
“Você sabia que acabamos de passar pela fronteira com tudo o que dissemos que não tínhamos? Arma (o spray de urso é considerado arma), álcool, frutas e produtos comerciais (estávamos viajando com uma caixa cheia dos nossos óculos de sol).” — disse Lukáš. Cruzamos a fronteira do Canadá com os EUA diversas vezes no último ano e sempre sentimos aquele frio na barriga. Dessa vez foi ainda pior, porque esqueceram de carimbar nosso passaporte no Havaí. Por sorte, o impossível aconteceu: na fronteira entre o Yukon e o Alasca, os agentes foram bem simpáticos, apesar das falhas evidentes nos nossos passaportes.
“A gente deveria pelo menos ter escondido um pouco.” Pensei em voz alta, mas a essa altura já estávamos correndo pela estrada do Alasca na nossa Red Chiquita. Depois de 3.000 km de chuva e estradas malucas do Yukon, ficamos aliviados ao ver o Alasca mostrando sua face ensolarada. Já era final de tarde do dia 4 de julho, e o Alasca, assim como os demais estados dos EUA, celebrava o Dia da Independência. Nós, porém, ali perto da fronteira, não percebemos nada — e, para ser sincera, esquecemos completamente da data.
A cidade Polo Norte com a casa do Papai Noel é puro comércio

Compramos uma vaga de camping na primeira cidadezinha maior no meio da floresta, chamada Tok, e de repente percebemos que já é quase meia-noite, mas o sol continua brilhando. Nos enfiamos no carro e tentamos dormir. Já faz dias que temos problemas para pegar no sono — não conseguimos escurecer o carro e o sol simplesmente não se põe. Esse problema nos acompanharia durante praticamente toda a viagem pelo Alasca.
O carro vira uma selva de folhetos que pegamos nos centros de informação, e tentamos (muitas vezes sem sucesso) achar algo interessante neles.
“Cidade North Pole (Polo Norte), o lugar onde é Natal o ano inteiro. Precisamos ir lá! Eles têm até a rua e a casa do Papai Noel!” Minha empolgação pura se dissolveu em decepção total quando chegamos à cidadezinha escaldante, onde a casa do Papai Noel nada mais é do que uma loja de enfeites natalinos com um Papai Noel fantasiado.
“Eu esperava elfos montando presentes.” Lamentei, e fomos embora com a mesma pressa com que chegamos.
Floresta para todo lado. Cadê as montanhas?
Fairbanks não nos empolgou da mesma forma. Uma cidade maior no meio da floresta. Floresta para onde quer que você olhe. Segundo nosso guia, a maior atração da cidade é o Centro de Informações ao Turista.
Mesmo assim, aproveitamos Fairbanks de um jeito diferente: visitamos conhecidos da família que moram lá e ficamos hospedados na casa deles. Comemos nosso primeiro salmão do Alasca, tomamos cerveja local e, pela primeira vez em muito tempo, dormimos numa cama de verdade com cortinas blackout. Que venha a escuridão!

Dias longos de verão trazem temperaturas surpreendentes
No dia seguinte, saímos para uma trilha que Tony e sua família nos recomendaram com a seguinte pergunta: “Vocês têm arma?” Essa pergunta ainda ouviríamos muitas vezes. Por lá, o spray de urso é considerado um brinquedo inútil — as pessoas fazem trilha armadas.
Na trilha de Angel’s Rocks, o que mais nos incomodou foram os mosquitos e o calor insuportável, que não estava apenas no ar, mas parecia emanar do próprio chão. A convicção de que no Alasca faz frio derreteu a 32 °C. A temperatura no Alasca durante o verão pode surpreender qualquer viajante! A trilha nos levou até formações rochosas no topo de uma colina no meio de uma floresta infinita. Ao redor, nada além de árvores.

“Aqui tem o mesmo mato daninho que temos na República Tcheca. Só que as árvores são mais finas.” Observei as copas mirradas de coníferas e árvores de folhas durante todo o caminho de volta até o estacionamento. Fomos até Chena Hot Springs, mas também não nos impressionou. Ficávamos o tempo todo esperando montanhas e geleiras turquesas — sabíamos que não estavam ali, mas na nossa imaginação sobre o Alasca, elas tinham raízes profundas. Para aliviar a decepção, compramos comida tailandesa na cidade, mas com as primeiras garfadas descobrimos que gastamos nosso orçamento diário em algo que nos faria mais mal do que bem. Essas coisas acontecem. Hora de seguir viagem.
Canto desafinado como arma contra ursos

O Denali National Park é o maior parque nacional dos EUA, mas apenas uma pequena parte é acessível ao visitante comum. De carro, só dá para chegar até o início, e se quiser ir mais adiante, é preciso desembolsar entre 30 e 50 dólares pelo ônibus. Nós optamos pela trilha de 17 km chamada Triple Lakes Trail, partindo do Centro de Informações. Estacionamos no final da trilha e fomos de ônibus gratuito até o início. Aí percebemos que estávamos sem o spray de urso. Não tinha onde comprar e não dava para voltar. No final, não encontramos nenhum urso — provavelmente ele se assustou com nossas cinco horas de canto terrivelmente desafinado.

No Alasca adoram armas, e nós ficamos assustados
Nem tudo sai como planejado, e o episódio com o Mt. McKinley prova isso. Acordamos no camping perto de outra trilha que nos prometia uma vista deslumbrante do pico mais alto da América do Norte. Em vez disso, o céu fechou e começou a chover. Saímos do parque e seguimos rumo a Anchorage. “UAU!” — gritei, e Lukáš encostou o carro na beira da estrada. Aquele maciço branco brilhou de forma assustadora no retrovisor. O Mt. McKinley, em toda a sua glória, apareceu por trás das nuvens por alguns minutos, reluzindo como uma lua gigante e montanhosa sob os raios de sol. Demos meia-volta e disparamos de volta a um restaurante que supostamente tinha uma vista incrível.
Depois de dez minutos de estrada, a montanha já tinha sumido. Decidimos parar assim mesmo, descansar e afogar as mágoas no nosso primeiro hambúrguer do Alasca. Mas o descanso não veio: de repente, o restaurante começou a encher de moradores locais, e era impossível desviar o olhar das armas que todos traziam na cintura. Isso é algo a que nunca vamos nos acostumar.

Rezando a cada quilômetro para o carro não quebrar
Tive a sensação de que fomos teletransportados para a Noruega. Foi assim que Hatcher Pass nos impactou. Na estrada do Denali National Park até Palmer, começam a surgir colinas cobertas de grama, com nuvens densas como sopa de ervilha pairando sobre elas, enquanto a chuva tamboriava no teto do carro. A estrada não era das melhores — rezávamos a cada quilômetro para não arrancar nenhuma peça do carro. Começamos a lamentar ter ido por ali, já que provavelmente não veríamos nada. Poderíamos ter seguido pelo caminho mais curto até Anchorage e economizado algumas horas e combustível. Mas então, por algum acaso, chegamos a uma antiga mina de ouro. As nuvens se dissiparam um pouco e pequenas nuvenzinhas começaram a flutuar entre as montanhas, sobre as casinhas dos mineradores.


Anchorage é um gueto cercado de montanhas
Anchorage é uma espécie de gueto cercado de montanhas, com um centrinho charmoso e um museu moderno. Nosso guia afirma que é um dos lugares mais multiculturais dos EUA, onde se falam até 90 idiomas. Isso nós não percebemos, mas tipos estranhos fazendo bagunça no estacionamento à meia-noite e inúmeros moradores de rua deitados na calçada, esses não passaram despercebidos. Felizmente, o estacionamento do supermercado onde pernoitamos era tranquilo, e a chuva nos embalou até pegarmos no sono.


Mau humor na viagem? Bolhas de sabão e jogos infantis salvam o dia

Embora não estivesse mais chovendo, nosso humor despencou de manhã. O cansaço dos milhares de quilômetros percorridos começou a cobrar seu preço. Saímos para subir um dos morros próximos, mas depois de vinte minutos de subida descobrimos que as placas no estacionamento estavam erradas — não estávamos indo para onde queríamos, mas sim para uma base militar. E então começou a chover de novo.
O que nos salvou foi o museu. Percorremos uma seção incrível sobre os povos nativos do Alasca, mas não vamos mentir: o que realmente levantou nosso astral foi a seção infantil. Fazer bolhas de sabão é uma terapia maravilhosa. Como dizemos na República Tcheca: “Quem brinca, não apronta” — e funciona para adultos também!
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