Uganda: Dicas Práticas para Sua Viagem

Viajar por conta própria para Uganda não é tarefa simples. Na internet, as informações são escassas, muitas vezes desatualizadas ou simplesmente não condizem com a realidade local. Nós passamos 14 dias acampando em Uganda e percorremos o país inteiro com um carro alugado. Reunimos aqui um guia completo com as melhores dicas de viagem para Uganda, para que você aproveite ao máximo essa aventura africana.

Por que visitar Uganda?

Sem dúvida, pela natureza! Com 10 parques nacionais e quase 50 áreas de proteção ambiental, Uganda oferece uma enorme variedade de atividades de aventura que vão deixar memórias inesquecíveis da África.

Rastreamento de gorilas-das-montanhas

A maior atração de Uganda é o rastreamento de gorilas-das-montanhas, o segundo maior primata do mundo. Trata-se de uma espécie criticamente ameaçada, que hoje sobrevive apenas em uma pequena área do Parque Nacional de Bwindi, na fronteira entre Uganda, Ruanda e a República Democrática do Congo. Em 2018, havia cerca de 1.000 indivíduos vivos — uma ótima notícia, já que em 2016 eram aproximadamente 800 gorilas.

Rastreamento de gorilas-das-montanhas é uma experiência para a vida toda
Gorila-das-montanhas olhando direto para a câmera

Os gorilas estão sendo protegidos com eficácia, inclusive graças às taxas de entrada cobradas pelo rastreamento. Apenas 152 pessoas por dia são autorizadas a entrar na floresta para rastrear uma das 19 famílias habituadas (acostumadas à presença humana). O rastreamento custa 600 USD, e em 2020 o valor subiu para 700 USD. Ainda assim, é um preço bom — do lado de Ruanda, a mesma experiência sai por 1.500 USD. O Parque Nacional de Bwindi já não oferece descontos na baixa temporada.

O vizinho Parque Nacional Mgahinga também oferece o rastreamento de uma família de gorilas, com capacidade para apenas oito pessoas.

Observação de chimpanzés

Os parques nacionais de Uganda também oferecem outra experiência única: a observação de chimpanzés na natureza. Os chimpanzés compartilham 99% do DNA com os humanos. Embora não sejam uma espécie ameaçada, as oportunidades de observá-los fora do cativeiro são muito raras no mundo.

Em Uganda, você pode ver chimpanzés nos parques nacionais de Kibale, Budongo Forest e Queen Elizabeth. Eles também estão presentes no Ngamba Island Chimpanzee Sanctuary e na Kalinzu Forest Reserve.

Observação de rinocerontes

O rinoceronte-branco-do-norte e o rinoceronte-negro-do-leste são espécies criticamente ameaçadas que foram completamente exterminadas em Uganda durante a década de 1980, embora o país seja seu habitat natural.

Por isso, surgiu o projeto privado Ziwa Rhino Sanctuary, cujo objetivo é reintroduzir os rinocerontes na natureza ugandense. É, portanto, o único lugar em Uganda onde se pode vê-los. Atualmente, mais de 22 rinocerontes vivem ali, e os turistas podem rastreá-los e observá-los de perto. O rastreamento é feito a pé, e você chega realmente bem pertinho deles.

Dois rinocerontes pastando na grama fresca do Ziwa Rhino Sanctuary em Uganda
Dois rinocerontes se alimentando no Ziwa Rhino Sanctuary

Safári

Uganda é famosa especialmente por seus parques nacionais repletos de animais típicos da África. Aqui você encontra leões, elefantes, girafas, antílopes, búfalos, zebras, hipopótamos, crocodilos, abutres, javalis-africanos e muitos outros animais exóticos.

Uma verdadeira raridade são os leões arborícolas (que sobem em árvores), encontrados em apenas dois lugares no mundo: Uganda (Queen Elizabeth National Park) e Tanzânia.

Você pode fazer safári tanto com uma agência de turismo quanto por conta própria com carro alugado (em alguns parques, um guia ugandense entra no seu carro). Confira a lista de parques nacionais onde é possível fazer safári:

Elefante africano no Murchison Falls National Park, ao contrário do elefante asiático é muito perigoso
Elefante africano no Murchison Falls National Park

Montanhas africanas

Pode parecer improvável, mas Uganda também tem suas próprias montanhas. E que montanhas! O Margherita Peak, com seus 5.109 metros, é o terceiro pico mais alto da África. Antigamente chamadas de Montanhas da Lua, hoje conhecidas como Cordilheira Rwenzori, oferecem diversas trilhas — desde caminhadas de um dia até expedições de uma semana até o cume.

Se você optar por uma trilha mais longa, vai passar do clima tropical até a zona onde a neve permanece o ano inteiro, podendo até chegar a glaciares. Nós fizemos uma trilha de dois dias até o coração das Montanhas da Lua, e foi uma experiência de outro planeta.

Montanhas Rwenzori, as Montanhas da Lua com neve e glaciares em Uganda
Vista das montanhas ugandenses

Informações práticas e dicas para planejar sua viagem a Uganda

Quando ir para Uganda?

Depende do que você prefere. As temperaturas em Uganda são praticamente as mesmas durante o ano inteiro, mas chuvas fortes podem atrapalhar seus planos se você viajar na estação chuvosa. A recomendação geral é visitar Uganda fora da estação chuvosa, ou seja, de dezembro a fevereiro e de junho a agosto.

Gráfico de temperatura em Uganda, durante o ano todo fica em torno de 20 graus
A temperatura em Uganda é praticamente a mesma o ano inteiro

Nós fomos para Uganda em novembro, ou seja, bem no auge da estação chuvosa. Isso não nos atrapalhou em nada, porque chovia a cada três dias e no máximo por uma hora. O risco real da estação chuvosa está mais na dificuldade de encontrar animais durante o safári — com comida abundante espalhada por toda a reserva, os animais ficam mais dispersos. Por outro lado, isso tornou o safári ainda mais emocionante para nós!

Fora da estação chuvosa, há muito menos alimento e principalmente água, então os animais se concentram perto dos bebedouros. Porém, a estação seca traz outro problema: Uganda fica ressequida, e você não vai curtir aquela selva verdejante e exuberante.

Então, se você prefere uma Uganda verde e não se importa em procurar mais pelos animais no safári, vá na estação chuvosa. Se prefere um safári mais fácil (com mais turistas e preços mais altos), vá na estação seca.

Segurança em Uganda

Uganda é um país seguro e politicamente estável, mas é preciso ficar atento. Faz fronteira com o problemático Congo, e suas extensas fronteiras mal vigiadas são uma oportunidade para contrabandistas e imigrantes ilegais. Por isso, os parques nacionais que fazem divisa com a República Democrática do Congo só podem ser visitados acompanhados de soldados.

Cuidado com os motoristas ugandenses, que adoram ultrapassar o limite de velocidade, principalmente dentro dos parques nacionais. Nós mesmos presenciamos um acidente grave, e o socorro mais rápido demorou quatro horas para chegar.

Trânsito em Uganda é perigoso. Na imagem, um caminhão superlotado ultrapassa outro em uma estrada estreita de terra
Em Uganda não existem faixas de trânsito

Um tema delicado em Uganda é a intolerância a manifestações públicas de orientação sexual diversa. Pessoas da comunidade LGBT podem ser presas por demonstrações públicas de sua orientação.

Visto

Cidadãos brasileiros precisam de visto para entrar em Uganda. Não se deixe enganar por agências que oferecem intermediar o processo por você. Hoje é possível obter o visto por meio de um pedido online (https://visas.immigration.go.ug/) por 50 USD. O visto é válido por 90 dias.

Também é possível obter o visto na chegada, diretamente no aeroporto. Embora não tenhamos tido problemas com isso, alguns viajantes relatam que funcionários cobraram 100 USD pelo visto. Por via das dúvidas, é melhor providenciar o visto antes de embarcar.

Se você pretende visitar também Ruanda e Quênia (um roteiro muito comum), compre o Visto da África Oriental, que vale para os três países de uma vez.

Visto para Uganda
Visto para Uganda

Vacinas

Para entrar em Uganda, é obrigatório estar vacinado contra febre amarela — algo que os brasileiros geralmente já possuem. Além disso, é recomendado vacinar-se contra:

  • hepatite A
  • hepatite B
  • febre tifoide
  • coqueluche
  • tétano
  • difteria
  • raiva.

No aeroporto, seu certificado internacional de vacinação será verificado.

Leve antimaláricos e use mosquiteiros em Uganda (redes contra mosquitos). Uganda é um dos países com maior risco de malária, e o vírus HIV (AIDS) também é bastante disseminado. Mais informações sobre riscos de saúde você encontra em sites como o da Anvisa ou consultando um médico especialista em medicina do viajante.

Água

Não beba água da torneira em hipótese alguma, nem bebidas com gelo. Consuma apenas água engarrafada! Também é proibido nadar em quase todos os lagos do território ugandense, pois há risco de contaminação por esquistossomose.

Seguro viagem

Assim como em qualquer viagem internacional, é fundamental contratar um seguro viagem, sem o qual um eventual acidente pode custar uma fortuna. Escolha o seu no nosso comparativo de seguros.

Regras alfandegárias

A exportação e importação de produtos derivados de animais selvagens é crime. A exportação de animais vivos ou plantas sem autorização especial é proibida.

Passagens aéreas

Saindo do Brasil, passagens para Uganda (aeroporto de Entebbe) costumam custar entre 3.000 e 5.000 reais, dependendo da época e da antecedência da compra. Companhias como Ethiopian Airlines, Kenya Airways e Turkish Airlines oferecem boas conexões a partir de São Paulo e Rio de Janeiro. Fique de olho em promoções — de vez em quando aparecem tarifas bem abaixo da média.

Confira nossas dicas sobre como encontrar passagens aéreas baratas.

Dinheiro e quanto custa

Em Uganda, a moeda oficial é o xelim ugandense (UGX), mas é essencial levar também dólares americanos. As entradas nos parques nacionais são cobradas metade em xelins e metade em dólares (não pergunte o porquê). A conversão para uma única moeda às vezes simplesmente não é permitida, ou leva mais de uma hora (sim, aconteceu com a gente).

10.000 UGX ≈ R$ 14,50 (ou ~2,50 €)

Não é fácil encontrar xelins ugandenses no Brasil. O melhor é levar dólares americanos suficientes e trocá-los por xelins logo ao desembarcar. Use apenas casas de câmbio oficiais — você as reconhece pela tabela de cotações exposta. Também é possível ir a uma agência bancária internacional, das quais há várias em Entebbe e Kampala.

Não conte com sacar dinheiro durante a viagem. Caixas eletrônicos são raros no país, frequentemente estão vazios ou liberam apenas uma quantia limitada de xelins.

Quanto a pagamentos com cartão, pode esquecer — nós só conseguimos pagar com cartão uma única vez em toda a viagem.

Uganda é bem mais barata que o Brasil em muitos aspectos, principalmente serviços, frutas frescas e verduras. Porém, prepare o bolso para as atividades turísticas e entradas nos parques nacionais. Apenas a permissão para o rastreamento de gorilas custa 650 USD, e a entrada nos parques nacionais varia de 40 a 80 USD por pessoa (para 24 horas). Veículos pagam uma taxa extra.

Você vai se deparar frequentemente com uma tabela de preços tripla. Ugandenses pagam o menor valor nas atrações turísticas, moradores de outros países da África Oriental pagam um pouco mais, e estrangeiros pagam o valor mais alto. A diferença pode chegar a dez vezes o preço para locais, mas não vale a pena se irritar com isso — os preços são definidos pelo governo ugandense e valem para todos.

Eletricidade, sinal de celular e internet

A eletricidade em Uganda é um problema. Fora das cidades, por falta de infraestrutura de rede elétrica, a energia é gerada por geradores ou painéis solares e está disponível apenas algumas horas por dia. É preciso levar isso em conta. Esse também é o motivo pelo qual as bebidas nas geladeiras de supermercados e restaurantes costumam estar apenas levemente geladas.

A internet móvel em Uganda é excelente. A cobertura de sinal celular é impressionante, e quase em todo lugar você pega pelo menos 3G, incluindo nas Montanhas da Lua (3.500 m de altitude). Recomendamos comprar um chip da operadora MTN ou da Airtel. Outra opção prática é adquirir um chip virtual (eSIM) antes de viajar, usando serviços como Holafly ou Yesim, que permitem ter internet logo ao desembarcar.

Nós trabalhamos online e não tivemos nenhum problema com a internet em Uganda.

Por cerca de 5 € (~30 reais) você compra um chip com 12 GB de dados por 30 dias, mas se não for muito exigente, a internet sai por quase nada. Para ver os planos atualizados, confira esta página.

Para quem precisa de mais dados, a MTN e a Airtel oferecem um hotspot Wi-Fi portátil por 15 USD. Basta colocar o chip e carregar — pronto, internet para todo o grupo de viajantes.

Tomadas

Uganda é uma ex-colônia britânica e, provavelmente por isso, usa tomadas no padrão inglês — aquelas com três pinos retangulares, com voltagem de 240V. Leve um adaptador universal na mala. As tomadas brasileiras (padrão NBR 14136) não são compatíveis.

Contatos em caso de emergência

  • Emergências: 999
  • Embaixada do Brasil em Nairóbi: +254 20 271 4606

Se você se encontrar em apuros e precisar ligar para a polícia ou hospital, disque 999. Ao contrário de muitos países, o 911 não funciona em Uganda. Temos experiência própria com isso.

Questões relacionadas à sua cidadania (detenção, perda de passaporte etc.) devem ser tratadas com a embaixada brasileira mais próxima, localizada em Nairóbi, no Quênia. O telefone é +254 20 271 4606. Mais informações sobre a embaixada brasileira em Nairóbi você encontra no site do Itamaraty.

Transporte e estradas em Uganda

Em Uganda, dirige-se pela esquerda, e a grande maioria das estradas não é asfaltada. A única estrada decente fica entre as maiores cidades, Entebbe e Kampala. Porém, o trânsito é tão intenso que a velocidade média não fica muito diferente da zona rural (30 km/h).

Estrada ugandense à noite, apenas poeira, veículos sem iluminação e buracos
Estrada ugandense à noite

Se você planejar sua rota pelo Google Maps, saiba que a viagem sempre leva pelo menos o dobro do tempo estimado. A culpa é, principalmente, do estado precário das estradas (pistas de terra cheias de buracos) e do trânsito caótico. As estradas de Uganda são usadas por absolutamente todo mundo — de crianças indo para a escola, ciclistas e motociclistas até vans e caminhões enormes que balançam de um lado para o outro por estarem sobrecarregados.

O transporte público em Uganda até existe, mas não tem horário fixo, e numa van para 14 pessoas normalmente cabem mais de 30 passageiros, mais um volume equivalente em bagagens.

O transporte em ônibus e táxis é, portanto, bastante desconfortável e também perigoso. Para distâncias curtas, você pode usar as mototáxis, chamadas “boda boda”. Embora se movam mais rápido pela cidade, são o meio de transporte mais perigoso de toda a África.

Por isso, recomendamos fortemente alugar um carro. Mas não alugue de redes internacionais — os carros são mais caros e as condições contratuais costumam ser muito restritivas. Opte por um fornecedor local. Nós recomendamos o carrentaluganda.com. Além de bons preços, eles podem equipar o carro com material de camping e até providenciar os ingressos para o rastreamento de gorilas.

Ter carro próprio é vantajoso não só para se locomover por Uganda, mas também para entrar nos parques nacionais. Você pode fazer safári com seu próprio carro, economizando o aluguel de um jipe com motorista. E no Queen Elizabeth National Park, você pode circular com seu carro o dia inteiro sem pagar entrada.

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