Estônia: 20 curiosidades e fatos que você não conhecia

Muita gente confunde a Estônia com a Letônia ou a Lituânia e a coloca mentalmente em algum canto cinzento do leste pós-soviético. Na realidade, porém, esse pequeno país pertence mental e culturalmente à Escandinávia e está muito mais próximo dos finlandeses do que dos seus vizinhos bálticos. Se você quer descobrir as melhores curiosidades sobre a Estônia, veio ao lugar certo.

Em vez de prédios descascados da era soviética, aqui você é recebido por uma sociedade altamente moderna e tecnologicamente avançada, onde muralhas medievais dão lugar naturalmente a centros de startups envidraçados. De manhã você pode observar ursos com respeito na taiga profunda e à tarde tomar um café especial num bairro que parece saído de uma revista de design moderno de Copenhague.

Neste artigo vamos olhar juntos para os fatos mais interessantes e surpreendentes que fazem da Estônia um verdadeiro caso único na Europa. Você vai descobrir, entre outras coisas, por que no inverno as pessoas às vezes dirigem sobre o mar sem cinto de segurança e como é possível que os moradores resolvam todos os assuntos burocráticos direto da sauna.

Conteúdo do artigo

Resposta rápida

A Estônia é o país báltico mais ao norte, situado no nordeste da Europa junto ao mar Báltico, fazendo fronteira com a Letônia e a Rússia. A capital é Tallinn, a moeda é o euro e o idioma oficial é o estoniano.

Com 1,37 milhão de habitantes, o país faz parte da União Europeia e da OTAN e se destaca mundialmente pela digitalização extrema da administração pública.

Resumo

Vamos resumir logo os pontos mais importantes. A Estônia é incrivelmente diversa e oferece muitas coisas únicas.

  • Nórdicos de coração: os estonianos não se sentem parte do Báltico e, tanto na língua quanto na cultura, estão mais próximos da vizinha Finlândia.
  • Paraíso digital e-Estonia: quase 99% de toda a administração pública funciona online, incluindo as eleições parlamentares nacionais.
  • País de milhares de ilhas: a costa estoniana tem mais de 2.000 ilhas, sendo as mais conhecidas Saaremaa e Hiiumaa.
  • Natureza selvagem única: metade do território é coberta por florestas densas e, na primavera, você pode vivenciar em pessoa a chamada quinta estação do ano.
  • Pioneirismos europeus históricos: Tallinn se orgulha da farmácia em funcionamento contínuo mais antiga e, muito provavelmente, da primeira árvore de Natal da Europa.
  • Segurança em primeiro lugar: apesar da proximidade com a Rússia, é um dos países mais seguros e com maior alfabetização midiática do mundo.

Dados básicos sobre a Estônia

DadoValor
:—:—
CapitalTallinn
Área45.227 km²
População1,37 milhão (densidade populacional muito baixa)
MoedaEuro desde 2011
Idioma oficialEstoniano (família das línguas fino-úgricas)
Membro da UE e da OTANSim, ambos desde 2004
Fuso horárioHorário da Europa Oriental (5 horas à frente de Brasília)
Código internacional+372
Ponto mais altoSuur Munamägi (318 metros acima do nível do mar)
Extensão da costa3.794 quilômetros (incluindo mais de 2.000 ilhas)

20 curiosidades sobre a Estônia

A Estônia surpreende praticamente a cada passo. Aqui está uma seleção dos fatos mais fascinantes que retratam perfeitamente esse país de alma nórdica. Você vai entender por que a natureza aqui é tão incrivelmente selvagem, o quanto os moradores valorizam a digitalização e quais tradições incomuns conseguiram sobreviver até os dias de hoje.

Encare esta lista como uma ótima inspiração e ponto de partida para planejar a sua própria aventura nórdica.

1. Um e-Estado onde você resolve tudo do sofá

A Estônia é uma pioneira absoluta na digitalização, porque aqui você resolve quase 99% de todos os trâmites burocráticos pela internet. Segundo as leis locais, você só precisa ir presencialmente a uma repartição por três motivos específicos: casamento, divórcio e venda de imóvel.

Esse sistema sofisticado se chama e-Estonia e abrange absolutamente tudo, desde abrir uma empresa até retirar uma receita de remédio. Os estonianos foram inclusive o primeiro povo do mundo a implementar eleições nacionais pela internet, o que economiza muito tempo e dinheiro público.

O Estado ainda oferece a chamada e-Residency, uma cidadania virtual para empreendedores do mundo todo, e atrai nômades digitais com vistos especiais. O tempo economizado sem filas e balcões, segundo diversas pesquisas, os moradores preferem passar na natureza ou nas suas amadas saunas.

2. Não são bálticos, mas nórdicos disfarçados

A chave para entender a alma estoniana está no seu idioma complexo, que não pertence às línguas bálticas como o letão e o lituano vizinhos. O estoniano faz parte do ramo fino-úgrico, então quando um estoniano e um letão se encontram na fronteira, segundo os linguistas eles não entendem uma única palavra um do outro.

Por esse motivo histórico, os moradores não se sentem parte do Báltico e encaram esse rótulo mais como uma etiqueta geográfica artificial. Mental, cultural e historicamente, eles olham para o norte, em direção a Helsinque, com quem compartilham a ética de trabalho luterana e a paixão pelo minimalismo.

Os números só confirmam essa forte inclinação nórdica, porque a Estônia é de longe o mais rico do trio báltico. O país tem o maior PIB per capita e lidera de forma estável toda a região no prestigiado Índice de Desenvolvimento Humano.

3. A farmácia em funcionamento mais antiga da Europa

Bem na pitoresca Praça da Prefeitura de Tallinn você encontra uma joia histórica pela qual muitos turistas passam sem nem perceber. Ela se chama Raeapteek e é a farmácia em funcionamento contínuo mais antiga de toda a Europa, que abriu suas portas pela primeira vez lá em 1422.

Nos tempos sombrios da Idade Média, aqui se vendiam remédios completamente bizarros, entre eles pó de ouriço queimado, sangue de morcego ou até sapos secos. A farmácia funcionava também como um centro social, onde os vereadores bebiam vinho quente e discutiam a importante política da cidade.

Hoje você já não compra sangue de morcego por aqui, mas a exposição histórica na sala dos fundos é totalmente gratuita e oferece uma visão fascinante da história da medicina. A parte da frente do estabelecimento, por sua vez, continua funcionando como uma farmácia moderna comum para os moradores.

4. A disputa pela primeira árvore de Natal pública

Tallinn reivindica com muito orgulho um dos mais bonitos pioneirismos europeus, ligado às queridas festas de fim de ano. Os historiadores locais afirmam que foi justamente na Praça da Prefeitura da cidade que se ergueu em 1441 a primeira árvore de Natal pública da Europa.

Quem cuidou dessa tradição na época foram os membros da poderosa Irmandade dos Cabeças-Pretas, uma corporação de mercadores livres que atuava em todo o Báltico. Segundo os registros preservados, eles ergueram na praça um abeto enorme, ao redor do qual dançaram, cantaram e, no final, o incendiaram cerimonialmente.

Tallinn ainda disputa esse título prestigiado numa rivalidade amistosa com a vizinha Riga, na Letônia, que afirma ter montado sua árvore alguns anos antes. Seja de que lado estiver a verdade, o atual mercado de Natal de Tallinn é considerado por muitas votações um dos mais bonitos de todo o continente. 💡 Dica: se você ama a atmosfera do Advento, vá a Tallinn em dezembro, quando a onipresente hora dourada nórdica dá um charme especial aos mercados. Passeios e atividades de inverno você pode reservar facilmente com antecedência pela plataforma GetYourGuide.

5. A sauna de fumaça reconhecida pela UNESCO

Enquanto hotéis spa modernos você encontra por todo o país, a verdadeira alma da sauna estoniana está escondida bem no sul, na peculiar região de Võromaa. É justamente aqui que se preservou a tradição única da chamada sauna de fumaça, que a UNESCO inscreveu em sua lista prestigiada em 2014.

Essa pequena construção de madeira não tem nenhuma chaminé, então quando se acende lá dentro uma boa lenha, a fumaça densa preenche o ambiente inteiro e a fuligem cobre as paredes. O aquecimento leva cerca de meio dia e só quando o fogo se apaga e a fumaça é ventilada por uma janelinha as pessoas podem entrar.

O ar lá dentro tem um cheiro incrivelmente limpo de madeira e alcatrão, e o calor é radiante e penetra de forma benéfica até os ossos. As famílias locais usam esse ritual de um dia inteiro para purificar corpo e mente e, muitas vezes, se batem com tradicionais ramos de bétula.

6. O matriarcado da ilha de Kihnu

A pequena ilha estoniana de Kihnu é um caso totalmente único na Europa e costuma ser descrita como o último matriarcado em funcionamento do continente. Seu fascinante espaço cultural também é protegido pela UNESCO graças à preservação de tradições ancestrais.

O motivo histórico desse arranjo é muito simples e puramente prático. Os homens da ilha partiam por longos meses para o mar caçar focas, então as mulheres tiveram que assumir o controle absoluto da administração das fazendas, dos consertos das máquinas agrícolas e da manutenção do folclore.

Até hoje, dizem, é comum encontrar as moradoras dirigindo um trator pesado ou andando de moto vestidas com as tradicionais saias de lã listradas. E a cor das listras dessas saias tem um significado preciso: sinaliza aos outros se a mulher está de luto ou, ao contrário, alegre.

7. Estradas de gelo com regras bizarras

Quando a paisagem estoniana é tomada por um inverno realmente rigoroso e o mar Báltico congela o suficiente, surge um fenômeno que dificilmente você vai vivenciar em outro lugar da Europa. O órgão nacional de transportes traça estradas de gelo oficiais direto sobre o mar congelado, sendo que a mais longa, até a ilha de Hiiumaa, mede impressionantes 26,5 quilômetros.

Mas dirigir sobre o gelo do mar segue regras que parecem completamente loucas e desafiam a lógica comum. Ao dirigir vale a proibição rigorosa de usar cinto de segurança, para que você possa abandonar o veículo imediatamente e sem atrasos caso o gelo se rompa de repente.

Outra grande peculiaridade é a velocidade proibida, porque os motoristas não podem dirigir entre 25 e 40 km/h. Nessa faixa específica, os pneus criam sob o gelo uma forte onda de ressonância, que poderia quebrar catastroficamente a crosta congelada à frente do carro.

8. A quinta estação nas florestas alagadas

Além da clássica primavera, verão, outono e inverno, a Estônia tem mais uma anomalia natural absolutamente única. No Parque Nacional de Soomaa, regularmente na virada de março para abril, acontece a chamada quinta estação do ano, que atrai aventureiros de toda a região.

A água do degelo rápido, nessa área plana, não consegue escoar naturalmente e inunda de forma imponente vastos campos, florestas e as estradas locais. Toda essa enorme área se transforma, por algumas semanas, num fascinante e confuso espelho d’água.

Os moradores nessa época tiram suas canoas tradicionais e os turistas vêm remar bem no meio dos troncos das árvores altas ou até chegando à porta de antigas fazendas rurais. É uma experiência surreal, mas que exige um timing muito bom, porque dura pouco tempo. 💡 Dica: os passeios de canoa nessa época você precisa reservar com os guias locais com muita antecedência, porque a procura supera muito a capacidade disponível.

9. Noites brancas, quando a escuridão nunca chega

Se você planeja uma viagem à Estônia em junho, prepare-se para que o seu ritmo de sono passe por um bom aperto. O país fica bem ao norte, então na época do solstício de verão o sol se põe só por volta das 22h45 e a claridade se mantém a noite toda.

Esse fenômeno conhecido como noites brancas significa que o céu nunca escurece completamente e a paisagem fica envolta apenas por uma penumbra azulada estranha. Se você é do tipo que precisa de escuridão total para descansar, com certeza coloque na mala uma boa máscara para os olhos.

O maior evento dessa época é a noite de São João, conhecida como Jaanipäev, que os estonianos consideram o feriado mais importante do ano. As cidades ficam completamente vazias nessa época, porque todos os moradores fogem em massa para o campo, onde acendem fogueiras enormes e comemoram a chegada do verão até o amanhecer.

10. Duzentos anos de tradição de banhos de lama

Embora a gente costume associar tratamentos terapêuticos a fontes quentes, a cultura de bem-estar estoniana se baseia em algo totalmente diferente. O tesouro curativo aqui é a lama preta do mar, extraída em baías rasas e que supostamente tem efeitos milagrosos sobre articulações doloridas e reumatismo.

Essa tradição começou já na primeira metade do século XIX, quando a nobreza czarista russa passou a vir em massa para cá. Os primeiros banhos de lama documentados abriram em 1824 na ilha de Saaremaa e, apenas um ano depois, foram seguidos pela pitoresca cidadezinha litorânea de Haapsalu.

Hoje a Estônia mantém um nível nórdico de excelência no setor de spas e a cidade de Pärnu carrega inclusive o título oficial de capital do verão. Os hotéis spa modernos locais combinam com habilidade os históricos envoltórios de lama com um design escandinavo limpo e amplos mundos de saunas.

11. Imunidade à desinformação

Enquanto muitos países europeus travam uma luta difícil contra as fake news na internet, a sociedade estoniana funciona como um enorme escudo educacional. No ranking europeu de alfabetização midiática, a Estônia ocupa o quinto lugar de elite, o que a torna a melhor de todo o espaço pós-soviético.

Essa enorme vantagem fica evidente principalmente na comparação com os vizinhos, porque a Letônia aparece nesse mesmo ranking em 17º lugar e a Lituânia lá em 19º. Os estonianos são, simplesmente, altamente instruídos, seculares e muito resistentes à manipulação informativa.

Os especialistas atribuem esse sucesso ao ensino moderno, que ensina pensamento crítico desde a mais tenra idade, e também à confiança geral no Estado digitalizado. Ao caminhar pelas ruas da cidade universitária de Tartu, você certamente vai sentir essa atmosfera calma e organizada de uma sociedade inteligente.

12. A fronteira física de dois mundos em Narva

No extremo leste do país fica a cidade de Narva, que oferece uma visão absolutamente fascinante e visível de perto da realidade geopolítica atual. Do outro lado de um rio estreito, duas imponentes fortalezas medievais se encaram diretamente, representando a fronteira física entre a União Europeia e a Rússia.

Numa margem se ergue orgulhoso o castelo estoniano de Hermann, enquanto a apenas cento e cinquenta metros de distância está a sombria fortaleza russa de Ivangorod. Dizem que é o único lugar de toda a União Europeia onde você pode observar esse enorme contraste civilizacional de tão perto e com total segurança.

Chegar de carro ao outro lado, porém, já não é possível, porque a Estônia fechou de forma intransigente para todos os veículos a principal passagem de fronteira Narva-1 desde fevereiro de 2024. A pé é teoricamente possível atravessar a fronteira, mas isso não é recomendado aos viajantes por motivos de segurança.

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13. O pão preto como identidade nacional

A gastronomia estoniana deu um salto enorme nos últimos anos, mas um elemento tradicional permanece completamente inalterado. O escuro, denso e levemente adocicado pão de centeio de fermentação natural chamado must leib não é aqui um simples acompanhamento, mas representa a própria identidade nacional.

Você o recebe automaticamente em qualquer restaurante e ele fica melhor simplesmente com uma boa camada de manteiga salgada. Se você gosta de experimentar as especialidades locais, recomendamos também provar o doce kohuke de queijo quark, uma iguaria popular com cobertura de chocolate que você encontra em qualquer supermercado.

Quando bater a vontade de algo mais tradicional, a cozinha local oferece muitos pratos à base de carne, sendo uma especialidade famosa a sopa de alce ou a espadilha do Báltico marinada. Os peixinhos costumam ser servidos sobre uma fatia de pão preto junto com ovo cozido e endro.

14. Cabanas na floresta de graça para todos

Todo amante da natureza e do camping vai se apaixonar imediatamente pelo sistema estoniano de gestão de florestas. O órgão florestal estatal RMK mantém por todo o país uma enorme rede de trilhas e áreas de acampamento perfeitamente sinalizadas, disponíveis para absolutamente qualquer pessoa e totalmente de graça.

Nos lugares mais bonitos, à beira de lagos ou em florestas profundas, você encontra cabanas de madeira simples conhecidas como metsaonnid, onde pode pernoitar sem pagar. Elas funcionam num princípio justo: a cama fica simplesmente com quem chegar primeiro, por conta própria.

Nessas áreas de acampamento há sempre uma fogueira cuidadosamente preparada, muitas vezes até lenha seca cortada e um banheiro seco limpo. Essa abordagem generosa do Estado mostra claramente o enorme respeito que os estonianos têm pela sua natureza e o quanto incentivam a livre circulação pela paisagem.

15. A maratona maluca de saunas no frio

Enquanto Pärnu funciona como centro de verão, o sul da Estônia tem sua versão de inverno na cidadezinha de Otepää, que se torna todo ano a capital oficial do inverno. Em fevereiro acontece aqui um evento que retrata perfeitamente o jeito um pouco maluco dos estonianos: a Maratona Europeia de Saunas.

Imagine quase mil participantes do mundo todo, divididos em equipes de quatro pessoas e frequentemente vestidos com fantasias totalmente loucas. Com um mapa na mão, a missão deles é visitar cerca de vinte saunas diferentes no menor tempo possível, espalhadas por toda a região coberta de neve.

Em cada ambiente aquecido eles precisam passar pelo menos três minutos e ganham valiosos pontos de bônus quando, no caminho, se mergulham voluntariamente nos buracos de gelo abertos em lagos congelados. É um enorme evento social no qual, apesar do frio constante, reina um clima fantástico.

16. A Revolução Cantada e a corrente humana

A forma como a Estônia, junto com seus vizinhos, se libertou do jugo soviético é um dos momentos mais comoventes da história moderna europeia. No fim dos anos 1980, a nação se ergueu contra a ocupação com a chamada Revolução Cantada, quando as pessoas se reuniam às centenas de milhares e cantavam canções nacionais proibidas.

Essa resistência não violenta culminou em agosto de 1989 numa ação absolutamente única chamada Corrente Báltica. Cerca de dois milhões de habitantes da Estônia, Letônia e Lituânia deram as mãos e formaram uma cobra humana ininterrupta de respeitáveis 600 quilômetros, ligando as capitais das três repúblicas.

Com esse gesto impressionante, eles chamaram a atenção do mundo inteiro para o quinquagésimo aniversário do pacto secreto Molotov-Ribbentrop, que um dia dividiu a Europa Oriental. Dois anos depois, a Estônia finalmente recuperou sua tão desejada independência e, desde então, nunca mais mudou sua orientação para o Ocidente.

17. Uma cratera de meteorito cheia de mistérios

Na maior ilha estoniana, Saaremaa, esconde-se uma curiosidade geológica que às vezes rende a essa região o apelido de Tunguska europeia. Há cerca de três mil e quinhentos anos, um meteorito imponente caiu aqui em altíssima velocidade, que ao impacto estilhaçou o subsolo e criou várias crateras de uma vez.

A principal delas se chama Kaali, tem um diâmetro respeitável de mais de cento e dez metros e, no seu fundo, hoje se aninha um laguinho verde-escuro coberto de vitórias-régias. Considerando que a área provavelmente já era habitada na época, a queda daquele corpo em chamas do céu deve ter parecido, para os moradores locais, o fim absoluto do mundo.

O lugar inteiro ainda emana uma atmosfera pagã muito forte e escavações arqueológicas sugerem que a cratera, em tempos antigos, servia como um importante local de sacrifícios de culto. Ao redor do laguinho foram descobertos os restos de um forte muro de pedra, que protegia o espaço sagrado do mundo ao redor.

18. A traiçoeira interferência no sinal de GPS

A situação geopolítica da região traz também um problema bem prático, com o qual você deve contar ao planejar um road trip. Nos últimos anos, sobre todo o mar Báltico e especialmente na parte leste da Estônia, tem-se registrado com muita frequência uma interferência intencional no sinal de GPS.

Se você alugar um carro (ótimas ofertas você encontra, por exemplo, pela RentalCars) e seguir rumo à fronteira russa ou ao sudeste, para a região de Setomaa, a navegação do celular pode enlouquecer de repente. O pontinho azul no mapa pode tranquilamente afirmar que você está agora no meio do Golfo da Finlândia ou lá no fundo das florestas.

Por esse motivo é absolutamente essencial baixar mapas offline no celular antes da viagem. A sinalização rodoviária clássica na Estônia, felizmente, é excelente e muito clara, então você chega ao destino sem problemas mesmo no momento em que a tecnologia moderna te trai por um instante. Vale também considerar um chip de internet como o da Holafly, para nunca ficar sem dados durante o trajeto.

19. Dois mil ilhas para explorar

Quando na Estônia se diz que a família vai passar o fim de semana nas ilhas, soa exatamente como quando um brasileiro anuncia que vai para a casa de campo. O país possui mais de dois mil ilhas e ilhotas das mais variadas, mas a atenção turística se concentra sobretudo no grande quarteto ocidental.

Além da já mencionada pérola termal Saaremaa e da tradicional ilha de Kihnu, entra na lista também a mais selvagem e densamente florestada Hiiumaa, famosa por seus faróis históricos. É justamente aqui que fica o farol de Kõpu, de 1531, o que o torna o terceiro farol em funcionamento contínuo mais antigo do mundo.

O portão de entrada desse mundo insular é a pequena ilha de Muhu, por onde passa todo viajante vindo da balsa. Aqui você encontra a idílica vila de pescadores de Koguva e também o luxuoso solar reformado Pädaste Manor, considerado o hotel rural mais prestigiado de todo o Báltico.

20. Regras rígidas e a loteria polar

A Estônia consegue ser, em alguns aspectos, inesperadamente rígida, o que vale especialmente para as regras de trânsito. Embora em alguns lugares você leia sobre tolerância zero, o limite formal de álcool ao volante é de 0,2 g/L, então é melhor abrir mão daquela cervejinha no almoço, porque as multas são realmente altas.

Outra particularidade diz respeito ao equipamento de inverno, porque de dezembro a março os pneus de inverno são estritamente obrigatórios e agora precisam cumprir um certificado rigoroso com o símbolo da montanha e do floco de neve. Se você dirigir no inverno, a recompensa por essas complicações pode ser a visão do céu.

Do fim de setembro a março, sob condições favoráveis, aparece aqui a aurora boreal, que os moradores chamam de virmalised. Não espere a mesma garantia da Lapônia finlandesa, mas se você se afastar da poluição luminosa das grandes cidades, tem uma grande chance de ver com os próprios olhos essa fascinante dança celeste.

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A bandeira da Estônia e o que significam suas cores

A bandeira da Estônia é visualmente muito limpa e é formada por três faixas horizontais nas cores azul, preta e branca. A bandeira veio ao mundo pela primeira vez em 1881 como símbolo de uma associação de estudantes estonianos na cidade universitária de Tartu e logo se tornou o símbolo oficial do despertar nacional.

Cada uma dessas três cores carrega um significado simbólico muito forte, ligado ao caráter local e à história. A cor azul representa o céu, a lealdade à pátria e reflete as águas azul-escuras das centenas de lagos estonianos e do mar Báltico.

A faixa preta no meio simboliza o fértil solo estoniano e, ao mesmo tempo, serve como lembrança do passado sombrio e difícil, quando a nação sofreu por séculos sob o domínio de impérios estrangeiros. A cor branca, por sua vez, representa a pureza, a esperança de um futuro melhor e a tradicional casca branca das onipresentes florestas de bétulas.

Idioma: por que o estoniano não soa como nada ao redor

Assim que você ouve pela primeira vez os moradores falando, provavelmente vai pensar de imediato que soa um pouco como a língua élfica dos famosos filmes de fantasia. O estoniano, afinal, não pertence às línguas eslavas nem bálticas, mas faz parte do ramo fino-úgrico e é muito próximo do finlandês.

Esse idioma fascinante tem várias peculiaridades gramaticais que confundem qualquer estrangeiro. O estoniano trabalha com incríveis quatorze casos gramaticais, mas, por outro lado, não tem gêneros e nem sequer possui um tempo futuro, que é expresso mais pelo contexto da frase.

Se você quer conquistar a simpatia dos moradores, aprenda pelo menos três palavrinhas básicas que vão te abrir muitas portas. Para cumprimentar, use Tere! (Bom dia), agradeça com Aitäh! (Obrigado, lê-se algo como “aitéh”) e, ao brindar com uma cerveja, não pode faltar um alegre Terviseks! (Saúde). Para não depender de conexão local durante a viagem, vale ter um chip internacional como o da Yesim sempre à mão para traduzir na hora.

As quatro faces da Estônia

Embora o país seja relativamente pequeno em área, ele oferece uma enorme diversidade regional e, ao viajar, podemos dividi-lo imaginariamente em quatro áreas principais.

A região norte é o motor cultural e econômico de todo o país, porque nela reina a metrópole de Tallinn com seu núcleo medieval e seus arranha-céus envidraçados. Logo fora da cidade se estende o lindo Parque Nacional de Lahemaa, que oferece passarelas perfeitas atravessando vastas turfeiras.

A costa oeste é sinônimo de férias de verão, já que aqui ficam as populares ilhas lideradas por Saaremaa e Hiiumaa. No continente fica o balneário de Pärnu, famoso por suas longas praias de areia e pela tradição bicentenária dos banhos de lama.

O sul da Estônia é levemente ondulado, imensamente verde e dominado pela cidade universitária de Tartu, pulsando com energia jovem. Ainda mais ao sul, você encontra as peculiares regiões de Setomaa e Võromaa, onde até hoje se mantêm tradições ancestrais lideradas pela famosa sauna de fumaça.

A fronteira leste representa a face mais industrial e demograficamente diferente do país, porque aqui vive uma minoria de língua russa muito forte. O principal ímã é a cidade de Narva, com sua enorme fortaleza fronteiriça, e as margens do vasto lago Peipus, onde ainda vivem comunidades de velhos crentes que cultivam sua famosa cebola.

Perguntas práticas mais frequentes

Ao planejar a viagem, com certeza vão surgir muitas dúvidas práticas, porque a Estônia fica, afinal, um pouco fora das principais rotas turísticas. Se você se preocupa com a burocracia, pode ficar tranquilo, já que o país é membro pleno da União Europeia e do espaço Schengen. Para brasileiros, basta um passaporte válido para visitas turísticas de até 90 dias, sem necessidade de visto.

Igualmente tranquilo é o lado financeiro, porque desde 2011 se paga aqui em euro e toda a sociedade funciona quase que exclusivamente sem dinheiro em espécie, então com o cartão no celular você se vira praticamente em qualquer lugar. A barreira linguística também não é um problema, porque as gerações mais jovem e média dos estonianos falam inglês fluentemente e adoram usar esse idioma.

Quanto à segurança, a Estônia é um dos países mais seguros da Europa e, como membro da OTAN, goza de forte proteção das tropas aliadas. Do Brasil, o caminho mais comum é voar de São Paulo com companhias como a LATAM ou a TAP até um hub europeu — por exemplo Lisboa, Frankfurt ou Helsinque — e de lá seguir num voo curto até Tallinn. Uma vez no país, alugar um carro é a melhor forma de explorar as ilhas e o interior no seu próprio ritmo.

Para onde ir depois

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Perguntas frequentes

Antes da sua viagem ao norte, talvez ainda passem pela sua cabeça algumas outras dúvidas práticas. Aqui você encontra respostas claras para as mais comuns, para poder partir sem preocupação alguma.

A Estônia faz parte da União Europeia?

Sim, a Estônia ingressou na União Europeia juntamente com a República Tcheca na primavera de 2004. Ao mesmo tempo, tornou-se membro pleno do espaço Schengen, de modo que não há absolutamente nenhum controle nas fronteiras.

Qual é a moeda na Estônia e o país é caro?

Desde 2011, a moeda utilizada é o euro e o país está entre os mais caros da região. Após o recente aumento de impostos, os preços em restaurantes e serviços giram em torno do nível de Berlim e são mais altos do que no Brasil.

Fala-se inglês comumente na Estônia?

A geração jovem e de meia-idade fala inglês de forma absolutamente excelente e prefere claramente este idioma na comunicação com estrangeiros. Como turista, você encontrará russo principalmente entre os habitantes mais velhos ou na cidade fronteiriça de Narva.

É seguro viajar para a Estônia?

O país é extremamente seguro para turistas e a criminalidade se mantém há muito tempo em um nível absolutamente mínimo. Apesar da proximidade com a Rússia, há uma tranquilidade absoluta, que é garantida pela forte participação na aliança militar OTAN.

Qual é a capital e quantos habitantes tem?

A capital é a moderna e histórica Tallinn, localizada diretamente na costa norte. O país inteiro tem apenas 1,37 milhão de habitantes, o que o torna um dos estados menos povoados de todo o continente europeu.

Qual é a distância da Estônia a partir de São Paulo?

Não há voos diretos do Brasil para a Estônia, então você precisará fazer conexões. As opções mais comuns são voos com LATAM, GOL ou TAP saindo de São Paulo com escalas em capitais europeias como Lisboa, Frankfurt ou Helsinque antes de chegar a Tallinn.

Preciso de algum visto especial para a viagem?

Brasileiros não precisam de visto para visitar a Estônia como turistas por até 90 dias dentro do espaço Schengen. Para a entrada, basta ter um passaporte brasileiro válido com pelo menos seis meses de validade.

Qual é o fuso horário atual na Estônia?

O país está localizado no fuso horário da Europa Oriental, o que na prática significa que o dia começa um pouco mais cedo do que no Brasil. Após a chegada, você precisará adiantar o relógio entre 4 e 6 horas em relação ao horário de Brasília, dependendo do horário de verão europeu.

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