A Áustria é um país ao qual voltamos tantas vezes que eu provavelmente nem conseguiria contar todas as nossas visitas. E mesmo assim — toda vez que paramos o carro em algum passo de montanha onde se abre diante de nós uma vista de picos nevados e lagos turquesa, fico ali de boca aberta como se fosse a primeira vez. 😅
Com o Lukáš, já percorremos a Áustria de ponta a ponta — dos cafés vienenses às paredes rochosas do Grossglockner, passando pelas ruelas de Salzburgo, onde a gente se sente dentro de um filme (literalmente, foi onde filmaram A Noviça Rebelde). E é exatamente por isso que montamos este roteiro pela Áustria de 7 dias, que vai guiar você pelo melhor que o país tem a oferecer. Da cultura cosmopolita às vinícolas românticas do Vale do Wachau, até panoramas alpinos de tirar o fôlego.
Neste artigo você encontra um itinerário completo para um roteiro de carro pela Áustria em 7 dias — dia a dia, com dicas concretas de onde tomar um café, onde se hospedar, quais estradas não perder e o que pode pular tranquilamente. Incluo também informações práticas sobre direção, pedágios, orçamento e a melhor época para viajar. Vamos lá! ☺️

Resumo
- Rota: Viena → Wachau → Salzburgo → Hallstatt → Salzkammergut → Innsbruck → Grossglockner (cerca de 850 km no total)
- Período ideal: Maio a outubro, setembro é o mais bonito — menos turistas, clima estável, folhagens coloridas
- Orçamento para 7 dias a dois: Cerca de 1.400–2.600 € (sem passagens aéreas), dependendo do tipo de hospedagem
- Aluguel de carro: A partir de 60 €/dia, não esqueça do pedágio de rodovias (Vinheta de 1 dia: 8,60 €, de 10 dias: 11,50 €)
- Grossglockner: A estrada alpina mais bonita da Europa — pedágio de 41,50 € por carro, mas vale cada centavo
- Hallstatt: Lindo, mas extremamente lotado — vá bem cedo de manhã ou fora da alta temporada
- Hospedagem: Mais caro em Hallstatt e Innsbruck, melhor custo-benefício em Wachau e Salzkammergut
- Direção: Atenção às multas pesadas por velocidade, zonas de baixa emissão e proibição de ultrapassagem em estradas alpinas
Quando ir e como se preparar para o roteiro pela Áustria
A Áustria é linda o ano inteiro, mas para um roteiro de carro o melhor período é sem dúvida de maio a outubro. Se puder escolher, vá em setembro — o clima costuma ser estável, as temperaturas ficam agradáveis entre 15–22 °C, as multidões de turistas diminuem e a paisagem começa a ganhar as cores do outono. Nós fizemos essa rota pela primeira vez em setembro e foi absolutamente perfeito.
Julho e agosto também funcionam, mas prepare-se para multidões de turistas (principalmente em Hallstatt e Salzburgo) e preços de hospedagem mais altos. Maio e junho são ótimos para a natureza — tudo está florido, as cachoeiras estão cheias com o degelo da primavera, mas algumas estradas de montanha (incluindo a Grossglockner) só abrem no final de maio ou início de junho, dependendo da neve.
O que evitar: Novembro a março para esta rota específica. A Grossglockner fica fechada, muitos restaurantes e refúgios de montanha também, e o Salzkammergut sem sol fica bem sombrio.
Como chegar à Áustria e transporte
De avião + aluguel de carro: Para quem vem do Brasil, o mais prático é voar até Viena. Companhias como Latam, Lufthansa e Austrian Airlines oferecem voos de São Paulo ou Rio de Janeiro com conexão em Frankfurt ou Munique. Do aeroporto de Viena ao centro são apenas 20 minutos, e as locadoras de carro ficam no próprio terminal.
Vinheta de pedágio (Vignette): Para usar as rodovias austríacas, você precisa da Vignette austríaca — a de 1 dia custa 8,60 €, a de 10 dias 11,50 €. Compre online no site asfinag.at antes da viagem — a versão em papel para o para-brisa já não é mais vendida.
Aluguel de carro: Nós usamos e recomendamos o RentalCars, que utilizamos em todas as nossas viagens pelo mundo. Para a Áustria, recomendo um carro compacto — estacionar nas cidadezinhas alpinas é complicado e as estradinhas nas montanhas pedem um veículo menor. Conte com um preço a partir de 60 €/dia para um carro pequeno.
Cuidados ao dirigir na Áustria
Isso é importante, porque os austríacos levam as regras de trânsito muito a sério e as multas são altas:
- Limites de velocidade: 130 km/h em rodovias, 100 km/h fora das cidades, 50 km/h dentro das cidades. Em alguns trechos da rodovia há limite noturno de 110 km/h (22:00–5:00) por causa do barulho — está sinalizado e é fiscalizado.
- Multas por velocidade: Começam em 20 € por pequenas infrações, mas 30 km/h acima do limite pode custar 150 € ou mais. Em casos extremos, podem até apreender o carro — sim, é sério.
- Faróis durante o dia: Na Áustria NÃO é obrigatório usar faróis durante o dia, mas é recomendado.
- Proibição de ultrapassagem em túneis: Rigorosamente fiscalizada, e túneis nos Alpes não faltam.
- Álcool: Limite de 0,5 promille. Para motoristas com menos de 2 anos de carteira, o limite é 0,1 promille.
- Equipamento de inverno: Se viajar na primavera ou outono, leve correntes para neve no porta-malas — em passos de montanha elas podem ser obrigatórias mesmo em outubro.
- Pedágio da Grossglockner: 41,50 € por carro de passeio. Algumas outras estradas alpinas e túneis têm pedágio próprio além da Vinheta.
Onde se hospedar + quanto custa o roteiro pela Áustria
A hospedagem é sem dúvida o maior item do orçamento. A Áustria não é um país barato, mas dá pra se virar bem se você não esperar hotéis de luxo no centro de Hallstatt. 😅
Preços aproximados por noite para dois (quarto duplo):
- Viena: 80–160 € (depende da localização, fora do centro é mais barato)
- Wachau: 60–120 € (pensões e vinícolas — ótimo custo-benefício)
- Salzburgo: 100–200 € (no centro é caro, procure nos arredores da cidade)
- Hallstatt: 120–280 € (um dos lugares mais caros, reserve com bastante antecedência)
- Salzkammergut: 60–120 € (cidades menores ao redor dos lagos são mais em conta)
- Innsbruck: 80–180 € (centro caro, alternativa: hospedar-se em Hall in Tirol)
- Grossglockner/Heiligenblut: 70–140 € (pensões de montanha)
Orçamento para 7 dias de roteiro para dois
| Item | Orçamento |
| Hospedagem (7 noites) | 560–1.120 € |
| Aluguel de carro (7 dias) | 420–560 € |
| Gasolina (aprox. 850 km) | 100–140 € |
| Vinheta de rodovia (10 dias) | 11,50 € |
| Pedágio Grossglockner | 41,50 € |
| Alimentação e cafés | 280–560 € |
| Ingressos e atividades | 80–200 € |
| Total | aprox. 1.500–2.630 € |
Na viagem, não economizamos de forma exagerada — comemos em restaurantes, tomamos um bom café da manhã todo dia e não abrimos mão de café com bolo em cada cidade (na Áustria isso é quase obrigatório). Se quiser economizar, compre nos supermercados Billa ou Spar e procure pensões fora dos centros.
Dia a dia: roteiro de 7 dias pela Áustria
Aqui está o resumo de toda a rota dia a dia. Quer mais tempo e incluir também Grossglockner, Graz e Wörthersee? Confira a nossa versão de 14 dias do roteiro.
| Dia | Rota e deslocamento | Onde dormir |
|---|---|---|
| 1. | Chegada em Viena, centro e cafés | Viena |
| 2. | Viena → Vale do Wachau (~1,5 h) | Wachau |
| 3. | Wachau → Salzburgo (~2,5 h) | Salzburgo |
| 4. | Salzburgo → Hallstatt (~1,5 h) | Hallstatt |
| 5. | Hallstatt → Salzkammergut — lagos alpinos | Salzkammergut |
| 6. | Salzkammergut → Innsbruck (~2,5 h) | Innsbruck |
| 7. | Innsbruck → Grossglockner Hochalpenstrasse → retorno | Grossglockner |
Dia 1. Viena — elegância imperial e cafés onde o tempo parou

O primeiro dia é dedicado a Viena e é um dia cheio de caminhada, café e aquela sensação vienense peculiar de se sentir um pouco no século XIX. A cidade é incrivelmente compacta para uma capital — a maioria dos pontos turísticos pode ser visitada a pé ao redor do Ring.
Comece a manhã no Café Central — sim, é um clássico turístico, mas tem motivo. Abóbadas, mesas de mármore, strudel vienense e melange (o cappuccino vienense). Espere fila nos fins de semana; em dia de semana pela manhã é tranquilo. Se preferir um ambiente mais local e sem turistas, vá ao Café Sperl — provavelmente nosso café favorito em Viena. Madeira escura, jornais em suportes de madeira, ninguém com pressa.
Depois do café, vá até a Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom) — a entrada na nave principal é gratuita, mas suba a torre sul (343 degraus, entrada cerca de 6 €). A vista dos telhados de Viena compensa a dor nas pernas. 😁 De lá, são poucos minutos até o Hofburg — o enorme complexo do palácio imperial, onde você pode passar horas. Se não tiver tempo para todo o palácio, visite pelo menos o Tesouro Imperial (Kaiserliche Schatzkammer) — as joias da coroa e tesouros dos Habsburgos.
Para o almoço, recomendo o Figlmüller para o schnitzel (dizem que é o melhor da Áustria, e honestamente, é realmente incrível — transborda do prato e é super crocante) ou o Zum Schwarzen Kameel para tapas vienenses e excelente vinho. Se quiser algo mais barato e autêntico, vá até a barraca de rua Bitzinger Würstelstand ao lado da Albertina — uma salsicha e uma cerveja em pé ao lado de pessoas de terno que acabaram de sair da ópera. Isso é Viena resumida.
Dedique a tarde ao Palácio de Schönbrunn — residência de verão dos Habsburgos com jardins deslumbrantes (jardins gratuitos, palácio a partir de 22 €). Os jardins são enormes; suba até o Gloriette no topo da colina — a recompensa é uma vista panorâmica de todo o complexo e da cidade ao fundo. Para o pôr do sol, volte ao Canal do Danúbio, onde há street art, bares e uma atmosfera descontraída.
Onde se hospedar em Viena
Para uma noite, recomendo as regiões de Neubau (7º distrito) ou Josefstadt (8º distrito) — ficam perto do centro, mas com preços mais razoáveis e cheias de cafés e restaurantes. Tivemos ótima experiência com o Ruby Marie Hotel (design moderno, localização excelente) ou com o Hotel & Palais Strudlhof (lindo edifício art nouveau com jardim e piscina).
Dia 2. Vale do Wachau — vinícolas, mosteiros e o trecho mais bonito do Danúbio

De manhã, saia de Viena rumo ao oeste — espera você uma hora e quinze de viagem até o Vale do Wachau, que é Patrimônio da UNESCO e um dos trechos mais românticos da Áustria. Imagine: vinhedos descendo até o Danúbio, cidadezinhas medievais com casas em tons pastel, mosteiros nas colinas e pessegueiros (damascos, na verdade) por todos os lados. Se você ama vinho, vai se apaixonar por este dia. ☺️
Primeira parada: Melk e seu enorme Mosteiro Stift Melk — uma joia barroca sobre um penhasco acima do Danúbio. A biblioteca com afrescos é de tirar o fôlego (entrada 15,50 €). A visita dura cerca de 1,5 hora. O jardim do mosteiro com vista para o vale é fotogênico como num conto de fadas.
De Melk, siga pela estrada B33 ao longo do Danúbio — esta é uma das estradas mais bonitas da Áustria. Você passa por vinhedos, ruínas de castelos e vilarejos pitorescos. Pare em Spitz an der Donau — uma cidadezinha com vista para o Danúbio, onde recomendo uma degustação de vinhos na vinícola Domäne Wachau ou Weingut Prager. A especialidade local é o Grüner Veltliner — um vinho branco fresco que tem exatamente o gosto da paisagem ao redor.
Para o almoço, siga até Dürnstein — provavelmente a cidadezinha mais fotografada de todo o vale. A torre azul do mosteiro, ruelas estreitas ladeadas por vinhedos e, acima da cidade, as ruínas de um castelo onde supostamente Ricardo Coração de Leão ficou preso. Suba até as ruínas (20 minutos, subida fácil) — a vista do Danúbio e dos vinhedos é fantástica. Para almoçar, recomendo o Restaurant Loibnerhof (excelente cozinha local, o bolinho de damasco no final é obrigatório) ou o Alter Klosterkeller no centro.
Se tiver tempo, pare ainda em Krems — uma cidade universitária com um lindo centro histórico, onde você encontra sorvete delicioso e a galeria Kunsthalle Krems para amantes de arte moderna.
💡 DICA: Em vez de dirigir, você pode fazer o trecho Melk–Krems de barco pelo Danúbio (DDSG Blue Danube, cerca de 1,5 hora, a partir de 29 € o trecho). É mais lento, mas a vista do convés compensa. Deixe o carro em Melk e volte de trem.
Onde se hospedar no Wachau
Fique no próprio vale — a hospedagem em pensões e vinícolas é surpreendentemente acessível e a atmosfera é inesquecível. Recomendo o Hotel & Restaurant Bacher em Spitz an der Donau (excelente restaurante com recomendação Michelin) ou o Gartenhotel & Weingut Pfeffel em Dürnstein (entre os vinhedos, com piscina e terraço sobre o Danúbio).
Dia 3. Salzburgo — Mozart, A Noviça Rebelde e os melhores bolinhos dos Alpes

Do Wachau até Salzburgo são cerca de 2,5 horas pela rodovia. Recomendo sair bem cedo para ter o dia inteiro em Salzburgo — e você vai precisar do dia inteiro.
Salzburgo é uma daquelas cidades onde você simplesmente sente que coisas grandiosas aconteceram ali. Igrejas barrocas, uma fortaleza no topo da colina, os Alpes como cenário e Mozart em cada esquina (às vezes literalmente — músicos de rua tocam suas composições o tempo todo). É uma cidade compacta que dá pra explorar a pé, com aquela atmosfera peculiar que é meio italiana, meio alpina.
Comece na Getreidegasse — a principal rua comercial do centro histórico com letreiros de ferro forjado. Sim, a casa natal de Mozart está aqui (entrada 14 €), mas sinceramente — se você não é fã de Mozart, o interior não vale muito a pena. Mais interessante é entrar pelas ruelas laterais — as passagens e pátios que saem da Getreidegasse estão cheios de lojinhas e galerias.
Suba a pé (ou de funicular, 14 € ida e volta) até a Fortaleza de Hohensalzburg — uma das maiores fortalezas medievais da Europa. A vista da cidade e dos Alpes é absolutamente deslumbrante, especialmente em dias claros. Há um museu dentro, mas a grande atração é a vista.
Para o almoço, desça e vá até a Stiftsbäckerei St. Peter — a padaria mais antiga de Salzburgo (funciona desde 1160!), com pães e bolos fantásticos. Para uma refeição completa, recomendo o Triangel (ótimo schnitzel e bolinhos, atmosfera local, preços razoáveis) ou o Zwettler’s na Kajetanerplatz (mais sofisticado, excelente tafelspitz — carne cozida).
À tarde, atravesse para a margem direita do Salzach até o Mirabell — os jardins do Palácio Mirabell são gratuitos e fãs de A Noviça Rebelde vão reconhecer o cenário (filmaram “Do-Re-Mi” aqui). Continue até o bairro Linzergasse — o lado menos turístico de Salzburgo, cheio de cafezinhos e lojas de arte. Suba o Kapuzinerberg (colina com um monastério) — a vista do centro histórico e da fortaleza daqui é provavelmente a mais bonita de toda Salzburgo, e quase não tem turistas.
Para um café e o famoso Salzburger Nockerl (um soufflé doce em forma de três picos alpinos), vá ao Café Tomaselli na Alter Markt — o café mais antigo da Áustria. A porção é enorme, pode dividir tranquilamente entre dois.
Se gosta de arte moderna, vale a visita ao Museum der Moderne no Mönchsberg — o prédio em si é uma obra-prima arquitetônica e a vista do terraço é um bônus.
Mais dicas sobre Salzburgo no nosso artigo Salzburgo, Áustria: O que ver e fazer.
Onde se hospedar em Salzburgo
O centro de Salzburgo é caro, mas vale a pena ficar a uma curta caminhada do centro histórico. Uma boa localização é a Neustadt (margem direita) — mais acessível e a poucos minutos a pé dos principais pontos turísticos. Recomendo o Hotel am Mirabellplatz (excelente localização junto aos Jardins Mirabell) ou o Arthotel Blaue Gans no centro histórico (hotel design em prédio histórico, um pouco mais caro mas lindo). Para economizar, procure hospedagem em Kasern ou Aigen — bairros mais tranquilos com transporte público até o centro.
Dia 4. Hallstatt e o lago Hallstätter See — joia fotogênica (e como sobreviver às multidões)

De Salzburgo até Hallstatt são cerca de 1,5 hora, e o trajeto é lindo — você passa por lagos e prados alpinos. Aí você faz uma curva, lá embaixo aparece o lago Hallstätter See e, na sua margem, aquela cidadezinha famosa, e… bom, você vai entender por que é um dos lugares mais fotografados do planeta.
MAS. Preciso ser honesta: Hallstatt é vítima da própria beleza. Na alta temporada, milhares de pessoas chegam por dia (principalmente no verão, quando chegam ônibus inteiros de turismo), a cidadezinha é minúscula e as ruas são tão estreitas que em alguns pontos mal dá para passar. Desde 2020, limitaram o número de ônibus turísticos, mas ainda assim é desafiador.
Como aproveitar Hallstatt:
- Vá bem cedo — esteja lá até as 8h, quando a cidadezinha está quase vazia e a neblina matinal sobre o lago cria uma atmosfera mágica
- Ou no final da tarde — os ônibus partem por volta das 16h–17h e a cidade se esvazia rapidamente
- Fora da alta temporada (setembro–outubro) é incomparavelmente melhor
Caminhe pela rua principal ao longo do lago, pare no famoso “postcard view” junto à igreja evangélica (aquela com telhado vermelho que você conhece do Instagram) e siga até o Beinhaus (ossuário) na igreja paroquial — há uma coleção de crânios pintados, um pouco mórbido mas fascinante (entrada 2 €).
A principal atração (além da própria cidadezinha) é a Salzwelten Hallstatt — a mina de sal mais antiga do mundo, com mais de 7.000 anos de extração. A subida de teleférico + visita à mina dura cerca de 2 horas (entrada 40 €, incluindo teleférico). Lá dentro há um escorregador de madeira e um lago subterrâneo — parece turistão, mas é realmente muito bom, inclusive para adultos.
Para almoçar, recomendo o Restaurant zum Salzbaron (cozinha local, a truta do lago é deliciosa) ou simplesmente peça um Leberkäse (tipo de bolo de carne) em uma das barracas de rua. Para uma experiência mais sofisticada, o Seehotel Grüner Baum tem restaurante bem à beira do lago.
À tarde, contorne o lago de carro (ou parte dele) e pare no mirante 5 Fingers junto ao teleférico do Krippenstein (teleférico cerca de 38 € ida e volta) — cinco dedos de aço projetados sobre o precipício com vista para o Hallstätter See e o Dachstein. A vista é de tirar o fôlego, de verdade. 😅
💡 DICA: O estacionamento em Hallstatt é limitado e caro. Estacione no estacionamento P1 na entrada da cidade (cerca de 10 €/dia) e vá ao centro a pé (5 minutos).
Onde se hospedar em Hallstatt e arredores
A hospedagem em Hallstatt é cara e escassa — reserve com no mínimo 2 a 3 meses de antecedência. Se quiser aquela atmosfera mágica de Hallstatt pela manhã sem multidões, vale a pena dormir lá — recomendo o Heritage Hotel Hallstatt (prédio histórico à beira do lago) ou o Brauhaus Hallstatt (charmoso, com restaurante próprio). Uma opção mais acessível é se hospedar em Obertraun (5 minutos de carro), onde há boas pensões pela metade do preço.
Dia 5. Salzkammergut — paraíso de lagos que ninguém fala o suficiente

O Salzkammergut é provavelmente a nossa região favorita de toda a Áustria e, sinceramente, merecia mais do que um dia. Mas mesmo em um dia você consegue provar um pouco dessa magia. É uma terra de dezenas de lagos, montanhas verdes, pensões familiares com flores nas sacadas e uma paz absoluta. É aqui que os próprios austríacos passam as férias, e isso diz tudo.
De manhã, saia de Hallstatt rumo ao lago Wolfgangsee (40 minutos). A cidadezinha de St. Wolfgang é de cartão-postal — igreja à beira do lago, cafés no calçadão e o Schafbergbahn — uma ferrovia de cremalheira que leva você ao topo do Schafberg (1.783 m). A viagem dura 40 minutos e a vista do topo para os sete lagos do Salzkammergut é absolutamente fantástica (passagem ida e volta 48 €, funciona de maio a outubro). Recomendo pegar o primeiro trem da manhã para evitar filas.
De St. Wolfgang, siga até o lago Mondsee (30 minutos) — foi aqui que filmaram a cena do casamento de A Noviça Rebelde na basílica local. O lago é um pouco mais quente que os vizinhos e tem praias lindas para banho. Para almoçar, recomendo o Restaurant Seecafé Mondsee (à beira do lago, peixes excelentes) ou o Gasthof Drachenwand (cozinha austríaca tradicional, bolinhos caseiros).
À tarde, pare no lago Attersee — o maior lago do Salzkammergut, com água cristalina e turquesa. Foi aqui que Gustav Klimt pintou, e quando você vir a cor da água, vai entender por quê. Pare na cidadezinha de Unterach am Attersee ou Nussdorf — banho no lago, passeio na orla, café com vista.
Se gosta de trilhas, recomendo a trilha ao redor do lago Fuschlsee (9 km, cerca de 2,5 horas) — um lago menor, menos conhecido, com água cristalina e florestas lindas. Ou uma caminhada mais curta no Zwölferhorn acima de St. Gilgen (teleférico para subir, a pé na descida, cerca de 2 horas).
Para mais informações sobre os lagos austríacos, confira nosso artigo Lagos da Áustria: Guia dos mais bonitos.
Onde se hospedar no Salzkammergut
O Salzkammergut oferece ótima hospedagem a preços razoáveis, especialmente nas cidades menores. Recomendo o Landhotel Lackner em St. Wolfgang (hotel familiar com piscina e vista para o lago) ou o Seehotel Billroth à beira do Wolfgangsee (diretamente na água, com praia própria). Para uma versão mais econômica, procure pensões (Gasthöfe) nos arredores de Mondsee ou Attersee — quarto duplo a partir de 70 € por noite.
Dia 6. Innsbruck — capital dos Alpes (e o melhor strudel do Tirol)

Do Salzkammergut até Innsbruck são cerca de 2,5 horas pela rodovia, mas o caminho passa por passos de montanha e vales alpinos — então tédio é a última coisa que você vai sentir.
Innsbruck nos surpreendeu muito mais do que esperávamos na primeira visita. É uma cidade moderna e vibrante, com universidade, mas ao mesmo tempo você tem a sensação de estar bem aos pés dos Alpes — porque realmente está. As montanhas são tão próximas que parecem cair diretamente nas ruas.
Comece no centro histórico na Herzog-Friedrich-Straße — uma rua medieval estreita com arcadas e o famoso Telhado de Ouro (Goldenes Dachl). É uma pequena sacada coberta por 2.657 telhas de cobre dourado e é o símbolo de Innsbruck. Sinceramente — é menor do que você esperaria, mas bonito. 😅 O museu embaixo dele (5,50 €) não vale muito a visita.
O principal “imperdível” de Innsbruck é a Nordkette — a cadeia de montanhas logo acima da cidade, acessível por teleférico direto do centro. Três trechos de teleférico levam você em 20 minutos de 600 m para 2.300 m de altitude (ida e volta 41 €, ou 53 € com o Innsbruck Card). No topo, na estação Hafelekar, a vista de um lado é da cidade e do outro, do selvagem Karwendel — montanhas até onde a vista alcança. Ficamos ali parados sem conseguir nos mover. Isso é o que chamamos de “momento uau”.
Para almoçar, desça de volta à cidade. Recomendo o Gasthaus Goldenes Dachl (o tradicional Tiroler Gröstl tirolês — panela com batatas, carne e ovo) ou o Stiftskeller (restaurante em antigo monastério com lindo jardim e excelente vinho). Para um café e o melhor strudel da cidade, vá ao Strudel Café Kröll — fazem na sua frente, crocante, quentinho, com sorvete… 🤤
À tarde, passeie pelo cais do rio Inn — as casas coloridas ao longo do rio (Mariahilf) são o cartão-postal mais fotografado de Innsbruck. Se tiver tempo, vale visitar o Castelo de Ambras (4 km do centro, entrada 16 €) — um castelo renascentista com uma coleção curiosa e jardins lindos.
Onde se hospedar em Innsbruck
O centro de Innsbruck é compacto e a hospedagem é cara. Uma ótima alternativa é a cidadezinha de Hall in Tirol (10 minutos de carro) — lindo centro medieval, hospedagem bem mais em conta e, na verdade, uma atmosfera até mais charmosa que o centro de Innsbruck. No centro, recomendo o Nala Individuell Hotel (design, localização excelente) ou o Hotel Weisses Kreuz (hotel histórico no centro, onde dizem que até Mozart dormiu — mas quem na Áustria não dormiu 😁). Em Hall, uma ótima opção é o Parkhotel Hall.
Dia 7. Grossglockner — a estrada mais bonita dos Alpes (e um gran finale)

Guardamos o melhor absoluto para o último dia. A Grossglockner Hochalpenstraße é provavelmente a estrada mais bonita que já percorremos. E olha que já percorremos muitas. São 48 km de estrada alpina que sobe até 2.504 metros, serpenteia entre geleiras e picos nevados, oferecendo vistas que literalmente doem os olhos de tão bonitas. Sem nenhum exagero.
De Innsbruck até Heiligenblut (entrada sul da Grossglockner) são cerca de 2,5 horas. Saia o mais cedo possível — na temporada formam-se filas na estrada e os mirantes do Edelweißspitze e Kaiser-Franz-Josefs-Höhe ficam lotados.
Pedágio: 41,50 € por carro de passeio. Paga-se na entrada, aceita cartão.
A estrada fica aberta normalmente do início/meados de maio até o final de outubro, dependendo das condições de neve. Confira a situação atual em grossglockner.at.
Paradas principais na rota (vindo do sul):
Heiligenblut — uma charmosa cidadezinha de montanha com uma icônica igreja cuja torre se ergue contra os picos nevados. Tome seu café da manhã aqui — o Café-Restaurant National Park Lodge tem uma vista que faz seu café esfriar porque você não consegue parar de olhar.
Kaiser-Franz-Josefs-Höhe (2.369 m) — o principal ponto de observação com vista para a Pasterze, a maior geleira da Áustria, e para o próprio Grossglockner (3.798 m) — o pico mais alto da Áustria. Há museu, restaurante e várias trilhas curtas. A geleira infelizmente diminui ano a ano — há poucos anos ela se estendia por centenas de metros a mais. É triste, mas por isso mesmo é importante ver.
Edelweißspitze (2.571 m) — uma curta saída da estrada principal até o ponto mais alto acessível de carro. Vista 360° — em dias claros você vê mais de 30 picos acima de 3.000 metros. Este é o lugar onde ficamos com o Lukáš sem acreditar no que estávamos vendo. O vento batendo no rosto, neve e rochas ao redor, e a sensação de estar no teto do mundo.
Hochtor (2.504 m) — passagem por túnel no ponto mais alto da estrada principal. Pare no estacionamento antes do túnel — há uma trilha curta com painéis informativos sobre a história da estrada e a geologia.
Fuscher Törl — mirante com capela e uma vista magnífica do vale. Bom ponto para uma parada rápida e fotos.
Toda a estrada de sul a norte (ou vice-versa) pode ser percorrida em 3 a 4 horas (incluindo paradas para fotos e mirantes), mas recomendo reservar a manhã inteira e a tarde — você vai querer parar em cada curva. Se gosta de caminhar, na Kaiser-Franz-Josefs-Höhe começa a Gamsgrubenweg — uma trilha fácil por túneis na rocha com vista para a geleira (1 hora ida e volta).
À tarde, desça pelo lado norte até Zell am See (cerca de 45 minutos de Ferleiten), onde pode encerrar o roteiro com um mergulho no lago ou um café na orla. Ou continue até Salzburgo (1,5 hora de Zell am See), de onde pode seguir para o aeroporto ou pegar seu voo de volta.
💡 DICA: Se o tempo estiver nublado ou chuvendo, a Grossglockner não compensa — o sentido todo são as vistas. Prefira trocar o dia ou esperar. Acompanhe a previsão para áreas de alta montanha em zamg.ac.at.
Onde se hospedar (se precisar de mais uma noite)
Se quiser dividir o dia 7 em duas partes (ou se seu voo for só no dia seguinte), durma em Heiligenblut — o Chalet Hotel Senger é um lindo hotel alpino com vista para o Grossglockner, excelente restaurante e spa. Ou em Zell am See — o Hotel Neue Post fica bem no centro da cidade, à beira do lago.
Dicas práticas para finalizar
O que levar na mala
Para um roteiro de carro pela Áustria no verão, a dica é vestir em camadas — no vale pode fazer 28 °C e na Grossglockner, a 2.500 metros, pode estar 5 °C com vento. Leve com certeza um fleece, corta-vento, calçados confortáveis para trilhas (veja dicas no nosso artigo Calçados para trilhas) e uma capa de chuva. Para os lagos de montanha, leve roupa de banho — mesmo no verão a água é refrescante, mas revigorante. 😅 E se quiser organizar tudo em uma mala de mão, confira nosso guia Como fazer mala de mão.
Onde encontrar passagens aéreas
Para quem sai do Brasil, procure passagens para Viena em sites como Google Flights, Skyscanner e Kayak. Companhias como Lufthansa, Austrian Airlines e Latam costumam ter voos com conexão em Frankfurt, Munique ou Zurique. Fique de olho em promoções — às vezes aparecem tarifas excelentes de São Paulo ou Rio de Janeiro.
Seguro viagem
Para um roteiro de uma semana pela Áustria, um bom seguro viagem é essencial — afinal, a saúde na Europa é cara. Para viagens mais longas, recomendamos o True Traveller — você pode conferir a resenha completa no artigo Resenha SafetyWing. Brasileiros precisam de seguro viagem para entrar no Espaço Schengen, então não esqueça de contratar antes de embarcar.
eSIM e internet
Para brasileiros viajando pela Áustria, a melhor opção é um chip eSIM internacional. Nós usamos e recomendamos o Holafly, que oferece dados ilimitados na Europa. Confira nossa resenha do Holafly para mais detalhes.
Baixe o mapa no celular
💡 DICA: Baixe mapas offline no Google Maps para toda a rota — nas montanhas e túneis frequentemente não há sinal. Antes de sair, baixe as regiões de Viena, Alta Áustria, Salzburgo e Tirol.
Perguntas frequentes sobre o roteiro pela Áustria
Antes de pegar a estrada, aqui estão as respostas para as perguntas que mais recebemos dos leitores sobre o roteiro de 7 dias pela Áustria.
Qual a melhor época para um roteiro de carro pela Áustria?
O melhor período é de maio a outubro. Para a rota completa incluindo a Grossglockner, recomendamos setembro — clima estável, menos turistas, preços de hospedagem mais baixos e as lindas cores do outono. A Grossglockner Hochalpenstraße costuma ficar aberta de meados de maio até o final de outubro.
O que fazer na Áustria em contato com a natureza?
A Áustria é um paraíso para amantes da natureza. Nesta rota, as melhores experiências naturais estão no Salzkammergut (lagos, montanhas, trilhas), na Grossglockner (panoramas alpinos, geleira) e nos arredores de Innsbruck (Nordkette, Karwendel). Para passeios de um dia, recomendo a subida ao Schafberg em St. Wolfgang, o mirante 5 Fingers acima de Hallstatt ou a trilha Gamsgrubenweg junto à geleira Pasterze.
Quais cuidados ter ao dirigir na Áustria?
Principalmente respeitar rigorosamente os limites de velocidade — as multas são pesadas e a fiscalização é frequente. Não esqueça da Vinheta eletrônica de pedágio, que deve ser comprada online com antecedência. Nas estradas alpinas, dirija devagar e com cuidado; nos túneis é terminantemente proibido ultrapassar. Algumas estradas de montanha (como a Grossglockner) têm pedágio próprio além da Vinheta.
O que saber antes de viajar para a Áustria?
Além das regras de trânsito, tenha em mente que: os preços em restaurantes são altos (prato principal 15–25 €), gorjeta de 5–10% é comum, a maioria das lojas fecha aos domingos (faça compras no sábado!), e em Hallstatt e outros lugares populares o estacionamento é limitado — chegue cedo. Brasileiros não precisam de visto para estadias de até 90 dias, mas precisam de seguro viagem válido para o Espaço Schengen.
Quanto custa um roteiro de 7 dias pela Áustria para dois?
Um orçamento realista para dois é de 1.500 a 2.630 € sem passagens aéreas. O maior gasto é a hospedagem (560–1.120 € por 7 noites) e o aluguel de carro (420–560 € por 7 dias). Dá para economizar em alimentação comprando nos supermercados e escolhendo mirantes e trilhas gratuitas.
7 dias são suficientes para um roteiro pela Áustria?
Sete dias é um bom mínimo para esta rota, mas sinceramente — o ideal seriam 10 dias. Com 7 dias, o ritmo é bem puxado e em alguns lugares (principalmente no Salzkammergut) você gostaria de ficar mais tempo. Se tiver apenas 7 dias, recomendamos cortar uma das paradas (por exemplo, o Wachau) e dar mais tempo ao restante.
Preciso de carro na Áustria ou dá pra ir de trem?
Para as cidades (Viena, Salzburgo, Innsbruck), os trens funcionam muito bem — o ÖBB austríaco é confiável e confortável. Mas para Hallstatt, Salzkammergut, Wachau e principalmente a Grossglockner, o carro é praticamente indispensável. Sem carro, você perderia as partes mais bonitas da rota — estradas de montanha, mirantes e paradas espontâneas à beira dos lagos. Para esta rota específica, recomendamos carro sem dúvida.
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