.

Informações práticas: O estacionamento custa cerca de 6–10 € dependendo da temporada. A subida leva 15–20 minutos. No topo venta bastante, leve um agasalho. E protetor solar — o sol castiga ali porque reflete na areia.

Depois de descer, aproveite para um almoço com ostras em Gujan-Mestras ou La Teste-de-Buch — é a capital ostrícola da França e ostras frescas aqui custam uma fração do preço de Paris. Mesmo que você não seja fã de ostras, experimente aqui — com um pouco de limão e vinho branco, é algo inacreditável.

À tarde, siga rumo a Carcassonne — é um trecho mais longo, cerca de 3,5–4 horas, mas a paisagem é linda: você cruza a Gasconha, terra do Armagnac e das fazendas de patos.

Onde se hospedar em Carcassonne

Recomendo se hospedar em Carcassonne ou arredores. O hotel Pont Levis tem uma vista incrível da cidadela medieval iluminada à noite (parece cenário de filme) por razoáveis 80–120 €/noite. Mais acessível é o Best Western Le Donjon dentro das muralhas.

Dia 8. Carcassonne — fortaleza medieval de conto de fadas

Fortaleza medieval Cité de Carcassonne
Foto: M.Strīķis, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

De manhã, basta abrir os olhos e você tem diante de si uma das fortalezas medievais mais bem preservadas da Europa. A Cité de Carcassonne é uma cidade completamente fortificada com duas fileiras de muralhas, 52 torres e um labirinto de ruelas estreitas no interior. Patrimônio UNESCO, claro.

O passeio pelas muralhas leva 1–2 horas e as vistas são espetaculares — de um lado os Pireneus, do outro vinhedos e o rio Aude. A entrada na área da fortaleza é gratuita, mas a visita ao Château Comtal (o castelo dentro do castelo) custa cerca de 9,50 €. Vale a pena — o guia mostra partes que não são acessíveis ao público geral.

Atenção: As ruas principais dentro da cidadela são bem turísticas — cheias de lojinhas de lavanda e ímãs de geladeira. Mas basta virar numa ruela lateral e você fica praticamente sozinho. Minha dica: circunde toda a cidadela por fora, é um passeio de cerca de 30 minutos e rende fotos lindas sem as multidões.

Para almoçar, vá à cidade baixa (Ville Basse) — é muito mais autêntica e com preços melhores. O Le Jardin de l’Évêque tem um jardim lindo e ótimo menu do dia por 15–18 €. Para experimentar o cassoulet (ensopado tradicional de feijão com carne de pato — especialidade local que você não pode deixar Carcassonne sem provar), vá ao Comte Roger.

À tarde, siga rumo à Provence — a estrada até Avignon leva cerca de 3 horas e a paisagem vai se transformando aos poucos: oliveiras, ciprestes, vilas de pedra no alto das colinas. Bem-vindo ao sul!

Onde se hospedar

Continue para a Provence e se hospede em Avignon ou arredores (veja o Dia 9).

Dia 9. Provence — Avignon e vilas nos arredores

Palácio dos Papas em Avignon

A Provence é como aquele cartão-postal de Instagram que você acha que não pode existir na vida real — e aí você chega lá e é ainda mais bonito. Campos de lavanda, bosques de nogueiras, vilas antigas de pedra cor de mel e aquela luz… Bom, aquela luz você precisa experimentar pessoalmente.

Comece o dia em Avignon — a cidade dos papas e da famosa ponte que não leva a lugar nenhum (Pont d’Avignon, na verdade Pont Saint-Bénézet — a ponte nunca foi terminada e simplesmente avança sobre o rio e acaba 😁). O Palácio dos Papas (Palais des Papes) é enorme e imponente — o maior palácio gótico do mundo. Entrada cerca de 12 €, reserve 1,5–2 horas para a visita.

Depois do almoço, saia para explorar as vilas nos arredores. Meu roteiro favorito:

  • Gordes — vila branca agarrada a uma rocha, uma das vistas mais fotografadas da Provence. Vá ao mirante abaixo da vila, de onde você tem toda aquela cena como na palma da mão.
  • Abadia de Sénanque — campo de lavanda bem em frente a um mosteiro medieval. A foto icônica da Provence que você conhece de todos os guias. A lavanda floresce de meados de junho ao final de julho.
  • Roussillon — vila de ocre vermelho que parece que você pousou em Marte. A trilha pelas pedreiras de ocre (Sentier des Ocres) é curta, mas lindamente colorida.

Para jantar, volte a Avignon — o L’Essentiel oferece excelente cozinha provençal moderna (menu a partir de 35 €), ou para algo mais descontraído, vá ao La Fourchette.

Onde se hospedar na Provence

Em Avignon ou em alguma vila no Vale do Luberon — o La Bastide de Gordes é a opção mais luxuosa com vista deslumbrante (mas os preços acompanham, cerca de 200+ €/noite). Em Avignon, o Hôtel d’Europe num edifício histórico junto à praça é excelente (100–160 €/noite).

Dia 10. Provence — Aix-en-Provence e traslado para Marseille

Boulevard Cours Mirabeau em Aix-en-Provence
Foto: Pimlico27, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

De manhã, vá até Aix-en-Provence — fica a cerca de 1,5 hora de Avignon e é uma das cidades mais elegantes da França. Bulevares largos ladeados de plátanos, fontes em cada esquina (é chamada de “cidade das mil fontes”), cafés com cadeirinhas de vime nas calçadas — a pura essência do savoir-vivre provençal.

Passeie pelo Cours Mirabeau — a avenida principal cheia de cafés (o lendário Les Deux Garçons, frequentado por Cézanne e Hemingway, infelizmente pegou fogo, mas o entorno continua lindo). Visite os mercados locais — a Place Richelme tem uma feira diária com queijos frescos, azeitonas, lavanda e mel local.

Para os amantes de arte: o Atelier Cézanne — o ateliê preservado do impressionista Paul Cézanne, onde ele pintou até o fim da vida. É pequeno, silencioso e emocionante.

Para almoçar, experimente o Le Formal (gastronomia excepcional a preço justo para um estabelecimento quase estrelado Michelin) ou o Café de la Fontaine na praça.

À tarde, continue até Marseille — são apenas 30 minutos pela rodovia.

Onde se hospedar em Marseille

Fique perto do Porto Velho (Vieux-Port) — é o centro de tudo e você vai a pé a todos os pontos. O Hôtel La Résidence du Vieux Port tem um terraço com vista para o porto e a Notre-Dame de la Garde (cerca de 120–180 €/noite). Mais acessível é o Hôtel Hermès bem ao lado do porto.

Dia 11. Marseille e Calanques

Porto e centro de Marseille

Marseille é uma cidade que você ou ama ou não entende — e eu amo. É crua, autêntica, multicultural e cheia de energia. Nada de armadilha turística fabricada — aqui vivem pessoas de verdade e você sente isso a cada passo.

De manhã, comece pelo Porto Velho — pescadores vendem ali o peixe fresco do dia, sobre o porto paira a famosa cobertura espelhada de Norman Foster e o ar cheira a bouillabaisse (sopa de peixe — especialidade local). Suba até a Notre-Dame de la Garde — basílica no alto do morro com vista de toda a cidade, do porto e do mar. É obrigatório.

À tarde, vá às Calanques — enseadas rochosas com águas turquesas que parecem fiordes noruegueses, só que no Mediterrâneo. São absolutamente de tirar o fôlego. A mais acessível saindo de Marseille é a Calanque de Sugiton (cerca de 45 minutos a pé do estacionamento da universidade Luminy) ou a Calanque de Sormiou (de carro, mas com acesso restrito no verão).

Importante: No verão (junho–setembro), o acesso às Calanques é limitado por risco de incêndio. De manhã, confira a situação atualizada no site do Parc National des Calanques. Leve bastante água, boas botas de trilha e protetor solar. E roupa de banho — você vai querer mergulhar!

Para jantar em Marseille: Chez Etienne para pizza (lenda local, só aceita dinheiro), Le Café des Épices para um menu provençal criativo, ou bouillabaisse tradicional no Chez Fonfon na enseada Vallon des Auffes (mais caro, mas autêntico — cerca de 65 €/pessoa pela bouillabaisse).

Onde se hospedar

Fique a segunda noite em Marseille.

Dia 12. Côte d’Azur — Nice e Mônaco

Promenade des Anglais em Nice
Foto: Uhooep, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

De manhã, saia de Marseille rumo a Nice — pela rodovia são cerca de 2–2,5 horas, mas se tiver tempo extra, pegue um trecho da lendária estrada costeira. A paisagem é deslumbrante — mar turquesa, falésias rochosas e florestas de pinheiros.

Nice é a rainha da Côte d’Azur e, na minha opinião, merecidamente. Não é tão lotada quanto Cannes, nem tão cara quanto Mônaco, e tem uma energia absolutamente fantástica. Comece caminhando pela Promenade des Anglais — o famoso calçadão à beira-mar, onde todo mundo passeia. Depois, entre na cidade velha (Vieux Nice) — ruelas barrocas, mercado no Cours Saleya (flores frescas, azeitonas, socca), e se por acaso avistar o Chez René Socca — pare para experimentar a socca (panqueca de grão-de-bico assada em forno a lenha, especialidade local, custa poucos euros e é sensacional).

Suba a Colina do Castelo (Colline du Château) — o castelo já não existe, mas a vista de toda Nice, do porto e do mar é a melhor da cidade. Há elevador também, caso suas pernas já não estejam cooperando muito depois de 12 dias de roadtrip 😅.

À tarde, faça um passeio até Mônaco — fica a apenas 30 minutos de carro (ou de trem por poucos euros, o que é mais prático na cidade, porque estacionar em Mônaco é um inferno e custa uma fortuna). Mônaco é… bom, é Mônaco. Iates gigantes, o cassino de Monte-Carlo, carros de luxo em cada esquina e a sensação de estar num filme de James Bond. Passeie ao redor do cassino, veja o porto cheio de superiates, visite o Palácio do Príncipe (troca de guarda às 11:55) e o Museu Oceanográfico. Para algumas horas é uma experiência incrível — mas, sinceramente, mais de meio dia não tem muito o que fazer, a não ser que possa bancar um almoço de 200 €.

Onde se hospedar em Nice

Em Nice, fique perto da cidade velha ou do calçadão. O Hôtel La Pérouse (hotel aconchegante no penhasco com vista para o mar, cerca de 150–250 €/noite) ou o mais acessível Hôtel Ozz (hostel/hotel estiloso com ótima localização, a partir de 60 €/noite).

Dia 13. Annecy — a Veneza dos Alpes

Cidade antiga e lago de Annecy
Foto: Guilhem Vellut, CC BY 2.0, Wikimedia Commons

Hoje o trecho é mais longo, mas o destino compensa cada quilômetro. De Nice até Annecy são cerca de 5–5,5 horas (passando por Grenoble), mas a paisagem é absolutamente espetacular — você cruza os Alpes, entre picos nevados e vales profundos. Recomendo sair bem cedo.

Annecy é uma cidade que literalmente tira o fôlego. É chamada de “Veneza dos Alpes” — a cidade antiga é cortada por canais, as casas têm fachadas coloridas e por trás se erguem imponentes picos alpinos. E o lago… O Lac d’Annecy é um dos lagos mais limpos da Europa. A cor da água — uma mistura de turquesa e esmeralda — é simplesmente irreal.

À tarde, passeie pela cidade antiga — Palais de l’Île (um pequeno castelo numa ilhota no meio do canal, a foto icônica de Annecy), ruelas cheias de queijarias e chocolaterias, e depois direto ao lago. Se o tempo estiver bom, alugue um stand-up paddle ou caiaque (cerca de 15–20 €/hora) e vá para a água. Ou simplesmente sente-se à beira do lago, peça uma taça de vinho branco da Savoie e contemple os Alpes.

Para jantar: Le Freti (cozinha da Savoie — fondue, raclette, tartiflette, basicamente tudo com queijo 🧀), ou Cozna para uma cozinha moderna mais criativa. Dica: O fondue savoiano aqui é o melhor de toda a França — peça sem hesitar.

Onde se hospedar em Annecy

No centro histórico ou à beira do lago. O Hôtel du Palais de l’Isle (edifício histórico junto ao canal, cerca de 100–150 €/noite) ou o mais econômico Hôtel des Alpes com vista para as montanhas.

Dia 14. Lyon — o gran finale gastronômico

Bairro histórico Vieux Lyon
Foto: 4net, CC BY 3.0, Wikimedia Commons

Último dia do roadtrip! De Annecy até Lyon são apenas 1,5–2 horas, e o que te espera é a capital gastronômica da França. Lyon é considerada o berço da gastronomia francesa — e depois de provar a cozinha lionesa, você vai entender por quê.

De manhã, explore o Vieux Lyon (cidade velha) — bairro renascentista com passagens secretas chamadas traboules (corredores estreitos que atravessam os prédios, originalmente usados por tecelões de seda para transportar seus tecidos). São de acesso livre, mas é preciso saber onde procurar — no posto de informação turística fornecem um mapa.

Suba de funicular (ou a pé) ao morro Fourvière — ruínas romanas, a basílica Notre-Dame de Fourvière com uma decoração de cair o queixo (mosaicos dourados, mármore, é como entrar numa caixa de joias) e vista de toda Lyon — com tempo bom, dá até para avistar o Mont Blanc.

Almoçar num bouchon é obrigatório. Bouchon é uma taberna tradicional de Lyon e a comida é genial — quenelle (bolinho leve de peixe com molho), salade lyonnaise (salada com bacon crocante e ovo pochê), saucisson lyonnais. Minha recomendação: Daniel & Denise (Michelin Bib Gourmand, menu em torno de 35 €) ou Le Bouchon des Filles (menor, mais aconchegante, cozinha excelente).

À tarde, passeie pelas margens do Rhône e do Saône — Lyon fica na confluência de dois rios e os calçadões ao longo deles são fantásticos para um passeio tranquilo. Pare na Place Bellecour (uma das maiores praças da Europa) e no bairro Croix-Rousse (antigo bairro dos tecelões, hoje cheio de ateliês e cafés).

Se você está voltando para o Brasil via Lyon, o aeroporto Saint-Exupéry fica a 30 minutos do centro. Devolva o carro no aeroporto e pronto — o roadtrip pela França está completo! 🎉

Onde se hospedar em Lyon

Se ainda for ficar uma noite: o Hôtel Le Royal (luxo clássico lionês, cerca de 150–200 €/noite) ou o Mama Shelter Lyon (hotel design com bar descolado na cobertura, cerca de 80–120 €/noite).

Dicas práticas para finalizar

O que levar na mala

Confira nosso artigo Como fazer a mala na bagagem de mão — mesmo para um roadtrip de 14 dias dá para viajar leve, especialmente no verão. Recomendo um par de sapatos de trilha confortáveis (Calanques, Castle Hill, morros da Provence) e um par de tênis leves para as cidades.

Onde encontrar passagens aéreas

Para encontrar boas ofertas de passagens saindo do Brasil, pesquise no Google Flights ou Skyscanner. O ideal é buscar a combinação São Paulo/Rio de Janeiro → Paris + Lyon → São Paulo/Rio de Janeiro. Companhias como Air France, LATAM e TAP costumam oferecer boas tarifas.

Aluguel de carro

Com o Lukáš, temos ótima experiência com o RentalCars, que usamos no mundo inteiro. Para a França, pegue um carro compacto com câmbio automático.

Não esqueça do seguro viagem

Mesmo na Europa, imprevistos acontecem — e para brasileiros, o seguro viagem é obrigatório para entrar na zona Schengen. Recomendo conferir nossa avaliação do SafetyWing, que também cobre roadtrips pela Europa.

Internet e dados móveis

O eSIM da Holafly funciona em toda a França sem problemas. Como o roaming internacional das operadoras brasileiras costuma ser caro, essa é uma ótima solução para ter internet rápida durante toda a viagem.

Perguntas frequentes sobre roadtrip pela França

Antes de pegar a estrada, aqui vão as respostas para as perguntas que mais recebemos dos leitores sobre o roadtrip de 14 dias pela França.

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Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.

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