Como fomos para o Canadá e por que voltamos

Depois do artigo O que preferimos não contar sobre trabalhar no Canadá: O lado obscuro das fotos bonitas no Facebook, muitos de vocês nos escreveram perguntando por que estávamos lá, por que não voltamos para casa. E por que voltamos de novo. Então este post é especialmente para você, que ficou curioso nas redes sociais 🙂

Por que fomos embora

Não sei por onde começar — se pelo Canadá ou por nós mesmos. Se pelo que nos faz felizes aqui, ou pelo que nos fazia infelizes na Europa. Escrevi aquele artigo porque muita gente achava que estávamos de férias, e não estávamos.

Muro bonito no Canadá e nosso novo projeto óculos Puffinos
Um muro super bonito no Canadá e o nosso novo projeto, os óculos Puffinos 😀

Nossa vida em Praga era muito mais fácil. Tanto o Lukáš quanto eu trabalhávamos na maior parte do tempo do conforto do nosso apartamento, e se eu não tivesse aquela veia de nerd, nem precisaria levantar cedo para ir à faculdade. Mas a questão é que festas não nos empolgam, bares não nos empolgam, não sentíamos necessidade de socializar. De vez em quando fazíamos isso por obrigação, mas era hora de admitir: somos daqueles estranhos que se contentam com um livro, um noticiário ou planejando um projeto de negócios. Nossa vida em Praga ficou confortável demais, parecia que não estávamos aprendendo nada de novo, não sabíamos fazer nada de verdade, tudo ficou banal. O tempo passava de um jeito que eu não entendia como o inverno virava verão. E o que diabos eu tinha feito nesse meio tempo? Não estávamos evoluindo em nada e os planos se dissolviam em apenas… mais planos.

Adoraria dizer que esse foi o motivo da nossa ida. Soaria bem. Mas só percebi tudo isso depois. O verdadeiro motivo foi que deu um estalo na minha cabeça. Eu falava sobre o Canadá desde a primeira vez que estive lá. Nunca levava a sério, mesmo dizendo com cara séria. Tenho medo demais para fazer esse tipo de coisa. Mas então eu fiz. Numa noite, disse que ia para o Canadá, preenchi a inscrição e, de repente, estava feito. Lembro que gritei para o Lukáš da outra sala e ele respondeu meio contrariado: “Então acho que eu também tenho que ir, né.”

Mas por que justo o Canadá? Por que justo um lugar onde existe uma única estação durante nove meses do ano? Inverno.

O inverno

“Quem é você, criatura no espelho!” — foi o que pensei quando admiti pela primeira vez que o inverno não era um ponto negativo, mas positivo. Nunca tinha vivido um inverno mais lindo. Sim, chegou a -29°C, mas na maioria das vezes ficava em torno de -10 ou -15, e se você se veste em camadas, nada atravessa. O inverno aqui é o chamado frio seco. Não penetra as roupas. Com essas mesmas temperaturas em Praga, eu morria de frio. Aqui, quando o sol aparecia, eu ia para a varanda corajosamente enrolada num cobertor e ficava lendo. E o melhor: aqui vem o chinook (uma espécie de vento quente milagroso) e quando ele chega no inverno, a temperatura sobe para +15°C. E no dia seguinte pode estar -20 de novo.

O ruim é a primavera. Fico esperando as árvores ficarem verdes. Hoje, 18 de abril, encontrei algumas folhinhas verdes. Talvez esteja chegando. Ou talvez neve de novo. Quem sabe.

Em Calgary faz frio mas tem mais sol do que em Praga
Em Calgary faz frio, mas tem mais sol do que em Praga. É a cidade mais ensolarada do Canadá 🙂 No inverno, parece um cenário de conto de fadas

 

Os canadenses são o povo mais simpático do hemisfério ocidental

Você tem a impressão de que estão sob efeito de alguma coisa. Os canadenses. Sorriem o tempo todo, são educados. Você está no ônibus e eles começam a conversar com você como se te conhecessem há anos. E o pior é que aquilo parece completamente normal. Você desce do avião e tem a sensação de que injetaram algo em cada cantinho seu que faz o sorriso brotar e ficar grudado ali, mesmo quando está -29 lá fora.

Sempre se oferecem para ajudar. Quando chegamos em Calgary pela primeira vez, tínhamos reservado um Airbnb com o Robert. Ele se ofereceu para nos buscar no aeroporto.

“São só 20 minutos. Vou buscar vocês.” Sorria, e na casa dele disse que podíamos comer, beber e usar o que quiséssemos. Nunca tínhamos vivido nada parecido em nenhum outro lugar.

A hospitalidade deles é famosa. Embora em Calgary não seja como em Newfoundland, onde te convidariam para a casa deles e te hospedariam por vários dias, mesmo assim você fica de queixo caído — e ele não volta ao lugar até você se tornar igual a eles. Mais sobre isso no artigo >>“E às vezes me irrita como são sempre simpáticos! O que há de errado com vocês, gente!”

Lukáš numa foto borrada com a Michelle no bar
Lukáš numa foto borrada com a Michelle. Pela primeira e talvez última vez, fomos a um bar. 😀

As montanhas

Se alguém quiser ler sobre a minha (ou melhor, a nossa — tenho a impressão de que o Lukáš ficou ainda mais obcecado do que eu) paixão pelas montanhas, com prazer e com fotos, vai lá >>>Montanhas que me fizeram tirar os saltos

O inverno canadense é deslumbrante
O inverno canadense é deslumbrante 🙂 Não entendo por que eu tinha tanto medo dele

Paisagem de inverno nas Montanhas Rochosas do Canadá

Como nos ajudaram em Calgary

Com a Michelle, trabalhávamos na recepção de um hotel. Ela era uma canadense de verdade, tinha quarenta e cinco anos e começou a sentir burnout na empresa de marketing onde trabalhava. Então foi passar alguns meses num retiro de ioga onde não podia falar, e depois de um ano viajando, decidiu trabalhar em Banff. Todos os dias viajava de Calgary até Banff — quase duas horinhas de ida e volta.

Nos momentos livres, adorava nos ler notícias sobre o que estava acontecendo nas Rockies: qual peixe estava doente, onde tinham abatido lobos ou como seria o tempo. A história favorita dela era sobre uma senhora que morava em navios de cruzeiro porque era mais barato do que ter uma casa.

“Oh boy.” Essa frase ecoa na minha cabeça toda vez que o Lukáš fala “Michelle”, porque era assim que ela reagia, de um jeito tipicamente canadense, a tudo. A Michelle conseguia fazer amizade com qualquer hóspede em cinco minutos, e eles depois traziam pizza da cidade para ela. Nós também cozinhávamos para a Michelle de vez em quando — panquecas tchecas ou gnocchi caseiro.

“Se vocês quiserem morar em Calgary, me avisem. Meu namorado e eu temos alguns apartamentos lá que alugamos.” Foi assim que ela se despediu de nós quando nos mudamos para Lake Louise por um trabalho melhor.
Então entramos em contato com ela em janeiro, dizendo que chegaríamos em fevereiro e queríamos ficar em Calgary. A Michelle respondeu na hora, dizendo que tinha várias opções para nós. Escolhemos uma suíte pequena em Bridgeland, porque era a localização dos nossos sonhos — pareceu um presente do céu.

Mas estávamos com medo do preço. Normalmente os quartos custavam 900 dólares canadenses para dois — quanto poderia custar um apartamentinho?

“Preciso consultar meu namorado ainda, mas acho que vai ficar por uns 700. Vocês vão precisar de móveis?” Compraram tudo para nós. E quando digo tudo, é tudo mesmo. Quando nos mudamos, ainda trouxeram uma mesa da IKEA e duas cadeiras para a cozinha. Ganhamos assim uma moradia linda numa antiga casa italiana, a dez minutos a pé do centro. E como bônus, a Michelle mora no térreo.

O racismo no Canadá é tabu

Não são racistas. Racismo é tabu. Desigualdade é tabu. Claro que existem certas questões que poderiam ser discutidas, mas se compararmos com a Europa, podem considerar isso como verdade.

Multiculturalismo no Canadá
Aqui todo mundo é multicultural. A maioria já entendeu que não existe distinção muçulmano-cristão ou branco-preto, mas simplesmente pessoa boa e pessoa ruim. E essas existem em todos os lugares.

Mesmo com salário mínimo, dá para viver relativamente bem

Não importa que trabalho você faça aqui — se tiver emprego em tempo integral, vai conseguir se manter muito melhor do que no Brasil, mesmo com os preços canadenses. Carro, moradia, academia e uma vez por ano uma viagem de férias. Especialmente aqui em Alberta, onde o salário mínimo sobe a cada semestre.

Aprendi mais neste um ano do que em cinco no meu país

Não estou falando de inglês. Isso é bônus. Estou falando de todas aquelas experiências difíceis que nos forçaram a ir além da nossa zona de conforto. E aquela sensação de conseguir algo que você jamais imaginaria ser capaz de fazer — isso vale muito mais do que ficar sentada em casa gastando cada minuto livre em loja online.

Me ajudou a colocar muita coisa no lugar. Me ajudou a repensar minha relação com a vida e com o trabalho. Me ensinou a respirar, viver, me alegrar com cada momento. A entender pessoas que vivem fora da minha bolha habitual. Me deu coragem de falar por mim mesma.

Trabalhando numa cafeteria no Canadá
No momento, trabalho numa cafeteria e ajudo com o marketing. Mas por tudo que passamos, vocês podem ler nos artigos anteriores 🙂

Conhecemos algo maior do que as pessoas

A força da natureza. Montanhas imponentes e geleiras. Uma tempestade chegando do oceano. Às vezes nos sentíamos um nada, mas nunca deixamos isso nos abater por muito tempo. Me sinto livre aqui. Ter apenas uma mala e saber que podemos ir para onde quisermos.

Natureza selvagem no Canadá

Tem muito mais, pessoal. Sigam nosso Facebook e talvez vocês entendam 🙂

 

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