O que fazer em Marrakech, Marrocos: 25 dicas + golpes para evitar em 2026

Quando o Lukáš e eu entramos pela primeira vez em Marrakech, no Marrocos, dirigindo um Fiat Panda alugado numa locadora local, a AirCar, achamos que, depois de ter dirigido em Uganda e na Tailândia, nada mais nos surpreenderia. A realidade do trânsito local rapidamente nos tirou dessa ilusão, e continua valendo que dirigir em Marrakech é um desafio até para os motoristas mais experientes. Então, se você pretende vir de carro, arme-se com muita paciência. Mas a cidade é absolutamente deslumbrante, cheia de cores impressionantes, aromas de especiarias e palácios históricos que te transportam na hora para um mundo completamente diferente.

Nossa viagem aconteceu em dezembro, o que se mostrou uma escolha absolutamente ideal para conhecer os monumentos e perambular pelas vielas sem o calor sufocante do verão. Durante o dia, as temperaturas ficavam em torno de agradáveis 18 °C, embora as noites já fossem mais frias, com o termômetro caindo até cinco graus. Se você vier para cá, prepare-se: Marrakech é uma cidade linda, mas ao mesmo tempo extremamente intensa, que exige um pouco de atenção e bom senso.

Neste artigo, vamos ver juntos 25 dicas do que ver e fazer em Marrakech, para você aproveitar ao máximo a sua visita sem estresse desnecessário. Vamos passar pelos palácios mais bonitos, vou te mostrar onde se hospedar estrategicamente e também detalhar as armadilhas turísticas mais comuns e os golpes com os quais você precisa tomar muito cuidado.

Conteúdo do artigo

Resumo para quem não tem tempo de ler o artigo inteiro

  • Praça principal: a Jemaa el-Fnaa é o coração da cidade; de dia você encontra vendedores e, à noite, ela se transforma num enorme refeitório a céu aberto.
  • Monumentos mais bonitos: não deixe de conhecer o maravilhoso Palácio Bahia, a fascinante Madraça Ben Youssef e o jardim Jardin Majorelle.
  • Segurança à noite: a própria medina fica difícil de orientar depois do anoitecer e pode ser perigosa; mulheres não deveriam circular sozinhas por ali à noite.
  • Transporte e táxis: os petits taxis são obrigados por lei a usar taxímetro; insista sempre nisso antes de entrar, senão você paga dez vezes mais.
  • Cuidado com os golpes: recuse a “henna grátis”, não se deixe levar por guias falsos e não acredite que a sua rua está fechada.
  • Aluguel de carro: se for alugar um carro, garanta que tem um cartão de crédito no nome do motorista (com cartão de débito tivemos um problemão para fazer o depósito de caução).
  • Passeios pelos arredores: Marrakech é um ótimo ponto de partida para explorar as montanhas do Atlas, as cachoeiras de Ouzoud ou até o Saara.

Quando ir para Marrakech

Escolher a época certa é absolutamente essencial para visitar o Marrocos, porque o clima local pode ser bem implacável. A melhor época para a visita são os meses da primavera (março a maio) e do outono (setembro a novembro), quando você tem temperaturas agradáveis, ideais para explorar a cidade o dia inteiro. Nesses meses você foge dos extremos, os dias são lindamente ensolarados e as noites trazem um refresco gostoso. No verão, Marrakech vira um verdadeiro forno, com temperaturas que costumam passar dos 40 °C. Aí, caminhar pelas vielas estreitas e abafadas da medina se torna mais uma luta pela sobrevivência do que uma experiência agradável de férias.

Nós fomos ao Marrocos em dezembro e foi absolutamente ideal para os passeios, porque durante o dia as temperaturas ficavam em torno de uns gostosos 18 °C. Para andar o dia inteiro visitando monumentos, esse é o clima mais agradável possível: a gente não sua e consegue fazer muito mais num dia do que sob o calor do verão. Mas você precisa levar em conta que as noites de inverno são realmente frias, com as temperaturas caindo até 5 °C, então não esqueça de colocar na mala roupas mais quentes. Uma jaqueta e roupas em camadas te salvam, principalmente na hora de ir tomar café da manhã de manhã cedo.

Se você planeja passar em Marrakech só um fim de semana prolongado, reserve para a cidade em si idealmente dois a três dias inteiros, o que será mais que suficiente para todos os principais monumentos e para absorver a atmosfera. Mas, se quiser fazer também passeios pelos arredores, como as montanhas do Atlas, as cachoeiras de Ouzoud ou o litoral, com certeza estenda a estadia para cinco a sete dias. O Marrocos é um país enorme e cheio de contrastes, e ter tempo de sobra para tudo significa poupar muito estresse desnecessário.

Onde se hospedar em Marrakech

💡 Dica: você pode comparar as opções de hospedagem em Marrakech num só lugar — confira disponibilidade e preços em Marrakech. Vale a pena reservar com antecedência: a melhor relação entre preço e localização some primeiro.

💡 Dica de hospedagem e experiências: nós preferimos procurar hospedagem no Booking.com, onde costumam ter as melhores condições de cancelamento. Já ingressos, passeios e atividades vale a pena comparar e comprar pelo GetYourGuide.

Na hora de escolher a hospedagem em Marrakech, você vai decidir basicamente entre três bairros principais, e cada um oferece uma experiência completamente diferente. A opção mais autêntica é se hospedar dentro da própria medina (cidade velha), onde fica a maioria dos monumentos, os mercados tradicionais e a praça Jemaa el-Fnaa. A vida por ali acontece nos lindos terraços dos riads escondidos, as casas marroquinas tradicionais com pátio interno. Essas casas são um oásis incrível de paz em meio ao caos urbano e garantem a verdadeira experiência marroquina, daquelas que você vai lembrar por muito tempo.

Mas se, assim como nós, você planeja alugar um carro logo no aeroporto, recomendamos fortemente se hospedar fora do centro da medina. Nós sofremos bastante para dirigir nas vielas estreitas e caóticas. Para quem está de carro, uma escolha muito melhor é o bairro moderno Guéliz, construído pelos franceses, com ruas largas, estacionamento tranquilo e cafés modernos. A terceira opção é o bairro de luxo Hivernage, onde ficam os melhores resorts, restaurantes elegantes e reina uma calmaria total durante o dia.

Seja qual for o bairro escolhido, com certeza reserve ao menos algumas noites em um riad tradicional, porque isso simplesmente faz parte de conhecer o Marrocos. Os preços de um riad bacana de categoria intermediária costumam ficar em torno de 80 a 220 euros por noite, enquanto os palácios mais luxuosos chegam a centenas de euros. Se você procura uma opção mais barata na medina, o mais modesto Riad Sijane, por exemplo, é bem popular. Aqui vão outras dicas concretas de hospedagem com ótima avaliação:

  • Riad BE Marrakech: um riad lindamente reformado na parte sul da medina, famoso pela deslumbrante piscininha interna e pela decoração de tirar o fôlego (preço em torno de 120–220 euros).
  • Riad Yasmine: um dos riads mais fotogênicos da cidade, com apenas 10 quartos, uma linda piscina verde com laranjeira e um atendimento super pessoal (preço em torno de 80–150 euros).
  • Riad Dar El Bahja & Spa: hospedagem tradicional que oferece um ambiente muito agradável perto do agito e ótima relação custo-benefício.
  • El Fenn: se você procura luxo absoluto, este complexo de riads interligados oferece várias piscinas, terraços e coleções de arte incríveis (preço a partir de 400 euros).

Um panorama detalhado dos bairros e de riads específicos você encontra no artigo separado Onde se hospedar em Marrakech, com 14 dicas do hostel ao palácio de luxo, incluindo preços de referência.

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25 dicas do que ver e fazer em Marrakech

Marrakech é uma cidade de contrastes enormes, onde uma história profunda se mistura com a vida moderna agitada. Vamos ver 25 dicas e lugares concretos que você definitivamente não deveria deixar de fora durante a sua visita, com conselhos detalhados para evitar aborrecimentos desnecessários.

1. A praça Jemaa el-Fnaa durante o dia

O coração de toda Marrakech é a enorme praça Jemaa el-Fnaa, que funciona como o principal ponto de referência de toda a medina. Durante o dia, reina ali um agito incrível: você encontra dezenas de barracas de suco de laranja fresquinho por poucos dirhams, vendedores de especiarias, castanhas e doces marroquinos tradicionais. É um lugar onde sempre está acontecendo alguma coisa e onde, mais cedo ou mais tarde, todo visitante da cidade acaba parando, com ou sem mapa.

Aliás, a praça é tombada pela UNESCO e, durante o dia, também serve de principal ponto de encontro para os mais variados artistas, músicos e animadores. Passear por ali é um verdadeiro ataque a todos os sentidos, porque de todos os lados alguém te chama tentando prender a sua atenção. 💡 Dica: observe o movimento de longe. Sente-se em um dos muitos cafés com terraço (o Café de France, por exemplo, é bem popular), de onde você tem uma vista perfeita de todo aquele caos organizado e ninguém fica te abordando o tempo todo.

2. A transformação noturna da Jemaa el-Fnaa

Assim que o sol se põe, a praça Jemaa el-Fnaa passa por uma transformação absolutamente incrível, que você simplesmente precisa ver com os próprios olhos. Todo o espaço se enche de dezenas de barracas gigantes e móveis de comida, das quais sobe uma fumaça densa das grelhas quentes, e a praça vira num instante o maior restaurante ao ar livre da cidade. Por todos os lados toca música tradicional, os tocadores de tambor marcam o ritmo e a atmosfera geral é simplesmente mágica e envolvente.

Se você vier jantar aqui, fique bem atento aos restaurantes na própria praça, porque os aliciadores conseguem ser incrivelmente convincentes. Mal você se senta, os garçons já trazem automaticamente pão, azeitonas e tigelinhas de várias entradas. Lembre-se, porém, de que essas entradas definitivamente não são de graça e vão parar, sem falta, na sua conta no final. A melhor defesa é mandar retirar na hora tudo o que você não pediu e sempre perguntar o preço de qualquer prato de forma bem clara e antecipada.

3. O jardim Jardin Majorelle e o legado de Yves Saint Laurent

O Jardin Majorelle é uma das atrações mais bonitas e visitadas de toda Marrakech e definitivamente não deveria faltar no seu roteiro. Este jardim botânico deslumbrante fica um pouco afastado do centro (uns 45 minutos a pé da medina) e é um oásis de paz perfeito. É repleto de plantas exóticas, cactos gigantes e lagos, dominados por todos os lados pelo icônico azul cobalto que ficou conhecido como “azul Majorelle”.

O jardim foi criado originalmente pelo pintor francês Jacques Majorelle, mas mais tarde foi salvo da destruição pelo famoso estilista Yves Saint Laurent, cujas cinzas, após sua morte, foram inclusive espalhadas aqui. 💡 Dica: dada a enorme popularidade do lugar, compre os ingressos (que custam cerca de 150 MAD) online com bastante antecedência. Chegue de preferência logo na abertura, senão você vai furar filas de turistas e esperar filas intermináveis para cada foto.

4. O maravilhoso Palácio Bahia

O Palácio Bahia é uma verdadeira obra-prima da arquitetura marroquina do fim do século XIX e uma amostra da riqueza incrível daquela época. O ingresso sai por 100 MAD (cerca de 9 euros) para adultos, sendo que crianças até sete anos entram de graça. Fica aberto todos os dias das 8h às 17h e esse complexo imenso oferece dezenas de salas lindamente decoradas, pátios enormes com fontes de mármore e jardins sombreados.

O nome do palácio significa “Brilhante” em tradução, e seus construtores tinham um objetivo bem claro: criar o palácio mais grandioso de sua época. Passear pelas salas vazias, com tetos de cedro entalhados em detalhes incríveis e pisos de mosaico zellige, é uma experiência que você realmente não pode perder. Mas aqui também vale a regra de ouro de chegar bem cedo pela manhã, antes que cheguem os grandes grupos organizados de turistas vindos dos resorts do litoral.

5. A fascinante Madraça Ben Youssef

A Madraça Ben Youssef já foi a maior universidade islâmica de todo o Marrocos e, até hoje, com todo o mérito, é uma das verdadeiras joias da arquitetura islâmica em Marrakech. Depois de uma reforma bastante extensa e trabalhosa, essa escola histórica do século XIV reabriu para os visitantes, e seus detalhes elaborados literalmente tiram o fôlego. O pátio principal, com um grande espelho d’água raso, é cercado por paredes cobertas de padrões geométricos complexos, madeira e estuque.

Você também pode ver de perto as minúsculas celas dos estudantes nos andares superiores, onde chegaram a viver e estudar com afinco até 900 estudantes do Alcorão. O contraste entre o ambiente completamente silencioso e sagrado dentro da madraça e o souk agitado que fica logo do outro lado de suas paredes é realmente fascinante. 💡 Dica: combine a visita à madraça com uma volta pelos mercados dos arredores e pelo museu de fotografia próximo — assim você garante um ótimo programa para toda a manhã.

6. O Palácio El Badi e o pôr do sol mágico

Enquanto o vizinho Palácio Bahia impressiona com seus detalhes perfeitamente conservados, o Palácio El Badi é hoje mais uma ruína monumental, que ainda assim deixa claro toda a sua enorme glória histórica. Este palácio do século XVI foi mandado construir pelo sultão Ahmad al-Mansur e, em sua época, foi generosamente financiado com o ouro das conquistas no Sudão. Hoje, você pode passear entre as robustas paredes de barro e os enormes pátios vazios.

O mais interessante do palácio hoje é, talvez, que suas altas paredes foram tomadas por dezenas de cegonhas, que constroem ali seus ninhos enormes e sobrevoam as ruínas. 💡 Dica: venha aqui no fim da tarde, pouco antes do horário de fechamento. Do terraço do palácio você tem uma vista absolutamente fantástica da cidade ao pôr do sol, quando as paredes de tijolo ganham um tom vermelho-alaranjado incrivelmente intenso e as fotos daqui ficam maravilhosas.

7. A majestosa Mesquita Koutoubia

A Mesquita Koutoubia é, sem dúvida, o principal marco e ponto de referência de toda Marrakech, por onde você sempre se orienta com segurança. Seu minarete de quase setenta metros de altura se ergue orgulhoso sobre a cidade e é visível de praticamente todos os terraços dos arredores. O nome da mesquita vem originalmente da palavra para livreiro, porque, no passado, havia dezenas de barracas com manuscritos históricos bem ao seu redor.

É muito importante saber que a entrada na mesquita é permitida apenas a muçulmanos praticantes, então, como turista comum, você só pode admirar essa construção imponente do século XII por fora. O melhor é passear pelos jardins lindamente cuidados e cheios de rosas que cercam a mesquita e ouvir dali o ensurdecedor, mas cativante, chamado à oração, que ecoa por toda a cidade e lhe dá aquela verdadeira atmosfera oriental.

8. O labirinto dos souks na medina

Se perder nos souks (mercados) de Marrakech não é só bem provável, é praticamente inevitável — e faz parte da melhor experiência de toda a cidade. Os souks formam um enorme labirinto de vielas estreitas e parcialmente cobertas, com mais de três mil anos de história e organizadas por tipo de artesanato. Você encontra vielas cheias de artigos de couro, luminárias marteladas à mão, tapetes, cerâmica pintada e especiarias coloridas.

A atmosfera aqui é incrivelmente intensa e envolvente a cada passo. De cada canto alguém te chama oferecendo o “melhor preço garantido”, você precisa desviar o tempo todo das motos que passam, se enfiando de forma inacreditável nos vãos de um metro entre as pessoas, e de todos os lados vem o cheiro forte do chá de hortelã. Não tenha medo de se perder e de largar o mapa por um momento, porque, no fim, toda viela maior mais cedo ou mais tarde te leva de volta à praça central.

9. A arte de pechinchar e como fazê-la

Comprar no Marrocos tem regras claras e imutáveis, e a pechincha aqui é uma necessidade absoluta, não apenas uma opção voluntária para os corajosos. Se você vir uma mercadoria sem preço, tenha certeza de que o primeiro valor que o comerciante te disser com toda a confiança está muito inflado, muitas vezes duas, três ou até quatro vezes acima do real. Por isso, nunca aceite a primeira oferta — você estaria insultando o espírito comercial dos vendedores locais.

A regra básica para uma compra bem-sucedida é: ofereça cerca de 30% do valor pedido originalmente e, aos poucos, com um sorriso e brincadeiras, chegue a um meio-termo que agrade os dois lados. 💡 Dica: se o preço ainda parecer alto demais, use a técnica muito eficaz da retirada. Agradeça com um sorriso e comece a sair devagar da loja. Em nove de cada dez casos, o vendedor vai te chamar na hora com uma oferta bem melhor.

10. Um banho tradicional no hammam

Se você quer viver algo realmente local e, ao mesmo tempo, descansar depois de um dia intenso caminhando pela cidade, uma visita a um hammam marroquino tradicional (banhos públicos) não deveria faltar na sua lista. A experiência consiste em uma boa passagem por uma sala de vapor quente, seguida de uma esfoliação corporal incrivelmente completa com uma pasta de sabão preto especial (o chamado savon noir) e uma luva de banho áspera chamada kessa.

Você tem basicamente duas opções principais para encarar isso. Ou vai a um hammam local autêntico, frequentado pelos marroquinos comuns (é muito barato, mas você recebe só um balde de plástico e precisa levar seu próprio sabão e toalha), ou paga um pouco mais por um hammam spa turístico. Lá, a equipe cuida de você, você ganha uma massagem gostosa e tudo acontece em um ambiente luxuoso. Para a primeira visita, recomendamos mais a segunda opção.

11. Os enigmáticos Túmulos Saadianos

Os Túmulos Saadianos são um monumento fascinante e lindo do fim do século XVI, que ficou totalmente esquecido por centenas de anos e hermeticamente emparedado por um dos governantes posteriores, que queria apagar o legado de seus antecessores. Só foram redescobertos por puro acaso em 1917, durante levantamentos aéreos da cidade feitos pelo exército francês. Hoje, você pode admirar com calma os mausoléus lindamente decorados.

A parte mais conhecida e de longe mais bonita de todo o complexo é a chamada Sala das Doze Colunas, onde está sepultado o poderoso sultão Ahmad al-Mansur. A sala é decorada com estuques incrivelmente precisos, azulejos zellige e sustentada por colunas maciças de mármore puro de Carrara. A área do complexo não é muito grande e você a percorre bem rápido, mas os detalhes da decoração são dos mais perfeitos de todo o Marrocos.

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12. Maison de la Photographie (Museu da Fotografia)

Esse museu incrível é uma verdadeira joia escondida de Marrakech, da qual muitos turistas simplesmente se esquecem, o que é uma pena enorme. A Maison de la Photographie fica em um riad tradicional lindamente reformado e guarda uma coleção impressionante de fotografias históricas do Marrocos, de 1870 a 1950. As fotos expostas documentam de forma linda e crua como a cultura local, as tribos berberes e a própria cidade foram se transformando ao longo das décadas.

Além da exposição em si, o museu tem ainda outro grande atrativo pelo qual vale a pena pagar o ingresso. No seu terraço fica um dos melhores cafés da medina, com uma vista panorâmica fantástica de toda a cidade e, ao longe, dos picos nevados das montanhas do Atlas. É o lugar perfeito para, depois da visita, tomar um refrescante chá de hortelã e relaxar um pouco à sombra.

13. Segurança na medina depois do anoitecer

Embora Marrakech seja, durante o dia, um lugar agitado e relativamente seguro do ponto de vista da segurança pessoal, depois do anoitecer a atmosfera nas vielas estreitas da medina muda bastante. Durante a nossa viagem, confirmamos bem rápido que se orientar nas vielas escuras é muito mais difícil e que a própria medina pode ser perigosa à noite. Os grupos de pessoas somem rapidamente e você facilmente se vê em cantos vazios e escuros, sem possibilidade de ajuda.

Cuidado especial e redobrado vale principalmente para as mulheres. Mulheres não deveriam, de forma alguma, circular sozinhas pela medina à noite. Se você estiver voltando do jantar para o seu riad já de noite, fique nas vias principais e bem iluminadas, não use nenhum atalho duvidoso e, de preferência, peça sempre para alguém da equipe do hotel te acompanhar. Para informações detalhadas sobre a segurança geral no país, leia com certeza o nosso artigo completo Segurança no Marrocos: 18 coisas com as quais ter cuidado.

14. Golpe: cuidado com a “henna grátis” na praça

Um dos golpes mais comuns e traiçoeiros com os quais os turistas quase certamente vão esbarrar em Marrakech acontece bem na praça central Jemaa el-Fnaa. Mulheres locais pegam a sua mão de repente e começam a pintar rapidamente um desenho de henna dizendo que é “free” ou um presente de boas-vindas. Mas assim que o desenho fica pronto, elas passam na hora a exigir de forma bem agressiva valores entre 200 e 500 MAD, fazendo uma cena enorme.

Mas não é só uma questão de dinheiro jogado fora e de humor estragado: há também um enorme risco à saúde escondido nisso, do qual muita gente se esquece. Muitas dessas mulheres usam a chamada “henna preta”, que contém uma substância tóxica, o PPD. Ela pode causar reações alérgicas graves, queimaduras e, em casos excepcionais, deixar cicatrizes permanentes. 💡 Dica: se alguém se aproximar de você com henna, esconda as mãos atrás das costas e diga com firmeza “La, shukran” (Não, obrigado).

15. Golpe: animais como acessórios para fotos

Ao passear pela praça Jemaa el-Fnaa, infelizmente você vai ver o tempo todo vários homens com macaquinhos em correntes ou encantadores de serpentes sentados em tapetes. Esses animais costumam ser mantidos em condições absolutamente terríveis e servem puramente como acessórios visuais para o entretenimento de turistas ingênuos. É comum que, de repente, coloquem um macaquinho no seu ombro ou uma cobra em volta do seu pescoço, sem que você tenha pedido nada.

Assim que você tira uma foto do animal, ou eles te fotografam com ele, começam na hora a cobrar valores absurdamente altos pela foto e conseguem ser bem desagradáveis. Por razões éticas e para proteger os animais, recomendamos fortemente não dar nenhuma atenção a essas atrações. Não faça contato visual com essas pessoas e muito menos fotografe os animais, nem de longe. Qualquer câmera apontada é para eles um sinal imediato para pedir dinheiro.

16. Golpe: guias falsos e “ajudantes”

Na medina agitada, é praticamente certo que, mais cedo ou mais tarde, algum estranho vai se juntar a você. Rapazes locais começam a caminhar discretamente ao seu lado, te apontam o caminho para os monumentos ou passam a te explicar animadamente a história da cidade. No fim dessa “visita” não solicitada, é claro que eles vão pedir dinheiro de forma nada delicada, mesmo que, no começo, insistissem que só queriam te ajudar de forma amigável e desinteressada a encontrar o caminho.

Lembre-se muito bem de que os guias oficiais licenciados sempre têm uma identificação visível e, além disso, você precisa combinar o passeio com eles com antecedência. Qualquer guia autoproclamado na rua você precisa recusar já nos primeiros segundos, de forma educada, mas totalmente firme. Se ele continuar grudado em você e falando, simplesmente ignore e entre na loja ou no café mais próximo até que ele vá embora.

17. Golpe: “Por aqui não dá para passar, a rua está fechada”

Esse é talvez o truque mais antigo e mais usado no manual dos golpistas de rua de Marrakech. Quando você estiver tentando achar o caminho até o riad com o GPS na mão, alguém vai te abordar com cara séria afirmando que a sua rua está fechada hoje, bloqueada, ou que ali está acontecendo uma oração importante. Em seguida, é claro, vão se oferecer prontamente para te levar por outro caminho, supostamente “melhor”.

Mas esse outro caminho quase sempre acaba com eles te levando para um lugar completamente diferente, te empurrando para a loja de um conhecido, ou te levando ao destino por um desvio enorme e passando a exigir de forma agressiva um pagamento alto pela “navegação”. 💡 Dica: baixe os mapas offline ainda em casa e lembre-se de que as ruas da medina quase nunca estão fechadas. Simplesmente agradeça com um sorriso e siga com confiança na sua direção original.

18. Golpe: desvio para os curtumes (tanneries)

Esse golpe muito comum costuma estar bem ligado ao ponto anterior, sobre ruas fechadas. Os golpistas te param propositalmente a caminho de algum monumento importante (na maioria das vezes os palácios ou a madraça) e te comunicam com tristeza que “o monumento está fechado hoje, infelizmente, para todos os turistas”. No mesmo fôlego, acrescentam que hoje, excepcionalmente, está acontecendo um grande mercado berbere nos curtumes (tanneries) e que ficariam muito felizes em te levar até lá.

Os curtumes de Marrakech de fato existem e são visualmente interessantes, mas esse truque serve apenas para te obrigar, sob pressão, a comprar artigos de couro superfaturados em uma loja específica de “amigos”, da qual o seu falso “guia” tira uma boa comissão. Sempre confira os horários de funcionamento dos monumentos em fontes oficiais e não acredite em ninguém que, na rua, te convença do contrário.

19. Como lidar com os táxis e os taxímetros

O transporte na cidade pode ser um baita teste de nervos não só no volante, mas também numa corrida de táxi aparentemente simples. Os pequenos táxis urbanos, os chamados “petits taxis”, têm por lei a obrigação rigorosa de sempre rodar com o taxímetro ligado. Mas a realidade, infelizmente, é que assim que o motorista vê um turista, ele diz na hora que “o taxímetro está quebrado” ou já oferece, pela janela abaixada, um valor fixo absurdamente alto pela corrida.

E a diferença real no preço é enorme. Uma corrida normal pela cidade no taxímetro custa em torno de 15 a 20 MAD, enquanto para os turistas costumam oferecer a corrida por 100 a 200 MAD. 💡 Dica: sempre insista firmemente para ligar o taxímetro antes mesmo de entrar no carro. Se o motorista se recusar, simplesmente feche a porta agradecendo e chame o próximo. Em Marrakech circulam milhares de táxis e, mais cedo ou mais tarde, você acha um motorista honesto.

20. Cuidado com mochilas e batedores de carteira

Nos souks lotados e na praça central Jemaa el-Fnaa reinam condições absolutamente ideais para batedores de carteira habilidosos, que aproveitam perfeitamente a confusão e o contato próximo na multidão. Durante a nossa viagem, notamos bem rápido uma coisa fundamental: no centro da medina, nenhum morador local usa mochila, embora elas sejam vendidas em enormes quantidades em cada esquina. Usar mochila nas costas simplesmente te transforma num alvo imediato para os ladrões.

Nós resolvemos a questão da segurança dos pertences usando um cadeadinho na mochila e não carregando absolutamente nada de valor no bolso da frente, o mais acessível. Se puder, é melhor nem levar a mochila clássica para a medina e optar por uma pochete pequena ou pela querida bolsa transversal (crossbody), que você mantém sempre na frente, no peito, e sob controle total.

21. Blitze policiais e dirigir no Marrocos

Se você, assim como nós, decidir percorrer o Marrocos de carro alugado, prepare-se para encontros muito frequentes com a polícia de trânsito local. Em apenas cinco dias, os policiais nos pararam umas vinte vezes, muitas vezes só numa fiscalização de rotina na entrada das cidades maiores. Aviso importante para o aluguel de carro: você precisa ter um cartão de crédito no nome do motorista. Nós tínhamos só um cartão de débito comum e depois tivemos um problemão para fazer o depósito de caução na nossa locadora, a AirCar.

Numa das viagens, ultrapassamos por azar uma faixa contínua mal sinalizada e os policiais nos pararam na hora (aparentemente acompanharam tudo de longe com binóculos). Eles quiseram nos aplicar ali mesmo uma multa de 40 euros, ou seja, cerca de 400 MAD. Mas aprendemos ali uma coisa muito útil: foi extremamente vantajoso não falar francês e nos recusarmos teimosamente a nos comunicar nessa língua. A conversa em inglês não levava a lugar nenhum, então toda a situação só se arrastou por longos cinco minutos de discussão.

22. Comida vegetariana e restaurantes (e um grande erro)

A culinária marroquina é cheia de sabores incríveis e, mesmo sendo em geral muito baseada em carne, para os vegetarianos, felizmente, há muitas opções realmente ótimas. Os restaurantes locais preparam com frequência e com carinho um delicioso tajine de legumes (legumes cozidos com batata e especiarias, servidos naquela típica panela de barro), cuscuz de legumes ou saladas marroquinas fresquinhas. A regra de ouro, que lemos em fóruns em inglês e seguimos à risca, é: “coma onde os locais comem”. Isso sempre valeu muito a pena para nós, e comemos muito bem gastando bem pouco.

Infelizmente, uma única vez quebramos essa regra e nos arrependemos bastante. No passeio até as cachoeiras de Ouzoud, cedemos à tentação de fazer um almoço rápido com uma vista linda num restaurante claramente turístico e requintado. Foi excessivamente caro e foi a única refeição em todo o Marrocos que realmente não gostamos nada. Por isso, prefira ficar nos bistrôs locais discretos, que ficam fora das principais rotas turísticas.

23. Marrakech com crianças

Visitar Marrakech com crianças pequenas é possível, sim, mas definitivamente exige uma abordagem bem específica e nervos de aço de todos os envolvidos. A cidade é extremamente barulhenta, caótica e empoeirada, o que pode ser bem cansativo e estressante para crianças menores depois de algumas horas. Percorrer a cidade velha com um carrinho de bebê clássico é praticamente impossível por causa das vielas estreitas, das escadas e das motos passando o tempo todo, então um canguru ou sling é aqui uma necessidade absoluta.

Se você vier mesmo assim com as crianças, invista com certeza numa hospedagem num riad tranquilo com piscina interna ou num hotel fora da medina agitada, com grandes jardins. Depois de algumas horas no agito da cidade, as crianças vão precisar de um refúgio calmo, onde possam descansar e se refrescar com segurança. Também deu muito certo evitar os horários de pico da tarde nos mercados e explorar a cidade logo cedinho, quando reina uma calma relativa.

24. Preços e orçamento no Marrocos

O Marrocos é em geral um destino muito acessível e acolhedor, mas na própria Marrakech os preços podem variar demais dependendo do quanto você ceder às armadilhas turísticas onipresentes. Para uma ideia clara dos custos totais de viagem: o nosso roadtrip de oito dias pelo Marrocos (incluindo aluguel de carro, hospedagem, comida e gasolina) saiu por cerca de R$ 5.800 para duas pessoas (23 260 CZK). Em Marrakech, dá para viver bem barato se você comer nos bistrôs locais (onde a comida custa em torno de 30–50 MAD) e dormir em riads simples fora dos bairros de luxo.

Por outro lado, os ingressos para os monumentos populares, os cafés de luxo nos terraços e os jantares nos restaurantes turísticos com música conseguem esgotar o seu orçamento bem rápido. O básico para uma viagem tranquila é sempre ter dinheiro em espécie suficiente com você (o dirham marroquino, abreviado como MAD), porque, mesmo que os hotéis e restaurantes melhores já aceitem cartão normalmente, nos mercados, nas barraquinhas e nos táxis você sempre paga apenas em dinheiro.

25. Etiqueta e costumes locais: a mão direita manda

Respeitar os costumes locais antigos vai te abrir muitas portas no Marrocos e, com certeza, te poupar de vários olhares de reprovação. Uma regra fundamental e muito prática, que você precisa memorizar antes mesmo de embarcar, é que você deve sempre pagar, entregar as coisas e comer exclusivamente com a mão direita. Isso porque, na cultura muçulmana, a mão esquerda é tradicionalmente considerada impura. Se você entregar dinheiro a um comerciante com a mão esquerda, ele pode encarar isso como uma grande ofensa pessoal. Nós, aliás, propositalmente não trouxemos dos mercados nenhum mineral tingido nem fóssil falso, que há aos montes por todo lado, porque simplesmente não vale a pena.

Não esqueça também de se vestir de forma adequada e discreta. Embora Marrakech esteja há muito acostumada com a chegada de turistas, você ainda está em um país islâmico profundamente conservador. Ombros de fora, decotes profundos ou shorts curtos demais não são adequados nem para homens nem para mulheres. Vista-se de preferência com roupas leves, mas comedidas — assim você demonstra o tão necessário respeito pela cultura local, algo que os marroquinos valorizam muito.

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Para onde ir a partir de Marrakech

Marrakech é um ponto de partida absolutamente ideal para explorar outros cantos do Marrocos. Durante a nossa viagem de uma semana, saímos da cidade para um roadtrip incrível, cujo roteiro completo e mapa você encontra no artigo Roadtrip pelo Marrocos: itinerário de 7 a 9 dias. Aqui vão as melhores dicas de passeios:

Antes de começar a planejar o programa, resolva a hospedagem: no artigo Onde se hospedar em Marrakech comparamos a medina, o Guéliz e o Hivernage e recomendamos riads específicos de acordo com o orçamento.

  • Cachoeiras de Ouzoud: cascatas lindas que ficam a cerca de 2,5 horas da cidade. 💡 Dica: no local, os moradores insistiam para a gente pegar uma tal “trilha de trás, menos turística”. Mas descobrimos que, na trilha “turística” normal, na verdade havia muito menos gente, então não caia nessa e vá pela rota clássica.
  • Aït Benhaddou: a famosa kasbah (vila fortificada) de barro, onde foram filmados Gladiador e Game of Thrones. De Marrakech até aqui é uma viagem linda pelas montanhas do Atlas.
  • Expedição ao Saara (Merzouga): se você tiver mais dias, vá até as dunas de areia de Merzouga. Nós fizemos o passeio de camelo com a ótima empresa Mohou Tours. O dono, na nossa opinião, foi talvez o marroquino mais gentil que conhecemos, e o passeio ao deserto custou apenas ótimos 25 euros.
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Perguntas frequentes

Marrakech é uma cidade segura para turistas?

Sim, durante o dia a cidade é muito segura, mas você precisa tomar muito cuidado com os batedores de carteira onipresentes nas multidões e estar preparado para vendedores de rua insistentes e diversos golpes. A própria medina é mais difícil de se orientar à noite e as mulheres definitivamente não devem andar por lá sozinhas. Esteja sempre alerta e use o bom senso.

Qual é a melhor roupa para usar em Marrakech?

Escolha principalmente roupas leves e respiráveis, mas que respeitem totalmente a cultura local. Mulheres e homens devem manter ombros e joelhos cobertos o tempo todo. Ideais são calças de linho soltas, saias longas e camisas. Nos meses de inverno, não se esqueça de levar também um suéter quente ou jaqueta para a noite, quando a temperatura cai drasticamente após o pôr do sol.

Posso beber água da torneira em Marrakech?

Definitivamente não recomendamos beber água da torneira no Marrocos, pois você pode ter problemas estomacais muito desagradáveis que arruinariam toda a sua viagem. Sempre compre água engarrafada e use-a também para escovar os dentes, por precaução. Cuidado também com o gelo nas bebidas que você pedir em barracas de rua.

Preciso de visto para o Marrocos?

Cidadãos brasileiros não precisam de visto para entrada regular no Marrocos, desde que a estadia turística não ultrapasse 90 dias. No entanto, seu passaporte deve ser válido por pelo menos 6 meses após a data de entrada no país, então verifique cuidadosamente esse prazo antes do embarque.

Como ir do aeroporto de Marrakech até o centro?

A opção mais barata e bastante confiável é o ônibus do aeroporto número 19, que circula a cada 20 a 30 minutos e uma viagem custa 30 MAD. A alternativa são, obviamente, os táxis, mas você deve negociar o preço antes de entrar. O preço normal para o centro deve ficar em torno de 70 a 100 MAD, embora os motoristas certamente vão pedir muito mais no início.

É possível comprar álcool normalmente em Marrakech?

O Marrocos é um país islâmico, então o álcool não é vendido normalmente em lojas comuns nem na maioria dos restaurantes tradicionais. No entanto, você o encontrará em hotéis internacionais licenciados, restaurantes turísticos melhores no bairro de Guéliz e em seções especialmente separadas de grandes supermercados, como o Carrefour, por exemplo.

Que dinheiro devo levar para o Marrocos?

A moeda local é o dirham marroquino (MAD), que não pode ser comprado facilmente e de forma vantajosa no exterior. Leve com você euros ou dólares e troque-os diretamente no local em casas de câmbio oficiais (mas evite definitivamente a taxa desfavorável diretamente no aeroporto), ou retire dirhams diretamente de caixas eletrônicos locais confiáveis.

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