Pequim China: 22 atrações e dicas para 2026

Quando visitei Pequim China no verão de 2012 com uma excursão, lembro de uma cidade coberta por uma camada espessa de poluição, com poeira no ar e pessoas suando sob o calor. Hoje, em 2026, a situação mudou radicalmente: a concentração média de partículas PM2,5 caiu 70%, e os episódios de poluição intensa se tornaram bem menos frequentes. O jeito de viajar também mudou. Antes, bastava chegar às atrações; agora, quase tudo precisa ser reservado online com o número do passaporte. Sem o passaporte original, você não entra nem na praça.

Para quem sai do Brasil, há voos para a China a partir de São Paulo, com conexões que variam conforme a companhia e a data. Antes de comprar as passagens, confira as regras de visto aplicáveis a brasileiros junto às autoridades chinesas: as exigências podem mudar e dependem do seu itinerário. Não deixe os documentos para a última hora.

Existe também uma possibilidade de entrar sem visto: o trânsito sem visto por até 240 horas. Mas há uma condição importante: você precisa ter uma passagem de saída para um terceiro país ou região; um simples voo de ida e volta entre São Paulo e Pequim não basta. Desde o fim de novembro de 2025, também existe um cartão de chegada online, que você pode preencher gratuitamente antes da viagem para economizar tempo no aeroporto.

Resumo

  • Seu passaporte é sua entrada. Para atrações importantes como a Cidade Proibida, a Praça Tian’anmen e o trecho Badaling da Grande Muralha, você precisa reservar com antecedência usando o número do passaporte.
  • Quando ir: O clima costuma ser melhor de meados de setembro ao fim de outubro ou na primavera, em abril e maio.
  • Evite os feriados: Durante a Golden Week (de 1º a 7 de outubro de 2026) e o Ano-Novo Chinês, a cidade e as atrações ficam lotadas.
  • Pagamentos: Prepare os aplicativos Alipay ou WeChat Pay. No metrô, agora também dá para pagar com um cartão Visa ou Mastercard por aproximação.
  • Internet: Google, WhatsApp e Instagram são bloqueados. Uma solução confiável é usar um eSIM de viagem com roaming.
  • Transporte do aeroporto: O Airport Express leva você do Aeroporto Internacional de Pequim-Capital ao centro por 25 CNY (cerca de R$ 20).

Quando viajar para Pequim

A melhor época para visitar a capital chinesa vai de meados de setembro ao fim de outubro, quando o tempo é seco e as temperaturas ficam entre agradáveis 20 e 27 °C. Abril e maio, na primavera, também são ótimas escolhas, embora possa ventar bastante em março e abril. Se você não suporta calor, evite julho: as temperaturas passam dos 32 °C e mais da metade da chuva anual cai nesse mês.

Planejar a viagem para os feriados nacionais chineses seria um grande erro: o número de turistas locais é enorme. Durante a Golden Week, de 1º a 7 de outubro de 2026, os ingressos para a Cidade Proibida e a Grande Muralha costumam esgotar, e os trens ficam abarrotados. O feriado do Dia do Trabalho, no começo de maio, é igualmente complicado, assim como o Ano-Novo Chinês, que cai em 6 de fevereiro de 2027.

Ao montar seu roteiro, preste atenção também aos dias da semana para não dar de cara com atrações fechadas. A Cidade Proibida fecha às segundas-feiras, assim como o Museu Nacional, o Mausoléu de Mao e os principais edifícios do Templo do Céu. A exceção costuma ser quando a segunda-feira coincide com um feriado nacional: nesses casos, as atrações geralmente abrem.

Onde se hospedar em Pequim

Escolher bem a região faz toda a diferença: a cidade é gigantesca, e as distâncias entre as atrações podem surpreender. O ideal é procurar hotéis perto de uma estação de metrô, dentro do segundo anel viário, para economizar bastante tempo nos deslocamentos diários. Desde maio de 2024, os hotéis não podem recusar hóspedes estrangeiros, mas, na prática, as redes internacionais continuam sendo a opção mais segura. Lembre também que, no check-in, costuma ser cobrado um depósito de 300 a 1.000 CNY, devolvido na saída.

Se esta é sua primeira vez na cidade, a região de Wangfujing é uma excelente base, a menos de dois quilômetros da Cidade Proibida. O Park Plaza Beijing Wangfujing oferece uma ótima relação custo-benefício: fica ao lado de uma estação da linha 5 do metrô, e os hóspedes elogiam a rua lateral mais tranquila e a equipe. Para quem busca luxo de verdade, há o lendário The Peninsula Beijing, que oferece exclusivamente suítes espaçosas. Se você quer uma atmosfera tradicional, experimente o boutique hotel Lezai Hotel, em um hutong histórico perto de Nanluoguxiang, com café da manhã e chá da tarde gratuitos.

Quem chega em um voo matinal às 5h20 muitas vezes precisa de um lugar para descansar logo após o desembarque. Uma solução prática pode ser o Hilton Beijing Capital Airport, que oferece traslado para o terminal 3 e permite recuperar o sono antes de explorar a cidade. Você encontra mais sugestões de hotéis e uma análise detalhada dos bairros no nosso artigo Onde se hospedar em Pequim.

💡 Neste mapa, você pode comparar as acomodações disponíveis — e ver de imediato quanto os preços mudam a poucos quarteirões de distância.

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Pequim China: 22 atrações e dicas para 2026

1. Praça Tian’anmen e Mausoléu de Mao

Quando estive aqui em 2012, a praça estava encoberta pela poluição, as pessoas brilhavam de suor e eu olhava, sem acreditar, para a fila gigantesca e caótica de chineses devotos diante do mausoléu e da escultura de trabalhadores. Foi ali que ouvi pela primeira vez “Can I take photo with you?”: queriam tirar fotos comigo, e isso voltou a acontecer todos os dias. Hoje a visita à praça é muito mais organizada, e é obrigatório reservar de 1 a 7 dias antes pelo WeChat ou pelo site no computador.

Se você quiser ver o corpo embalsamado de Mao Tsé-Tung, saiba que o mausoléu abre de terça a domingo apenas pela manhã, das 8h às 12h. Bolsas, mochilas, câmeras e bebidas não podem entrar; é preciso deixar tudo em um guarda-volumes pago. Na época, uma guia me contou uma história sobre uma suposta alteração na data de sua morte, mas os registros mostram que Mao morreu em 9 de setembro de 1976, dez minutos depois da meia-noite.

A praça é imensa, e a maneira mais fácil de chegar é pegar a linha 1 do metrô até Tian’anmen East ou Tian’anmen West. Outro momento marcante é o hasteamento diário da bandeira ao nascer do sol, mas é preciso fazer uma reserva separada, e as pessoas começam a se reunir até duas horas antes.

💡 Dica: reserve a visita à praça para a mesma manhã da Cidade Proibida. A entrada do museu pelo lado sul fica na Porta Meridiana (Wumen), então dá para fazer uma visita logo após a outra.

2. Cidade Proibida (Museu do Palácio)

Em 2012, a multidão era tão grande que parecia que milhões de pessoas tinham entrado nos pátios junto com o nosso grupo. Saí de lá com mais histórias para contar do que lembranças de uma visita tranquila. Hoje é um pouco diferente: o limite diário é rigorosamente de 40 mil visitantes, e oficialmente não se vendem ingressos no local. Estrangeiros fazem a reserva com o número do passaporte pelo site bookingticket.dpm.org.cn. Os ingressos são liberados sete dias antes e, para os fins de semana, acabam num piscar de olhos. Na alta temporada, de abril a outubro, a entrada custa 60 CNY (cerca de R$ 45); no inverno, 40 CNY. Lembre-se de que o complexo fecha às segundas-feiras. A única entrada é pelo sul, pela Porta Meridiana (Wumen), e a saída é pela porta norte, Shenwumen, ou pela porta leste.

Esse complexo impressionante foi construído durante a dinastia Ming, no século XV, e os imperadores viveram ali até o começo do século XX. Uma curiosidade: “O Último Imperador”, de 1987, foi o primeiro filme ocidental autorizado a ser rodado no local. Se antes multidões entravam sem limite, em 2024 o museu recebeu 17,6 milhões de visitantes. A instituição completou exatamente cem anos em 10 de outubro de 2025.

💡 Dica: depois da visita, saia pela porta norte e atravesse até o Parque Jingshan. Do pavilhão no alto da colina, você verá toda a extensão dos telhados por onde acabou de passar.

3. Parque Jingshan e vista para a Cidade Proibida

Logo do outro lado da rua do portão norte da Cidade Proibida, você encontra o Parque Jingshan, que é parte integrante do Eixo Central, reconhecido pela UNESCO. Ao contrário da maioria das principais atrações, aqui você pode comprar os ingressos por 2 CNY tranquilamente na hora, embora também seja possível adquiri-los antecipadamente pelo aplicativo WeChat.

Na alta temporada, o parque fica aberto das 6h às 21h, então você pode fazer uma caminhada pela manhã ou relaxar no fim da tarde. A maior atração é o pavilhão Wanchun, no topo da colina, ao qual se chega por uma sequência de escadas, mas a vista de toda a cidade certamente compensa o esforço.

💡 Dica: chegue uma hora antes do pôr do sol, quando a luz do sol ilumina os telhados dourados da Cidade Proibida lá embaixo.

4. Templo do Céu e a vida matinal no parque

O metrô da linha 5 até a estação Tiantan Dongmen leva você confortavelmente ao Templo do Céu, bem na entrada leste. Você pode entrar sem uma reserva complicada no parque, que abre já às 6h, e comprar o ingresso na hora por cerca de 15 CNY. Os edifícios pagos, como o Salão de Oração pelas Boas Colheitas, só abrem às 8h, e o ingresso combinado custa 34 CNY (cerca de R$ 85), mas lembre-se de que essas construções históricas fecham às segundas-feiras.

O ponto central do complexo é o Salão de Oração pelas Boas Colheitas, uma impressionante construção inteiramente de madeira, com 38 metros de altura, fundada em 1420 e incluída na lista da UNESCO. Seu interior é repleto de simbolismo: as 4 colunas internas representam as estações do ano, as 12 colunas do meio representam os meses e as 12 colunas externas correspondem às tradicionais divisões de duas horas do dia.

Quando estive aqui em 2012, observei maravilhada danças em pares, aulas de aeróbica e canto coral, atividades que os moradores praticavam com entusiasmo. Hoje, a atmosfera matinal continua igualmente envolvente: a partir das 6h, as pessoas praticam tai chi, jogam cartas ou escrevem belas caligrafias diretamente no chão, usando enormes pincéis e água.

💡 Dica: chegue entre 7h e 7h30 pela entrada leste e primeiro caminhe pelo Corredor Longo; depois das 8h, quando os edifícios abrem, você terá tempo suficiente para visitá-los.

5. Grande Muralha da China (Mutianyu ou Badaling?)

No trecho restaurado e menos lotado de Mutianyu, a entrada custa 40 CNY, e o teleférico, ida e volta, custa aproximadamente 120 CNY. Do centro, você chega com bastante facilidade de ônibus turístico oficial por 80 CNY, ida e volta, com saída das estações Qianmen e Dongzhimen. De forma alguma tente percorrer o trecho fechado de Jiankou, onde o acesso é estritamente proibido.

Outra opção muito popular é o trecho de Badaling. Embora seja fácil chegar até lá de trem de alta velocidade saindo da estação Beijing North, este costuma ser o trecho mais movimentado, com capacidade para 65.000 pessoas por dia. Cuidado com informações desatualizadas em muitos relatos de viagem: o antigo trem S2 não circula mais de Huangtudian desde 25 de outubro de 2025, e a entrada exige reserva antecipada com o passaporte.

Quando fui à muralha pela primeira vez, em 2012, fiquei surpresa com os degraus muito irregulares e altos, que experimentei involuntariamente logo na primeira subida. Na época, a muralha se estendia ao longe coberta por uma cortina de poeira e, além disso, um grupo de fotógrafos ficou me seguindo, até que precisei me esconder deles em uma torre de vigia.

💡 Dica: em Mutianyu, pegue logo o primeiro ônibus turístico, às 7h; assim, você chegará à muralha antes da maioria dos grupos de excursão.

6. Tumbas Ming e a Via dos Espíritos

Esse extenso complexo funerário fica no distrito de Changping, a cerca de 50 quilômetros do centro, e o passeio costuma ser combinado com uma visita à Grande Muralha da China. Para entrar na Via dos Espíritos, você paga 20 CNY, enquanto a entrada para a tumba Dingling custa 40 CNY e a entrada para a tumba Changling custa 30 CNY durante a alta temporada.

O enorme complexo oferece experiências variadas, mas somente na tumba Dingling é possível descer até o palácio subterrâneo, por cerca de oito lances de escadas íngremes. Já a tumba Changling é o maior complexo acima do solo de todo o conjunto, onde você pode admirar a bela arquitetura tradicional.

Quando passei por aqui em 2012, a mística Via dos Espíritos, com animais de pedra e soldados frente a frente, tinha para mim muito mais atmosfera do que as próprias tumbas. Naquela época, as tumbas estavam lotadas, e uma vendedora insistente de lenços me puxava pela manga, gritando “Ten yuan! Three!”, uma lembrança que guardo até hoje.

💡 Dica: percorra a Via dos Espíritos a pé, do norte ao sul, até o fim. As estátuas ficam dispostas em pares e são mais impressionantes pela manhã, antes da chegada dos grupos de ônibus.

7. Palácio de Verão

O metrô da linha 4 até a estação Beigongmen ou Xiyuan leva você com facilidade a esse enorme complexo de descanso. Durante a temporada de verão, os portões de entrada ficam abertos das 6h às 19h e o ingresso básico custa 30 CNY (cerca de R$ 75), enquanto o bilhete combinado, que inclui a entrada nos pavilhões pagos, custa 60 CNY.

Todo o complexo ocupa impressionantes 3 quilômetros quadrados, sendo que três quartos da área são formados pelo lago artificial Kunming, onde você pode passear de barco. O Palácio de Verão foi incluído na lista da UNESCO em 1998, e o roteiro tradicional de visita sai do Portão Leste, passando pelo Corredor Longo decorado até o Barco de Mármore.

Nos meses de verão, o local costuma ficar lotado, então reserve pelo menos meio dia para conhecer o complexo sem precisar correr. O lago cercado por pavilhões é uma das paisagens mais bonitas de toda a cidade, e vale a pena simplesmente sentar e observar o movimento.

💡 Dica: faça o percurso no sentido contrário, começando pelo Portão Norte, passando pela Rua Suzhou até o lago, e termine no Corredor Longo, onde há mais gente perto do meio-dia.

8. Templo lamaísta Yonghegong

O metrô das linhas 2 e 5 até a estação Yonghegong leva você ao templo tibetano mais conhecido da cidade. De lá, é uma curta caminhada até a entrada. O acesso ao complexo custa 25 CNY, e você pode programar a visita entre 9h e 16h30, período em que o local fica aberto ao público.

Quando estive aqui com uma excursão, em 2012, o templo lamaísta fazia parte do nosso roteiro. Hoje, continua sendo um lugar extremamente popular entre os fiéis, que logo na entrada tradicionalmente recebem incensos de graça.

A maior atração de todo o complexo é a enorme estátua de Maitreya feita de madeira de sândalo, que se eleva 18 metros acima do piso. E não é só isso: outros 8 metros dessa estátua única ficam enterrados diretamente nas fundações subterrâneas do edifício.

💡 Dica: do outro lado da rua fica o Templo de Confúcio e, logo ao lado, o Beco Wudaoying, com excelentes restaurantes vegetarianos.

9. Templo de Confúcio, Wudaoying e a Pequim vegetariana

Logo do outro lado da rua do Yonghegong, você encontra o Templo de Confúcio e a antiga Academia Imperial Guozijian, onde reina muito mais tranquilidade. Bem ao lado fica o moderno Beco Wudaoying, cheio de cafés e butiques, que abriga o restaurante vegano Veggie Table, com menu ocidental e cardápio em inglês, além do estabelecimento totalmente vegano Chabozhai.

O grande destaque, porém, é o restaurante King’s Joy, que tem estrelas Michelin e foi o primeiro restaurante vegetariano do mundo a receber três estrelas Michelin. O menu, entretanto, começa em 999 CNY por pessoa. Uma opção mais acessível é o excelente bufê vegetariano Vege Tiger, por 78 CNY, no Zhengyang Market, perto da Praça Qianmen, além dos restaurantes Gongdelin e Tianchu Miaoxiang.

Se você é vegetariano, vale a pena aprender a frase útil “wǒ chī sù” (não como carne), mas fique atento às armadilhas escondidas. O famoso pato à moda de Pequim e o macarrão de carne zhajiangmian são clássicos locais, mas até nos pratos de vegetais é comum encontrar caldo de galinha, banha de porco ou camarões escondidos nos bolinhos.

💡 Dica: o King’s Joy é uma experiência para comemorar uma data especial; para um almoço comum, o bufê Vege Tiger, perto de Qianmen, ou o Veggie Table, em Wudaoying, são suficientes.

10. Parque Beihai

A poucos passos do centro movimentado, fica um enorme parque imperial, acessível pela linha 6 do metrô, na estação Beihai North. Na temporada de verão, os portões abrem das 6h às 21h, e o ingresso básico custa apenas 10 CNY; para subir até a Dagoba Branca, na ilha Qionghua, você paga 20 CNY.

Quando observei as pessoas por aqui em 2012, lembro que os turistas costumavam se vestir de princesas e imperadores para tirar fotos à beira do lago. Hoje, os locais que alugam trajes tradicionais hanfu estão por toda parte nos arredores da Cidade Proibida e do Parque Jingshan.

Uma grande parte do parque é ocupada por um lago imenso, onde você pode passear em barcos alugados. O parque também é cercado por árvores antigas lindíssimas e tem muitos cantinhos tranquilos para se proteger do sol de verão.

💡 Dica: Beihai fica bem ao lado do Parque Jingshan, então dá para conhecer os dois na mesma tarde.

11. Shichahai, Houhai e hutongs de riquixá

A região dos lagos Houhai e Qianhai rende caminhadas lindas, mas à noite vira um lugar bastante barulhento, cheio de letreiros de neon, bares e música ao vivo. Durante o dia, você pode visitar o Palácio do Príncipe Gong, com entrada de 40 CNY, mas precisa reservar antes por um aplicativo local.

Também dá para explorar de riquixá as antigas vielas estreitas chamadas hutongs, mas pegue apenas riquixás oficiais nos pontos designados, com motoristas uniformizados; um circuito de meia hora custa em torno de 120 CNY. A armadilha mais comum para turistas é o riquixá informal: no fim do passeio, o motorista diz que o preço combinado era por pessoa, não pelo veículo.

À noite, é melhor evitar o calçadão mais movimentado, onde promotores de bares e karaokês caros ficam chamando os visitantes. Nos meses de inverno, porém, a atmosfera fica mais tranquila e o lago congelado se transforma em uma enorme pista de patinação ao ar livre, adorada pelas famílias locais.

💡 Dica: pegue um riquixá somente em um ponto oficial, com um motorista uniformizado e identificado por número, e peça para ele escrever o preço no seu celular.

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12. Nanluoguxiang, Torre do Tambor e Torre do Sino

Nanluoguxiang é o hutong restaurado mais famoso: apesar de extremamente pitoresco, fica lotado de turistas todos os dias. Há dezenas de lojas de lembrancinhas e barracas de comida, mas você só encontra sossego e um pouco da vida cotidiana quando entra nas vielas laterais, como Mao’er e Fuxiang.

Um pouco mais ao norte, você chega às imponentes Torre do Tambor e Torre do Sino, que marcam a extremidade norte do recém-protegido Eixo Central. É fácil chegar às duas atrações pelas linhas 2 e 8 do metrô, descendo na estação Gulou Dajie; de lá, são apenas alguns minutos a pé.

Essa região é ótima para passear sem destino certo, mas no fim da tarde a multidão é tanta que, em alguns trechos, mal dá para andar. Em compensação, os cafés escondidos em pátios antigos são lugares fantásticos para fazer uma pausa do barulho da cidade grande.

💡 Dica: passe por Nanluoguxiang uma vez e depois entre nas vielas laterais. É ali que você vai conhecer o cotidiano de um hutong.

13. Qianmen e Dashilan

Na ponta sul da famosa praça, ergue-se o enorme portão histórico Zhengyangmen, de 1419, que abriga um museu e é outro ponto importante do Eixo Central. Logo abaixo começa o calçadão revitalizado Qianmen Dajie, percorrido por um charmoso bonde histórico e repleto de lojas modernas e tradicionais.

Do calçadão principal, você chega à histórica rua comercial Dashilan, onde ainda funcionam a centenária e famosa farmácia Tongrentang e casas de chá tradicionais. Quando visitamos uma fábrica de seda com uma excursão em 2012, nos mostraram como um único casulo pequeno pode render até um quilômetro de fio finíssimo; a seda continua sendo vendida em Dashilan até hoje.

Se a fome bater durante a caminhada, no vizinho centro comercial Zhengyang Market você encontra o confiável bufê vegetariano Vege Tiger e a famosa casa de chá Lao She. Depois que anoitece, o bairro inteiro ganha uma atmosfera linda com centenas de lanternas vermelhas acesas.

💡 Dica: Qianmen ganha vida à noite, com suas lanternas, e é uma boa maneira de terminar o dia depois da Praça Tian’anmen. A linha 2 do metrô para bem ao lado do portão.

14. Museu Nacional da China

Esse edifício gigantesco fica no lado leste da Praça Tian’anmen e guarda coleções de toda a história chinesa. A entrada no museu é totalmente gratuita, mas você só consegue entrar com uma reserva antecipada, que pode fazer com até 7 dias de antecedência pelo site oficial em inglês en.chnmuseum.cn.

Novos ingressos são liberados diariamente às 17h, e você precisa escolher um dos três períodos de visitação, que distribuem os visitantes entre manhã, meio do dia e tarde. Lembre que o museu fecha às segundas-feiras e que, para entrar pelo portão norte, é preciso apresentar o passaporte original usado na reserva.

O museu é tão grande que é praticamente impossível conhecer tudo em uma única visita. Você encontra desde antigos vasos de bronze até arte moderna, então escolha com antecedência as exposições que quer ver para não perder tempo andando sem rumo.

💡 Dica: reserve o período da manhã e escolha antes as exposições que quer visitar; não dá para percorrer o museu inteiro de uma vez.

15. Eixo Central de Pequim (UNESCO 2024) a pé

Esse conceito histórico de organização da cidade entrou para a lista da UNESCO em 27 de julho de 2024. O eixo atravessa Pequim de norte a sul por 7,8 quilômetros e reúne 15 componentes principais, que formam a espinha dorsal de toda a cidade histórica.

Entre seus trechos mais conhecidos estão a Torre do Tambor e a Torre do Sino, o Parque Jingshan, o portão Tian’anmen e o famoso Templo do Céu. O eixo começa ao norte e só termina no imponente portão sul Yongdingmen. No caminho, você também passa por monumentos menores, como o Altar da Terra e dos Grãos e a ponte Wanning.

Esse roteiro é ideal para quem adora caminhadas urbanas longas e quer perceber como os espaços da cidade histórica se conectam de maneira lógica. Ao caminhar, você encontra contrastes enormes entre praças lotadas e pequenos parques silenciosos, escondidos à sombra de muros antigos.

💡 Dica: se você tem um dia inteiro e bons calçados, pode percorrer o eixo desde o portão Yongdingmen, ao sul, até a Torre do Tambor. Dá para deixar as atrações pagas para outra ocasião.

16. Wangfujing e o que restou do mercado noturno

O moderno calçadão de Wangfujing é uma enorme avenida comercial cheia de marcas de luxo, facilmente acessível pela linha 1 do metrô. O lendário mercado noturno Donghuamen fechou definitivamente em 24 de junho de 2016 por questões sanitárias, e a antiga e famosa Snack Street passou a se concentrar mais em lembrancinhas tradicionais depois da reforma.

Quando passei por ali em 2012, o mercado noturno tinha um cheiro estranho e estava cheio de barracas cujos vendedores ofereciam escorpiões, insetos e cobras no espeto. Confesso que aquela visão me deixou bem desconfortável. Hoje, a comida de rua mais autêntica está sobretudo na rua Gui Jie ou na região histórica de Xianyukou, perto de Qianmen.

Para vegetarianos, as opções locais de comida de rua são bastante convidativas: experimente a tradicional panqueca jianbing (mas não se esqueça de pedir sem salsicha) ou o tanghulu, fruta cristalizada totalmente vegana. Tome bastante cuidado, porém: é justamente nessa avenida que acontecem com mais frequência o chamado golpe do chá e as abordagens de falsos estudantes de arte.

💡 Dica: se alguém em Wangfujing falar com você em inglês perfeito e convidar para tomar chá ou visitar uma exposição, não aceite o convite. É aqui que esse golpe acontece com mais frequência.

17. Parque Olímpico: Ninho de Pássaro e Cubo d’Água

O amplo complexo construído para os Jogos Olímpicos de Verão de 2008 abre diariamente das 6h às 21h30. Bem no centro fica o famoso Estádio Nacional Ninho de Pássaro, cuja visita custa cerca de 50 CNY. Ao lado está o inconfundível Cubo d’Água, engenhosamente transformado em Cubo de Gelo para as competições de curling dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

A maneira mais fácil de chegar é pela linha 8 do metrô, que deixa você bem no enorme calçadão entre os dois estádios. Hoje, essas construções futuristas abrigam, entre outras atrações, um parque aquático e grandes festivais de gelo no inverno, que atraem milhares de famílias.

O parque é enorme, então prepare-se para caminhar bastante sobre o concreto. O melhor momento para visitá-lo é no começo da noite, quando as duas construções principais ganham uma iluminação linda e seus nomes arquitetônicos parecem fazer ainda mais sentido.

💡 Dica: chegue ao entardecer. Quando o estádio e o Cubo d’Água se iluminam, fica bem mais fácil entender por que um deles é chamado de ninho.

18. 798 Art Zone

Esse bairro artístico singular ocupa um antigo complexo de fábricas estatais, marcado pela arquitetura Bauhaus da Alemanha Oriental dos anos 1950. Hoje, é um enorme labirinto de galerias de arte contemporânea, entre elas a prestigiada UCCA; esculturas gigantes e obras de arte urbana aparecem a cada esquina.

A área externa tem acesso gratuito, mas algumas exposições e galerias mais importantes cobram ingresso. Os antigos galpões industriais, com seus característicos telhados em forma de serra, dão às obras expostas um clima bruto e industrial.

Planeje bem a visita, pois muitas galerias fecham às segundas-feiras e o bairro fica um pouco parado. O melhor é que, entre uma exposição e outra, você encontra dezenas de cafés e bistrôs estilosos: uma ótima opção para trocar a história imperial pela Pequim contemporânea durante uma tarde.

💡 Dica: vá de terça a domingo, à tarde. Os cafés entre as galerias são ótimos para fazer uma pausa.

19. Ópera de Pequim e acrobacias

Assistir a uma ópera chinesa tradicional é uma experiência fascinante, embora seus sons agudos não agradem a todo mundo. Uma boa opção para visitantes estrangeiros é o Teatro Liyuan, no hotel Qianmen Jianguo: há apresentações de quarta a sábado, às 19h30, os ingressos custam de 280 a 580 CNY e o espetáculo dura cerca de 60 minutos, com legendas em inglês.

Se você prefere movimento e adrenalina, não perca o belo espetáculo acrobático do Teatro Chaoyang, geralmente apresentado às 16h e às 17h30, com ingressos em torno de 45 USD. A apresentação dura uma hora, funciona bem até para crianças e não exige que você entenda uma palavra sequer.

Outra ótima alternativa, frequentemente elogiada por viajantes em fóruns, é o Red Theatre, com seu animado espetáculo de kung fu. Seja qual for a sua escolha, assistir a um show é uma excelente maneira de terminar um dia cansativo de passeios pelas atrações históricas.

💡 Dica: se a ideia de ouvir três horas de ópera aguda não anima você, comece pelas acrobacias no Teatro Chaoyang. É difícil ficar entediado durante o espetáculo de uma hora.

20. Antigo Palácio de Verão (Yuanmingyuan)

Perto do seu vizinho mais famoso fica o Antigo Palácio de Verão, acessível pela linha 4 do metrô, até a estação Yuanmingyuan. Os portões desse parque imenso abrem das 7h às 17h, e a entrada básica custa 10 CNY. Ainda assim, vale comprar o ingresso combinado de 25 CNY.

É esse ingresso que dá acesso à parte mais interessante do complexo: as monumentais ruínas dos palácios de estilo europeu de Xiyanglou. Infelizmente, essas belas construções projetadas por jesuítas foram incendiadas em 1860, durante a Segunda Guerra do Ópio. Hoje, restam delas impressionantes ruínas de mármore.

Caminhar entre essas ruínas, que contrastam fortemente com a arquitetura chinesa tradicional, é sentir de perto o peso da história. O parque é cortado por riachos e pontes e costuma ser mais tranquilo que as principais atrações do centro.

💡 Dica: combine a visita com o Palácio de Verão. Os dois ficam perto um do outro, na mesma linha de metrô.

21. Pandas no Zoológico de Pequim

Fundado em 1906, o zoológico é facilmente acessível a partir do centro pela linha 4 do metrô, até a estação Beijing Zoo. A grande atração é, sem dúvida, o novíssimo pavilhão dos pandas, inaugurado em 16 de julho de 2026, que passou a abrigar 10 desses raros ursos.

Para entrar no zoológico, você paga o ingresso combinado de 19 CNY (cerca de R$ 15), que já inclui a taxa de 5 yuans para o pavilhão dos pandas. No verão, esse espaço moderno abre das 8h às 18h e oferece condições bem melhores aos animais. Isso importa porque o restante do zoológico costuma ser criticado pelas jaulas antigas e menores destinadas a outras espécies.

Os pandas atraem muitos turistas chineses, então prepare-se para enfrentar uma multidão diante dos vidros dos recintos.

💡 Dica: os pandas se revezam nos recintos; dependendo do horário da visita, você pode ver animais diferentes. O pavilhão abre já às 8h.

22. Passeios a Tianjin, Chengde e Xi’an de trem noturno

Se tiver mais tempo, pegue um trem de alta velocidade para a cidade portuária de Tianjin: o trajeto a partir da estação Beijing South leva 21 minutos. Outro ótimo destino é Chengde, a cerca de uma hora de viagem, onde fica a imponente Residência de Montanha de Chengde, reconhecida pela UNESCO. Na alta temporada, o ingresso custa 120 CNY.

Para quem quer conhecer o famoso Exército de Terracota, a escolha é viajar até Xi’an, a cerca de 4 horas e 10 minutos nos trens diurnos de alta velocidade. É lá que fica um dos maiores achados arqueológicos de 1974: mais de 8 mil soldados de terracota.

Quando fui a Xi’an de trem-leito, no verão de 2012, encontrei um caos enorme na estação Beijing West. Naquele dia, Pequim foi atingida pela tempestade mais forte em sessenta anos, e mais de 500 voos foram cancelados no aeroporto. Milhares de pessoas suadas se espremiam dentro e fora da estação, e o saguão estava terrivelmente abafado. Foi um alívio quando finalmente entramos na nossa cabine com ar-condicionado e beliches.

💡 Dica: para pegar o trem noturno, chegue à estação pelo menos uma hora antes. Há controles de passaporte e bagagem tanto na entrada quanto no acesso à plataforma.

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Para onde ir depois de Pequim

Se você planeja ficar mais tempo, visite as Montanhas Perfumadas (Xiangshan). No fim de outubro, as folhas das árvores ganham incríveis tons de vermelho, e a entrada custa apenas 10 CNY. No fim de semana, acorde cedo para pechinchar no mercado Panjiayuan, que oferece uma variedade de reproduções e antiguidades desde o amanhecer. Já as famílias com crianças vão adorar o enorme Universal Beijing Resort, onde os ingressos custam de 363 a 533 CNY, dependendo da data da visita.

Quem gosta de arquitetura tradicional não deve deixar de conhecer a cidade histórica de Gubei, combinando o passeio com uma visita noturna ao trecho iluminado da Muralha em Simatai, ou os tranquilos templos taoistas Baiyunguan e Dongyue, dentro da própria cidade. Se sua viagem continuar rumo ao sul, leia também nosso guia Xangai, China: dicas do que ver e fazer. O trem de alta velocidade leva você de Pequim até lá em apenas 4 horas e 18 minutos.

Perguntas frequentes

Preciso de visto para Pequim?

Sim, brasileiros precisam de visto convencional tipo L, que você solicita no consulado chinês por uma taxa consular de aproximadamente R$ 340 e o processamento leva cerca de 4 dias úteis. A exceção é quando você utiliza o trânsito sem visto de 240 horas com passagem para um terceiro país. Enquanto alguns países têm entrada sem visto, para o Brasil essa facilidade atualmente não se aplica.

Quantos dias em Pequim?

Reserve no mínimo 4 dias. Dedique um dia à Praça Tian’anmen, Cidade Proibida e Parque Jingshan, o segundo dia deixe para o Templo do Céu e a histórica rua Qianmen. O terceiro dia será tomado pelo passeio à Grande Muralha da China junto com as Tumbas Ming e no quarto você aproveita o Palácio de Verão ou as ruelas hutong e o templo Yonghegong. Se você planeja também um passeio a Xi’an, adicione mais 2 dias.

Como reservar a Cidade Proibida?

A reserva deve ser feita antecipadamente no site oficial bookingticket.dpm.org.cn e exclusivamente com o número do seu passaporte, os ingressos são liberados exatamente 7 dias antes e nos fins de semana esgotam incrivelmente rápido. No local os ingressos oficialmente não são vendidos. A entrada acontece apenas pelo portão sul Wumen após apresentação do passaporte original, o preço na alta temporada é 60 CNY e às segundas-feiras o museu fica fechado.

Qual parte da Grande Muralha é a melhor?

Para a maioria dos viajantes o melhor trecho é Mutianyu, porque tem menos gente, você pode usar o teleférico e o tobogã e chega confortavelmente de ônibus turístico oficial por 80 CNY. O trecho Badaling é o mais próximo e tem trem-bala da estação Beijing North, mas costuma ser de longe o mais movimentado de todos. Evite definitivamente o trecho Jiankou, que é perigoso e completamente fechado.

Como se paga em Pequim?

Embora as lojas devam aceitar dinheiro desde fevereiro de 2026, o básico são os aplicativos Alipay ou WeChat Pay com cartão de pagamento vinculado (em pagamentos acima de 200 CNY cobra-se uma taxa de 3%). Direto no metrô você agora paga também com cartão sem contato comum Visa ou Mastercard simplesmente na catraca.

Google e WhatsApp funcionam na China?

Não, Google, WhatsApp e muitas outras redes ocidentais são duramente bloqueados e o uso de VPN sem autorização oficial é ilegal no país. Na prática, porém, funcionam sem problemas cartões eSIM de viagem com roaming, que conseguem contornar esses bloqueios. No lugar do Google Maps baixe definitivamente o aplicativo local Amap com interface em inglês e para pedir corridas serve o aplicativo Didi.

Pequim é adequada para vegetarianos?

Sim, com certeza você come bem por lá. Você encontra estabelecimentos excelentes como o King’s Joy com estrela Michelin, o buffet vegetariano mais barato Vege Tiger perto de Qianmen por 78 CNY, ou os restaurantes Gongdelin, Tianchu Miaoxiang e Veggie Table. Mas aprenda a frase “wǒ chī sù” e tome muito cuidado com caldo de frango escondido, banha de porco e camarões escondidos nos bolinhos de legumes.

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