Cabot Trail, Nova Scotia: 15 dicas do que ver e fazer

Existem lugares sobre os quais você lê num folheto e pensa “ah, deve ser exagero”. Aí você chega lá e descobre que nenhum folheto, nenhuma foto e nenhum vídeo te prepararam para o que vai ver. Foi exatamente isso que aconteceu com a gente na Cabot Trail, em Nova Scotia.

Estávamos dirigindo por uma estrada que serpenteava entre o oceano e montanhas cobertas de florestas, e eu mal conseguia me concentrar na direção — a cada curva queria parar e tirar foto. Quando vimos o pôr do sol sobre o Atlântico na Skyline Trail, ficamos sentados ali por mais de uma hora, até começar a sentir frio. É isso que a Cabot Trail faz com você. 😊

Neste artigo você encontra um guia completo da Cabot Trail no Canadá — vou contar qual é a melhor época para ir (spoiler: as cores de outono aqui são de outro planeta), como chegar, onde se hospedar, quanto custa tudo e, claro, 15 dicas do que ver e fazer nesse circuito de 298 quilômetros por Cape Breton, em Nova Scotia. De baleias a trilhas com alces, passando pela melhor sopa de lagosta que já provamos. Bora lá!

Estrada costeira da Cabot Trail serpenteando sobre o oceano

Obsah článku

Resumo

  • Cabot Trail é um circuito cênico de 298 km na ilha de Cape Breton, província de Nova Scotia, Canadá. Está entre as estradas mais bonitas do mundo — e com razão.
  • Melhor época para visitar: segunda metade de setembro até meados de outubro pelas cores de outono, ou junho a agosto para clima mais quente e observação de baleias.
  • Reserve no mínimo 3 dias para o circuito, idealmente 4–5, para conseguir fazer trilhas e paradas secundárias.
  • Entrada no Cape Breton Highlands National Park custa 10,50 CAD/adulto/dia (cerca de 7 €). A maioria dos melhores pontos da rota fica dentro do parque.
  • Skyline Trail é parada obrigatória — trilha de 8,2 km com mirante para o pôr do sol sobre o oceano. Vá ao entardecer, não vai se arrepender.
  • Observação de baleias em Pleasant Bay — de junho a outubro você pode ver baleias-jubarte, cachalotes e golfinhos. A melhor temporada é julho e agosto.
  • Meat Cove, na ponta norte da ilha, é um lugar selvagem com camping no topo de um penhasco sobre o Atlântico — vale o desvio da rota principal.
  • Hospedagem varia de 30 CAD por camping a 200–400 CAD por hotéis e B&B. Reserve com antecedência, principalmente em setembro e outubro!
  • Dirija no sentido anti-horário (a partir de Chéticamp) — as melhores vistas ficam do seu lado da estrada.
  • A viagem inteira (3–5 dias) para duas pessoas sai por aproximadamente 600–900 € sem passagens aéreas e aluguel de carro.
Vale com vista para o litoral de Cape Breton

Quando ir à Cabot Trail e como chegar

O timing é realmente crucial na Cabot Trail — essa rota tem uma cara completamente diferente em julho e outra em outubro. As duas são lindas, mas de formas diferentes. Vamos ver quando vale a pena ir e como chegar à ilha de Cape Breton.

Melhor época para visitar

Segunda metade de setembro até meados de outubro — se você quer ver o famoso fall foliage, ou seja, as cores de outono nas folhagens, essa é a sua janela. As florestas ao longo da Cabot Trail se transformam numa explosão de vermelho, laranja, amarelo e dourado, e toda a rota parece ter sido editada no Photoshop. Só que atenção — não é só você que sabe disso. Na alta temporada (geralmente as duas primeiras semanas de outubro) o lugar lota e as hospedagens somem meses antes. As temperaturas ficam entre 8–15 °C, então leve roupas em camadas.

Junho a agosto é a temporada clássica de verão. Temperaturas por volta de 18–25 °C, dias longos e, principalmente, as melhores condições para observação de baleias (as jubartes são mais ativas em julho e agosto). Você não vai ver as cores de outono, mas a floresta está verde e viçosa, e as trilhas ficam menos lotadas do que em outubro.

Maio e final de outubro/novembro — é arriscado. Alguns serviços (restaurantes, whale watching, campings) podem estar fechados, e o clima fica imprevisível. Por outro lado, você terá o lugar praticamente só para você.

Como chegar a Cape Breton

A opção mais fácil é voar até Halifax (capital de Nova Scotia) e de lá seguir de carro. De Halifax até o início da Cabot Trail (cidadezinha de Baddeck) são aproximadamente 3,5 horas pela Trans-Canada Highway. A estrada em si já é agradável — Nova Scotia é uma província linda.

Existe também um aeroporto menor em Cape Breton — Sydney (YQY) — que recebe voos regionais de Halifax, Toronto e Montreal. De Sydney até Baddeck é apenas cerca de uma hora. Se quiser economizar tempo, essa é uma ótima opção.

Carro é absolutamente indispensável. A Cabot Trail é um circuito rodoviário e sem carro você não se move por aqui. Temos boa experiência com o RentalCars, que usamos em viagens pelo mundo todo — ele compara ofertas de locadoras e você escolhe o melhor preço. Em Halifax, conte com preços em torno de 50–80 CAD/dia (35–55 €) por um carro padrão. Na alta temporada (setembro–outubro), reserve o carro o quanto antes.

Para quem sai do Brasil, a rota mais comum é voar de São Paulo ou Rio de Janeiro para Toronto ou Montreal (com companhias como LATAM, Air Canada ou Copa Airlines) e de lá pegar uma conexão para Halifax. Pesquise passagens no Kiwi — é o nosso portal favorito para encontrar as melhores combinações de voos.

> 💡 DICA: Se você está planejando uma road trip maior pelo Canadá, a Cabot Trail funciona muito bem como parte de um roteiro pela costa leste — Halifax → Cabot Trail → Prince Edward Island → Quebec City → Montreal → Ottawa → Toronto → Cataratas do Niágara. Nós combinamos exatamente assim e foi incrível.

Em qual sentido fazer o circuito

Essa é a pergunta que todo mundo faz. A resposta: no sentido anti-horário, ou seja, saindo de Chéticamp em direção a Pleasant Bay e seguindo para o norte. O motivo é simples — você dirige pelo lado de fora da estrada, então tem as vistas do oceano bem à sua frente (e não atrás das barreiras do outro lado). Além disso, o trecho mais bonito da rota — a subida de Chéticamp até as montanhas — fica logo no começo, quando você ainda está com toda a energia.

Onde se hospedar na Cabot Trail + quanto custa

Hospedagem na Cabot Trail não é exatamente barata, e na alta temporada esgota surpreendentemente rápido. Não é Banff nem Niágara — a oferta é menor e mais local, o que na verdade é parte do charme desse lugar. Nada de grandes redes hoteleiras, mas sim pequenos B&B, cabanas com vista para o oceano e campings onde você adormece com o som das ondas.

Quanto custa a hospedagem

  • Camping: 25–40 CAD/noite (17–28 €) — no parque nacional e em campings privados
  • B&B e guesthouses: 120–200 CAD/noite (80–135 €) — a opção mais comum e mais charmosa
  • Hotéis e cabanas: 150–350 CAD/noite (100–235 €) — opção mais luxuosa, principalmente em Ingonish e Chéticamp
  • Airbnb/cabanas: 100–250 CAD/noite (67–170 €) — ótimas para estadias mais longas

Onde se hospedar por localização

Baddeck — base ideal para o início e o fim do circuito. Cidadezinha encantadora às margens do lago Bras d’Or, com boa oferta de restaurantes e hospedagem. Daqui é perto para os dois lados da trail.

Chéticamp — vila acadiana no lado oeste da trail. Posição perfeita para a Skyline Trail (que fica logo ali perto). Os B&B locais costumam servir café da manhã com pão acadiano caseiro, e é simplesmente incrível.

Pleasant Bay — pequena vila no noroeste, base para a observação de baleias. A oferta de hospedagem é mais limitada, mas por isso mesmo é mais tranquila. Se você quer estar perto da natureza e longe de tudo mais, esse é o seu lugar.

Ingonish / Ingonish Beach — no lado leste do circuito. Aqui fica o Keltic Lodge, provavelmente o hotel mais famoso de toda a Cabot Trail (e também o mais caro). Localização linda, direto na praia.

Orçamento estimado para 4 dias (para duas pessoas)

Item Preço em CAD Preço em EUR
Hospedagem (3 noites, B&B) 450–600 300–405
Gasolina (circuito + ida de Halifax) 80–120 54–81
Alimentação e restaurantes 200–350 135–235
Entrada no parque nacional (2 pessoas, 3 dias) 63 42
Whale watching (2 pessoas) 120–160 81–108
Total (sem passagens e carro) 913–1.293 612–869

Não é a viagem mais barata, eu admito. Mas pelas vistas e experiências, vale cada centavo. Se quiser economizar, acampar e cozinhar por conta própria pode reduzir o orçamento em uns 30–40%.

Cabot Trail: 15 lugares para visitar e o que fazer

Agora vamos ao que interessa — aqui estão as 15 dicas do que ver e fazer na Cabot Trail. Organizo na ordem aproximada em que você vai encontrá-las se fizer o circuito no sentido anti-horário (como recomendo). Claro, adapte o roteiro ao seu ritmo e disposição — nenhum itinerário precisa ser seguido à risca. ☺️

1. Chéticamp — vila acadiana com alma

Casinhas coloridas de uma vila de pescadores à beira do porto

Chéticamp é a primeira parada importante no lado oeste do circuito e também a porta de entrada para o Cape Breton Highlands National Park. Mas antes de seguir para o parque, dedique um tempo à própria cidadezinha. Chéticamp é o coração da cultura acadiana em Cape Breton — os acadianos são descendentes dos colonos franceses originais e até hoje falam seu próprio dialeto do francês, comem sua culinária típica e tecem os famosos “hooked rugs” (tapetes artesanais com padrões coloridos).

Passe no Les Trois Pignons — centro cultural com exposição de arte local e tecelagem. Pode parecer pouco empolgante, mas os tapetes são verdadeiras obras de arte e as histórias por trás deles são fascinantes. A entrada custa apenas alguns dólares. E se você gosta de igrejas, a Église Saint-Pierre, com sua alta torre prateada dominando toda a cidadezinha, é linda até por fora.

Em Chéticamp, compre também a entrada para o parque nacional (caso não tenha comprado online). O Visitor Centre fica na entrada da cidade e tem mapas, informações sobre as condições das trilhas e dicas dos rangers, que terão prazer em contar onde há chances de ver alces ou ursos.

2. Skyline Trail — a trilha mais famosa (e com razão)

Vista do vale a partir da trilha Skyline Trail

Essa é a trilha pela qual as pessoas vêm à Cabot Trail. E eu entendo perfeitamente. A Skyline Trail tem 8,2 km (ida e volta) e leva você da floresta até um penhasco alto sobre o oceano, de onde se descortina toda a costa e a estrada da Cabot Trail serpenteia lá embaixo como uma fita.

A trilha é fácil — os primeiros 6 km são por um caminho largo e quase plano pela floresta. Depois você começa a descer em direção ao mirante, e o último trecho é por um boardwalk de madeira com escadas. Fisicamente, praticamente qualquer pessoa consegue fazer. A caminhada toda leva cerca de 2–3 horas, dependendo de quanto tempo você ficar no mirante de boca aberta.

Recomendo fortemente ir ao pôr do sol. O entardecer sobre o Atlântico visto desse mirante é uma das coisas mais bonitas que já vimos na vida. O sol mergulha direto no oceano e o céu se pinta em tons que nem têm nome. Chegamos cerca de uma hora antes do pôr do sol, escolhemos um lugar no penhasco e simplesmente sentamos. Ao nosso redor, umas cinquenta pessoas faziam o mesmo, e todas em silêncio absoluto. Aquele momento tem uma energia especial.

> 💡 DICA: Na alta temporada (julho–outubro) é necessário ter reserva para a Skyline Trail (sistema implementado em 2023 para controlar o fluxo). Reserve pelo site da Parks Canada o quanto antes — os horários do pôr do sol esgotam em minutos. O custo é 2 CAD pela reserva + entrada padrão do parque. Sem reserva, não entra.

3. Whale watching em Pleasant Bay — jubartes ao alcance da mão

Pleasant Bay, na costa noroeste, é o melhor ponto da Cabot Trail para observação de baleias. De junho a outubro, duas empresas principais operam por aqui — Captain Mark’s Whale and Seal Cruise e o Whale Interpretive Centre (que na verdade é um museu, mas também organiza passeios de barco). O passeio dura 2–3 horas e custa em torno de 50–80 CAD/pessoa (34–54 €).

O que você pode ver? Baleias-jubarte (humpback whales) são as mais frequentes e espetaculares — saltam, batem as nadadeiras e às vezes chegam tão perto que dá para sentir o bafo delas (e fede, fede de verdade 😅). Também aparecem baleias-piloto (pilot whales), golfinhos e às vezes baleias-minke. A melhor temporada é julho e agosto, mas mesmo em setembro tivemos sorte.

Vista-se com agasalho, mesmo que esteja agradável em terra — no mar a temperatura cai uns 10 °C e o vento pode surpreender. E leve remédio para enjoo se você é sensível — o oceano por aqui não costuma estar exatamente calmo.

4. Meat Cove — o fim do mundo (no melhor sentido)

Litoral selvagem e verde de Meat Cove no norte de Cape Breton
Foto: Martin Cathrae from Charlottetown, PE, Canada / CC BY-SA 2.0 / Wikimedia Commons

Meat Cove é o ponto habitado mais ao norte da ilha de Cape Breton, e o visual aqui é de fim de civilização. O que, de certa forma, é mesmo. Os últimos 30 km são numa estrada de cascalho que serpenteia pela encosta das montanhas, e quando você chega… penhasco. Oceano. Um céu imenso. E um camping literalmente na beira do precipício.

O desvio para Meat Cove não faz parte do circuito principal da Cabot Trail — da estrada principal em Cape North, são cerca de 45 minutos por uma estrada secundária. Mas vale muito a pena. O Meat Cove Campground é aquele lugar onde você monta a barraca com vista para o oceano e acorda com o nascer do sol sobre a água. O preço de um espaço para barraca fica em torno de 40–50 CAD (27–34 €).

Mesmo que não vá acampar, venha pelo menos para almoçar — o Meat Cove Chowder Hut (sim, esse é o nome) serve uma sopa de peixe espetacular e lobster rolls direto no penhasco. Aberto só na temporada (junho–outubro).

> ⚠️ Atenção: A estrada até Meat Cove não é pavimentada e em alguns trechos é bem íngreme. Depois da chuva pode ficar escorregadia. Com um sedan comum dá para ir, mas vá com cuidado. Nós fomos e foi tranquilo, mas não corra.

5. Bay St. Lawrence e pesca de lagosta

Vista da baía e do porto de Bay St. Lawrence em Cape Breton
Foto: Ken Heaton / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Pertinho do desvio para Meat Cove fica Bay St. Lawrence, uma pitoresca vila de pescadores onde o tempo parou lá pelos anos 60. Você chega e ao redor tem redes de pesca espalhadas, barcos coloridos e o ar cheirando a mar e pinheiros.

Daqui saem passeios para observação de águias-de-cabeça-branca e whale watching em barcos menores — uma alternativa mais íntima e mais barata do que em Pleasant Bay. E se tiver sorte e chegar na hora certa, pode ver pescadores descarregando lagostas frescas direto do barco.

Em Bay St. Lawrence também começa a Money Point Trail — uma trilha curta mas mais selvagem que leva até a ponta mais ao norte de Cape Breton. Não é nenhuma rodovia turística — mais uma trilhazinha estreita pelo meio da floresta e dos campos. E é justamente por isso que é tão bacana.

6. White Point e Neil’s Harbour — peixe fresco do mar

Farol vermelho na vila de pescadores de Neil's Harbour
Foto: Dennis G. Jarvis / CC BY-SA 2.0 / Wikimedia Commons

Seguindo pelo lado leste do circuito, de repente se abre à sua frente a vista de uma baía pitoresca com casinhas de madeira coloridas. Essa é Neil’s Harbour — pequena vila de pescadores onde a parada é obrigatória, principalmente pela comida.

A Chowder House em Neil’s Harbour é um lugar lendário — literalmente um barraco no porto onde servem fish and chips e seafood chowder que vão te perseguir nos sonhos por meses. As porções são enormes, os preços razoáveis (15–25 CAD, ou seja, 10–17 € por prato principal) e a vista do porto com os barcos de pesca não tem preço. Aqui não se corre — aqui se senta, come e contempla.

Um pouco depois de Neil’s Harbour fica White Point, de onde se tem uma vista linda ao longo da costa. Na maré baixa, dá para caminhar pelas pedras e procurar ouriços-do-mar e estrelas-do-mar nas poças.

7. Cape Breton Highlands National Park — o coração de toda a rota

Cadeiras vermelhas da Parks Canada com vista para o oceano

Boa parte da Cabot Trail atravessa o Cape Breton Highlands National Park, e ele merece uma menção à parte, porque é o motivo pelo qual essa estrada é tão incrivelmente bonita. O parque tem 949 km² e a paisagem lembra uma mistura das Terras Altas da Escócia, fiordes noruegueses e natureza selvagem canadense. Mas o que é esse parque, afinal?

Imagine: planaltos cobertos de vegetação de tundra (sim, tundra, a 46° de latitude norte!), cânions profundos, rios cheios de salmões, falésias costeiras e florestas que no outono parecem estar em chamas. O parque é lar de alces, ursos-negros, águias-de-cabeça-branca, linces e outros animais que você não encontra no Brasil.

A entrada no parque custa 10,50 CAD/dia por adulto (7 €). Se pretende ficar mais dias, vale a pena o Discovery Pass por 36,50 CAD (25 €), válido para a temporada inteira em todos os parques nacionais canadenses. Se planeja visitar também Banff, Jasper ou fazer uma road trip pelo oeste do Canadá, é a escolha óbvia.

O parque tem mais de 26 trilhas sinalizadas de diferentes níveis de dificuldade. Além da Skyline Trail (dica nº 2), recomendo muito as trilhas que apresento nas próximas seções deste guia.

8. Franey Trail — vista panorâmica que os turistas não conhecem

Trilha pela floresta de faias subindo o morro em Cape Breton Highlands

Enquanto na Skyline Trail você cruza com centenas de pessoas, a Franey Trail é a “joia escondida” local, que muitos turistas nem conhecem. E é uma pena, porque as vistas são no mínimo comparáveis — só que diferentes.

A trilha tem 7,4 km (circuito) e sobe bastante por uma floresta densa até um mirante rochoso com panorama de 360° — de lá você vê o Clyburn Canyon, Ingonish, o oceano e toda a serra. Diferente da Skyline Trail, porém, é mais puxada — o desnível é de cerca de 350 metros e alguns trechos são bem íngremes. Conte com 2,5–3,5 horas.

A vantagem é que, mesmo na alta temporada, você encontra uma fração das pessoas em comparação com a Skyline. Fomos em outubro, durante a semana, e cruzamos com umas seis pessoas na trilha inteira. No mirante lá em cima, estávamos completamente sozinhos. E aquelas cores… 😊

9. Ingonish Beach — banho no Atlântico (para os corajosos)

Vista do vale arborizado descendo até o mar

Ingonish Beach é provavelmente a praia mais bonita de toda a Cabot Trail — uma faixa larga de areia cercada por morros verdes. Faz parte do parque nacional, então a entrada está incluída na taxa do parque.

Mas vou ser honesta: a água é gelada. Mesmo em agosto, a temperatura do oceano fica em torno de 14–16 °C. Para quem está acostumado com o mar do Nordeste brasileiro, vai ser um choque! O Lukáš mergulhou, eu coloquei os pés até o joelho e fui me sentar na canga. 😅 Mas na praia também existe um lago de água doce (na verdade uma lagoa separada do oceano por um banco de areia), onde a água é bem mais quente — uns 20–22 °C no verão. Então tem banho para todos!

Ao redor da praia tem mesas de piquenique, chuveiros e lanchonete. É um ótimo lugar para um dia de descanso entre as trilhas.

10. Middle Head Trail — caminhada fácil com oceano de três lados

Trilheiro em trilha com vista para o litoral de Cape Breton

Se depois da Franey Trail você precisa de algo mais leve, mas não quer ficar só deitado na praia, a Middle Head Trail é exatamente o que procura. Uma trilha curta e fácil (3,8 km ida e volta) por uma península estreita que avança Atlântico adentro.

A trilha começa direto no Keltic Lodge em Ingonish e é praticamente plana. Na ponta da península, se abre uma vista para o oceano de três lados — esquerda, direita e à frente. Em dias claros, dá para enxergar dezenas de quilômetros ao longo da costa. Leva cerca de uma hora e é perfeita para um passeio no fim da tarde.

Na primavera e no outono, às vezes aparecem alces pastando bem ao lado da trilha. Tivemos sorte e vimos uma fêmea com filhote a uns 20 metros do caminho. Ficamos estáticos, fotografando feito loucos.

11. Jigging Cove Lake — explosão de cores de outono

Vista da paisagem arborizada de Cape Breton

Mais uma trilha curta e fácil, mas absurdamente fotogênica, especialmente no outono. O Jigging Cove Lake Loop é um circuito de 4,2 km ao redor de um lago de montanha cercado por floresta de folhas caducas.

Em outubro, o lago se transforma num espelho que reflete árvores vermelhas, laranjas e douradas. É aquele tipo de cenário pelo qual as pessoas atravessam o mundo para ver na Nova Inglaterra — só que aqui tem bem menos gente e muito mais natureza selvagem. A trilha é plana, segue a margem do lago e leva cerca de uma hora.

Se você está na Cabot Trail em setembro ou outubro, essa parada é obrigatória. Venha de manhã cedo, quando o lago está mais calmo e os reflexos ficam mais nítidos.

12. Lone Shieling — um pedaço da Escócia no Canadá

Réplica de cabana de pastores escoceses Lone Shieling em Cape Breton Highlands
Foto: Loneshieling / CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Lone Shieling é uma parada curta, mas única. É uma caminhada de 15 minutos (0,5 km) por uma floresta antiga de folhosas até uma réplica de abrigo de pedra escocês (shieling). Por que um abrigo escocês aqui? Porque Cape Breton foi colonizada em grande parte por escoceses nos séculos 18 e 19, e até hoje você encontra cultura celta, gaélico e sobrenomes escoceses em cada segunda caixa de correio.

A floresta ao redor da trilha é, na verdade, o mais interessante — aqui estão bordos-de-açúcar (sugar maples) de 300 anos com troncos gigantes, que dão uma ideia de como era a América do Norte antes da chegada dos europeus. É um dos últimos remanescentes de floresta antiga em todo Cape Breton.

A parada leva 20–30 minutos e fica bem na margem da estrada principal. Não pule essa.

13. Cultura celta e música ao vivo — a alma de Cape Breton

Cape Breton não é só natureza. Tem alma — e essa alma toca violino. A ilha é um centro mundial de música celta, especificamente o Cape Breton fiddling, que nasceu da tradição escocesa mas ao longo dos séculos se transformou em algo completamente próprio. E você não precisa ir a nenhum festival — música ao vivo rola toda noite em pubs, centros comunitários e até em restaurantes.

O Red Shoe Pub em Mabou (pertinho da Cabot Trail) é provavelmente o bar musical mais famoso da ilha — pertence às irmãs Rankin, lendas da música canadense. Toda noite toca alguém diferente e a atmosfera é indescritível. A entrada é gratuita ou custa alguns dólares.

Outro lugar incrível para música ao vivo é o Normaway Inn, perto de Margaree Valley, onde acontecem cèilidh regulares (noites de dança celta — pronuncia-se “kêi-li”). É uma daquelas experiências que você não vive em nenhum outro lugar do mundo — gente local de todas as idades dançando, tocando e cantando, e você pode entrar na roda.

> 💡 DICA: Se estiver em Cape Breton em outubro, tente pegar o Celtic Colours International Festival — um festival de música de nove dias que acontece por toda a ilha e é simplesmente mágico. Os ingressos para cada show custam 25–50 CAD (17–34 €).

14. Cabot Trail de bicicleta — para quem quer desafio

Essa dica não é para todo mundo, mas se você é ciclista, preciso mencionar: a Cabot Trail está entre as rotas de ciclismo mais famosas da América do Norte. São 298 km, mais de 3.000 metros de desnível acumulado e vistas pelas quais corredores do Tour de France dariam qualquer coisa.

A maioria dos ciclistas completa a trail em 3–5 dias. Pedala-se na estrada principal (não existe ciclovia separada — você divide o asfalto com os carros, mas o trânsito não é pesado e os motoristas são acostumados). Os trechos mais difíceis são as subidas do French Mountain e do North Mountain no lado oeste — ambos com mais de 400 metros de desnível em distâncias curtas.

Se não quiser fazer o circuito inteiro, pelo menos alugue uma bicicleta em Chéticamp ou Ingonish e pedale algum trecho mais curto. Mesmo 30 km ao longo da costa de bicicleta já é uma experiência para a vida toda.

15. Baddeck e Alexander Graham Bell — ponto de partida e chegada

Farol no lago Bras d'Or em Baddeck sob o céu estrelado
Foto: Olivier Guillard olivier_twwli / CC0 / Wikimedia Commons

A maioria das pessoas passa por Baddeck só de passagem, a caminho da trail ou na volta, mas a cidadezinha merece pelo menos meio dia. Fica às margens do belíssimo lago de água doce Bras d’Or e é um lugar agradável e tranquilo, com bons restaurantes e um museu interessante.

Alexander Graham Bell National Historic Site — sim, aquele Alexander Graham Bell, o inventor do telefone. Bell se apaixonou por Cape Breton e passou as últimas décadas de sua vida aqui. O museu é surpreendentemente interessante, mesmo para quem não liga para história da tecnologia — tem exposições interativas e modernas, e a vista do lago a partir dos terraços do museu é linda. Entrada: 8,50 CAD (6 €).

Baddeck também é um ótimo lugar para começar ou encerrar o circuito — comer bem, reabastecer e descansar antes (ou depois) dos dias na natureza. Nós, no fim do circuito, ficamos sentados num terraço de restaurante com vista para o lago, tomando vinho e relembrando toda a viagem. O ponto final perfeito.

O que comer e beber na Cabot Trail: guia para viajantes gulosos

Confesso que não esperava uma experiência gastronômica na Cabot Trail — achei que seria natureza, natureza e mais natureza. Aí provei a sopa de lagosta em Neil’s Harbour e tive que rever todo o meu conceito de Nova Scotia como destino gastronômico. 😁

O que não pode perder

Lobster (lagosta) — estamos na costa leste do Canadá, então lagosta aqui é praticamente uma religião. Você encontra em todo lugar — restaurantes, barracas de pescadores, mercados. O lobster roll (carne de lagosta no pão com manteiga) é o clássico e custa tipicamente 20–30 CAD (14–20 €). Mais fresco do que aqui, impossível.

Seafood chowder — sopa cremosa de frutos do mar, que é a especialidade local. Cada restaurante tem sua versão. A nossa favorita foi na Chowder House em Neil’s Harbour — bem grossa, cheia de pedaços de peixe, mariscos e batata.

Comida acadiana em Chéticamp — experimente os meat pies (tortas de carne) e o fricot (ensopado tradicional acadiano com carne e batatas). Em Chéticamp há vários restaurantes que servem comida acadiana tradicional — recomendo o Le Gabriel Restaurant.

Oatcakes — biscoitos escoceses de aveia, que estão por toda parte em Cape Breton. Compre em qualquer padaria como lanche para as trilhas.

Nossos restaurantes favoritos

  • Chowder House, Neil’s Harbour — lendário fish and chips e chowder no porto. Prato principal: 15–25 CAD. Aceitam cartão!
  • Le Gabriel Restaurant, Chéticamp — culinária acadiana, meat pies, ótimos cafés da manhã. 15–30 CAD por prato principal.
  • Bean There Café, Chéticamp — cafeteria pequena com café excelente e bolos caseiros. Parada ideal antes da Skyline Trail.
  • Meat Cove Chowder Hut — chowder e lobster roll no fim do mundo. Não existe lugar melhor para almoçar.
  • Red Shoe Pub, Mabou — pub com música celta ao vivo, cerveja boa e comida honesta. Hambúrguer e cerveja por volta de 25 CAD.
  • Baddeck Lobster Suppers — jantar de lagosta à vontade por preço fixo (cerca de 60 CAD). Turístico, mas uma experiência e tanto.

Cerveja e vinho

Nova Scotia tem uma cena de cerveja artesanal surpreendentemente vibrante. Procure a Big Spruce Brewing pertinho de Baddeck — uma microcervejaria com taproom onde fazem IPAs excelentes e cervejas sazonais. Degustação por alguns dólares e a atmosfera é ótima.

Quanto ao vinho, Nova Scotia cultiva principalmente uvas brancas (Tidal Bay é a denominação local) — não são grandes vinhos, mas como acompanhamento para lagosta funcionam perfeitamente.

Dicas práticas para finalizar

Conexão com a internet

Prepare-se para o fato de que o sinal de celular em boa parte da Cabot Trail simplesmente não existe. Principalmente o trecho norte (Pleasant Bay → Meat Cove → Neil’s Harbour) fica em grande parte sem sinal. Baixe mapas offline antes (o Google Maps faz isso muito bem) e não conte com o GPS do celular. Se precisar estar online, em Chéticamp, Ingonish e Baddeck o Wi-Fi das hospedagens funciona.

Para melhor cobertura no Canadá, considere um eSIM da Holafly — nós usamos em viagens e economiza muita dor de cabeça com chips locais. Outra alternativa para brasileiros é o Yesim, que também oferece eSIM com cobertura internacional.

O que levar na mala

  • Roupas em camadas — o clima muda rápido, especialmente nas montanhas. De manhã pode estar 8 °C e à tarde 22 °C.
  • Jaqueta impermeável — neblina e chuva fina são comuns na costa.
  • Boas botas de trilha — para a Skyline Trail bastam tênis, mas na Franey Trail você vai agradecer ter botas de cano alto. Se ainda não tem, confira nossas dicas de botas para trilha.
  • Binóculos — para whale watching e para os mirantes.
  • Repelente — mosquitos e borrachudos são bem agressivos no verão, principalmente perto de lagos e na floresta.

Se quer saber como fazer uma mala eficiente, dê uma olhada no nosso artigo sobre como fazer caber tudo na bagagem de mão.

Seguro viagem

O Canadá tem saúde de qualidade, mas extremamente cara. Uma ida ao pronto-socorro sem seguro pode custar milhares de dólares. Seguro viagem é absolutamente indispensável. Para brasileiros, é importante contratar um seguro com boa cobertura internacional. Para viagens mais longas, nós usamos o SafetyWing — a resenha completa está no blog.

Segurança e animais selvagens

Na Cabot Trail você vai encontrar alces — e não só nas trilhas, mas também na estrada. Cuidado com alces principalmente ao anoitecer e ao amanhecer, quando eles cruzam a pista. Uma colisão com um alce é coisa séria (o animal pesa de 400 a 700 kg). Dirija com atenção, especialmente nas primeiras e últimas horas do dia.

Ursos-negros também vivem aqui, mas são tímidos e ataques a humanos são extremamente raros. Siga as regras básicas — não leve comida na mochila nas trilhas, guarde alimentos em contêineres à prova de urso nos campings e faça barulho enquanto caminha.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantos dias preciso para a Cabot Trail?

O mínimo são 2 dias, se quiser apenas percorrer o circuito de carro com algumas paradas. Mas recomendo 3–5 dias, para conseguir fazer pelo menos 2–3 trilhas, whale watching e curtir os lugares sem pressa. Nós tivemos 4 dias e foi na medida — mas um dia a mais não teria sido nada mal.

Em qual sentido fazer o circuito?

Recomendo no sentido anti-horário — de Chéticamp passando por Pleasant Bay ao norte e voltando por Ingonish. As melhores vistas do oceano ficam do seu lado da estrada e o trecho mais bonito (costa oeste) vem logo no início.

A Cabot Trail é difícil de dirigir?

A estrada é asfaltada e tem duas faixas, então não é nenhum bicho de sete cabeças. Mas há subidas e descidas íngremes (French Mountain, North Mountain), curvas fechadas e em alguns trechos precipícios sem guardrail. Se você está acostumado com estradas de montanha, vai tirar de letra. Com neblina e chuva, vá com mais cuidado. SUV ou 4×4 não é necessário — um carro comum serve bem.

Posso fazer a Cabot Trail de trailer ou motorhome?

Sim, trailers e motorhomes circulam por aqui. Mas leve em conta que algumas curvas e subidas são mais complicadas para veículos maiores e as oportunidades de ultrapassagem são limitadas. Se estiver com um RV grande, seja gentil com os outros motoristas e use as faixas de parada.

Preciso de reserva para a Skyline Trail?

Sim, desde 2023 a reserva é obrigatória pelo site da Parks Canada. Custa 2 CAD pela reserva mais a entrada padrão do parque. Os horários do pôr do sol são os primeiros a esgotar — reserve o quanto antes, de preferência assim que souber a data da visita.

Qual é o melhor mês para o fall foliage?

As cores de outono na Cabot Trail normalmente atingem o pico nas duas primeiras semanas de outubro, mas depende do clima de cada ano. Acompanhe o Fall Colour Report no site da Parks Canada ou do Nova Scotia Tourism — ele é atualizado semanalmente a partir de setembro. As partes mais altas (cumes das montanhas) mudam de cor antes dos vales.

Quanto custa a entrada no Cape Breton Highlands National Park?

A entrada diária é de 10,50 CAD/adulto (7 €), crianças até 17 anos entram grátis. Se planeja ficar 3+ dias no parque ou visitar outros parques nacionais canadenses no mesmo ano, vale a pena o Discovery Pass por 72,25 CAD (49 €) para toda a família/carro, válido por um ano inteiro.

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Nezapomeňte na cestovní pojištění

Kvalitní cestovní pojištění vás ochrání před nemocí, úrazem, krádeží nebo stornem letenek. Pár návštěv nemocnic jsme v zahraničí už absolvovali, takže víme, jak se hodí mít sjednané pořádné pojištění.

Kde se pojišťujeme my: SafetyWing (nejlepší pro všechny) a TrueTraveller (na extra dlouhé cesty).

Proč nedoporučujeme nějakou českou pojišťovnu? Protože mají dost omezení. Mají limity na počet dnů v zahraničí, v případě cestovka u kreditní karty po vás chtějí platit zdravotní výdaje pouze danou kreditní kartou a často limitují počet návratů do ČR.

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