O Hotel Condor parecia ser o único oásis de civilização em quilômetros à volta. Oravița se revelou uma cidade onde não há nada. (Lição para o futuro: apontar para um mapa e dizer "podemos dormir aqui porque fica no meio do caminho" não é exatamente o jeito ideal de planejar uma viagem pela Romênia.)
Não consigo parar de sorrir. Pegamos essa doença logo quando chegamos. Os cantos da boca subiram e ficaram lá, como se fosse sua posição natural. Aqui todos sorriem — bem-vindos a St. John's, em Newfoundland, no Canadá, a terra das pessoas mais gentis do planeta.
O vendedor de pimentões acena para mim. "O que você está fazendo?" "O senhor quer tirar uma foto com o pimentão." Um homem de quarenta anos posa orgulhoso com sua colheita e sorri para nós enquanto percorremos o mercado de frutas e verduras de Targu Jiu, uma cidade suja que viveu seus dias de glória há muito tempo — ou talvez nunca.
Foi na estrada entre Pitesti e Targu Jiu que percebi pela primeira vez. Passávamos por vilarejos que eram, na verdade, casinhas enfileiradas ao longo da rodovia principal — sem centro, sem praça, sem nada que visualmente definisse um vilarejo. Estranhamos a ausência de ruas laterais: todo mundo morava na via principal. Mas logo entendemos o porquê.
Saímos do aeroporto de Bucareste em direção a Târgu Jiu. Engarrafamento, estrada sem nada ao redor — paredes descascadas, letreiros desbotados, campos secos e amarelados. Nada. E então a Romênia começou a nos mostrar sua face mais crua e inesquecível.