Lembro daquele momento como se fosse ontem. Eu estava na margem do rio São Lourenço, ao nosso redor uma paisagem tão majestosa que esqueci de respirar. O sol se refletia na água, ao longe se desenhavam colinas cobertas de floresta e eu pensava — isso não pode ser a América do Norte. Isso é um pedaço da Europa, só mil vezes maior e mais selvagem. ☺️
A província de Quebec, Canadá, me encantou completamente. E não somos os únicos — a National Geographic incluiu Quebec entre os “Best of the World 2026”, ou seja, entre os melhores destinos do planeta. E sabe o que? Com toda razão. É um lugar onde se fala francês, onde se come poutine em vez de hambúrgueres, onde igrejas barrocas convivem com street art industrial e onde você pode, em um único dia, ir da cosmopolita Montreal à histórica Quebec City até os fiordes onde baleias emergem da água.
O Canadá sempre nos atraiu e Quebec foi o lugar onde me apaixonei de verdade por esse país. E preciso dizer que esse pedacinho do Canadá foi o que mais me surpreendeu. Esperávamos natureza — e recebemos natureza, cultura, gastronomia, história e uma boa dose de aventura. De repente estávamos sentados num cafezinho no Petit Champlain e parecia que estávamos em Lyon. Um dia depois, observávamos os dorsos de baleias-jubarte do convés de um barco em Tadoussac sem acreditar nos próprios olhos.
Neste artigo você encontra mais de 30 dicas do que ver, provar e vivenciar na província de Quebec. Da metrópole Montreal à encantadora Quebec City até a selvagem Gaspésie. Prepare-se para uma leitura longa — porque Quebec simplesmente merece muito mais do que alguns parágrafos. 😁

Resumo
- A maior província canadense — Quebec tem cerca de 3× o tamanho da França. E é lindo.
- Fala-se francês aqui — é o único idioma oficial. Em Montreal você se vira bem com inglês, no interior a coisa complica.
- Voos do Brasil para Montreal — companhias como Air Canada e LATAM operam voos (com conexão) saindo de São Paulo e Rio de Janeiro. Passagens de ida e volta a partir de R$ 3.500 em promoções.
- Você precisa de eTA — cidadãos brasileiros precisam de eTA (autorização eletrônica de viagem) por 7 CAD (cerca de R$ 28), feita online em minutos. Brasileiros não precisam de visto para estadias turísticas de até 6 meses.
- Quebec é cerca de 2× mais caro que o Brasil em termos relativos — conte com um orçamento diário a partir de R$ 600 por pessoa (econômico) até R$ 2.000+ (confortável).
- Imperdíveis: Montreal, Quebec City, Charlevoix, Tadoussac, Gaspésie, Laurentides.
- Para comer: poutine, smoked meat, bagels de Montreal, xarope de bordo, tourtière.
- Duração ideal da viagem: 10–14 dias para um roadtrip, mínimo de 7 dias para Montreal + Quebec City + arredores.
- Melhor época: verão (junho–setembro) e outono (setembro–outubro, Indian summer). O inverno é para corajosos, mas mágico.
Quando ir a Quebec, Canadá, e como se locomover pela província
Antes de entrarmos nas dicas específicas, vamos esclarecer algumas coisas básicas. Quebec é a maior província canadense — em área, tem cerca de 3× o tamanho da França, então com certeza não falta espaço para se perder. 😅 Fala-se exclusivamente francês aqui (é o único idioma oficial da província), o clima é extremo — os verões são surpreendentemente quentes e úmidos, e os invernos são gelados no nível ártico. E as distâncias? Essas sempre surpreendem no Canadá. De Montreal até Gaspésie são tranquilamente 10 horas de carro. Então planeje com calma.
Outro fato importante: os preços nas lojas e restaurantes são sempre mostrados SEM impostos. Soma-se o imposto federal e provincial, totalizando cerca de 15%. Ou seja, quando você vê um preço de 20 CAD, na verdade vai pagar 23 CAD. É preciso se acostumar com isso — no começo, nós sempre levávamos um susto no caixa. 😅
Melhor época para visitar Quebec
Verão (junho–setembro) é sem dúvida a época mais popular e confortável. As temperaturas ficam entre 20–30 °C, tudo está aberto, os festivais estão a todo vapor e os dias são deliciosamente longos. Desvantagem? Mosquitos. Especialmente nos parques naturais, eles devoram você vivo, então repelente é item obrigatório. E, claro, os preços de hospedagem sobem.
Outono (setembro–outubro) é provavelmente nossa época favorita. O Indian summer em Quebec é absolutamente mágico — toda a paisagem se veste de tons dourados, alaranjados e vermelhos. As Laurentides e Charlevoix nessa época parecem cenário de conto de fadas. Há menos turistas, temperaturas agradáveis de 10–18 °C e a natureza literalmente arde em cores.
Inverno (dezembro–março) é para os corajosos. As temperaturas caem normalmente a -20 °C ou menos, mas se você se equipar bem, terá uma experiência inesquecível. O Carnaval de Inverno em Quebec City é o maior festival de inverno do mundo e as ruelas nevadas do Vieux-Québec parecem cartão-postal de Natal. Esqui, cross-country, raquetes de neve — as opções esportivas são inúmeras.
Primavera (abril–maio) é a temporada das sugar shacks — o xarope de bordo é preparado e você pode visitar uma tradicional cabane à sucre. Mas, sinceramente, a primavera em Quebec costuma ser uma transição lamacenta e fria do inverno para o verão. Não é a melhor época para a primeira visita, embora tenha seu charme.
Como chegar do Brasil a Quebec
A forma mais prática de chegar é voando do Brasil até Montreal. A Air Canada opera voos diretos de São Paulo (GRU) para Montreal durante o verão canadense, com duração de cerca de 10–11 horas. Fora da temporada ou para economizar, você pode voar com conexão — via Toronto, Nova York, Miami ou cidades europeias como Lisboa e Paris. Passagens de ida e volta podem ser encontradas a partir de R$ 3.500 em boas promoções. Para encontrar os melhores preços, recomendamos usar o Google Flights ou o Skyscanner.
Quanto às formalidades de entrada — cidadãos brasileiros não precisam de visto para o Canadá para estadias turísticas de até 6 meses. Basta ter a autorização eletrônica de viagem eTA, que você solicita online em poucos minutos e custa apenas 7 CAD (cerca de R$ 28). Ela vale por 5 anos ou até o vencimento do passaporte. Solicite com pelo menos alguns dias de antecedência, embora a aprovação geralmente chegue em poucas horas.

Transporte pela província – carro, trem ou ônibus?
Vou ser bem sincera aqui: sem carro, é praticamente impossível explorar Quebec de verdade. Claro, se você quer ficar apenas em Montreal e Quebec City (onde o transporte público funciona muito bem), dá para se virar. Mas assim que quiser ver Charlevoix, Tadoussac, Gaspésie ou as Laurentides — você precisa de carro.
Nós temos uma boa experiência com o RentalCars, que usamos pelo mundo todo. Você retira o carro diretamente no aeroporto de Montreal e já ganha flexibilidade total. Os preços na alta temporada ficam em torno de 50–100 € por dia, dependendo da categoria. Recomendo reservar com bastante antecedência, porque no verão os carros se esgotam rápido.
Algumas observações importantes sobre dirigir: no inverno, pneus de inverno são obrigatórios (de 1º de dezembro a 15 de março), a gasolina é mais barata que na Europa, e as rodovias são pedagiadas apenas parcialmente. E cuidado com os alces nas estradas — especialmente em Gaspésie e no norte, é um perigo real, principalmente ao anoitecer e à noite. As placas com alce não são decoração, leve-as a sério.
Existe também o trem VIA Rail na rota Montreal–Quebec City (cerca de 3 horas, a partir de 30 €), que é confortável e razoavelmente pontual. Os ônibus (Orléans Express) cobrem as rotas principais, mas a frequência fora das cidades é fraca. Para realmente explorar Quebec, o carro é simplesmente insubstituível.
Onde se hospedar em Quebec e quanto custa uma viagem ao Canadá
Antes de mergulharmos nas dicas específicas, vamos ser sinceros: Quebec não é um destino barato. O Canadá em geral tem custo de vida elevado e Quebec não é exceção. O orçamento diário por pessoa gira em torno de: viajante econômico a partir de 120 € (hostels, cozinhando, menos atividades), orçamento médio 200–320 € (hotéis de categoria média, restaurantes, atividades), viagem confortável 400+ €.
Os tipos de hospedagem são variados — de hotéis clássicos e Airbnb a charmosas auberges (a versão quebequense das pousadas) e chalés nos parques provinciais SEPAQ. A SEPAQ (Société des établissements de plein air du Québec) é uma organização fantástica que administra os parques provinciais e oferece lindos chalés, campings e glamping em plena natureza. Reserve com bastante antecedência, especialmente no verão, pois os lugares esgotam rápido.
Hospedagem em Montreal
Em Montreal, recomendo hospedagem no centro, no Vieux-Montréal (lindo, mas mais caro, preços a partir de 160 €/noite para quarto duplo), ou no Plateau Mont-Royal (bairro descolado, um pouco mais barato, vida noturna agitada, cheio de cafés e restaurantes).
Se procura uma opção mais econômica, aposte em Airbnb ou hostel. O HI Montreal é um dos melhores hostels que já encontramos no Canadá.
Nossas dicas de hospedagem em Montreal:
- Hotel Bonaparte (Vieux-Montréal) — hotel boutique pertinho da basílica Notre-Dame, café da manhã incluído, nota 8.9/10. A partir de cerca de 145 €/noite.
- Auberge de La Fontaine (Plateau Mont-Royal) — pousada aconchegante ao lado do parque LaFontaine, equipe excelente, melhor custo-benefício do Plateau. A partir de cerca de 110 €/noite.
- Sonder Le Guerin (Mile End) — apartamentos estilo loft em antiga gráfica, com cozinha e lavanderia, ideal para estadias mais longas. A partir de cerca de 110 €/noite.
Hospedagem em Quebec City
Em Quebec City, o ideal é ficar no Vieux-Québec (Cidade Velha), mesmo que isso custe um pouco mais — conte com 140–200 € por noite. Mas a atmosfera é impagável. Se quiser se dar ao luxo, o lendário Fairmont Le Château Frontenac é um dos hotéis mais icônicos do mundo (mas os preços acompanham, a partir de 320 €/noite).
Uma alternativa mais acessível é se hospedar em Saint-Roch — bairro moderno pertinho do centro, cheio de restaurantes e cafés. Fica a uns 15 minutos a pé da Cidade Velha.
Nossas dicas de hospedagem em Quebec City:
- Hôtel du Vieux-Québec (dentro das muralhas) — 12 anos consecutivos como hotel mais bem avaliado da cidade no TripAdvisor, hotel boutique na Rue Saint-Jean, nota 9.3/10. A partir de cerca de 145 €/noite.
- Hôtel Manoir Victoria (dentro das muralhas) — hotel 4* com piscina e restaurante, mais espaçoso, nota 8.6/10. A partir de cerca de 125 €/noite.
- Comfort Inn Lévis (do outro lado do rio — dica econômica!) — balsa até o centro em 12 minutos com vista deslumbrante do panorama da cidade, café da manhã e estacionamento grátis. A partir de cerca de 85 €/noite. O dinheiro economizado você gasta nos restaurantes. 😉
Hospedagem fora das cidades – SEPAQ, auberges e motéis
Assim que você sair das grandes cidades, terá várias opções fantásticas. Os chalés SEPAQ nos parques provinciais são nossa paixão — casinhas de madeira no meio da natureza, equipamento básico, mas paz e tranquilidade garantidas. Os preços variam de 100 a 200 € por noite, dependendo da temporada e do parque.
Em Charlevoix e ao longo do São Lourenço, você encontra lindas auberges — pousadas quebequenses com charme singular, frequentemente com um excelente restaurante no próprio local. Em Gaspésie, a salvação são os motéis ao longo da Route 132 — não são cinco estrelas, mas são limpos, com preços acessíveis (a partir de 80 €/noite) e geralmente com vista deslumbrante para o mar.
Nossas dicas de hospedagem em Charlevoix e arredores:
- Auberge La Muse (Baie-Saint-Paul) — auberge intimista com 11 quartos e bistrô próprio, no centro da cidadezinha artística. A partir de cerca de 115 €/noite.
- Auberge des Falaises (La Malbaie) — quartos com lareira e vista para o rio São Lourenço, spa nórdico, nota 8.9/10. A partir de cerca de 110 €/noite.
- SEPAQ EXP Chalet (Parc des Grands-Jardins) — chalés design para dois com janelas panorâmicas e lareira, no meio da natureza selvagem. A partir de cerca de 110 €/noite + entrada do parque.
Montreal: 8 lugares e experiências imperdíveis
Montreal é a porta de entrada para Quebec para a maioria dos viajantes — e que porta! Essa cidade nos envolveu completamente com sua energia. É a segunda maior cidade francófona do mundo (atrás apenas de Paris) e ao mesmo tempo lindamente bilíngue — francês e inglês se entrelaçam em cada conversa. É uma cidade criativa, gastronomicamente rica, com street art incrível e uma atmosfera que é um pouco europeia, um pouco norte-americana e muito autêntica.

Passamos quatro dias em Montreal e ainda assim não conseguimos ver tudo. Recomendo no mínimo três dias inteiros, idealmente quatro. Agora vamos às dicas específicas.
1. Vieux-Montréal – o coração histórico da cidade

A Cidade Velha de Montreal é onde tudo começou. Ruelas de paralelepípedo, prédios de pedra dos séculos XVII ao XIX, carruagens puxadas por cavalos e vista para o porto — a gente se sente em Bordeaux, não na América do Norte. A Place Jacques-Cartier é a praça principal e ponto de partida para os passeios.
Caminhe ao longo do porto antigo (Vieux-Port), onde no verão você encontra carrosséis, artistas de rua e uma bela vista para o rio. Não perca o Pointe-à-Callière, fascinante museu de arqueologia e história, construído exatamente no local onde Montreal foi fundada. A entrada custa cerca de 25 CAD (aproximadamente 18 €).
2. Mont Royal – a melhor vista da cidade


A colina que deu nome a Montreal é parada obrigatória. Subimos a pé desde o Plateau (cerca de 30 minutos em trilha tranquila) e a vista do Belvédère Kondiaronk valeu cada gota de suor. Toda Montreal na palma da mão — em dias claros, dá para ver até as Laurentides.
O parque foi projetado por Frederick Law Olmsted — sim, o mesmo que criou o Central Park de Nova York. No inverno, patina-se no Beaver Lake; no verão, faz-se piquenique. E como estamos em Quebec, no topo há até uma lanchonete bem decente. A entrada no parque é gratuita.
3. Plateau Mont-Royal e Mile End – paraíso hipster

Este é provavelmente nosso bairro favorito em toda Montreal. Casinhas coloridas em fila com escadarias externas características, murais enormes em cada esquina, livrarias independentes, brechós e cafés onde o barista faz latte art como se fosse obra de arte.
Mile End é o epicentro da cena criativa de Montreal — e também lar das lendárias padarias de bagel St-Viateur e Fairmount (mais sobre isso na seção de gastronomia). Passeie pelo Boulevard Saint-Laurent e pela Rue Saint-Denis, visite a Drawn & Quarterly (livraria independente incrível) e à noite sente-se num dos bares locais. A atmosfera aqui é simplesmente indescritível.
4. Marché Jean-Talon – paraíso gastronômico a céu aberto

Esse mercado nos conquistou completamente. É um dos maiores mercados de produtores da América do Norte e da primavera ao outono você encontra de tudo — frutas frescas de fazendas quebequenses, queijos artesanais, xarope de bordo em todas as formas, cerveja local, ervas frescas e muitas degustações.
Mesmo que não compre nada (o que é quase impossível), a atmosfera vale a visita. Ao redor do mercado há ótimos restaurantes e cafés. A entrada é gratuita, claro. Recomendo ir pela manhã, quando é mais animado e os produtos estão mais frescos.
5. Biodôme e Jardin botanique

Se você gosta de natureza e ciência, aqui é seu paraíso. O Biodôme é único — originalmente o velódromo olímpico de 1976, transformado em cinco ecossistemas sob um mesmo teto. Você atravessa uma floresta tropical, olha pinguins nos olhos e se vê numa floresta canadense. A entrada custa cerca de 25 CAD (aproximadamente 18 €).
Bem ao lado fica o Jardin botanique — um dos maiores jardins botânicos do mundo, com incríveis jardins chinês e japonês. Em setembro e outubro acontece o festival Jardins de lumière, quando todo o jardim brilha com milhares de lanternas. É realmente mágico. O ingresso combinado Biodôme + jardim sai por cerca de 40 CAD (aproximadamente 30 €).
6. Basílica Notre-Dame de Montréal


Essa basílica nos deixou de queixo caído. Por fora parece uma típica igreja gótica, mas o interior? Absolutamente impressionante — teto azul salpicado de estrelas douradas, vitrais enormes contando a história de Montreal, entalhes em madeira detalhados. É outro mundo.
A entrada custa 9 CAD (cerca de 7 €) e, sinceramente, vale cada centavo. À noite acontecem os shows de luz AURA, que são uma experiência à parte (cerca de 30 CAD / 22 €). A basílica fica na Place d’Armes, então combina perfeitamente com um passeio pelo Vieux-Montréal.
7. Underground City (RÉSO)
Você sabia que Montreal tem uma cidade inteira subterrânea? O RÉSO é uma rede de corredores subterrâneos com mais de 33 km de extensão, conectando estações de metrô, shopping centers, hotéis, cinemas e até universidades. Surgiu por razões práticas — quando faz -25 °C lá fora no inverno, por que não andar por baixo da terra? 😅
Não é exatamente uma atração turística no sentido clássico — é mais um espaço utilitário — mas caminhar por ali é uma experiência fascinante. Você percebe o quão imensa e sofisticada é essa infraestrutura subterrânea. A entrada é gratuita, basta entrar em qualquer estação de metrô e ir andando.
8. Lachine Canal – de bicicleta à beira da água


Se você gosta de ciclismo (ou mesmo apenas de caminhar à beira da água), o Lachine Canal é uma ótima escolha. Essa antiga artéria industrial se transformou numa bela ciclovia e calçadão que leva do Vieux-Port ao oeste da cidade. Você pode alugar bicicleta pelo sistema BIXI (bicicletas compartilhadas da cidade) por poucos dólares.
Nós pedalamos o trajeto todo ida e volta (cerca de 28 km) e fomos parando em cafés, galerias e pequenos parques pelo caminho. No verão também dá para praticar stand-up paddle. É a atividade perfeita para uma tarde quando você quer fugir da agitação do centro.
Quebec City: 7 razões pelas quais é a cidade mais bonita do Canadá
Se me pedirem para escolher uma cidade no Canadá que mais me encantou, digo Quebec City. Sem hesitar. É a única cidade fortificada da América do Norte ao norte do México, sua Cidade Velha é Patrimônio Mundial da UNESCO e quando você passeia por suas ruelas, realmente tem a sensação de ter sido transportado para algum lugar da França. Mas com o bônus de que logo ali ao lado há um rio largo como o mar e, além dele, a natureza selvagem canadense.
Passamos três dias aqui e poderíamos ter ficado uma semana. A cidade é compacta, dá para percorrer a pé e cada cantinho esconde algo novo. E a atmosfera! Músicos de rua, aroma de croissants frescos, ladeiras e mirantes a cada passo.
1. Vieux-Québec e Château Frontenac


A Cidade Velha se divide em Haute-Ville (cidade alta) e Basse-Ville (cidade baixa) e ambas são absolutamente encantadoras. A grande estrela é, claro, o Fairmont Le Château Frontenac — aquele icônico hotel em estilo castelo que você vê em toda foto de Quebec City. Mesmo que não se hospede nele (os preços começam a partir de 320 €/noite), pelo menos passe pelo lobby.
O terraço Dufferin em frente ao hotel oferece uma vista deslumbrante do rio São Lourenço e da cidade baixa. Caminhe pelas muralhas (Fortifications of Québec), espreite a Cidadela e simplesmente se deixe levar pela sensação de ter viajado no tempo até o século XVII. Caminhar pelas muralhas é gratuito.
2. Quartier Petit Champlain – a ruela mais bonita do Canadá


Da cidade alta, você chega ao Petit Champlain pela escadaria Escalier Casse-Cou (literalmente “escada de quebrar o pescoço” 😅) ou pelo funicular. E lá embaixo espera o bairro mais encantador que você pode imaginar. Ruelas estreitas de paralelepípedo, casinhas de pedra, lojinhas independentes com arte local, cafezinhos com vista para o rio.
Diz-se que o Petit Champlain é o bairro comercial mais antigo da América do Norte. Hoje está cheio de pequenas galerias, butiques e restaurantes. É um lugar muito turístico, mas mesmo assim mantém um charme autêntico. Recomendo ir cedo pela manhã ou à noite, quando as multidões vão embora e você pode curtir a atmosfera com tranquilidade.
3. Montmorency Falls – cachoeira mais alta que as Cataratas do Niágara!

Eis um fato para impressionar qualquer um: as Montmorency Falls têm 83 metros de altura — 30 metros a mais que as famosas Cataratas do Niágara! E mesmo assim muita gente nem sabe que existem. Ficam a apenas 15 minutos de carro do centro de Quebec City e são absolutamente imponentes.
Você pode observá-las de baixo ou se aventurar pela ponte suspensa diretamente sobre a borda da cachoeira (se não tiver medo de altura). Há também um teleférico. No inverno, na base da cachoeira se forma um enorme cone de gelo pelo qual é possível até escalar. A entrada no parque custa cerca de 6,50 CAD (aproximadamente 5 €) pelo estacionamento; o acesso à cachoeira em si é gratuito. O teleférico custa mais uns 17 CAD (cerca de 12 €) ida e volta.
4. Île d’Orléans – paraíso do agroturismo pertinho

A apenas 30 minutos de Quebec City fica a Île d’Orléans — uma ilha que é como uma viagem no tempo. Seis vilas pitorescas, fazendas de morangos e maçãs, vinícolas, queijarias e cidrerias. É o paraíso para quem ama alimentos locais e viagens no ritmo lento.
Passamos uma tarde maravilhosa aqui — demos a volta na ilha (cerca de 67 km), parando em bancas de produtores, degustando sorvete artesanal e comprando morangos frescos direto do agricultor. No outono, vem-se aqui para colher maçãs e abóboras por conta própria. Se você ama xarope de bordo, a ilha tem várias cabanes à sucre. A entrada na ilha é gratuita — você paga apenas pelas degustações e compras.
5. Plains of Abraham – parque com história


O Plains of Abraham (Plaines d’Abraham) é um enorme parque urbano onde, em 1759, aconteceu a batalha decisiva entre britânicos e franceses que definiu o destino do Canadá. Hoje é um lugar lindo para fazer piquenique, caminhar ou simplesmente deitar na grama e admirar o rio.
No verão acontecem festivais e shows ao ar livre; no inverno, cross-country e raquetes de neve. O Museu Plains of Abraham é interessante para quem quer mergulhar na história — entrada cerca de 18 CAD (aproximadamente 13 €). Mas só caminhar pelo parque já é uma experiência.
6. Carnaval de Inverno – o maior festival de inverno do mundo

Se tiver coragem de visitar Quebec City no inverno (janeiro–fevereiro), espere pelo Carnaval de Québec — o maior festival de inverno do mundo. Competições de escultura em gelo e neve, desfiles noturnos, palácio de gelo, corridas de canoa no rio congelado e o mascote Bonhomme — um enorme boneco de neve que é uma verdadeira celebridade em Quebec.
Nós viemos no verão, mas todo mundo nos disse que o inverno em Quebec City é absolutamente mágico. A cidade coberta de neve, temperaturas ao redor de -20 °C, mas uma atmosfera tão calorosa que quase não se sente o frio. A entrada na maioria das atividades do carnaval está incluída no preço do effigy (crachá), que custa cerca de 20 CAD (aproximadamente 15 €).
7. Ferry para Lévis – o passeio de barco mais barato
Esta dica é daquelas de “segredo local”. Por apenas 4 CAD (cerca de 3 €), você pega a balsa que cruza o rio São Lourenço até a cidadezinha de Lévis — e durante a travessia tem absolutamente a melhor vista de Quebec City e do Château Frontenac. Não existe panorama melhor.
A balsa funciona regularmente durante todo o dia e toda a noite, e a travessia leva cerca de 12 minutos. Em Lévis, você pode passear pelo calçadão, tomar um café com vista e voltar. É uma dica perfeita para o final da tarde, quando o sol ilumina a Cidade Velha com raios dourados. Nós dizemos que é provavelmente o melhor custo-benefício de vista do Canadá inteiro. 😁
Charlevoix: 4 dicas para a região onde montanhas encontram o rio
Charlevoix é um lugar que nos encantou de verdade. Essa região, a cerca de uma hora e meia ao nordeste de Quebec City, é uma Reserva da Biosfera da UNESCO e a paisagem é tão dramática que eu não conseguia desgrudar os olhos da janela do carro. Montanhas que mergulham direto no rio São Lourenço, vilas pitorescas, galerias de arte, restaurantes excelentes. E a Route 362, que corta essa região, é considerada uma das mais belas scenic drives de toda a América do Norte.
1. Baie-Saint-Paul – cidadezinha artística no vale

Baie-Saint-Paul é provavelmente a cidadezinha mais encantadora de todo Charlevoix. Fica num vale cercado por montanhas e desde o século XIX atrai artistas que vinham pintar a paisagem. Hoje você encontra dezenas de galerias, ateliês, cafés e lojinhas com produção local.
A rua principal, Rue Saint-Jean-Baptiste, parece cenário de filme — casinhas coloridas, flores nas janelas, cheiro de pão fresco. Não esqueça de provar os queijos locais e a cerveja da microcervejaria Charlevoix. E se tiver tempo, vá até o rio — a vista de volta para a cidadezinha encaixada entre as montanhas é algo que você vai guardar na memória.
2. Parc national des Grands-Jardins

Este parque provincial administrado pela SEPAQ é um paraíso para trilhas. A paisagem lembra a taiga — floresta boreal, turfeiras, picos rochosos e, com um pouco de sorte, um rebanho de caribus. Sim, caribus! É um dos poucos lugares no sul de Quebec onde ainda é possível avistá-los.
Recomendamos a trilha do Mont du Lac des Cygnes (cerca de 8,4 km ida e volta, dificuldade média), com vista fantástica de todo Charlevoix. A entrada no parque custa cerca de 9 CAD (aproximadamente 7 €) por pessoa. Se quiser pernoitar, a SEPAQ oferece chalés e campings, mas reserve com antecedência.
3. La Malbaie e Fairmont Le Manoir Richelieu

La Malbaie é outra cidadezinha encantadora de Charlevoix, conhecida principalmente pelo monumental hotel Fairmont Le Manoir Richelieu, que reina no topo de um penhasco sobre o rio. Mesmo que não se hospede lá (os preços começam a partir de 200 €/noite), vale a pena pelo menos passear pelos jardins e pelo terraço com vista.
Nos arredores de La Malbaie você encontra cassino, campo de golfe e um porto de onde saem barcos de excursão para o fiorde de Saguenay. La Malbaie também é uma ótima base para passeios a Tadoussac.
4. Le Massif de Charlevoix – esqui com vista para o rio

No inverno, o Le Massif é uma das estações de esqui mais únicas da América do Norte — você literalmente desce em direção ao rio São Lourenço. O desnível de 770 metros é o maior do leste canadense e a vista durante a descida é absolutamente surreal.
No verão, o Le Massif se transforma em um centro de experiências com mountain bike, tobogã de montanha e trilhas. O passe de esqui no inverno custa cerca de 100 CAD (aproximadamente 70 €) por dia.
Tadoussac e Côte-Nord: 3 dicas para ver baleias
Tadoussac. Só esse nome já me dá arrepios. É o ponto onde o rio Saguenay deságua no rio São Lourenço, e graças a correntes e temperaturas específicas da água, uma quantidade inacreditável de plâncton se concentra aqui. E onde há plâncton, há baleias. Tadoussac é um dos melhores lugares do mundo inteiro para observação de baleias — e digo isso sem nenhum exagero. Vivem aqui 13 espécies diferentes de cetáceos, incluindo baleias-jubarte, baleias-fin, belugas e ocasionalmente a baleia-azul — o maior animal que já existiu na Terra.
A temporada de observação de baleias vai aproximadamente de maio a outubro, com pico em agosto e setembro. Estivemos aqui no final de agosto e a experiência foi absolutamente inesquecível.
1. Whale-watching em Tadoussac

Você tem várias opções para observar baleias. A mais popular é o barco de excursão — grande, estável, com guia que explica tudo o que você está vendo. O preço gira em torno de 80–100 CAD (cerca de 55–70 €) por pessoa para um passeio de 2-3 horas. A segunda opção é o zodiac — bote inflável que te leva mais perto da água (e das baleias), mas é mais radical e mais frio. O preço é similar, mas a experiência é mais intensa.
Nós escolhemos o zodiac e não nos arrependemos. Quando o dorso de uma baleia-jubarte emerge a um metro de você e você ouve aquele sopro poderoso — esse é um momento que nunca mais vai esquecer. Recomendo demais. Só leve roupas quentes, mesmo no verão faz frio na água.
E se não quiser ir de barco? Da costa de Tadoussac é possível observar baleias da terra firme — especialmente do Pointe de l’Islet, de onde as belugas são avistadas com certa regularidade. De graça e também lindo.
2. Fjord du Saguenay

O Fjord du Saguenay é um dos fiordes mais ao sul do mundo e suas paredes dramáticas de até 350 metros de altura criam um cenário de tirar o fôlego. Você pode explorá-lo de caiaque (experiência incrível, a partir de cerca de 70 CAD / 50 €), de barco de excursão, ou a pé pelas trilhas do Parc national du Fjord-du-Saguenay.
Recomendamos a trilha até a Statue de Notre-Dame-du-Saguenay, de onde se tem uma vista panorâmica do fiorde que faz a cabeça girar. A entrada no parque custa os habituais 9 CAD (cerca de 7 €) pela SEPAQ.
3. Bergeronnes e Les Escoumins – menos turistas, mesmas baleias
Se quiser fugir das multidões de Tadoussac (na alta temporada pode ficar bem cheio), siga uns 20–30 km mais ao nordeste até as vilas de Bergeronnes ou Les Escoumins. As baleias estão igualmente perto, mas com bem menos turistas.
Em Bergeronnes fica o fantástico Centre d’interprétation et d’observation de Cap-de-Bon-Désir — um mirante sobre as rochas de onde as baleias frequentemente aparecem a poucas dezenas de metros da costa. A entrada custa apenas cerca de 8 CAD (aproximadamente 6 €) e passamos uma tarde inteira ali com binóculos, completamente fascinados. Em Les Escoumins também é possível fazer um incrível mergulho nas águas geladas do São Lourenço.
Gaspésie: 4 dicas para a península que tira o fôlego
Gaspésie é provavelmente a parte mais selvagem de Quebec que visitamos — e também a que exige mais tempo e planejamento. Essa península no leste da província é famosa pela Route 132, estrada que contorna toda a costa, classificada pela National Geographic entre os 50 destinos que você precisa ver na vida. E não é à toa. Falésias dramáticas mergulhando no mar, vilas de pescadores, horizontes infinitos e a sensação de estar no fim do mundo.
Para Gaspésie você definitivamente precisa de carro e tempo — no mínimo 3-4 dias, idealmente uma semana. Nós fizemos o circuito e foi provavelmente o roadtrip mais bonito das nossas vidas. Reservamos o carro pelo RentalCars ainda de casa e nesse caso foi absolutamente essencial — sem carro simplesmente não se chega aqui (o transporte público é mínimo). E atenção — cuidado com os alces nas estradas, especialmente ao anoitecer e à noite. Não são exceções, nós mesmos encontramos dois.
1. Percé Rock e Île Bonaventure

O Rocher Percé — uma enorme rocha calcária com um arco natural — é provavelmente a formação natural mais icônica de todo Quebec. Ergue-se do mar em frente à cidadezinha de Percé e é absolutamente hipnotizante. Na maré baixa, é possível caminhar até ela (mas com cuidado e de olho no horário da maré!).
Logo ao lado fica a Île Bonaventure, ilha que abriga uma das maiores colônias de alcatrazes do mundo — cerca de 110.000 pássaros! O barco até a ilha custa cerca de 40 CAD (aproximadamente 30 €) ida e volta, e a caminhada pela ilha até a colônia de aves é inesquecível. O som, o cheiro, o espetáculo — é tão intenso que não dá para descrever com palavras. 😁
2. Parc national de la Gaspésie

No coração da península se ergue a cadeia montanhosa Chic-Chocs e dentro dela fica o belíssimo Parc national de la Gaspésie. É um dos poucos lugares em Quebec onde caribus, alces e veados coexistem. A trilha principal leva ao Mont Jacques-Cartier (1.268 m) — o pico acessível mais alto do sul de Quebec.
A subida tem dificuldade média (cerca de 8 km ida e volta), mas as vistas da tundra alpina no cume valem cada passo. A SEPAQ opera chalés e campings aqui. A entrada no parque custa os habituais 9 CAD (cerca de 7 €).
3. Forillon National Park

Na ponta extrema de Gaspésie, onde a terra termina e o oceano começa, fica o Forillon — parque nacional administrado pela Parks Canada. Falésias, florestas, praias e uma tranquilidade incrível. A trilha até o Cap-Bon-Ami é uma das mais bonitas de todo Quebec — você fica no topo de uma falésia sobre o mar e lá embaixo nadam focas.
A entrada no parque custa 8,50 CAD (cerca de 6 €) por pessoa/dia. É possível acampar dentro do parque. É um lugar onde você se sente realmente longe da civilização — e é exatamente por isso que é tão bonito.
4. Route 132 roadtrip – a jornada é o destino
O circuito completo da Route 132 ao redor de Gaspésie tem cerca de 885 km e é um roadtrip que você vai lembrar pelo resto da vida. A estrada segue pela costa, passando por vilas de pescadores como Sainte-Anne-des-Monts, Grande-Vallée ou Chandler. Pare onde sentir vontade — em faróis, em defumadores com peixes frescos, em mirantes onde o rio São Lourenço se torna oceano.
Reservamos cinco dias para esse circuito e foi perfeito — tempo suficiente para aproveitar as paradas, mas sem cansar. Abasteça sempre que puder — os postos de gasolina são mais esparsos do que você imagina. E aproveite o silêncio. É um lugar onde o Canadá se mostra na sua forma mais crua.
Laurentides: 3 dicas para as montanhas pertinho de Montreal
As Laurentides são o playground de Montreal — uma cadeia de montanhas repleta de lagos, florestas e charmosos centros de montanha, para onde os montrealenses fogem da cidade nos finais de semana. De Montreal são cerca de uma hora de carro para o norte e a paisagem muda drasticamente — em vez de arranha-céus, de repente surgem colinas, florestas de mirtilo e lagos cristalinos.
No verão, vem-se para trilhas, mountain bike, canoa e stand-up paddle; no outono, para o Indian summer (as cores das folhas são absolutamente insanas); no inverno, para esqui e cross-country. É o complemento ideal para uma estadia em Montreal — bastam um ou dois dias e você tem uma experiência completamente diferente.
1. Parc national du Mont-Tremblant

O maior e mais antigo parque provincial de Quebec (fundado em 1895) é a joia absoluta das Laurentides. Em área, é imenso e oferece centenas de quilômetros de trilhas, dezenas de lagos e uma natureza selvagem incrível.
Recomendamos a trilha do sommet de la Roche ou a boucle de la Chute-aux-Rats — ambas com belas vistas e sem serem excessivamente difíceis. No parque é possível acampar ou alugar chalé SEPAQ. Entrada 9 CAD (cerca de 7 €). E se tiver sorte, vai ouvir lobos uivando. Nós tivemos e é uma experiência para a vida toda. ☺️
2. Village Mont-Tremblant – vila alpina no Canadá

Ao pé da estação de esqui de mesmo nome fica a Village Mont-Tremblant — uma vilazinha colorida construída em estilo alpino, repleta de restaurantes, lojas, galerias e cafés, exclusiva para pedestres. No inverno é um paraíso para esquiadores (um dos melhores resorts do leste canadense), no verão é centro de atividades ao ar livre.
Sinceramente — é um pouco “artificialmente turístico” (a vila inteira é basicamente um resort), mas ainda assim tem seu charme. Crianças adoram, os preços nos restaurantes são mais altos, mas dá para passar uma tarde muito agradável. O teleférico até o topo do Mont-Tremblant custa cerca de 30 CAD (aproximadamente 22 €) e a vista vale muito a pena.
3. P’tit Train du Nord – 234 km de bicicleta na antiga ferrovia

Esse é o sonho de todo ciclista. A P’tit Train du Nord é uma ciclovia que segue o traçado de uma antiga ferrovia desativada, com incríveis 234 km de extensão — de Saint-Jérôme até Mont-Laurier. O caminho passa por florestas, contorna lagos, atravessa pontes e antigas estações ferroviárias transformadas em cafés e áreas de descanso.
Não é preciso percorrer o trajeto inteiro — dá para fazer apenas um trecho e voltar. Bicicletas podem ser alugadas em diversos pontos ao longo da ciclovia. O piso é de cascalho, ideal para bikes de trekking ou gravel. No outono, quando as folhas mudam de cor, esta é provavelmente uma das ciclovias mais bonitas do mundo. E a entrada na ciclovia? Gratuita.
O que comer e beber em Quebec: 7 especialidades quebequenses imperdíveis
A culinária quebequense foi algo para o qual não estávamos nem um pouco preparados. Esperávamos América do Norte — hambúrgueres e steaks. Em vez disso, encontramos um fascinante mix de gastronomia francesa e comfort food norte-americano que nos conquistou completamente. Montreal é considerada a capital gastronômica do Canadá, e com razão — a cena de restaurantes é de nível mundial.
Mas Quebec não é só fine dining. Muitas das melhores comidas são servidas na rua, nos mercados ou em pequenos restaurantes familiares que parecem de outra era. Aqui vão nossas dicas dos melhores pratos.
1. Poutine – o prato nacional de Quebec

Se provar apenas uma coisa em Quebec, que seja a poutine. Batatas fritas, pedaços de queijo coalho (cheese curds) e molho escuro (gravy). Parece simples, não é nada bonito de ver, mas o sabor — aqui preciso ser poética — é como um abraço no estômago. 😁 Existem dezenas de variações — com carne desfiada, com foie gras, com smoked meat.
A poutine clássica custa a partir de 8 CAD (cerca de 6 €) em fast-food, versões gourmet em restaurantes saem por 18–25 CAD (13–18 €). O La Banquise em Montreal é um lugar lendário, aberto 24h, com dezenas de tipos. Mas espere fila. ☺️
2. Montreal smoked meat – a lendária carne defumada

O Schwartz’s Deli existe desde 1928 e serve o que talvez seja o sanduíche mais famoso de todo o Canadá — smoked meat no pão de centeio com mostarda. A carne é salgada, temperada e defumada por semanas, e o resultado é absolutamente fantástico. A porção custa cerca de 12–15 CAD (9–11 €).
A fila na frente do Schwartz’s costuma ser longa (esperamos uns 30 minutos), mas anda rápido. Alternativa? O Main Deli, algumas portas adiante, é quase tão bom e sem fila. Mas a experiência de esperar na fila do Schwartz’s faz parte do ritual montrealense.
3. Bagel de Montreal – melhor que o de Nova York?

Esta é uma afirmação ousada, mas o bagel de Montreal é melhor que o de Nova York. Pronto, falei. É menor, mais doce (é mergulhado em água com mel), mais denso e assado em forno a lenha. E em Montreal existe uma rivalidade eterna entre duas padarias: St-Viateur Bagel e Fairmount Bagel. Ambas funcionam 24h, ambas são lendárias.
Nós experimentamos honestamente as duas — e sinceramente, ambas são excelentes. A St-Viateur tem talvez um bagel de gergelim um pouquinho melhor, a Fairmount ganha no de papoula. Um bagel custa cerca de 1 CAD por unidade (menos de 1 €). Compre uma dúzia, não vai se arrepender. Desaparecem antes de você perceber.
4. Tourtière – a torta de carne quebequense
A tourtière é uma tradicional torta de carne quebequense — massa crocante recheada com carne moída (porco, vitela ou caça), temperada com canela e cravo. É um clássico comfort food de inverno que as famílias preparam no Natal. Nos restaurantes, encontra-se o ano todo, por cerca de 15–20 CAD (11–15 €) a porção.
A tourtière mais autêntica que comemos foi num pequeno restaurante familiar na Île d’Orléans — a avó preparava seguindo receita de gerações passadas e estava absolutamente divina.
5. Xarope de bordo e cabane à sucre

Quebec produz cerca de 70% da produção mundial de xarope de bordo — e aqui isso não é apenas um ingrediente, é um estilo de vida. Na primavera (março–abril) abrem-se as cabanes à sucre (sugar shacks) — casas tradicionais do xarope onde se prepara o produto e servem-se enormes cafés da manhã: panquecas banhadas em xarope, bacon, feijão, ovos, presunto. Tudo regado a vinho de bordo.
Uma das mais tradicionais é a Érablière au Sous-Bois perto de Quebec City. A refeição por pessoa custa cerca de 30–40 CAD (22–30 €) e você come tanto que não consegue levantar. E não esqueça da tire sur la neige — xarope de bordo quente derramado sobre a neve, que endurece formando um caramelo mastigável. Crianças (e adultos) adoram. ☺️
6. Queijos quebequenses e microcervejarias
Quebec tem uma tradição queijeira surpreendentemente rica — e alguns queijos daqui fariam bonito até na França. Experimente o Oka (queijo semiduro de um mosteiro trapista), o Le Migneron de Charlevoix ou o Pied-De-Vent das Îles de la Madeleine. Os queijos são encontrados nos mercados, em fromageries especializadas e em fazendas por toda a província.
E as microcervejarias? Quebec está vivendo uma revolução das cervejas artesanais. Unibroue, Dieu du Ciel! (Montreal), Le Trou du diable (Shawinigan) — são apenas algumas das melhores. Um copo de cerveja artesanal no bar sai por cerca de 8–10 CAD (6–7 €).
7. BeaverTails e outras doces tentações
Os BeaverTails (Queues de castor) são massas fritas e achatadas em formato de rabo de castor, polvilhadas com canela e açúcar, ou cobertas com Nutella e frutas. É um clássico street food canadense e em Quebec City você encontra em cada esquina. Custam cerca de 7–9 CAD (5–7 €) e são irresistíveis.
Vale mencionar também o pouding chômeur — uma sobremesa quebequense da época da Grande Depressão, em que massa de bolo é assada em xarope de bordo. Parece simples, mas o sabor é celestial.
Dicas práticas para sua viagem a Quebec
Quebec funciona de formas diferentes do resto da América do Norte em muitos aspectos — e com certeza de forma diferente do Brasil. Aqui vão algumas dicas práticas que vão economizar nervos e dinheiro.
Idioma – dá para se virar com inglês?
O francês é o único idioma oficial da província de Quebec. Em Montreal, a situação é bilíngue — a maioria das pessoas fala fluentemente inglês e francês e alterna sem problemas. Em Quebec City, o inglês também é comum nas áreas turísticas. Mas assim que você se aventurar pelo interior — Gaspésie, Charlevoix ou cidades menores — prepare-se: o inglês não será garantido.
Para brasileiros, a boa notícia é que o francês quebequense, apesar do sotaque diferente, mantém raízes latinas que facilitam a compreensão de muitas palavras. Mesmo um “bonjour”, “merci” e “parlez-vous anglais?” já abrem portas. Os quebequenses apreciam qualquer esforço para falar francês. E o Google Tradutor salva o resto. 😉
Moeda, pagamentos e gorjeta
Paga-se em dólares canadenses (CAD), e cartão é aceito praticamente em todo lugar (até em bancas de feira). Aviso importante: os preços nas lojas e restaurantes são sempre mostrados SEM impostos! Soma-se o imposto federal TPS (5%) e o provincial TVQ (9,975%), totalizando cerca de 15%. Ou seja, quando vê 50 CAD na etiqueta, na verdade vai pagar cerca de 57,50 CAD.
Gorjeta é obrigatória no Canadá (regra não escrita) — em restaurantes, de 15–20% sobre o valor antes dos impostos. Os garçons têm salário-base baixo e dependem das gorjetas. Não dar gorjeta é considerado muito indelicado.
Segurança e saúde
Quebec é em geral um destino muito seguro. A criminalidade violenta é baixa, mas na natureza existem alguns riscos. Ursos (ursos-negros) habitam áreas florestais — siga as regras de armazenamento de alimentos nos campings. Mosquitos e carrapatos são ativos no verão, especialmente nas florestas. Repelente e checagem de carrapatos são essenciais.
Seguro-viagem é absolutamente indispensável! A assistência médica no Canadá é extremamente cara para estrangeiros — uma visita à emergência pode custar milhares de dólares, uma internação dezenas de milhares. Não subestime isso e contrate um bom seguro-viagem antes de embarcar.
Internet e chip de celular
WiFi está disponível normalmente em cafés, hotéis e espaços públicos. Dados móveis, porém, são notoriamente caros no Canadá — um chip local com dados sai por 40–60 CAD (30–45 €) por mês.
Dica: adquira um eSIM pelo Airalo ou pela Holafly antes de embarcar. É bem mais barato que um chip local, você ativa online e tem dados assim que pousar. Nós usamos e funciona muito bem.
Quantos dias dedicar a Quebec
- 7 dias: Montreal (2-3 dias) + Quebec City (2-3 dias) + um passeio (Montmorency Falls, Île d’Orléans, Laurentides). Suficiente para uma degustação.
- 10–14 dias: Ideal para um roadtrip Montreal – Quebec City – Charlevoix – Tadoussac + Gaspésie ou Laurentides. Este é o formato que recomendamos.
- 3 semanas: Luxo — dá para ver tudo incluindo Gaspésie, Laurentides e dias tranquilos em um só lugar. Se tiver tempo, não hesite.
Perguntas frequentes sobre Quebec, Canadá – FAQ
Aqui respondemos às perguntas mais frequentes que recebemos sobre viajar para Quebec.
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