Na hora de montar um roteiro pela Grécia, duas coisas inevitavelmente aparecem: a logística do transporte e o orçamento. A Grécia não é um destino compacto que você percorre de trem em uma tarde. O país é formado por uma península montanhosa e milhares de ilhas espalhadas por dois mares — e, nos últimos anos, o governo vem introduzindo novas taxas e impostos que podem encarecer bastante a conta final. Este guia prático da Grécia reúne tudo que você precisa saber para planejar sua viagem sem sustos.
A boa notícia é que a Grécia está entre os países mais seguros do mundo e, com um pouco de preparação, você aproveita as férias sem nenhuma surpresa desagradável. Basta saber como se locomover, quanto dinheiro levar, o que evitar e como reagir quando a natureza ou um golpista resolver aparecer.
Neste guia prático você encontra tudo o que precisa para a sua viagem à Grécia: transporte, dinheiro e caixas eletrônicos, orçamento real para 2026, novas taxas e impostos, segurança (terremotos, incêndios, mar) e os golpes mais comuns. Vamos lá! ☺️

Resumo
- Na Grécia você se locomove de avião, balsa e carro. Voos domésticos (Aegean, Sky Express) frequentemente economizam horas em comparação à balsa.
- Cuidado com motos e quadriciclos. Acima de 50 cc você precisa de habilitação categoria A — sem ela, em caso de acidente, paga tudo do próprio bolso.
- Dinheiro em espécie ainda é essencial. Leve de 100 a 200 euros em cash e saque apenas em caixas de bancos gregos, nunca nos do Euronet.
- Orçamento 2026: mochileiro 50–80 €/dia, classe média em torno de 265–455 €/dia por casal, luxo a partir de 490 €/dia.
- Novas taxas: taxa climática de 1,50 a 10 € por noite (paga no hotel) e imposto sobre cruzeiros.
- Segurança: a Grécia é muito segura. Fique atento ao calor extremo, incêndios (SMS do número 112) e, em Atenas, a batedores de carteira e ciladas em restaurantes.
- Seguro viagem com cobertura de repatriação é indispensável — o cartão do SUS brasileiro não cobre emergências no exterior.
Transporte: avião, balsa ou carro?
A Grécia tem uma infraestrutura de qualidade e em constante melhoria. O segredo está em saber quando usar cada modal.
De avião
O principal hub é o Aeroporto Internacional de Atenas Eleftherios Venizelos, que recebe mais de 34 milhões de passageiros por ano, seguido pelo de Heraklion (Creta), Thessaloniki, Rodes e Corfu. Do Brasil, os voos para a Grécia normalmente exigem uma ou duas conexões — as rotas mais comuns passam por Lisboa, Madrid, Frankfurt ou Amsterdam. Voos para Atenas e Thessaloniki operam o ano todo; voos diretos para as ilhas costumam aparecer de maio a outubro com preços mais altos. Em baixa temporada, uma passagem de ida e volta para Atenas pode sair por volta de 2.500–4.500 R$ (±400–700 €); no verão europeu, o custo sobe consideravelmente.
Para conexões entre ilhas, as opções são Aegean Airlines, Olympic Air e Sky Express. Voos curtos entre ilhas duram menos de uma hora e custam entre 50 e 120 €, o que muitas vezes compensa muito mais do que encarar horas de balsa.
De balsa
O island hopping de balsa é a experiência clássica da Grécia. O principal porto para as Cíclades é o Pireu (Atenas), mas se o destino for Andros, Tinos ou Mykonos direto do aeroporto, o porto de Rafina fica muito mais perto e economiza pelo menos uma hora de deslocamento. Confira nosso artigo completo sobre island hopping na Grécia para um guia detalhado.
Um erro clássico é subestimar a logística das balsas. De meados de maio a meados de setembro sopra o forte vento meltemi, que causa atrasos e até cancelamentos nas embarcações mais rápidas. Se você tem um voo de volta marcado, jamais deixe a travessia de balsa de uma ilha para Atenas para o último dia.
De carro e moto

Alugar um carro dá liberdade total para explorar vilarejos escondidos e praias desertas. Fora da temporada alta, um carro compacto sai por 25–40 € por dia; no verão, os preços sobem para 50–80 €. Brasileiros precisam da CNH internacional (CIRETRAN) para alugar veículos na Grécia. Exija sempre o seguro sem franquia, porque as estradas nas ilhas são extremamente estreitas e arranhões de arbustos são rotina.
⚠️ Um aviso importantíssimo: para pilotar motos acima de 50 cc ou quadriciclos, é obrigatória a habilitação categoria A. Muitas locadoras ignoram essa regra e entregam a moto sem verificar. Mas se houver acidente, a seguradora vai conferir sua habilitação — e se você não tiver a categoria correta, arcará com todos os custos médicos e danos do próprio bolso, o que pode chegar a valores altíssimos.
Dinheiro: espécie, cartão e caixas eletrônicos
Na Grécia a moeda é o euro e hoje você paga no cartão em supermercados, postos de gasolina e hotéis. Porém, em taverneiras familiares, feiras e quiosques, não é raro ouvir um sorriso constrangido e “a maquininha está quebrada” — uma forma corriqueira de evitar impostos. Por isso, carregue sempre uma reserva de 100 a 200 euros em dinheiro vivo.
Na hora de sacar, fuja dos caixas eletrônicos azuis e amarelos do Euronet — as taxas e o câmbio deles beiram a extorsão. Procure caixas de bancos gregos oficiais (Alpha Bank, Piraeus Bank, Eurobank, National Bank of Greece) e, quando o terminal perguntar sobre conversão de moeda, escolha sempre a opção “sem conversão”. A gorjeta costuma ser de 5 a 10% e é melhor deixá-la em dinheiro na mesa, já que pelo terminal pode não chegar ao garçom.
Quanto custa uma viagem à Grécia em 2026
A Grécia hoje é cerca de 15 a 25% mais barata que a Itália, mas chegou a um patamar parecido com Espanha ou Croácia. Os gastos diários se dividem em três perfis principais.
| Estilo de viagem | Orçamento por pessoa/dia | Semana para um casal (total) |
|---|---|---|
| Mochileiro / low-cost | 50 – 80 € | 700 – 1.120 € |
| Classe média (casal) | 265 – 455 € | 2.420 – 5.885 € |
| Luxo | a partir de 490 € | a partir de 6.860 € |
Uma cama em hostel sai por 15–25 €; um hotel mid-range decente custa 80–150 € a noite; e um quarto com vista para a caldera de Santorini facilmente ultrapassa 300 €. A alimentação fica em torno de 30–50 € por dia se você combinar um almoço rápido (gyros pita por 3,50–5 €) com um jantar em taverna.
A regra de ouro é: seu orçamento não depende de como você viaja, mas de onde você vai. Mykonos e Santorini são 40 a 60% mais caras do que destinos com qualidade equivalente, como Naxos, Paros ou o interior do continente, onde muitas vezes você “paga” a espreguiçadeira pedindo um frappé. As ilhas mais baratas costumam ser as sem aeroporto e menos conhecidas, como Thassos. O timing também faz toda a diferença: em outubro, os preços de hospedagem caem cerca de 40% em relação a agosto.
Novas taxas e impostos em 2026: fique de olho
O governo grego vem respondendo às mudanças climáticas e ao turismo de massa com novas cobranças que podem elevar o custo final da viagem de forma inesperada.
Taxa Climática (Climate Crisis Resilience Fee) substituiu o antigo imposto municipal e é cobrada diretamente no hotel no momento do check-in, não online com antecedência. O valor depende da categoria da hospedagem e da temporada: apartamentos 1,50 € por noite, hotéis três estrelas 3 €, quatro estrelas 7 € e cinco estrelas 10 € por noite.
Imposto sobre cruzeiros (Cruise Tax) incide sobre passageiros de grandes navios de cruzeiro. Na alta temporada, o desembarque em Santorini ou Mykonos custa 20 € por pessoa; em outros portos, 5 €; na baixa temporada a tarifa é reduzida. E não esqueça o ingresso nas principais atrações: a Acrópole e o Palácio de Knossos custam 20 € cada, e ambos exigem reserva antecipada com horário marcado — o ingresso só é válido para o horário escolhido.
Segurança: terremotos, incêndios e mar

Quando você pesquisa “Grécia é segura”, surgem manchetes dramáticas. Não se deixe assustar — a Grécia está consistentemente entre os países mais seguros do mundo e a violência é raridade, especialmente nas ilhas. A natureza, porém, às vezes resolve dar seu recado.
Terremotos
A Grécia fica na zona sismicamente mais ativa da Europa e tremores acontecem com frequência. Na maioria das vezes são microtremores imperceptíveis. O exemplo clássico de pânico midiático desnecessário foi Santorini no início de 2025, quando os aparelhos registraram dezenas de milhares de abalos — mas não houve vítimas nem danos à infraestrutura. As normas de construção gregas estão entre as mais rígidas da Europa desde 1995, e os hotéis modernos suportam tremores fortes sem problemas. Cancelar viagem por isso não faz sentido.
Se um tremor te pegar dentro de um ambiente, siga a regra Drop, Cover, Hold on: agache-se embaixo de uma mesa resistente ou encoste-se a uma parede estrutural e não saia correndo, pois do lado de fora há risco de objetos caindo. Se estiver na praia e sentir abalos fortes, suba imediatamente para um terreno elevado, longe da costa.
Calor intenso e incêndios
O verão grego já não significa mais aqueles agradáveis 30 °C — as ondas de calor batem regularmente 42 °C. Ar-condicionado é padrão hoje em dia; hospedagem sem ele está fora de questão. Beba água antes de sentir sede, use chapéu e, seguindo o exemplo dos locais, descanse à sombra entre o meio-dia e as quatro da tarde.
Com o calor e a seca vem também a ameaça de incêndios florestais. Os gregos têm um sistema eficiente de alerta precoce: quando há perigo iminente, você recebe uma SMS sonora do número 112 em grego e inglês com instruções claras de evacuação. Em alertas vermelhos, não entre em florestas de pinheiros, nunca faça fogueira e, se avistar fumaça, ligue para 199 ou 112.
Perigos do mar
O Mar Egeu e o Jônico parecem uma piscina nas fotos, mas as aparências enganam. O perigo silencioso são as correntes de retorno (rip currents). Se você for pego por uma, não entre em pânico e não tente nadar de volta direto para a praia — nade paralelo à costa até sair da corrente. Fique também atento ao vento meltemi, que pode levar um paddleboard ou um flamingo inflável a quilômetros da praia. Nas praias rochosas, chinelos aquáticos protegem contra ouriços-do-mar.
Cuidado com golpes, especialmente em Atenas

Enquanto nas ilhas pequenas a criminalidade é quase zero, Atenas é uma grande metrópole com todos os riscos que isso implica — especialmente perto da Acrópole, onde é preciso redobrar a atenção.
- Táxis: pegar táxi na rua acenando é arriscado (taxímetro adulterado, rotas mais longas). Prefira os apps FREE NOW ou Uber, onde você vê o preço antes de confirmar.
- Ciladas em restaurantes: no bairro turístico de Plaka, abordadores atraem turistas para restaurantes sem cardápio com preços visíveis — e a conta para dois pode chegar a 400 €. Nunca sente em lugar sem menu com preços expostos e recuse “mimos” não solicitados.
- Bar scam: um “local simpático” ou uma moça te convida para tomar uma dose, some depois de alguns drinques e você fica com uma conta de centenas de euros, com segurança na porta. Não vá a bares escolhidos por desconhecidos.
- Batedores de carteira: o território favorito deles é a linha de metrô do aeroporto e as estações Monastiraki e Syntagma. Use a mochila na frente e guarde a carteira em bolso com zíper na parte da frente da calça.
Saúde, farmácias e seguro viagem
O cartão do SUS brasileiro não tem validade na Grécia — ao contrário de cidadãos da UE com o cartão EHIC, viajantes brasileiros não têm acesso gratuito ao sistema de saúde grego. Além disso, muitos hospitais públicos são subfinanciados e nas ilhas menores existe apenas uma unidade de saúde básica. Se você quebrar a perna em Naxos, precisará de um helicóptero para Atenas. Um seguro viagem particular com limite alto e, principalmente, cobertura de repatriação é absolutamente indispensável para a Grécia — custa pouco e pode te salvar de uma conta astronômica.
As farmácias gregas se identificam pela cruz verde e têm ótimo nível de atendimento — os farmacêuticos falam inglês e funcionam como médicos de primeiro atendimento, muitas vezes dispensando medicamentos que no Brasil só saem com receita. Malária e doenças tropicais não são risco aqui; o maior incômodo são os mosquitos, então compre o repelente no local, pois as marcas gregas funcionam melhor para as espécies locais.
Dicas práticas e números de emergência
Alguns detalhes finais para você não ser pego de surpresa. A água da torneira é potável em Atenas e no continente, mas nas ilhas costuma ser dessalinizada — prefira água mineral engarrafada para beber. As tomadas são do padrão europeu (tipo C e F, 230 V), então brasileiros precisam de um adaptador universal. A Grécia está no fuso UTC+3 no verão (6 horas à frente do horário de Brasília). Para internet, vale a pena levar um chip de dados internacional — opções como Holafly ou Yesim funcionam bem na Europa.
E o mais importante para fechar: salve no celular os números de emergência, que funcionam de graça mesmo sem crédito:
- 112: emergência geral europeia (operadores falam inglês)
- 100: polícia
- 166: SAMU / resgate (EKAB)
- 199: bombeiros
Onde se hospedar na Grécia
Seja nas ilhas ou no continente, vale comparar bem as opções e escolher hospedagem com ar-condicionado e boa avaliação em plataformas independentes, não só pelas fotos da agência de viagens.
💡 Dica de hospedagem: nossa preferência é o Booking.com, que costuma ter as melhores condições de cancelamento. Isso é especialmente útil nas ilhas, onde o meltemi pode cancelar sua balsa e uma reserva flexível te dá liberdade para mudar os planos sem perder dinheiro.
Lembre-se de incluir a taxa climática no seu orçamento total — em estadias mais longas, o valor acumulado é significativo.
Continue explorando a Grécia
Antes de embarcar, confira também nossos outros artigos sobre a Grécia:
- Para onde ir na Grécia: ilhas, continente e dicas
- Melhor época para visitar a Grécia: clima mês a mês
- Island hopping na Grécia: guia prático de balsas
- O que levar na mala para a Grécia
Perguntas frequentes
Quanto custa uma viagem para a Grécia?
Depende do seu estilo de viagem. Um mochileiro consegue se virar com 50 a 80 euros por dia, a classe média gasta em torno de 265 a 455 euros por pessoa ao dia, e o luxo começa a partir de 490 euros. Uma semana para um casal sai a partir de cerca de 2.400 euros. Mas o que mais influencia o preço é o destino: Mykonos e Santorini são de 40 a 60% mais caras que Naxos, Paros ou o continente.
Quanto dinheiro em espécie levar para a Grécia?
Embora seja comum pagar com cartão na Grécia, em tavernas familiares, feiras e quiosques você vai topar frequentemente com a máquina “fora de serviço”. Por isso, tenha sempre uma reserva de emergência de 100 a 200 euros em dinheiro vivo. Saque exclusivamente em caixas eletrônicos de bancos gregos (Alpha Bank, Piraeus, Eurobank), nunca nos terminais azul e amarelo da Euronet, que têm taxas de câmbio desfavoráveis.
Como se paga na Grécia?
A moeda é o euro, e você pode pagar tanto com cartão quanto em espécie. Cartão é aceito em supermercados, postos de gasolina, hotéis e restaurantes maiores, mas em tavernas pequenas e quiosques conte mais com dinheiro vivo. A gorjeta (5 a 10%) deixe em espécie na mesa. No caixa eletrônico e nas lojas, quando perguntarem sobre conversão, sempre escolha pagar em euros, ou seja, “sem conversão”.
A Grécia é segura em relação a terremotos e incêndios?
Sim, a Grécia está entre os países mais seguros do mundo. Os terremotos são geralmente fracos e os hotéis modernos aguentam tranquilamente graças às normas rigorosas de construção, danos graves são raros. Incêndios são um risco no verão, mas a Grécia tem um excelente sistema de alerta por SMS do número 112. Não faz sentido cancelar a viagem por causa desses riscos, basta conhecer as regras básicas de como reagir.
Com o que tomar cuidado na Grécia?
Nas ilhas, praticamente com nada, a criminalidade é mínima. Em Atenas, fique atento a batedores de carteira (principalmente no metrô do aeroporto), taxistas desonestos (prefira os apps FREE NOW ou Uber) e armadilhas gastronômicas no bairro turístico de Plaka, onde restaurantes sem preços expostos podem cobrar centenas de euros. Cuidado também com o calor intenso do verão, motos sem habilitação adequada e o vento meltemi perto da água.
Preciso de seguro viagem para a Grécia se tenho o EHIC?
Com certeza, sim. O cartão EHIC garante atendimento emergencial em hospitais públicos, mas eles costumam estar lotados e nas ilhas geralmente há apenas um posto básico. Em caso de acidente grave, você precisa ser transportado de helicóptero ou balsa para o continente. Um seguro comercial com cobertura alta para despesas médicas e principalmente com repatriação é essencial, custa algumas centenas de euros e pode te poupar de gastos de centenas de milhares.
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