As pessoas nos acharam loucos quando anunciamos, antes do Natal, que iríamos passar o Réveillon na Espanha de carro. “Vocês sabem que existem aviões, né? Isso é puro masoquismo!” Não pensamos muito sobre isso — começamos a procurar hospedagem no dia 19 de dezembro e só então percebemos que Salamanca, nosso destino, ficava a 2.500 km de distância. Se você sonha em fazer um road trip pela Europa, este relato vai te mostrar como foi o nosso e quanto gastamos.
Venha conhecer nosso road trip de 12 dias pela Europa!
A travessia não foi nada fácil. Mas, mesmo assim, consideramos esse road trip um dos melhores que já fizemos. E também o mais barato.

Como planejar um road trip pela Europa: Viajar em quatro economiza, mas pode virar um pesadelo
Viajar em quatro pessoas nos deixava um pouco apreensivos. Muita gente nos contou histórias de brigas nas viagens logo no primeiro dia, e por isso evitamos esse tipo de viagem em grupo por quase quatro anos. De alguma forma, encaramos o Réveillon como uma viagem curta — não percebemos que ia durar 12 dias.
Nossa falta de planejamento nos poupou da angústia de imaginar que, se não nos déssemos bem, seriam 12 dias juntos, 24 horas por dia, sofrendo.

Felizmente, brigas nem passaram perto de acontecer — a única coisa que sofreu foram nossos músculos abdominais de tanto rir.
Viagem de carro até a Espanha
Quando os amigos paravam de se espantar com o fato de irmos de carro, sempre vinha a frase: “Que sorte! Ir para o calor!” Só que isso é um grande mito! Em Salamanca fazia tanto frio quanto na República Tcheca naquela época.

Da cidade universitária espanhola de Salamanca, onde deveríamos chegar para o Réveillon, nos separavam pelo menos 22 horas de carro rumo ao sul. Decidimos dividir a viagem com duas paradas para pernoite e, no final, adicionamos espontaneamente uma terceira.
A nevasca que nos acompanhava desde Praga não nos impediu de fazer o primeiro desvio a caminho de Zurique. Queríamos incrementar a viagem com uma visita ao famoso castelo de Neuschwanstein, que dizem ter inspirado o castelo da Disney. Fica a 504 km de Praga e prolongou nossa viagem até Zurique em apenas uma hora.
De carro pela Europa: Neuschwanstein está lotado mesmo no inverno
Mesmo no inverno, com um tempo horrível, multidões de turistas caminham em direção ao castelo. Então não precisamos ter medo de que, na volta, quando escurecesse, ficaríamos cercados apenas pela floresta negra e escura, de onde poderiam surgir os monstros dos nossos piores pesadelos.

Hospedagem em Zurique: Onde dormimos e quanto custou?
Após 776 km, chegamos às nove e meia da noite em Zurique e ficamos aliviados porque a hospedagem era self-service — não precisávamos falar com ninguém nem preencher nada.
Hospedagem em Zurique com estacionamento para 4 pessoas por 95 €: Swiss Star Zurich Airport

Queríamos ficar mais em Zurique
Zurique é uma daquelas cidades onde gostaríamos de ter ficado mais tempo. O clima que a cidade suíça preparou para nós ficou depois só como uma saudosa lembrança. Originalmente, planejamos a parada na Suíça principalmente porque em Zurique os produtos Apple são milhares de coroas mais baratos, e fomos buscar novos notebooks.
Mas de todas as cidades que visitamos, foi a que mais gostamos, eu e o Lukáš. No final, ficamos não só para o café da manhã, mas também para o almoço, e só partimos por volta das duas da tarde.


Hospedagem na França: A mais romântica no sul da França por uma pechincha
Mais 725 km percorridos em oito horas e saímos da Suíça rumo ao sul da França. As ruas já não eram tão limpas, mas em compensação havia sal no ar, palmeiras ao longo das estradas e nos hospedamos em uma charmosa casinha de jardim pelo Airbnb, que custou apenas 57 € para 4 pessoas.

Com o sul veio também o calor. Quase por birra ainda usávamos gorro na cabeça, mas na verdade estávamos sentados tomando café em uma esplanada e curtindo os 16 graus.
San Sebastián: Parada não planejada
Originalmente queríamos correr o mais rápido possível até Salamanca, sem mais paradas no caminho. Mas as meninas, sonhando com tapas e vinho, sugeriram uma parada em San Sebastián.

Até aquele dia, nem sabíamos direito o que eram tapas. Basicamente, são porções pequenas feitas com qualquer coisa. As melhores que provamos foram um mini-hambúrguer e um queijo de cabra com cebola caramelizada na baguete. Tinha tapas em praticamente todos os bares e nenhum era igual ao outro.

Em San Sebastián, na véspera do Réveillon, assistimos a uma queima de fogos enorme, e as ruas estavam mais lotadas do que qualquer grande avenida em dia de festa. Nos espremíamos para entrar nos bares, onde ficávamos apertados junto com dezenas de espanhóis.
Tínhamos uma pontinha de esperança de que aquilo fosse só por causa das festas, mas nos disseram que os espanhóis estão nas ruas o tempo todo. Reservamos a hospedagem de última hora (naquele mesmo dia à tarde) e escolhemos o Pension Txingurri por 87 €.

Destinos no road trip pela Europa: Salamanca
De manhã, descobrimos uma pérola na Espanha: a Sakona Coffee Roasters. A Gábi, que mora em Salamanca, reclama que é difícil encontrar uma cafeteria boa por lá. E nos aconselhou a tomar vários cafés antes de seguir viagem, porque não teríamos café bom por um bom tempo. Fizemos o que ela mandou e ficamos felizes. Ela tinha razão.

A festa de Réveillon só começa pelas duas da manhã
Depois de percorrer um total de 2.450 km, chegamos a Salamanca no dia do Réveillon por volta das seis da tarde, bem na hora em que escurecia. Na Espanha, a virada do ano é celebrada em família, parecendo mais com a nossa ceia de Natal, e a festa de verdade só começa por volta das duas da manhã.

Brigar por uvas e depois comê-las
Não havia pressa. Preparamos um jantar com tapas feitas por nós mesmos e, bem na hora da meia-noite, conseguimos comer tudo e saímos para a praça com um quilo de uvas. As uvas são um assunto à parte, porque consegui-las antes do Réveillon significou disputá-las com uma dezena de espanhóis.

Às 9 da manhã não tem vivalma nas ruas
À meia-noite, a tradição manda comer uma uva a cada badalada do relógio. Então, preparados, ficamos esperando as badaladas na praça — mas os espanhóis faziam tanto barulho que não ouvimos nada e acabamos mastigando cinco uvas de uma vez.

Quando nos recuperamos, começamos a explorar Salamanca e seus arredores. Salamanca é uma cidade universitária, por isso atrai estudantes de toda a Europa, incluindo nossa amiga Gábi. Logo de cara, chama atenção a imponente catedral que domina o centro. O centro é bem fechado e compacto — facilmente você se transporta para a Idade Média e imagina como era aquilo naquela época. Especialmente se sair por volta das nove da manhã. Não se encontra vivalma na cidade.

A Espanha vive no seu próprio ritmo
Começamos a entender que a Espanha vive no seu próprio ritmo, e esse ritmo só começa por volta das onze da manhã. Por outro lado, à noite não se encontra um cantinho sequer das ruas sem gente. “Aqui as pessoas saem de casa por volta das 10 da noite, os shows começam à meia-noite. É tudo deslocado. Quando eu queria marcar encontros às oito, me achavam maluca.” A Gábi nos explicou como funciona, mas em tão pouco tempo a gente não conseguiu se adaptar, e às vezes tínhamos a impressão de que ela ficaria aliviada quando fôssemos embora e parássemos de acordá-la às 7h30 da manhã.

Como funcionam os encontros em Salamanca?
Se quiser puxar assunto com um espanhol por aqui, experimente perguntar: como funcionam os relacionamentos na Espanha? Para resumir o que descobrimos: “Todo mundo fica com todo mundo e às vezes pode surgir algo. Mas geralmente não.” Ou seja, o famoso “friends with benefits” (ou ficante, como dizemos no Brasil) é a norma por lá. Nada daquele esquema de namoro certinho.

Vilas onde os mortos te observam e o café é no açougue
O primeiro passeio fora da cidade foi para a Sierra de Francia. A serra, a 70 km, não é conhecida apenas por sua natureza encantadora (que no inverno não se aproveita tanto), mas principalmente pelas vilinhas que te transportam alguns séculos para trás. As que mais nos impressionaram foram La Alberca e Mogarraz, onde em cada casa pendem retratos das pessoas que viveram ali.
Em alguns momentos achamos até meio sinistro — ficamos imaginando como seria se nas nossas casas estivessem pendurados os rostos dos nossos antepassados nos encarando. Morar ali, não, obrigado. La Alberca, por sua vez, era uma cidadezinha adormecida e linda, onde às onze horas ainda estava tudo fechado. Para tomar café, tivemos que ir ao açougue.

Espanha é mais barata que muitos países europeus, fora Madrid e Barcelona
O último passeio planejamos para a cidade de Zamora, que fica às margens do rio Douro e supostamente está na metade do caminho entre Madrid e o Atlântico, a cerca de 45 km da fronteira com Portugal. É a sede da província de Zamora, uma das nove províncias da comunidade autônoma de Castela e Leão. Fomos até lá principalmente por seu grande acervo de monumentos românicos.

Quando se bebe vinho no lugar de água
Na sexta-feira já era hora de voltar. Estávamos exaustos. Além dos passeios diários, bebemos muito vinho por dia e comemos comida suficiente para meses. A Espanha, fora Madrid e Barcelona, é barata. Mais barata que muitas capitais europeias. Um menu de três pratos sai por dez euros e ainda vem com uma taça (ou garrafa!) de vinho de brinde.

Foi uma semana bem gastronômica para nós. Quando não estávamos nos restaurantes, a Ivča — que é food blogger — cozinhava, e começamos a ter vergonha por estarmos largando mão da cozinha ultimamente.
Como viajar barato pela Europa: Erro, erro e mais erro
Na volta, também tínhamos paradas planejadas. Éramos só três agora — a Gábi ficou na Espanha —, o que naturalmente distorce um pouco os gastos. No final, ficou mais caro do que seria se tivéssemos viajado em quatro o tempo todo.

Após 685 km, chegamos a Bordeaux, onde em vez de bares fomos para a academia para compensar um pouco toda a comilança e o álcool. O hotel com academia custou 60 € para três pessoas. Não tínhamos roupa de treino, então corremos descalços. Péssima ideia — no dia seguinte mal conseguíamos andar.

Às vezes você sai da piscina para o oceano, outras vezes da lama para a poça
E assim, de manhã, mancamos pela cidade, curtindo um dia cinzento de janeiro na França e procurando uma cafeteria que tínhamos selecionado antes no Instagram. Acabamos no Contrast. Apesar de a comida parecer linda na foto, não foi nenhum espetáculo. Meio decepcionados, começamos nosso tour pela cidade. Mas Bordeaux compensou. Das cidades francesas que visitamos pelo caminho, foi a melhor.

Qual cidade francesa nos decepcionou?
Lyon foi o oposto. A 556 km adiante, fica essa cidade histórica do centro-leste da França, onde chegamos após seis horas de estrada. Junto com suas áreas metropolitanas e cidades satélites, forma a segunda maior aglomeração da França depois de Paris, com 1.757.180 habitantes, figurando entre a 20ª e a 25ª maior da Europa.
A decepção veio com a hospedagem cheirando a cigarro, onde tivemos medo até de tirar os sapatos — e acabamos abrindo uma garrafa de vinho para superar. Tentamos nos consolar lembrando que pagamos apenas 48 € e que no dia seguinte iríamos embora imediatamente.

Ainda bem que basta pegar o carro
A cidade nos recebeu de manhã com tempo ruim e, depois de ver a catedral e parte do centro histórico, decidimos que já tínhamos tido o suficiente e resolvemos dar uma melhorada no road trip com uma visita a Genebra, que fica a apenas 149 km de Lyon.

Mas depois não adianta mesmo
Chegamos bem na hora do almoço, mas o domingo trouxe consigo lojas fechadas e alguns restaurantes também. Gastamos uma quantia absurda em panquecas nem tão boas, e o ânimo foi caindo e caindo, até pensarmos em pular Estrasburgo e ir direto para casa. Tínhamos medo da hospedagem, que era tão barata quanto a de Lyon.

A cidade francesa mais bonita parece alemã
E nas fotos parecia igual. No final, ficamos felizes por não termos desistido. A hospedagem custou 47 € para três e era luxuosa. Abrimos mais uma garrafa para celebrar o final da nossa viagem. Superamos o cansaço que ia se acumulando com os dias, o vinho e os quilômetros, e encerramos a jornada explorando a cidade que fica na margem esquerda do Reno e, pela aparência, parece mais com a Alemanha do que com a França.
“A cidade francesa mais bonita da nossa viagem parece alemã.” Declarou o Lukáš. E não é à toa — no passado, a cidade alternava entre pertencer a um e outro país.

E quanto custou tudo afinal?
Éramos quatro e depois três. Se tivéssemos viajado com o grupo completo o tempo todo, com certeza os gastos teriam sido menores. Outra vantagem foi que em Salamanca ficamos na casa da amiga, mas por outro lado gastamos bastante com almoços e jantares nesses dias, porque a Gábi queria nos mostrar os melhores restaurantes e bares que tanto nos contava. Pagávamos tudo junto, anotávamos no aplicativo Spendee e no final dividimos.
Para três pessoas, ficou em torno de 425 € por pessoa (depois de descontar a parte da 4ª pessoa, que viajou conosco em 2/3 do percurso). Como podem ver, os maiores gastos foram com comida.
- Carro (combustível, pedágios): 630 €
- Hospedagem: 395 €
- Alimentação: 465 €
Como escolhemos a hospedagem?
Procuramos escolher a hospedagem mais barata possível, sabendo que na maioria das vezes seria apenas para dormir. Idealmente, selecionávamos lugares com cozinha, para preparar o jantar e eventualmente o café da manhã. Reservamos pelo Booking.com e pelo Airbnb.com. Custou de 12 € a 24 € por pessoa por noite, sendo a Suíça o destino mais caro.

Quanto você pode economizar em relação a nós?
Se cozinharem o tempo todo por conta própria, economizam no mínimo uns 250-280 €. Essa é mais ou menos a quantia que vocês gastariam em Salamanca com hospedagem para 4 pessoas nos dias em que nós ficamos de graça na casa da amiga. Então eu diria que o custo total em torno de 400-430 € por pessoa seria viável mesmo no modo econômico. 🙂 E se fossem quatro o tempo todo, provavelmente chegariam perto dos 400 €.
Perguntas frequentes
Quais documentos preciso para um road trip pela Europa?
Passaporte válido (brasileiros não precisam de visto para o Espaço Schengen em estadias de até 90 dias), carteira de motorista internacional (PID) e a carteira de habilitação brasileira (CNH).
Como planejar o roteiro?
Recomendamos definir os pontos principais da viagem com antecedência, mas deixar espaço para paradas espontâneas.
Quanto dinheiro separar para um road trip?
Os custos dependem dos destinos, estilo de viagem e temporada. Considere gastos com combustível, hospedagem, alimentação e pedágios.
Dicas e truques para viajar pela Europa
O que levar na malaConfira nosso guia de como fazer a mala, que vai te ajudar na preparação. Escolha a mochila de viagem certa, veja gadgets úteis e não esqueça nada importante em casa. Onde encontrar passagens aéreasProcure passagens baratas no Kiwi, nosso buscador favorito. Se for sair do Brasil, companhias como LATAM, Azul e TAP oferecem voos para a Europa. Não deixe de ler nosso guia de como encontrar passagens baratas. Aluguel de carroUsamos regularmente o comparador RentalCars.com, que nos ajuda a encontrar o melhor fornecedor de carros em qualquer destino europeu. Reserva de hospedagemBooking.com é nosso buscador de hotéis favorito. Sempre comparamos com a oferta de apartamentos e quartos no Airbnb (veja aqui). Confira como encontramos hospedagem barata. Não esqueça o seguro viagemSeguro viagem é indispensável — especialmente para brasileiros viajando pela Europa, onde é obrigatório no Espaço Schengen. Para viagens mais curtas usamos a AXA (50% de desconto) e para viagens mais longas a seguradora britânica True Traveller. Confira nossa comparação de seguradoras e escolha a que melhor atende suas necessidades. |
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